situaçþes tumultuadas, multidĂľes, pessoas com quem nĂŁo costumava conversar surgindo do nada para debater sobre algum assunto⌠grace nunca gostou de nenhuma dessas coisas e, desde antes mesmo da chegada da polĂcia no local, os arredores de onde o Ă´nibus havia parado era uma combinação das trĂŞs. nĂŁo seria hipĂłcrita de dizer que nĂŁo havia ficado curiosa com o ocorrido, que nĂŁo havia demonstrado interesse em ouvir algumas das teorias formadas pelos habitantes locais, todavia, o tempo que passou no meio do tumulto jĂĄ havia sido mais do que o suficiente para fazer com que a mulher se cansasse de tudo aquilo. graças ao apagĂŁo, ir para casa seria um tanto difĂcil mesmo se conseguisse passar por todas aquelas pessoas e, por causa disso, nĂŁo conseguiu conter um suspiro de alĂvio ao ver que o wild horse bar mantinha as luzes acesas. âĂŠ, eu tava lĂĄ no meio atĂŠ agoraâ disse ao ouvir jesse logo que ela entrou no bar, sentando-se em um dos bancos que ficavam perto do balcĂŁo logo em seguida. âo complicado ĂŠ saber qual das trezentas histĂłrias que jĂĄ tĂŁo circulando ĂŠ a verdadeira. tem umas pessoas bem criativas por aĂâ riu baixo âisso ĂŠ pra mim?â questionou, arqueando as sobrancelhas e apontando para a bebida que ele havia largado sobre o balcĂŁo.
                âO que te fez entrar? AlĂŠm do gerador, quero dizer. Certamente nĂŁo foi a fachada convidativa.â Brincou, o olhar ainda focado nos copos do balcĂŁo. âIsso custa dez dĂłlares.â Respondeu, puxando a bebida de volta para si. âVinte pra vocĂŞ, na verdade.â Completou, sorrindo de canto e a olhando nos olhos. âNa verdade, tanto faz. Sobre as histĂłrias, eu quero dizer. Todas tem um fundinho de verdade, ou seja, dĂĄ pra tirar a essĂŞncia da coisa. Ănibus em chamas, uma pessoa virando churrasco. Ă bem simples.â Declarou, umedecendo os lĂĄbios. Era certo dizer que Jesse ficava, no mĂnimo, irritado com a presença de Grace em... Bom, qualquer lugar. E ali nĂŁo era diferente. Chegava a ser pior, ele pensava, porque o lugar era seu. Seu bar. E nem mesmo a multidĂŁo de pessoas que lotava o lugar seria capaz de distraĂ-lo da loira, jĂĄ que ela parecia fazer o possĂvel e o impossĂvel para nĂŁo o deixar em paz. NĂŁo restava nada a fazer a nĂŁo ser dar o troco. âE o que vocĂŞ acha que aconteceu? Se conseguir me convencer com uma histĂłria absurda, a bebida ĂŠ sua com um desconto de cinquenta por centro. Sai pelo preço original.â Sussurrou a Ăşltima parte, como se contasse um segredo. âBoa sorte. NĂŁo pode ser algo que eu jĂĄ ouvi hoje e tambĂŠm nĂŁo vale chorar e se desesperar. Isso aqui nĂŁo ĂŠ Hollywood nĂŁo.â
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Sabia que seus irmĂŁos demorariam para sair da rua, estavam entretidos com amigos ou com a prĂłpria confusĂŁo que se instaurara no ambiente. Voltar para a casa escura nĂŁo parecia mais a melhor opção, logo a morena pensara que adentrar o primeiro estabelecimento com um gerador seria o mais confortĂĄvel a se fazer. Arrumando o casaco que lhe protegia do frio, Harley fez o caminho atĂŠ o balcĂŁo, sentando-se em uma das cadeiras nĂŁo demora para ver a figura de Jesse, torcendo o nariz para o comentĂĄrio deste. âNa realidade dĂĄ pra ver a fumaça e uma parte do Ă´nibus daqui entĂŁo nem precisa de um relatĂłrio pra ligar os pontos.â
                  âĂ, o cheiro tambĂŠm ajuda um pouco.â Concordou, passando a limpar os copos sujos do balcĂŁo. âVai pedir alguma coisa, Norwood? Get some blood flowing, uh?â Sorriu, provocativo. Lembrava-se muito bem do dia em que se conheceram: o dono do bar tentava separar a mulher de um bĂŞbado qualquer que tinha a incomodado. A vontade de Jesse naquela noite era deixar com que ela acabasse com o velho, mas, infelizmente, ele tinha um policial usando o banheiro do estabelecimento. Deixar que ele encontrasse uma briga nĂŁo era exatamente a melhor escolha. âHoje âtĂĄ cheio de babaca, dĂĄ pra vocĂŞ escolher e ainda deixar os melhores para o final. Suit yourself.â
