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Por mais que as coisas parecessem tranquilas na pequena cidade, era estranho ver tudo abandonado. Ainda existiam rastros da população da ilha por todos os lados, mas não era possível ouvir nem o som de animais conforme o grupo seguia a esfera brilhante.
Chegando no destino final do mecanismo, contudo, tiveram uma surpresa: gritos. Na esperança de encontrarem alguém que soubesse o que havia acontecido com o resto dos semideuses dali acabaram entrando tão rápido no centro comunitário que não pensaram nem na possibilidade daquilo ser uma armadilha, e agora estavam trancados. Para piorar, um grupo de oito demônios estava tentando alcançar uma menininha de dez anos que estava pendurada no parapeito do segundo andar, oito metros acima do chão e ameaçando a cair a qualquer momento.
Agora os semideuses só tinham duas escolhas: ou destruiam os demônios e salvavam a garota, ou todos iriam morrer ali.
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❛ㅤㅤ Nyxie havia aprendido muitas coisas ao longo de seus dezesseis anos morando no Palácio da Deusa da Magia no Submundo, infelizmente ser uma boa irmã mais velha não era uma delas. Mas ela tentava, do seu jeito estranho, compensar aquilo da melhor forma possível e ainda sentia que falhava sempre. Principalmente com Anael. Por isso ficou tantas horas pensando sobre o assunto “relacionamento” antes de finalmente ter coragem de dizer algo a mais nova. Não teve muitas experiências como aquelas ao longo da vida, e as poucas não acabaram tão bem. Tinham se fechado para o amor. Porém, apesar de todos os pesares, ainda conseguia se lembrar das coisas boas. E assim, ainda no barco aproximou-se da irmã e voltou a tocar no assunto, enquanto os olhos cinzentos focaram-se no mar.
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「♢ ――― 」 Não houve muita conversa enquanto seguiam a bola de luz, todos pareciam estar sérios e não seria ele a quebrar o silêncio. Aproveitava o caminho para observar todos os detalhes possíveis da ilha. As construções, os objetos deixados para trás, as marcas no chão, até os cheiros e sons que pudesse identificar, qualquer informação que pudesse ajudá-los de alguma forma.
Ele olhava para todos os cantos do centro comunitário quando adentraram o local. ❛ Explorar sim, mas se separar não é a melhor das idéias, não sabemos o que vamos encontrar. ━ Respondeu a Nyxie ainda olhando para os lados, criando uma planta do edifício em sua mente. Antes que pudesse pensar em um plano, ouviram os gritos do que parecia ser uma criança e junto com as outras seguiu correndo naquela direção.
Ouvia a conversa das meninas, prestando atenção nos pontos importantes que elas levantavam, mas sem responder nada. Em sua cabeça tentava traçar alguma estratégia para lutar contra aquelas criaturas. A informação de Asami era valiosa, mas não suficiente. Eles não conheciam aqueles demônios, não sabiam quais eram seus poderes e suas fraquezas, um golpe incerto poderia ser fatal, teriam que ser cautelosos. ❛ Calma, estou pensando em algo. ━ Respondeu a Barbie. Seu olhar ia para a criança, os demônios e os membros do grupo sem parar. Cada um dali tinha habilidades específicas, com certeza poderiam usá-las a sua vantagem. O apontamento de Liza era válido, estavam em desvantagem, mas a ideia de usar o exoesqueleto solucionaria aquilo, agora eram oito contra oito. Ainda assim, deveria existir uma forma de acabar com eles de maneira mais rápida, sem ter que chegar a uma luta corporal. Foi olhando para a filha de Hefesto que a ideia surgiu em sua mente. Sabia que ela sempre carregava lã de aço dentro de seu kit de primeiros socorros. Iriam todos para o segundo andar enquanto as duas filhas de Hades espalham os fios pelo recinto usando as sombras, assim causam uma distração e dificilmente seriam atacadas, deixando a ponta de um deles próximo ao restante do grupo. Barbara e Akali iriam manipular água para onde os demônios se encontravam, deixando-os molhados. Esses dois elementos seriam mais que o suficientes para conduzir uma quantidade significativa de energia, então Asami usaria sua luva para eletrocutar os 8 de uma vez só, enquanto Liza salva a menina com o exoesqueleto. Aquela seria a forma mais rápida e mais segura de atacar. ❛ Tá legal, o plano é o seguinte… ━ Se virou para as meninas, mas antes que pudesse começar a explicar, Akali saiu correndo em direção aos demônios com o seu martelo. ❛ Puta que pariu, só pode ser brincadeira. ━ Ele comentou mais para si do que para elas, enquanto já posicionava uma de suas flechas na besta. ❛ Mudança de planos. Cada um pega um. ━ Gritou enquanto já corria em direção ao seu alvo.
Sua primeira tentativa foi atordoar o demônio com os poderes de sua mãe, mas não parecia ter tido muito efeito, sem saber se era por não conhecer a criatura ou por não estar concentrado o suficiente. Em resposta, o monstro veio em direção a si, tentando acerta-lo com suas lâminas. Porém, conseguiu correr na direção oposta bem a tempo, desviando do ataque. A flecha já estava armada na besta, então Gaspard rapidamente atirou na direção do inimigo, conseguindo acertar o ombro do demônio que imediatamente começou a sangrar, mostrando um ferimento profundo. Novamente vindo em sua direção, mas dessa vez mais próximo, Gaspard sabia que correr não seria a melhor opção, ativando seu escudo bem a tempo de impedir que ele o atingisse de maneira certeira, fazendo apenas alguns arranhões em sua pele.
Agora com o monstro próximo demais de si, não conseguiria atirar uma flecha, por isso acertou a cabeça do monstro com a parte de trás da besta para tentar atordoá-lo, o que não foi a decisão mais sábia, logo pensou, já que sua não possuía muita força física. A única coisa que conseguiu com aquilo foi cortes profundos na sua mão e pulso. O próximo ataque veio antes mesmo que conseguisse raciocinar. O demônio não parecia ser muito inteligente, já que acertou com sua cabeça no escudo novamente, mas essa foi com força o suficiente para arremessá-lo com tudo para trás, atingindo a parede de concreto e se estatelando no chão. Ao tentar se levantar, se viu incapaz de realizar o movimento devido a dor na lateral de seu corpo, conseguindo identificar uma provável fratura nas suas costelas. O gosto de sangue surgiu na sua boca. Ótimo, agora não conseguiria fugir se precisasse.
