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Pessoal, as vezes os montros da vida irão encontrar vocês. Mas não se deixem abater! São só monstros que uma hora vão embora. Se você nao der bola e seguirem frente tudo vai ficar bem!
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Ônibus
Sempre quando vou pegar o ônibus para ir à faculdade observo o espaço e as pessoas ao meu redor. Ao atravessar a rua, por exemplo, vejo que se uma pessoa atravessa no sinal verde outras também atravessam, como se imitassem o comportamento daquele que tomou essa iniciativa. Gabriel Tarde (1843-1904) já havia constatado que as pessoas se imitam e que tudo é governado por leis de imitação. Ele afirmava que o social é justamente essa corrente imitativa. Mas, voltando para o trajeto casa-faculdade, no ponto de ônibus costuma ter bastante gente, porém ninguém se fala, ninguém se olha, as pessoas apenas ficam olhando para a mesma direção esperando seus respectivos ônibus aparecerem. É curioso quando chove, porque aqueles que têm guarda-chuva não parecem se importar que a pessoa que está do lado não tenha e esteja se molhando, de modo que um guarda-chuva pode abrigar duas pessoas. Isso mostra um pouco o que são as pessoas no domínio público: elas ficam em silêncio, valorizam a individualidade, não gostam de ser tocadas por estranhos e, de vez em quando, utilizam palavras básicas de convivência como ‘bom dia’, ‘com licença’ e ‘obrigado(a)’. Sennet (1988) dizia que o enaltecimento do silêncio nos ajuda a experimentar a vida pública, especialmente a vida nas ruas, sem nos sentirmos esmagados por essa multidão de estranhos e desconhecidos. Dividir o guarda-chuva com um estranho poderia ser uma imensa invasão da individualidade, fora que o silêncio teria que ser quebrado.
Quando o ônibus chega as pessoas não respeitam ninguém, elas saem correndo para passar primeiro pela roleta e conseguirem um lugar sentado (ou ao menos um bom espaço para ficar em pé). O motorista quase não é notado, exceto por uns e outros que se lembram de dar ‘bom dia’. Já no trajeto, o ônibus fica cada vez mais cheio, e o silêncio é muito valorizado. Quando entram conhecidos no ônibus que conversam entre si isso já causa um notável incômodo entre os passageiros. Indivíduos que falam no celular são veementemente censurados. Os que escutam música sem fones de ouvido faltam ser jogados para fora. Enfim, tudo o que rompe com o silêncio com o qual estamos tão acostumados a vivenciar em nossas vidas públicas causa um desconforto geral. Em “A invenção das massas: a psicologia entre o controle e a resistência”, há um trecho que diz que a sociedade incide no vigiar permanente de cada um, desestimulando comportamentos em público que pudessem revelar o que se passa na interioridade das pessoas. Apesar de ser uma análise da sociedade do século XIX, podemos perceber que é extremamente coerente com a situação do ônibus.
Com o ônibus lotado as pessoas que estão mais na frente começam a querer passar para a parte de trás, ficando meio desesperadas para não perderem o ponto de descida. Isso causa um “empurra-empurra” a meio de vários ‘com licença’. Percebo que esse ‘com licença’ é mais uma maneira de se dizer que está passando do que realmente um pedido de licença para passar, pois o indivíduo vai passar de qualquer jeito, nem que seja atropelando a todos.
Eu costumo ir em pé durante um bom tempo, e quando consigo sentar percebo olhares de inveja dos outros passageiros. Sinto-me meio desconfortável e para me sentir menos culpada por estar sentada ofereço-me para segurar a mochila ou a bolsa de alguém que está em pé. É um momento estranho, nunca sei se posso realmente segurar a mochila ou apenas repousá-la em minhas pernas. Fico me policiando para não apresentar comportamentos que incomodem os outros. Foucault já dizia que a disciplina se vale da vigilância como um de seus mecanismos mais eficazes, ele mostra que os efeitos de poder, tais como o autocontrole dos gestos e atitudes, são produzidos sobretudo pela sensação de estar sendo vigiado.