          Entrou depressa no bar, tentando evitar o clima gĂŠlido das ruas e procurando um lugar quente o suficiente para que pudesse se abrigar por aquela noite. Logo alcançou o balcĂŁo e pediu por uma cerveja, ignorando toda a confusĂŁo que acontecia do lado de fora do ambiente. Corpos estirados no chĂŁo lhe traziam uma lembrança nada agradĂĄvel, e ela preferia esquecer.  â â Jess, aquele assento esta desocupado?â Apontou para poltrona no canto do bar, dando a entender que ficaria por tempo indeterminado. â â VocĂŞÂ nĂŁo tem ideia do caos que esta la fora, Ê bem pior do que aparenta.â Passou os dedos pela testa massageando as tĂŞmporas, invejava os sortudos que conseguiriam chegar em casa naquela noite. Ela estava visivelmente cansada, os Ăşltimos dias no trabalho haviam sido cheios e estressantes, aquela cerveja era tudo que ela estava precisando no momento.
                  Arqueou as sobrancelhas para a mulher, logo depois de seguir a indicação dela e avistar a poltrona. âVocĂŞÂ âtĂĄ zoando com a minha cara, Lana?â Respondeu com outra pergunta, estreitando o olhar. âQualquer assento aqui estĂĄ desocupado quando vocĂŞ consegue tomĂĄ-lo como seu. Ou pague para ter alguĂŠm tirado dele, mas deixemos isso para outra hora, sim? As coisas estĂŁo meio caĂłticas por aqui para eu organizar subornos.â Concluiu, o tom sarcĂĄstico explĂcito na voz. Observou a linguagem corporal da morena, entendendo que estava tĂŁo cansada quanto ele e que aquela situação nĂŁo melhorava muito as coisas. âAcho que eu tenho um pouco de noção, sim. Ă quase como se eu jĂĄ tivesse vivido algo do tipo antes...â Provocou, revirando os olhos. âEnfim, vocĂŞ parece tensa. Aceita uma massagem?â Ofereceu, claramente com segundas intençþes.
assim que a mulher percebeu que de nada adiantaria se manter por ali, helena entrou em um dos ambientes que parecia ser pouco iluminado com um gerador, um Ăłtimo lugar para tentar entender o que acontecia e ainda tomar uma cerveja enquanto fazia sua filha dormir jĂĄ que a pequena carregava olhos pesados e dava bocejos contados. se sentou prĂłxima ao balcĂŁo e pediu a bebida para o homem enquanto posicionava charlotte dentro do carrinho que lhe pertencia e lhe dava de mamar. âentendo.â respondeu pegando a bebida e o agradecendo com um sorriso. âestava lĂĄ fora e estĂĄ muito confuso, melhor ficar aqui mesmo, ainda mais pelo gerador, sabe?â
                  A mulher era insana por entrado naquele bar com uma criança, disso Jesse tinha a mais absoluta certeza. NĂŁo tentou nem esconder o olhar de julgamento enquanto preparava a bebida e na clara hesitação ao entregĂĄ-la para a morena. Assentiu para a explicação dela, mordendo o lĂĄbio inferior para nĂŁo deixar um riso de escĂĄrnio escapar. âSim, claro. O gerador estĂĄ uma merda, na verdade, nĂŁo sei se ele aguenta a noite toda. Espero que atĂŠ acabar todo mundo jĂĄ esteja bĂŞbado demais para se importar. Eu ia odiar ter que acender velas. NinguĂŠm precisa de mais uma coisa pegando fogo hoje, certo?â
Ao ouvir os gritos e as sirenes vindo no lado de do bar, a primeira coisa que Maeve fez foi sair de perto do balcĂŁo no qual estava, indo em direção Ă uma janela, na intenção de ver melhor o ocorrido. Havia fogo, carros de polĂcia e aparentemente um corpo. Sim, a certeza de que havia uma pessoa morta em meio ao tumulto era quase positiva. Depois de sua dĂşvida ser realmente confirmada, Maeve voltou para o balcĂŁo, pegando a bebida com uma das mĂŁos e a bebendo em um Ăşnico gole. âĂ melhor nĂŁo. Aqui estĂĄ mais tranquilo, por incrĂvel que pareça.â Ela deu de ombros. âEu posso te atualizar⌠Havia um Ă´nibus em chamas e um homem morto.â