Sentado no chão com as costas apoiadas na parede, atirou mais uma vez na direção do monstro, mas a dor nas costelas fazia seus movimentos ficarem imprecisos, o que fez com que a flecha errasse o alvo. O inimigo veio mais uma vez para cima de si, agora o escudo não seria o suficiente para se proteger. Então, esperou que a criatura egípcia estivesse perto o bastante para que, no último segundo, arrastasse seu corpo para baixo, deitando no chão. O demônio atingiu a parede e agora Gaspard se encontrava embaixo dele. Não tinha tempo para pensar na dor que sentia, em um movimento rápido pegou uma de suas flechas e encravou no peito do bicho, fazendo com que o mesmo cambaleasse para trás enquanto produzia um som horroroso que o filho de Atena imaginou ser um grito. Aproveitou a distração do monstro para tentar atirar mais uma flecha, mas novamente não conseguiu acertar. Com a flecha na mão para armar a besta de novo o bicho se reergueu, dessa vez o filho de Atena não teve tempo para pensar em uma defesa, sentindo as lâminas sendo fincadas em seu estômago. Se fosse morrer, levaria aquela coisa com ele. Usou o que sobrava de energia para cerrar o punho em volta da flecha que ainda estava em sua mão e com toda força atingiu o pescoço da criatura, vendo ela se desmantelar em areia por cima dele.
Não sabe por quanto tempo esperou. Estava sentado apoiado em uma parede, com o corpo coberto de areia e sangue enquanto sentia a vida ir embora. Não sabia se estava esperando a salvação ou a morte, apenas sabia que sentia dor demais para poder se mover ou pedir socorro, então ficou ali, parado, esperando por algo incerto. Provavelmente foram apenas alguns minutos, mas o tempo podia ser muito relativo, a sensação é que foram horas até Barbara o achar. Foi um alívio ver os cabelos castanhos da filha de Poseidon, sabia que se qualquer um daquela missão pudesse ajudá-lo, seria ela. Barbie tentava esconder o desespero por trás do sorriso, falando com ele com a voz calma, mas imaginava o quão difícil aquilo deveria ser para ela, sendo que ele mesmo estava desesperado com a possibilidade de nada funcionar e acabar abandonando o grupo da pior maneira. Então ele fez o mesmo, tentando demonstrar a máxima calma para não aumentar ainda mais o desespero da amiga, apenas gesticulando levemente com a cabeça enquanto ela falava e tentando se manter o mais imóvel possível.
A sensação do sangue voltando para suas veias era estranha, para dizer o mínimo. Era como se algo estivesse se invertendo por dentro de sua pele, o líquido entrando por lugares que não deveria. É uma dor diferente, algo que ele nunca sentiu antes e esperava não ter que sentir de novo, chegava até a sentir meio invadido com o corpo funcionando de uma forma da qual não era programado para. Contudo, sentir a costela ser colocada de volta no lugar foi mil vezes mais dolorido, como se a estivesse quebrando de novo. Ainda assim, sabia que nada daquilo estava sendo feito por mal, muito pelo contrário, era sua única chance de sobrevivência.
Aos poucos começou a sentir seu corpo voltar ao normal. Não estava 100% bem, longe disso, mas pelo menos já não estava mais à beira da morte. Conseguia sentir o sangue voltar a correr normalmente em seu corpo, a pele aquecer novamente e os movimentos voltarem a responder. A ferida que foi feita no estômago, que agora não passava de uma cicatriz, e a costela que tinha sido fraturada ainda causavam dor imensa, além disso, estava mais cansado do que lembrava já ter estado em toda a sua vida, mas estava vivo. Ele sorriu com o resmundo da amiga depois que percebeu que tudo estava bem e a abraçou de volta da melhor maneira que pode. ❛ Da próxima vez que eu ficar a beira da morte, te aviso com antecedência. ━ Brincou com ela. Assim que tentou se mover, Barbie veio ao seu socorro, e escorado nela os dois caminharam até o restante do grupo. ❛ Obrigado Barbie, de verdade, eu provavelmente não sobreviveria se você não tivesse me encontrado.
Visualizar Liza correndo até ele lhe deu um alívio ao saber que ela estava viva, não sabia como tinha sido a luta do restante do grupo, mas todas estavam acordadas, o que era um bom sinal. ❛ Não. Mas vou ficar, a Barbie me curou. ━ Respondeu a pergunta dela. ❛ E você? Algum ferimento? Conseguiu matar o demônio? ━ Disse enquanto a examinava para ter certeza de que estava tudo bem.
Ele sorriu para ela, olhando para o abdômen da garota na região onde ela tinha depositado a mão. ❛ Acho que estamos com cicatrizes combinando então. ━ Começou a desabotoar a própria camisa, coisa que queria fazer a um tempo já que ela estava completamente rasgada e ensanguentada, o que era no mínimo incômodo, e mostrou para a amiga a nova cicatriz que tinha ganhado pelo ataque do monstro. ❛ Que bom que você conseguiu matar! Eu sei que lutar não é muito sua praia, não é a minha também, mas fiquei preocupado. Pelo jeito não precisava. ━ Se sentiu orgulhoso por ela, tinha certeza que isso era uma grande evolução e confiava que ela poderia se tornar uma guerreira melhor se quisesse. ❛ Liza, você consegue pegar um pouco de ambrosia pra mim? Eu perdi bastante sangue, ainda não consigo me movimentar direito.
Gaspard percebeu a reação da amiga, as bochechas ruborizadas e tentando desviar o olhar dele. Aquilo despertou uma certa insegurança no rapaz. Tinha acabado de ter uma experiência de quase morte, sabia que não deveria estar com a melhor das aparências, mas será que estava tão grotesco a ponto de ser difícil olhar diretamente para ele? Preferiu ignorar aquele pensamento enquanto pegava a ambrosia que Liza oferecia, esperando que o alimento ajudasse pelo menos um pouco a voltar ao seu melhor estado. ❛ Acho que é o suficiente por enquanto, melhor guardarmos o resto caso tenhamos que lutar mais. ━ Respondeu, agora parando para observar o restante das garotas. Não pode deixar de notar a troca de roupa de Asami, o fazendo se perguntar o que tinha acontecido. ❛ Me atualiza no que aconteceu. Como foi a luta do resto da galera?