Às vezes o indivíduo que está ao meu lado dorme e acaba caindo em mim, o que me causa repulsa e extremo desconforto. Eu mexo meus ombros para ele sair de cima de mim, pois seria ainda mais estranho acordá-lo e lhe dizer que ele está invadindo minha individualidade.
Sempre, todos os dias, há um momento em que o motorista se esquece de parar quando uma pessoa faz o sinal para descer. Esse é o momento em que todos, ou quase todos, se unem para um único fim: parar o ônibus. Várias pessoas começam a gritar, a assobiar, a bater no ônibus, tudo para chamar a atenção do motorista, causando um rebuliço total. No fim, o indivíduo que perdeu o ponto desce, os passageiros trocam palavras como ‘absurdo’, ‘motorista abusado’ e ‘falta de respeito’, e voltam ao silêncio. Algumas pessoas até tentam continuar o assunto, mas é difícil arrumar um bom ouvinte que realmente preste atenção no que se tem a dizer. A maioria só quer pôr os fones de ouvido ou fechar os olhos – em silêncio.
Eu gosto de ficar sozinha e não gosto. Confuso, não? Mas ás vezes você quer paz, quer pensar, quer silencio. E na outra quer alguém ali, pra conversar, abraçar, e se divertir.
Aléxia Tiffany. (via emendarei)

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Manifestações
Estava olhando meu facebook agora e vi que várias pessoas ficam criticando e debochando das manifestações que aconteceram hoje contra a corrupção e contra o governo da Dilma. Achei bem curioso, porque essas mesmas pessoas que estão reclamando e debochando foram às ruas naquela manifestação de 2013. E se for pra comparar, apesar das de 2013 estarem em (bem) maior número, não tinham nenhum foco! Começou por causa do aumento da passagem de ônibus e depois era cada um protestando sobre o que quisesse. A de agora pelo menos tem um objetivo claro (fora Dilma). Eu não sou a favor do impeachment, mas acho muito válido ir as ruas protestar pelo que se quer ao invés de ficar no face fazendo dubsmash! Cresçam! Só as suas manifestações são dignas de seres observadas e levadas a sério? Deixem as pessoas serem livres! Parem de agir dessa forma covarde!
Não tenha vergonha de ser como você é, tenha orgulho de ser quem você é; porque ninguém é igual à você. Você é único, assim como todos são únicos e não existe ninguém igual. Você é especial exatamente do jeito que você é, sem nenhuma exceção. Se aceite como é. Seja feliz como você é, pois você jamais vai ser feliz sendo como os outros querem que você seja.
© Antônio Reis
Exatamente!
Adorei!
Era uma vez...
Era uma vez uma princesa, ela tinha empregadas que arrumavam a sua casa, tinha motoristas que a levavam para os lugares, e foi ensinada a ser tratada como uma demente incapacitada. “Nunca tome a iniciativa com os meninos”, “Deixe que ele pague”, “Deixe que ele te busque em casa”, “Agradeça aos outros, mesmo que você não goste”, “Não discuta com os mais velhos, mesmo que eles estejam errados, afinal eles são velhos”, …
A princesa cresceu e deixou que muita gente a humilhasse, pois era errado discutir. Ela esperou pelo príncipe (inexistente), que fosse mandar flores todos os dias, abrir a porta do carro, ser fiel caso você fosse uma ‘boa moça de família’. Quer saber um segredo? Isso ai não existe. Você tem que ensinar suas filhas a pegar ônibus, a ser independente, a mostrar sua opinião, mesmo que desagrade os outros, a limpar o próprio quarto, a ser quem ela quiser! Ninguém tem que viver para agradar os outros! Temos que ser livres, dentro do possível e dos limites da bondade. Temos que estar preparados para a vida real. Os pais não devem ser ditadores, devem preparar para a vida.

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