                âTranquilo?â Arqueou as sobrancelhas, olhando em volta do prĂłprio estabelecimento. âIsso aqui tĂĄ um caos, Graham, um caos. Eu honestamente prefiro a mĂŠdia de sete brigas por noite que a gente tem nos fins de semana. Desespero nĂŁo se cura com a porra de um shot.â Passou a mĂŁo pelo rosto, bufando. NĂŁo bastasse a porcaria da mĂŁo quebrada servindo como uma lembrança, agora tambĂŠm tinha que lidar com memĂłrias. Tudo graças ao filho da puta que tinha decidido colocar fogo em um Ă´nibus. âĂ, eu ouvi falar... NĂŁo ĂŠ como se fosse o top #1 de assuntos comentados na Ăşltima hora.â Revirou os olhos, olhando para a bebida que ela tomava. "VocĂŞ conhecia o cara?â
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A noite que jĂĄ havia começado com um apagĂŁo geral na regiĂŁo agora tambĂŠm contava com gritos e sirenes policiais, a situação toda era um tanto quando improvĂĄvel. Mas nada ĂŠ improvĂĄvel demais para aquele canto de Chicago. A confusĂŁo se estendia para dentro do lugar, abarrotado de pessoas em busca da luz provida pelo gerador. âQuem passa noticias melhores do que um bando de bĂŞbados, nĂŁo ĂŠ mesmo?â falou com um meio sorriso, dirigindo seus olhos ao loiro enquanto limpava um copo. âParece que colocaram fogo num Ă´nibusâŚâ ou ao menos era isso que ela tinha ouvido do homem no final do balcĂŁo. âE no motoristaâ.
                  Jesse riu, atraindo olhares desaprovadores de algumas pessoas, o que nĂŁo podia ter tido um efeito menor no humor do homem. Assentiu veementemente, despejando vodka no prĂłximo copo limpo. âHey, eu te ensinei bem.â Arqueou as sobrancelhas ao fazer a brincadeira. Mudou o peso de um pĂŠ para o outro, levemente desconfortĂĄvel. âYeah... Deu pra ver o Ă´nibus desgovernado descendo da janela... Acho que vocĂŞ estava lĂĄ atrĂĄs ainda.â Comentou, fazendo com o que o copo deslizasse pela madeira atĂŠ ela. âPode beber essa por conta da casa. Vai ser uma noite longa pra vocĂŞ tambĂŠm, blondie.â
O frio começou a ficar insuportĂĄvel demais no lado de fora, por mais que estivesse agasalhado, a escuridĂŁo parecia deixar tudo ainda mais gĂŠlido. E a sua garrafa de vinho estava vazia, de qualquer maneira. Por este motivo, foi se abrigar num local onde as suas visitas jĂĄ eram frequentes e, por sorte do destino, tambĂŠm tinha um gerador funcionando. E ĂĄlcool, ele precisava de ĂĄlcool. â           Ă, bem, estĂĄ um caos total lĂĄ fora, eu nĂŁo ia perder de ver de perto, vocĂŞ sabe. De todo jeito eu lucro com isso. â  deu de ombros, alcançando a bebida que havia sido colocada sobre o balcĂŁo antes de notar a mĂŁo quebrada do loiro.  â             Ih. Por acaso a sua mĂŁo escorregou na cara de alguĂŠm? â  perguntou, arqueando uma das sobrancelhas. E entĂŁo ele se deu conta. Kaleb se deu conta do por quĂŞ o outro nĂŁo estava tĂŁo interessado em saber sobre o atentado. E em como o incidente que havia acontecido na frente daquele mesmo bar no inĂcio do ano havia levantado tantas reaçþes semelhantes. â           NĂŁo perde nada ficando aqui dentro, sĂŠrio. You okay? Porque eu posso colocar ABBA pra tocar, ĂŠ comprovadamente impossĂvel ficar desanimado escutando ABBA. âÂ
                âPorra, cara, isso ĂŠ terrĂvel.â Disse, em meio a uma risada baixa. âA sua sorte ĂŠ que eu gosto e que a sua carinha ĂŠ linda demais pra alguĂŠm vir aqui acabar com ela.â Completou, balançando a cabeça. âCaos total estĂĄ aqui dentro. Eu prefiro separar um milhĂŁo de brigas do que aguentar mais uma pessoa entrando aqui em prantos. Esse ĂŠ mais o seu departamento, que merda. Oh, this?â Perguntou, indicando a prĂłpria mĂŁo com o olhar. Tentou nĂŁo deixar a seriedade da expressĂŁo se manter por muito tempo, mas nĂŁo conseguiu. Ela jĂĄ havia tomado o espaço da conversa. âVocĂŞ me conhece, sou desastrado.