❛ É o mínimo que ela faz depois de correr que nem doida pra cima dos bichos. ━ Disse com ironia do comentário sobre Akali. Ficou extremamente irritado com a atitude da garota de ir pra linha de frente antes dele falar sobre o plano que tinha arquitetado. Tinha sido uma extrema irresponsabilidade e ele tinha consciência de que, se não fosse por Barbie, provavelmente não teria saído vivo por causa de um instinto impulsivo da filha de Netuno. Teria que conversar com ela sobre isso, mas mais tarde, agora estava muito bravo e cansado, provavelmente não sairia nada de bom disso. ❛ Ah, então por isso que ela teve que trocar de roupa? ━ Perguntou, logo juntando os fatos. ❛ Pelo jeito é na barriga que eles miram mesmo. Bom saber dessa informação caso encontrarmos um de novo. ━ Agora ele fitava a criança, adormecida junto a Akali. ❛ Liza, eu vou lá ver se consigo tirar alguma informação da menina. Melhor você e o resto das garotas ir descansar.
Agora a única coisa que passava em sua cabeça era conversar com a garota que estava sendo atacada pelos demônios quando chegaram. Ela parecia ter algo entre nove e onze anos, não tinha dúvidas que deveria estar minimamente traumatizada por tudo que tinha acontecido, mas esse é o preço que se paga quando se nasce um semideus. ❛ Akali, preciso conversar com ela. ━ Avisou a romana, se aproximando das duas que estavam deitadas juntas e quando a criança despertou, ele se ajoelhou a sua frente, dando um sorriso para ela a fim de deixá-la menos preocupada. ❛ Oi, Stormy, certo? Meu nome é Gaspard, sou um semideus filho de Atena. As meninas são Barbara, Nyxie, Anael, Asami, Liza e a Akali pelo visto você já conhece. ━ Foi apontando para cada uma da equipe conforme ia falando seus nomes, para que ela se familiarizar com seus rostos. ❛ Nós estamos aqui para ajudar. Você sabe o que aconteceu? Onde estão todos?
❝ Eu… Não… Sei… ❞ Stormy respondeu sem nenhuma expressão. ❝ Medo… ❞
❛ Tudo bem não saber. ━ Mudava sua linguagem corporal para algo mais calmo, na tentativa de fazer com que ela confiasse mais nele. ❛ Do que você está com medo?
❝ Da mulher urubu. ❞
Em uma situação mundana talvez as pessoas achassem graça do medo da criança, provavelmente a teriam como uma garota de imaginação fértil, mas os semideuses sabiam que os monstros não eram imaginários. Estavam começando a chegar em algum lugar, aquilo poderia ser um norte para o que aconteceu na ilha. ❛ Quem é a mulher urubu?
❝ Não sei… Ela apareceu, todo mundo sumiu. Ela quer me pegar. ❞
❛ Não se preocupa, agora a gente tá aqui e vamos te proteger dela. ━ Ele afirmou com a cabeça apenas para reforçar o que tinha dito. Sabia que não podia prometer a segurança dela, se a criatura conseguiu sumir com uma ilha inteira com certeza poderia facilmente sumir com eles também, mas queria passar algum conforto para a criança. ❛ Você mora aqui na ilha a quanto tempo, Stormy? ━ Stormy levantou a mão, mostrando dez dedos, o que indicava a quantidade de anos. ❛ Tempo pra caramba, hem. Faz uns 10 anos que eu descobri que era semideus também, sabia? ━ Tentava manter uma conversa mais leve para acalmá-la, quem sabe depois conseguiria tirar mais informações. ❛ Essa é a sua idade? Você nasceu aqui? ━ A criança gesticulou que sim com a cabeça. ❛ E quem que cuida de você aqui na ilha?
❝ A titia. ❞
❛ Qual o nome da sua tia? Ela é uma semideusa? ━ A menina não respondeu, apenas o encarou com os olhos arregalados, o que para ele era frustrante. Não tinha como saber se ela não sabia a resposta ou simplesmente não queria responder. ❛ Sua tia sumiu junto com todo mundo? A quanto tempo você tá aqui sozinha? ━ Ela gesticulou que sim novamente, dessa vez mostrando apenas três dedos. ❛ Três meses? ━ Imaginava que fosse o caso, já que esse tinha sido o tempo que Quíron avisou que os moradores da ilha pararam de manter contato, desde o natal. Mas precisava da confirmação da garota por um desencargo de consciência.
❝ Sim. ❞
❛ Não deve ser fácil se virar sozinha aqui por três meses. Essa foi a primeira vez que vieram monstros desde que todo mundo sumiu?
❝ Não… As luzes… Me protegem. ❞
❛ Luzes? Quando a gente chegou tinha uma bola de luz nos esperando, ela que nos trouxe até aqui. São dessas luzes que você tá falando?
❝ Sim! Titia! ❞ Foi a primeira vez que a menina expressou algo além de medo, soltando um sorriso alegre enquanto olhava ao redor.
❛ Então é a sua tia que manda as luzes? Ela tem poderes?
❝ Não sei… To com fome. ❞ Ela esfregou os olhos com as mãos enquanto bocejava.
❛ Não se preocupe, já já vamos comer. ━ Não transpassou, mas já estava ficando impaciente. As respostas todas eram muito vagas, a menina parecia não conseguir falar mais do que uma frase por vez. ❛ Se você não sabe, porque respondeu “titia” quando eu perguntei das luzes?
❝ As luzes gostam da titia e de mim. ❞
❛ Você já tinha visto as luzes antes de todo mundo desaparecer?
❝ Sim… Amigas. ❞
❛ Todo mundo via as luzes? Ou só você e a sua tia?
❝ Luzes ajudam todo mundo. ❞
Gaspard nunca tinha ouvido falar de coisa parecida e, considerando que os demônios com que lutaram eram egípcios, começou a considerar que talvez existissem outros panteões ali. Não tinha levantado essa hipótese até então por Quíron não ter mencionado nada, como sabia que a ilha tinha contato com os acampamentos Meio-sangue e Júpiter, apenas assumiu que a ilha tratava apenas do panteão greco-romano. Os monstros poderiam ter surgido justamente depois da junção dos panteões. Mas agora já não tinha mais tanta certeza daquilo. ❛ Stormy, o que você sabe sobre os deuses? Alguém já te contou sobre eles?
❝ Deuses… Maus… Deusas amigas! ❞
❛ Você sabe o nome de algum? Deus ou deusa?
