incontáveis são os dias em que eu acordo já cansado. não é fÃsico — é aquela fadiga que começa na alma, sabe?
você levanta, escova os dentes olhando pro nada, coloca uma roupa qualquer, e sai. vai pro trabalho, finge interesse, responde mensagens automáticas, dá sorrisos meio tortos. a cabeça tá longe, mas o corpo tá ali, cumprindo função...
todo dia igual... todo mundo com pressa, com olheiras, com silêncio dentro... como se a gente tivesse virado parte de uma engrenagem que não para nunca. e se você parar, parece que desmorona tudo. então a gente continua. mesmo sem saber pra quê.
quando chega em casa, o cansaço é tão grande que a única coisa que você consegue fazer é deitar, rolar o feed e fingir que tá relaxando. mas na real, você só tá anestesiando o vazio...
e aà vem o medo: e se isso for o normal? e se a vida for só isso mesmo — acordar, trabalhar, pagar boleto e repetir?
às vezes me pergunto: quando foi que parei de viver e comecei só a funcionar?
— estou aqui, mas não comigo...