â Respondeu, dando de ombros. Suspirou, abaixando a cabeça e fechando os olhos por alguns instantes. Concentrou-se no ar entrando e saindo de seu corpo, a mĂŁo boa se fechando contra a madeira do balcĂŁo. âEu âtĂ´ legal, man. SĂł estressado com esse caos e com vontade de ir lĂĄ em cima destruir esse caralho de gerador no soco. JĂĄ estou com uma mĂŁo fodida mesmo, nĂŁo vai ter problema se eu fizer uma segunda visita ao hospital essa semana.â Riu, sem muito humor. Por fim, levantou a cabeça, olhando diretamente para o outro. âQuer saber? Pode colocar pra tocar. Mas eu sĂł deixo se for Dancing Queen em um loop infinito. Ă pegar ou largar.â
Antes de toda confusĂŁo começar, seu intuito era ajudar o irmĂŁo no bar visto que naquela noite nĂŁo tinha nenhuma luta programada. Infelizmente o atrasado em sua reuniĂŁo lhe fez pegar todo o problema com o Ă´nibus e com isso desistir de ir para o Route 66 e sim encaminhar-se para um destino que jĂĄ conhecia muito bem. Como jĂĄ era de se esperar, o local ainda tinha luz, mesmo que um pouco fraca, e nĂŁo era preciso chegar muito perto do clientes para saber qual era o assunto da noite. Seus olhos focaram no dono do bar e no momento que serviu uma bebida para um cliente e decidiu se aproximar, sentando em um dos bancos. âNem vai perder muita coisa, apenas um Ă´nibus caindo aos pedaços e um corpo preto feito carvĂŁo.â Trinity nunca foi muito conhecida pelo tato ao falar dos mortos. âSerĂĄ que eu posso ganhar uma daquela ali tambĂŠm?â Perguntou apontando com a cabeça para a bebida servida antes.
                  Jesse soltou um riso abafado ao ouvir a mulher. Sempre tivera uma certa inclinação a encontrar o humor, principalmente humor negro, em qualquer situação. Balançou a cabeça em negação, fingindo estar decepcionado com a falta de delicadeza da Kavinsky. Nem ao menos colocou esforço na interpretação; o sorriso de canto em seus lĂĄbios denunciava isso. âFoi mais ou menos o que eu ouvi tambĂŠm. A Ăşnica pergunta que ninguĂŠm fez ou conseguiu responder foi que tipo de animal fez essa barbaridade.â Virou-se de costas para pegar mais um copo na prateleira atrĂĄs de si. âUm mamĂfero ou uma ave?â Perguntou, mais para si mesmo, aproveitando que estava de costas para lançar um olhar para a prĂłpria mĂŁo machucada, resultado do crime da Ăşltima semana. Quando se virou novamente para Trinity, porĂŠm, a expressĂŁo jĂĄ havia sumido de seu rosto. O Hiscocks umedeceu os lĂĄbios e olhou em volta, assegurando-se de que ninguĂŠm prestava atenção nos dois. âDepende, senhorita.â Respondeu, inclinando o corpo por cima do balcĂŁo atĂŠ que seu rosto estivesse a meros centĂmetros do dela. âVocĂŞ vai pagar?â Sussurrou.Â
                Os gritos e as sirenes ouvidos pelo dono do bar mereceram sua atenção por poucos segundos quando começaram. Agora, quase meia hora depois da chegada da polĂcia, ainda conseguia ouvir o tumulto lĂĄ fora e tambĂŠm dentro do bar, jĂĄ que eram um dos Ăşnicos estabelecimentos prĂłximos com um gerador. Um gerador de merda, mas ainda assim. Balançou a cabeça em negação e fechou os olhos com força, tentando bloquear o burburinho que lhe lembrava aquela noite agitada no começo do ano. Terminou de preparar a bebida e a colocou no balcĂŁo com uma das mĂŁos â a outra estava quebrada. âEu nem vou me incomodar em ir lĂĄ fora, sabe. Ă sĂł ouvir qualquer conversa aqui dentro por, sei lĂĄ, dois minutos que vocĂŞ consegue o relatĂłrio completo.â
donât forgive the murderer, father, the victims never sinned ( flashback, february 2018 )