❝ Trovão… Dá medo… Mas flores são amigas! ❞
Ele já estava frustrado com as respostas que não davam a lugar nenhum. Estava quase sem paciência e sabia que se continuasse provavelmente iria se descontrolar com ela. Quem sabe depois de dormir e comer a menina estivesse mais disposta para responder de maneira decente. ❛ Tudo bem, Stormy. Obrigado pela ajuda, talvez depois eu te pergunte mais coisas, ok?
(...)
Gaspard costumava ter uma dieta um tanto quanto restrita. Não gostava de ingerir qualquer coisa que não fosse comida de verdade, entende-se que não gostava de salgadinhos, refrigerantes, lanches prontos ou qualquer coisa que tivesse disponível naquela cafeteria. Porém, depois da luta que tiveram sua fome era tanta que não pôde sequer constatar a comida que tinha sido servida, pegando a primeira coisa que viu em sua frente e colocando na boca. Estava longe, muito longe, de ser a melhor comida do mundo, mas o feitiço que Barbie fizera fez com que imediatamente se sentisse revigorado, o que apenas aumentou seu apetite. Por isso, se atentou mais à conversa de Anael, Barbara e Liza do que ativamente participar, sua preocupação maior agora era recuperar a própria saúde.
❛ A idéia de Anael não pode ser descartada. ━ Comentou finalmente, enquanto os quatro analisavam o desenho feito pela criança. ❛ É realmente suspeito a forma vaga que ela respondeu, principalmente por não saber o nome da tal da tia e qualquer coisa sobre deuses. Como uma criança mora numa ilha de semideuses por dez anos sem saber nada sobre eles? Não faz sentido. ━ Ele olhava o desenho, observando os pontos do qual Liza tinha apontado. ❛ Também não podemos descartar a possibilidade dela ser simplesmente uma criança inocente. Talvez ela tenha sido infantilizada na sua criação? Não sei. Mas se for o caso, a mulher urubu pode não ser um urubu propriamente dito. Seria fácil pra uma criança confundir qualquer ave de rapina. Acho que temos que considerar qualquer deus ou monstro, de qualquer panteão, que tenha aparência de uma ave de rapina. ━ Olhava mais atentamente o desenho, agora prestando atenção nos círculos brancos em volta dela. ❛ Quando perguntei sobre a luz, ela disse as luzes. Como mais de uma. Disse que as luzes ajudavam a todos. Talvez não se limitem a uma ou duas. Podemos perguntar isso pra ela depois e rezar a minha mãe que ela dê uma resposta menos vaga. Nessas horas eu queria poder ler mentes, sério, a menina não fala nada com nada.
(...)
Agora alimentado e um pouco mais disposto, precisava falar com uma das garotas sobre suas atitudes. Tinha tido tempo para refletir sobre a melhor maneira de abordar ela sem causar uma grande confusão ou conflito entre as pessoas da equipe, mas seria mentira se dissesse que a situação não o incomodava mais. ❛ Akali, podemos conversar? ━ Disse ao se aproximar dela, indo com a garota para um canto na cafeteria onde não seriam ouvidos pelas outras. ❛ Olha, eu não dúvido que você tenha feito com as melhores intenções do mundo, mas eu preciso falar pra que isso não se repita. Você foi muito imprudente ao atacar os demônios daquela forma, colocou nossas vidas em risco. Eu peço que da próxima vez você deixe que eu pense em uma estratégia antes de seguir os seus instintos.
Ele deu um grande suspiro ao ver a pose defensiva que ela tinha tomado, já deveria imaginar que aquela não seria uma conversa fácil, mas mesmo assim iria insistir no seu ponto, não queria que uma coisa daquelas acontecesse de novo. ❛ Eu não to falando que você tem que se arrepender, eu to pedindo pra você não repetir. ━ Tentava ao máximo falar de maneira calma para que ela conseguisse compreender. ❛ A questão da criança ser uma inimiga ou não nem vem a tona, teríamos salvado ela de um jeito ou de outro. Eu sei que você agiu de acordo com o que sentiu que tinha que ser feito, mas você está numa equipe, agir sozinha é irresponsável. Eu não tenho dúvidas das suas habilidades como lutadora, tanto é que, pelo que me disseram, conseguiu matar um deles e resgatar a menina com uma mão nas costas, mas nem todos nós somos tão bons assim. Eu, Liza e Asami por pouco que não morremos. E eu sei que o tempo estava apertado, mas se temos algum tempo, devemos nos aproveitar dele. Quando você partiu pra cima eu já tinha pensado num plano, algo que teria matado os oito de uma vez sem colocar ninguém em grande risco e resgatado a Stormy. Se você tivesse esperado um minuto, poderíamos ter evitado a quase tragédia que aconteceu. Imagina se a Barbie tivesse sido ferida de maneira grave? Metade do time não iria sobreviver.
❛ Sim, todos estavam prontos para fazer alguma coisa, e todos iriam fazer alguma coisa, mas uma coisa pensada, e não impulsiva e improvisada. ━ Ele torceu a boca enquanto pensava nas palavras certas, não queria que ela se ofendesse ou fazer com que ela engolisse a opinião dele como uma ordem, apenas que entendesse que a decisão que tomou não era das melhores. ❛ Olha, eu admiro que o seu primeiro instinto tenha sido ir salvar uma menina que você nem conhece, de verdade. E eu não to falando que a sua impulsividade seja um defeito, muito pelo contrário, tenho certeza que ela vai ser de ótimo uso se nos encontrarmos num ataque surpresa ou numa situação que não podemos fugir de um ataque. Meu ponto é apenas que esse não era o caso. Um minuto, Akali. Eu precisava só de um minuto a mais apenas pra falar pra vocês qual era o plano, e modéstia a parte, era um ótimo plano. ━ Passou a mão pelos cabelos um pouco frustrado, começando a pensar que talvez aquela conversa não levasse a nada, mas esperava que não fosse assim. ❛ Eu sei as habilidades de cada uma de vocês, e estou a todo momento prestando atenção para conhecer melhor isso. Quando eu penso em uma estratégia pode ter certeza que levo isso em consideração. Quando penso em combate corpo a corpo, é em você e na Asami que penso, seriam vocês duas que ficariam na linha de frente. Eu confio nas suas habilidades como guerreira, apostaria facilmente a minha vida nisso. Só que eu não sou um guerreiro, estou muito longe disso. Eu sou um estrategista, esse é o meu ponto forte. Essa é a minha função no acampamento, é por isso que Quíron me colocou nessa missão e é por isso que vocês me elegeram como líder. Essa é a minha habilidade e eu peço que você confie em mim, pra pensar em um plano com a menor margem de erro quando precisar, assim como eu confio em você pra proteger a gente. Nós ganhamos essa luta por sorte, graças aos deuses conseguimos, mas não podemos contar com a sorte sempre. A única coisa que eu to pedindo é que você me deixe fazer o que eu faço de melhor antes de agir a frente do grupo.
