“Wow, será que isso está mesmo acontecendo?” pensou Fredo enquanto prestava atenção nos comentários de Everett. Desde que conheceu o outro, era como se a vida de Fredo tivesse seguido um rumo diferente de tudo o que era antes, seus dias chatos haviam ido embora e agora sempre que pensava em fazer alguma coisa, o nome de Everett sempre lhe vinha na cabeça, e a situação sempre se tornava melhor do que jamais foi. Seria aquela a tal definição de final feliz? Ter uma vida bacana e cheia de diversão fazendo o que gosta e tendo alguém como Eve sempre por perto? Por mais que tudo aquilo soasse certo em sua cabeça, algo ainda o prendia com um pé pra trás, Fredo podia ter seu jeito descontraído e divertido, mas algumas vezes, por dentro seu coração era inseguro e seus pensamentos incertos, não era exatamente o tipo de coisa que se esperava dele, na verdade Fredo nunca foi bom em deixar os outros verem seu lado mais “fraco” e possivelmente ele esconderia tal coisa de Everett por muito tempo ainda.
— Bem… a festa de acordo com o John vai ser hoje a noite na casa dele, e ele chamou alguns amigos de fora pra ir, não vai ser uma coisa muito pequena, se eu conheço o John ele gosta de dar umas festas grandes as vezes porque isso ajuda a manter o nome dele na lista de contatos de várias pessoas por aí, é assim que ele constrói a popularidade dele, esse é o John. — Riu baixo coçando a nuca e encarando o outro — Fredo olhou rápido a estrada que seguiam e conseguiu ver de leve uma placa pouco maior que as demais já vistas antes, era a indicação da entrada de uma cidade, de fato era, mas o moreno não conhecia bem toda a região próxima à cidade onde morava, ele na verdade nunca esteve ali antes de se mudar, e por isso certamente não fazia a menor ideia de onde estava, ou quanto tempo levaria para chegar ao tal lugar, mas nem mesmo isso o preocupava, aquela sensação tranquila de estar com Everett ali era o bastante para que ele acreditasse que estava bem. Mas afinal… o que estava havendo ali? Fredo sabia que sentia algo por Everett e sabia que o outro também sentia algo por ele, mas era algo diferente, Fredo não se sentia apaixonado por Everett ainda mas era como se todo o seu corpo estivesse pedindo que isso acontecesse, ele se sentia bem perto do outro e devia admitir que as vezes ficar encarando os olhos dele por muito tempo era como se sua cabeça jogasse nele milhões de vezes repetidamente a imagem dos dois se beijando do lado de fora da cozinha algumas noites atrás.
O rosto de Fredo estava começando a ficar levemente mais quente e isso era sinal de bochechas se avermelhando, logo ele esfregou as mãos em ambas e sacudiu a cabeça implorando que aquilo não acontecesse, virando-se novamente para Eve numa única e simples pergunta. — Então… qual é a sua história nessa cidade? — Falou logo que notou a aproximação de um meio urbano mais aparente de uma nova cidade.
Definitivamente algo estranho estava acontecendo ali. Não com o ambiente, ou com o carro, ou com Frenando, mas com Everett, era estranho, ele nunca havia se sentido assim antes. Mesmo quando John havia feito toda aquela cena que deixava muito claro o seus sentimentos por Fredo, ele se sentiu tão incomodado quanto estava ao ouvir o outro falar sobre John. Porque não estavam falando sobre eles, ou sobre como o dia estava bonito, porque tinham de falar sobre John e sua ascensão social? Everett não dava a mínima para aquilo ou para aquele garoto, e o fato de saber que a amizade que ele e Frenando tem é muito mais forte do que pensava o incomodou sim! Droga! Pensou enquanto apertava o volante com um pouco mais de força sem dizer uma palavra. Não queria parecer chateado, principalmente por um motivo tão fútil, então se limitou a suspirar e lançar um sorriso para Frenando. A cidade de Galway ainda era exatamente como Everett se lembrava, não parecia ter evoluído muito desde a ultima vez em que estivera ali, e olhe que aquilo fazia algum tempo. Foi pego de surpresa pela pergunta de Fredo e riu um tanto nervoso antes de começar a falar. – Bom... O inicio da minha historia foi nesta cidade. – Deu de ombros enquanto dirigia, saindo do centro da cidade em direção ao subúrbio. – Sinceramente eu não sei porque te trouxe aqui, mas quando eu estava pensando sobre que lugar te trazer este foi o primeiro que veio na minha mente.