âE, semelhantemente, tambĂŠm os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles nĂŁo se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que nĂŁo convĂŠm; Estando cheios de toda a iniquidade, fornicação, malĂcia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicĂdio, contenda, engano, malignidade. Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e Ă s mĂŁes; NĂŠscios, infiĂŠis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliĂĄveis, sem misericĂłrdia; Os quais, conhecendo o juĂzo de Deus (que sĂŁo dignos de morte os que tais coisas praticam), nĂŁo somente as fazem, mas tambĂŠm consentem aos que as fazem.â (Romanos 1:27-32)
               Uma vez por mĂŞs, Jesse dava festas no Wild Horse Bar. Festas que levavam o mĂŞs inteiro para serem preparadas e que eram uma tradição de anos no estabelecimento. Havia a contratação de um DJ, funcionĂĄrios temporĂĄrios, equipe de iluminação e decoração. Tudo era programado para a extrema satisfação dos clientes e convidados que jĂĄ haviam se acostumado com o nĂvel das noites, portanto tinham a expectativa altĂssima. Festas que eram sempre um sucesso, nĂŁo importava o que acontecesse. Afinal, o dono do local sempre improvisava uma solução, porque nada podia dar errado na melhor noite do mĂŞs. Era sempre assim, o homem atĂŠ se acostumara. NĂŁo sabia o motivo, mas nĂŁo estava tĂŁo animado naquele mĂŞs. Talvez o tema estivesse muito batido, talvez as coisas dessem errado de um jeito que nĂŁo daria para consertar. Talvez nĂŁo fosse mais original, pensava ser o problema. âFuck itâ, pensou. âEu penso nisso da prĂłxima vez.â Por agora, era melhor se concentrar no que aconteceria naquela noite.
               Tudo estava indo como o esperado. MĂşsica, diversĂŁo, bebidas, danças. Dessa vez, conseguiu observar um nĂşmero muito maior de amigos seus ali, chegou atĂŠ a perder a conta. Como organizador, comprometia-se a nĂŁo beber e sempre ficar de olhos abertos. Mesmo assim, tinha a sua diversĂŁo. Quase esqueceu de seu mau pressentimento sobre aquela noite. Nunca se considerara uma pessoa sensitiva ou com qualquer coisa ligada Ă espiritualidade e muito menos religiĂŁo. Por isso, quase ignorou aquele sentimento por completo. Quase. Conseguiu ignorĂĄ-lo quando recebeu uma mensagem dos pais, dizendo que compareceriam na festa. Quando os pais nĂŁo chegaram? TambĂŠm conseguiu ignorar tudo aquilo, dizer para si mesmo que nĂŁo era nada. Jesse podia parecer um monstro sem coração, mas se importava muito com os pais, talvez as Ăşnicas pessoas que realmente amara durante sua vida toda. Mas, foi impossĂvel ignorar o sentimento quando a primeira leva de adolescentes que deixava a festa voltou para dentro mais rĂĄpido que jamais visto antes. Algumas garotas vomitavam. Outras choravam nos braços de amigos ou namorados. Todos pareciam chocados. O sentimento de agonia que o loiro sentira a noite toda? Ele estava lĂĄ, mais forte do que nunca. O que quer que tivesse acontecido, ainda estava lĂĄ fora.
               Jesse e seus seguranças lutaram para ultrapassar a barreira de convidados que jĂĄ observavam a cena que assustara os primeiros. Um dos seguranças chegou primeiro e tentou alertar o chefe. âSenhor, nĂŁo ĂŠ uma cena bonita. Seus paisâŚâ As duas Ăşltimas palavras fizeram aquele sentimento de antes explodir dentro de si ao ponto de fazer todo o ar ser puxado de seus pulmĂľes. Empurrou o funcionĂĄrio para o lado com força, obrigando-se a entender o que via. NĂŁo. NĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo. NĂŁo queria entender, nĂŁo queria enxergar. NĂŁo queria olhar para aquilo, nĂŁo queria aquela imagem em sua cabeça para sempre. Mas nĂŁo conseguia desviar o olhar. Todos ali reconheceriam os dois corpos jogados no chĂŁo como dois bonecos. Se nĂŁo por serem clientes antigos do bar e conhecerem os antigos donos, pelas fotos que haviam espalhadas pelo local. Todos ali sabiam quem eram Jacob e Adam Hiscocks. Todos ali sabiam quem eram os pais do atual dono do local, os pais de Jesse.