Estava apenas frustrado com a maneira que a filha de Netuno respondeu, talvez em uma outra situação ele reagisse de maneira pior, mas não tinha energia suficiente para brigar agora e muito menos queria causar um maior atrito entre o grupo. Apenas guardou o rancor para si e voltou para onde o resto estava reunido, desejando que Akali tivesse absorvido pelo menos algo que ele tinha lhe falado, ou que não os deixassem em perigo de novo, ou que não o tirasse do sério a ponto de não conseguir controlar suas palavras. Tentando deixar aquela conversa de lado, agora era hora de decidir quais seriam os próximos passos.
A ideia de Liza tinha sido boa. Primeiro porque Stormy tinha se apegado mais a Akali do que qualquer outro, segundo porque a filha de Netuno sabia se defender bem caso a criança realmente representasse uma ameaça, terceiro porque assim ele não teria que ficar de olho na colega para ter certeza que ela não faria mais nada extremamente impulsivo. Olhou para o resto do grupo, agora prontos para continuar a missão. ❛ Ta bom galera, agora acho que a idéia que a Nyx deu quando a gente entrou aqui seja a melhor. Se nos separarmos, podemos vasculhar tudo mais rápido e descobrir logo uma forma de sair daqui. ━ Ele olhou para o restante do grupo enquanto se explicava. ❛ Vamos nos dividir em três duplas. Eu não acho que vá ter mais armadilhas, então podemos fazer essa divisão, mas melhor não irmos sozinhos, apenas para garantir. Uma dupla vai para o térreo, outra para o primeiro andar e outra para o segundo. Podemos nos encontrar na piscina no final, acho que fica no meio do caminho pra todo mundo.
Provavelmente iria preferir fazer dupla com Barbie ou Liza, já que eram as mais próximas de si, mas ao ver as duas se juntarem teve que pensar em outra opção. Foi ai que seus olhos pousaram na filha mais velha de Hades, se aproximando dela. ❛ Nyxie, você vem comigo? ━ Perguntou para ela. A escolha não era nada além de estratégia. Tinha notado que a menina estava sempre atenta a tudo que acontecia, observando cada canto de onde passavam, mas raramente comentava sobre algo. Queria saber quais eram as opiniões e percepções que ela tinha sobre o que estava acontecendo, talvez a sós ela se sentisse mais confortável para falar.
Ele não sabia exatamente como iniciar a conversa com a garota, sabia que ela não era a pessoa mais sociável do mundo, embora achasse que fosse boa pessoa. Tinha medo de que com a abordagem errada ela poderia se fechar ainda mais e assim ele não conseguiria conduzir a conversa da maneira que desejava. ❛ Desculpa te chamar assim do nada, sei que provavelmente preferia ter ido com a sua irmã. ━ Começou a falar. Estaria mentindo se dissesse que não achava a filha de Hades um tanto quanto intimidadora, mas tinha essa impressão da grande maioria dos filhos do submundo. Imaginou que se explicar seria uma boa forma de primeiro contato. ❛ É que, eu percebi que você não fala muito, mas observa muita coisa. Queria saber o que você acha sobre tudo que está acontecendo.
Ele foi ouvindo Nyxie com atenção enquanto ela falava, embora fosse difícil de focar depois de entrar na biblioteca e encontrar a variedade de livros. Por ter TDAH e por aquilo claramente ser a maior tentação para um filho de Atena, optou por mexer nos livros apenas quando acabasse de ouvir o que a parceira tinha para dizer. ❛ Não, nenhuma resposta. É bem frustrante, pra falar a verdade. ━ Respondeu a pergunta dela, agora percorrendo as laterais dos livros com os dedos para ver se encontrava algo que indicasse alguma coisa, a maioria parecia ser livros comuns de história. ❛ Mas acho todos os seus pontos válidos. Como você disse, estamos sem respostas, considero importante pensar em todas as possibilidades. Acho que sua dedução sobre Psiquê é bem provável, infelizmente. Mas não pode ser coincidência que eles desapareceram logo no natal, quando nós sofremos o ataque. Se tiver algo relacionado a Psiquê, então não podemos descartar o panteão greco-romano também. Na verdade, acho que podemos considerar todos eles. O que só deixa as coisas mais difíceis, quantas mulheres com aparência de uma ave de rapina deve existir entre todos os panteões? Devem ser muitas. Mas também acho que a maior possibilidade seja algo do panteão egípcio, os deuses deles tem formas de animais, só não estou certo de se algum é uma ave. Sei muito pouco sobre a mitologia deles.
Falava enquanto olhava os livros até achar algo que chamasse sua atenção. ❛ Falando no diabo… ━ Comentou enquanto o retirava da prateleira, abrindo em uma página qualquer apenas para averiguar seu conteúdo. ❛ Um livro de mitologia egípcia. Talvez tenha algo sobre a bola de luz ou as coisas que a menina disse. Quando a questionei sobre a luz, ela simplesmente respondeu “titia”, como se a tal da tia tivesse alguma relação com isso. Penso na possibilidade da tia ser uma entidade que tenha controle sobre as luzes, ou talvez a própria mulher urubu. ━ Ele tentava conseguir alguma informação apenas folheando, mas o livro não tinha muitas figuras que pudesse deixar algo na cara, teria que dedicar um tempo de leitura para conseguir desvendá-lo e ver se achava algo que lhes fosse útil. ❛ Ela também comentou sobre deuses serem maus e deusas amigas, disse que trovão é mau e flor amiga. Na minha cabeça só vem o panteão greco-romano e o nórdico. Zeus e Perséfone, Thor e Freya. Mas não tenho tanto conhecimento para afirmar se são só esses. Se soubesse que o resto dos panteões também existiam, teria dedicado mais tempo da minha vida a estudá-los ao invés de ficar lendo e relendo os mitos gregos. Mas bom, agora não adianta de nada reclamar. O único que tive mais contato foi o persa, mas não consigo pensar em nada que se assemelhe a trovão ou flores, os deuses deles são mais morais do que materiais. ━ Ele fechou o livro e abriu a sua mochila, colocando o objeto lá dentro. ❛ Vamos ver se conseguimos achar outros livros de mitologia. Temos um egipicio e o greco-romano sabemos bastante. Falta um persa, um nórdico, um azteca, um inca e um maia. Assim podemos tentar achar neles algo relacionado a bola de luz, mulher urubu, trovão e flores.
