"Somos o que temos ou o que somos?"
Vivemos numa sociedade onde o valor de uma pessoa parece medir-se pelo carro que conduz, pela marca da roupa que veste ou pelo tamanho da casa onde mora.
Onde se confunde sucesso com ostentação. Onde, aos olhos de muitos, somos aquilo que temos e não aquilo que somos.
Mas e se o carro topo de gama estiver a ser pago em suaves prestações durante os próximos sete anos, enquanto o mais modesto já está pago? E se o emprego invejado, com salário elevado e cargo pomposo, vier acompanhado de ansiedade, vazio e noites mal dormidas? E se aquela família "perfeita", sempre presente nas redes sociais, esconde discussões, mágoas, falta de afeto e traumas do passado enquanto aquela mais pequena, quase invisível, vive unida, em paz e com verdade e coleciona momentos?
As redes sociais tornaram-se vitrines de vidas filtradas. Só se publica o melhor ângulo, o momento mais bonito, o sorriso mais largo. Vende-se uma felicidade que muitas vezes não existe. Uma vida que, se não soubéssemos os bastidores, pareceria um conto de fadas. Mas há quem conheça o "antes da foto", o que ficou de fora, e sabe que nem tudo o que reluz é ouro.
As pessoas perderam a essência. Tornaram-se personagens de si mesmas, vestem uma capa de manhã e tiram-na à noite, cansadas de representar. E assim vão vivendo ou sobrevivendo até que a vida, como sempre faz, abane a estrutura e revele o que é real.
Sou pragmática. Gosto do que é verdadeiro, do que é intenso, do que não se esconde. Não faço juízo de valores, mas também não entro em fingimentos. Quando gosto, é de verdade. Quando não gosto, também não disfarço. Não sou meio termo.
Irrito-me com esta sociedade que deixou de ser sensível e empática. Que julga sem saber, que ataca por detrás de um ecrã, que prefere destruir do que compreender.
Onde o mais importante já não é ser, mas parecer.
Como diz o provérbio português: “Quem vê caras, não vê corações.”
E nunca este provérbio fez tanto sentido como agora.
Porque por detrás de tantas fotos felizes, estamos a rebentar pelas costuras com depressões, ataques de pânico, bipolaridade e amargura silenciosa.
Vivemos num país que sorri para a câmara… e chora no escuro.
Precisamos urgentemente de voltar à essência. De voltar a ser quem somos e não quem o mundo espera que sejamos.
Acordem (...)


