               Os dois homens estavam em situaçþes parecidas. Ambos mortos, com cortes profundos e olhos abertos. NĂŁo havia poças de sangue em lugar algum, era como se os corpos tivessem sido drenados. Os Ăşnicos traços do lĂquido vermelho estavam nas camisetas brancas que as vĂtimas usavam. NĂŁo eram manchas de sangue que estampavam o vestuĂĄrio. Eram linhas. Palavras. Em ambas as camisetas, podia facilmente ser lido o que estava escrito. Romanos 1:27-32. E, mesmo nĂŁo sendo religioso, Jesse sabia o que aquilo significava. SĂŁo dignos de morte os que tais coisas praticam. Seus olhos ardiam com lĂĄgrimas, por raiva. Seu corpo inteiro tremia, por Ăłdio. Seu coração se apertava, por pura e maciça dor. Sem desviar o olhar da cena, usou uma das mĂŁo para puxar o segurança para mais perto de si. âI want everyone out. Even you. Partyâs over.â Anunciou, atravessando o mar de pessoas e ignorando tudo o que lhe era dito. Tudo o que fez foi ligar sua moto e arrancar daquele lugar em uma velocidade inexplicĂĄvel.Â
               Não se importou com as pessoas chamando seu nome, não se importou com os corpos deixados ali, na rua, para todos darem uma olhada. Tudo o que importava era sua própria raiva e sua própria dor. Esperava que elas desaparecessem assim que parasse, porque a cada segundo elas tomavam mais espaço dentro de si. O apartamento dos pais era um borrão aos seus olhos. Não soube quando desferiu o primeiro soco e não soube depois de quanto tempo parou. Só descobriu que gritou durante aquele tempo todo porque sentiu a garganta extremamente irritada. Olhou para suas mãos, encharcadas de sangue. Para os nós de seus dedos machucados e doloridos. E então se lembrou.
               Lembrou-se dos corpos sem vida dos dois homens que foram colocados na frente de seu prĂłprio estabelecimento. Soco. Dois homens que se amavam. Soco. Dois homens casados. Soco. Dois homens importantes.Soco. Dois homens que eram seus pais. Soco. Dois homens que pagaram o preço de ser quem eram. Soco. Dois homens que cometeram o crime de amar. Soco. O vermelho sangue havia criado uma pintura nos arredores e na parede.Â
               Levantou-se e, conforme saĂa da casa, escondeu o rosto com seu capuz e guiou a moto atĂŠ se aproximar de seu bar. Os corpos nĂŁo estavam mais lĂĄ, apenas alguns curiosos e fitas amarelas da polĂcia. NĂŁo quis enfrentar tudo aquilo. Escondeu a moto entre as sombras da noite e entrou pelos fundos, logo subindo as escadas que levavam ao depĂłsito. SĂł entĂŁo, deixou que o rosto fosse banhado por lĂĄgrimas que, conforme eram limpadas, misturavam-se com o sangue em suas mĂŁos. Seu sangue. O prĂłximo passo seria tomar um banho e decidir o que fazer. A decisĂŁo levou dias. Dias que passou com as portas do bar trancadas, preso dentro de si. Sem amigos, sem conversas, sem nada. NĂŁo se importava com a preocupação dos outros. Era errado, mas nĂŁo se importava.
               A venda das instalaçþes antigas do Wild Horse Bar rendeu pouco dinheiro ao Hiscocks, apenas o suficiente para um sobrado abandonado próximo ao The Rabbit Hole e para a reconstrução sem nenhum tipo de zelo e importância do bar. Ele se mudou para a parte de cima do sobrado, os pertences que tinha jogados de qualquer forma nos cômodos sujos e escuros. Não tinha problema porque nada mais era importante. Não tinha mais um significado. Nada mais importava porque, depois daquela noite de festa, Jesse tinha duas perdas para carregar.
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