Ficou contente ao achar os livros sobre as outras mitologias nas prateleiras do lugar. Por mais que não trouxesse nenhuma resposta específica que precisavam, poderiam servir de como um indicativo, criar mais teorias até que alguma se provasse verdadeira. ❛ Vamos dar uma lida sobre eles então, ver se se encaixa na descrição da Stormy, ou se ela consegue descrever alguma característica que indique qual entidade era. ━ Comentou sobre a falada de Nyxie e depois seguiu ela para o próximo recinto.
Surgiu uma esperança quando entraram na sala de informática. Computadores tinham memória, se a biblioteca não continha muitas informações sobre a ilha ou seus moradores, com certeza os computadores teriam. Porém, sem internet não tinha muito que pudesse ser feito. Chegou a explorar documentos de umas três máquinas diferentes, apenas para ver se tinha algo relevante nelas, mas não achou nada além de imagens aleatórias, trabalhos de escola e o que ele julgou ser uma fanfic mal escrita feita por alguma adolescente. Estava se sentindo frustrado com a exploração até ser distraído pelas palavras da colega.
❛ É alguma coisa. ━ Ele comentou olhando o objeto. A chave tinha um aspecto peculiar o suficiente para fazer com que ele imaginasse abrir algo importante, ou talvez fosse só uma esperança contida nele que iriam chegar em algum lugar, já que até agora não tinham conseguido muita coisa. ❛ Vamos nos encontrar com os outros, ver se achamos a fechadura dessa chave. Não acho que vamos encontrar muito mais aqui.
(...)
Agora juntos na área da piscina, todos haviam encontrado a mesma coisa. Três chaves idênticas, o que era no mínimo estranho. Não tinha como saber se as três cópias de uma mesma fechadura, ou se cada uma iria abrir uma fechadura diferente. De qualquer forma, só teriam a resposta quando tentassem, agora era achar onde elas pertenciam. A resposta veio rápida, quando Akali indicou a porta que havia achado e, ao que tudo indicava, alguma das chaves deveria abri-la. Não sabia ao certo o que esperar da porta misteriosa, mas estaria mentindo se dissesse não estar um tanto quanto receoso. Queria sair de lá tanto quanto qualquer um, mas de fato estavam seguros no Centro Comunitário, a partir do momento que saíssem, o perigo provavelmente viria ao seu encontro. Se manteve quieto enquanto observava as garotas testarem as chaves, até a porta finalmente ser aberta.
TV HEFESTO apresenta…
ANAKLUSMOS: A MISSÃO.
Um show sobre aventura, amizade, moluscos, fantasmas e ópera. Você não pode perder!
( novos episódios toda segunda )
Depois de Quíron e Lupa escolherem os semideuses para partirem naquela missão, eles fizeram uma reunião de emergência na casa grande para explicar tudo o que eles precisavam saber antes de partir. Quíron contou sobre a profecia do áugure, a história da ilha e lhes entregou um mapa para localizá-la. Lupa também revelou para o grupo que eles receberiam a ajuda de River Yeong, filho de Netuno, que lhes emprestou seu navio pirata Manwol VI.
Eles tiveram uma hora e meia para se prepararem antes de partir, ficando combinado que se encontrariam na praia do acampamento Meio-Sangue.
A viagem pelo mar até as coordenadas de Liberty foi tão tranquila quanto um dia comum na vida dos semideuses — não muito —, mas foi só o grupo de semideuses atracar na ilha que notaram algo de estranho. Por todos os lados que olhavam, não conseguiam encontrar ninguém. Era como se a cidade estivesse abandonada.
E, esperando por eles no cais, havia uma esfera branca, que começou a se mover rapidamente quando se aproximaram mais dela.
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Pobre Liza. No auge de sua ingenuidade, há quatro anos fugindo com sucesso de missões, pensava que tudo que Quíron desejava era uma arma nova ou um reparo qualquer no acampamento. Foi apenas quando se deparou com Gaspard e um grupo cada vez maior que percebeu o que estava acontecendo. Não. Não. Não. Ele estava louco? Por que precisava dela em uma missão? Pior: ela e Asami. O que seria da forja sem as duas? O acampamento estaria caindo aos pedaços antes mesmo de voltarem. Liza puxou as mangas da camiseta, já esgarçadas pela mania, até esconder as mãos trêmulas. Sem Lisander e Milton para ajudá-la, precisaria manter alguma postura, impor respeito diante do maldito centauro que ainda a tratava como se tivesse dez anos de idade.
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ㅤㅤㅤㅤFazia muito tempo desde a última vez que Akali havia sido convocada para uma missão. A última acontecera na metade do ano anterior, sendo inclusive algo simples de se fazer, ao qual não apresentara risco para ninguém. Alguns até veriam aquilo como algo tedioso, mas missão era missão e a filha de Netuno apreciava uma boa ação. Porém, sua última ação havia sido no natal, onde inclusive perdera sua mão. Em todos os seus anos ali, aquilo nunca havia acontecido ao ponto de deixa-la mal. Muitos ali enfrentaram as feras que tinham o dobro de suas alturas ou eram mais fortes, mas a maioria ali sairá ileso dos combates. Menos Akali, que com toda sua arrogância percebera que não era tão forte quando achava ser. Precisava melhorar, tinha que melhorar.
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❛ㅤㅤ Após passar alguns dias longe do acampamento, a filha de Hades voltava sem qualquer informação ou resposta para as suas muitas dúvidas, o que era deveras frustrante para alguém que tinha muito conhecimento acumulado sobre o oculto. Cerberus trouxe a ela algumas questões que estavam fora de seu conhecimento, e o Senhor dos Mortos não estava disposto a respondê-las. Felizmente não necessitava dar explicações para ninguém de onde esteve ou o que tivera feito naquele período de tempo afastada da morada dos semideuses, uma vez que nem sequer tinha informado os irmãos onde iria. De toda forma, imaginava que eles estariam distraídos demais com as festividades para se importar. Por isso, quando retornou apenas agiu o mais naturalmente possível, tentando deixar todos aqueles pensamentos que rondavam a sua mente de lado. “Na hora certa” tinha dito a si mesma mais vezes do que poderia se lembrar, na esperança de se convencer que tudo seria esclarecido em breve e não havia com o que se preocupar. Os deuses sabem o que fazem, ao menos era o que a morena esperava.