Sem dar mais detalhes, Everett dirigiu em direção ao subúrbio. Não demorou muito até estacionar o carro em uma pracinha onde crianças brincavam alheias a tudo, mordeu o lábio inferior e tirou o cinto de seguranças, descendo do carro em seguida e esperando que Fredo se juntasse a ele. – Tudo bem, agora que estamos aqui eu estou me sentindo meio estúpido. – Soltou uma risada nervosa. – Quero dizer, com tantos lugares para se levar alguém no primeiro encontro e eu te trago aqui? – Everett parou para pensar por um segundo se deveria simplesmente entrar no carro e dar o fora, não sabia se Fredo iria gostar do que ele tinha para mostrar, muito menos se estava sendo um tanto quanto rápido demais em dividir tudo o que estava prestes a dividir com ele, respirando fundo e tomando uma decisão naquele instante, Everett instintivamente segurou a mão de Fredo e o puxou pelo parquinho. – Vem! - Passou por algumas crianças que corriam atrás umas das outras e observou de relance enquanto outras brincavam em um escorregador, imediatamente imagens de sua própria infância pipocaram em sua mente. Everett só parou quando estavam muito próximos de uma arvore, ela era a única no local e era alta, ele deu uma boa olhada para ela e então para Fredo. – Espero que seja bom escalando, vem! – E sem esperar ele trepou na arvore, subindo nela sem dificuldades e escorando-se no primeiro galho. Everett continuou subindo e esperou que Fredo estivesse logo atrás dele.
Ele parou quando chegou exatamente onde queria, sentando-se no ganho e dando uma mão para Fredo, esperando que ele se sentasse bem ao seu lado, esperou que ele estivesse confortável até começar a falar novamente. – Desculpe pela escalada... – Deu de ombros, rindo um pouco. Suas mãos tremiam e seu coração estava acelerado, não estava acreditando que realmente havia feito aquilo. – Sei que está se perguntando por que dirigimos por uma hora só para eu te trazer aqui, nesta árvore... Bom, ela não é qualquer árvore, ela é minha árvore. – Parecia um tanto orgulhoso de si. – Quando eu tinha seis anos eu acabei presenciando a primeira de muitas outras brigas serias entre os meus pais, eu fiquei assustado e dei o fora de casa e está arvore foi à primeira coisa que eu vi, então eu subi bem aqui onde estamos e fiz isso. – Eve apontou para uma parte do tronco esculpido em canivete com o seu nome e em seguida apontou para uma casa próxima. – Vê aquela casa azul? Foi ali que eu nasci, cresci e morei até ter doze anos. Enfim... – Eve riu um tanto sem graça, levando a mão na nuca e coçando o local. – Depois desse dia eu continuei vindo aqui, de alguma forma era o único lugar onde eu me sentia seguro para estar, as vezes eu voltava da escola direto para cá e observava enquanto o céu escurecia, eu esperava para ver se o meu pai ia sair preocupado com a minha ausência, mas isso nunca acontecia... – Everett encarou Fredo e mordeu o lábio inferior receoso. – Eu realmente não consigo entender porque este foi o primeiro lugar que veio a minha mente quando eu pensei em te levar a algum lugar, talvez porque a essa altura eu já saiba algo sobre você enquanto você ainda não sabe nada de mim, talvez porque eu saiba que você é especial e por isso merece conhecer o meu lugar especial... – Eve riu um tanto sem graça. – Desculpe se você ficou desapontado de alguma forma por eu ter te trazido aqui, na minha mente isso pareceu muito mais legal do que realmente é.