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Não vou te desapontar, pensou ao fim do discurso de Quíron. Mesmo sentada, sua postura era austera e centrada, como um soldado faria ao receber ordens diretas de seu general. A figura imponente de Lupa ao lado do centauro trazia memórias — ou a falta delas — cujas sensações acreditava jamais ser capaz de deletar por completo. Ainda remoía a culpa pela ausência no Natal. Ainda se sentia quebrada. Talvez por isso, nos últimos meses, tivesse empenhado tanto tempo auxiliando na reconstrução do acampamento, forrando os lençóis da própria cama, forjando armas e mais armas e tentando, só… tentando consertar tudo o que via pela frente, até mesmo o que não lhe dizia respeito.
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✞ ━━ ❝ Como sempre fazia na sua rotina, Anael tinha Sirius ao seu lado, caminhando em direção à praia. Dessa vez, no entanto, estava acompanhada não apenas do cão, mas também de sua irmã, Nyxie. Era absurdo como um pequeno grupo de desajustados podia acabar se apoiando tão bem. Ela, a irmã e Ash acabaram achando uma maneira de serem o apoio um do outro e ela não podia se sentir melhor. Tinha uma família, era o que podia dizer. E não era em nada como a sua família mortal, que havia torturado sua mente e o seu corpo em busca de um bem maior, não… Pela primeira vez na vida sentia como se tivesse pessoas que se importavam consigo de verdade, para além do que ela era e o que podia oferecer. Confiava neles com a sua própria vida e isso era mais do que um dia havia sentido por alguém.
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「♢ ――― 」 Eram raros os seus momentos de paz, quando eles surgiam, tentava ao máximo aproveitá-los para organizar seus pensamentos e idéias. Não tinha feito nem uma semana desde que voltou da missão na qual sua mãe o enviara e suas novas descobertas sobre os deuses persas e ainda não tinha certeza do que faria com aquelas informações. Ironicamente, a única pessoa da qual tinha conversado sobre os eventos em Washington tinha sido Brenna Carstairs, isso apenas porque a moeda disse que ele deveria, ou pelo menos foi assim que ele interpretou.
A moeda agora encontrava-se entre seus dedos, enquanto Gaspard a observava, na verdade, foram poucas as vezes que ela ficava fora de suas mãos desde que a ganhara. As duas faces lisas o deixavam confuso, parecia que o objeto estava quebrado de alguma maneira, mas duvidava que Vohu Manah lhe daria algo que não funcionasse. Não importava quantas perguntas diferentes tentasse fazer a ela, nenhuma resposta surgia, sendo a única exceção quando estava com a filha de Ares em que a moeda lhe indicou que ele deveria lhe contar as coisas que viu. Seus devaneios foram interrompidos com a chegada de um de seus irmãos no chalé, o avisando que Quíron o chamava para a Casa Grande. Foi a contragosto, xingando mentalmente pela intromissão em seu momento de paz, mas deveria saber que aquele não duraria muito.
Não tinha ninguém na sala quando chegou, o que achou estranho, porque Quíron teria lhe chamado para esperar? Mas logo outros campistas começaram a aparecer. Akali, Barbie, Asami, Liza, Nyx e Anael, nenhuma parecia saber o motivo de estarem ali. Ele não pode deixar de notar que todas eram mulheres e irmãs, se perguntando por um momento se não tinha sido chamado por engano, mas logo Quíron e Lupa apareceram na sala para esclarecer o que estava acontecendo.
Ouviu com atenção a explicação da missão, o que foi quase inútil já que a cada palavra que falavam surgia mais perguntas na sua cabeça. Assim que terminaram de falar, começou a desembuchar todos os detalhes que precisava saber, com paciência para cada pergunta e resposta. “Quantos dias até lá? Quais são as coordenadas? Seremos apenas os sete? Qual o tipo de navegação? Quantos semideuses habitam lá? Eles são hostís ou receptivos? Qual o díametro da ilha? Qual o tipo de terreno e temperatura?”
Depois que todas as suas dúvidas foram sanadas, começou a se planejar com as outras seis semideusas. Ele não fazia questão de ser líder em missões, mas as garotas pareciam achar que ele seria a melhor opção então apenas aceitou, afinal, sabia como velejar e tinha uma boa noção de estratégias que poderiam tomar. Depois estarem todos de acordo, partiu de volta ao chalé 6 para pegar suas coisas já que saíriam do acampamento o quanto antes.
Gaspard não estava feliz de ir para aquela missão, tinha acabado de voltar de uma, estava cansado. Desejava poder ficar no acampamento sem nenhuma dor de cabeça a mais do que as que já tinha, mas aquilo parecia improvável. Se fosse apenas uma missão de resgate talvez tivesse recusado, mas aquilo parecia sério demais para negar e confiava que Quíron e Lupa tivessem seus motivos para escolher os sete, por mais que não soubesse exatamente quais eram. Pegou a moeda do bolso mais uma vez, olhando ambas as superficies. Nada, nenhuma resposta.
Avisou ao resto dos membros do chalé 6 que estaria saindo em missão novamente, notícia da qual não foi muito bem recebia por eles, mas sabiam que ele não tinha muita escolha. Olhou para a mala perto de sua cama pensando que não deveria nem ter tido o trabalho de tê-la desfeito, já a pegando para colocar os pertences que levaria. Duas trocas de roupa, ambrosia e néctar, cantil de água, algumas barras de cereal e biscoitos de agua e sal caso acontecesse algo que os deixassem sem acesso a comida. Um kit de primeiros socorros e um guia de sobrevivência para aquele terreno. Seu kit de instrumentos naúticos, com um astrolábio, um quadrante, uma bússola, uma balestilha e uma luneta, embora desconfiasse que river poderia ter deixado alguns desses objetos a disposição deles no návio, preferia garantir e levar os seus. Três livros e um tabuleiro de xadres de bolso para recreação.
Com a mala arrumada, sua fiel arma de escolha a besta, o escudo retrátil no pulso e a moeda de Vohu Manah no bolso, Gaspard foi para o cais onde o navio pirata Manwol VI se encontrava, sentindo quase uma nostalgia ao se lembrar da última vez que navegou nele ao lado de River. ❛ Espero que tenham esterelizado o barco antes de nos entregar, vai la saber o que seu irmão e Morgana fizeram aqui. ━ Comentou rápidamente com Barbie e logo se pôs a preparar as coisas para que embarcassem. Como previamente combinado, ele e Akali dividiriam a direção já que eram os mais familiarizados com aquilo, assumiria o leme durante o dia e a romana ficaria responsável durante a noite.
A viagem estava tranquila. Por mais que não estivesse animado para ir, a companhia de Liza e Barbie deixavam as coisas mais leves, se divertindo com elas enquanto ouvia as músicas que a filha de Poseidon tocava no ukulele e o mar calmo, eram raras as vezes que podia realmente aproveitar uma viagem de navio, então se permitiu desfrutar daquele momento. Ao cair da noite, Akali assumiu o comando enquanto tentaria descansar. De fato, ele não teria muitas horas de sono a partir dali, logo as almas que tinham morrido no mar chegariam e Poseidon não lhe dava tréguas mesmo quando estava em missão. Por mais que tentasse dormir, seus ouvidos se mantiveram atentos ao que estava acontecendo ao seu redor, mal conseguindo calar sua mente.
A voz de Anael não muito distante foi o que o fez despertar, consultando seu relógio de pulso no mesmo momento. ❛ Eles estão adiantados. ━ Falava mais para si mesmo do que para os outros, mudando seu semblante até então descontraído para sério, em seus nove anos de maldição, nunca tinha visto as almas chegarem no horário errado.
Com o retorno de Asami, Barbara e Liza, os sete começaram a debater o que fariam. Estava tão preocupado com a situação e em como afastá-los que por um momento esqueceu do medo que Liza tinha dos espíritos, até a amiga o bombardear com perguntas. Conseguia ver na sua expressão o desespero, ficando preocupado com a reação da amiga. ❛ Liza, calma. ━ Afagou os braços dela numa tentativa de acalmá-la. ❛ Não vou deixar eles se aproximarem de você, ok? Eu faço isso todo dia, não vou deixar eles se aproximarem de você. Com dias folhas de Hades junto então, eles não tem chance. Pode ficar tranquila. ━ Na verdade ele não podia garantir nenhuma daquelas coisas, eles não costumavam invadir seu barco nem apareciam durante aquele horário, mas falaria o que precisasse para acalmar a amiga.
❛ Não vamos lutar. ━ Agora já não falava apenas com Liza, direcionava sua voz para o grupo todo. ❛ Eles ficam mais irritados quando tentamos resolver na força, é mais difícil. Além do que, só eu, Nyx e Anael conseguimos enxergá-los, o restante não teria como participar da luta. ━ Ele se lembrava das vezes que teve que lutar contra os fantasmas, nunca era algo fácil, almas desesperadas tendiam a ficar mais violentas. ❛ Temos que convencê-los a fazer a passagem para o submundo, eles apenas estão perdidos. Luta fica de último recurso, ok? ━ Ele olhou para cada uma, ninguém se opôs. ❛ Tudo bem, o plano é o seguinte: Eu, Anael e Nyx vamos tentar convencê-los. Akali fica firme no leme, Barbie ajuda ela com a navegação, não podemos sair da rota. Asami e Liza, deem cobertura pras meninas caso algo aconteça.
Todos estavam de acordo, mas antes que fosse na direção das almas observou Liza desmaiar. Quase largou tudo para ajudar a amiga, mas a resposta curta e grossa de Asami o lembrou que tinham problemas maiores, então partiu com as duas irmãs de Hades para tentar diálogar com os fantasmas. Normalmente era simples, ele só precisava de alguma forma mostrar as almas o caminho que deveriam seguir, mas aquelas estavam mais tempestuosas, não sabia se era por estarem no Mar de Monstros ou se havia algum motivo para além desse, mas os espiritos pareciam se quer ouvi-lo. ❛ Vocês tem que seguir o caminho, tem que seguir a passagem, está na hora! ━ Falava repetidamente, mas em vão. A sua sorte foi que as duas irmãs estavam se saindo muito melhor do que ele, deveria ser vantajoso ser cria do submundo naquelas horas. Quando todas as almas tinham ido embora, ele olhou para as duas aliviado. ❛ Muito obrigado, sério. Eu não teria conseguido sozinho. ━ Sua atenção então foi para Liza, que tinha passado mal um pouco antes de irem enfrentar os fantasmas. ❛ Ta melhor? Precisa de alguma coisa?
A resposta afirmativa da filha de Hefesto o tranquilizou, isso até ouvir a pergunta de Anael sobre como ele conseguiu ver os espiritos.É claro que seria pedir demais que o restante da tripulação apenas ignorasse o fato dele poder interagir com os fantasmas. Todos esperavam isso de Anael e Nyx, afinal eram filhas do submundo, mas um filho de Atena com aquela capacidade era uma surpresa. A pergunta de Anael o pegou desprevenido, por um momento realmente pensou que não teria que dar explicações para ninguém, estava enganado.
❛ É… Uma maldição. ━ Ele respondeu um pouco constrangido. Não queria que elas soubessem, mas bom, elas viram, não tinha muito como fugir. ❛ Quando alguém morre no mar, eu tenho que ajudar as almas a irem pro submundo. Poseidon pode ser bem filha da puta quando ele quer. ━ Tentou ser o mais sucinto possível, torcendo para que a conversa acabasse por ali e ficou grato ao perceber que as perguntas pararam ali.
Depois que as coisas se acalmaram ele se manteve acordado enquanto o as garotas foram dormir, apenas para fazer companhia para Barbie que agora tinha tomado o comando do navio. Aquelas situações o deixavam inquieto, até então as únicas pessoas que sabiam de sua maldição eram Barbie, Liza (que estavam com ele na missão) e Ariel, não gostava de contar isso para as pessoas, não queria que o acampamento todo soubesse. A maldição não era o seu maior segredo, apenas era uma coisa que não gostava de conviver com, não gostava de comentar sobre nem com as pessoas que tinha intimidade, quem dirá com pessoas que mal conhecia. Obviamente, a amiga percebeu seu estado, afinal ela era possívelmente a pessoa que melhor conhecia tanto a maldição quanto o que isso causava nele.
❛ Oi. ━ Forçou um sorriso de volta para Barbie. ❛ É... Tô... Só… ━ Tentava buscar as palavras certas para explicar o que sentia, sabendo que conversar com ela provavelmente lhe faria se sentir melhor. Por mais que gostasse de explicar as coisas de um modo geral, era difícil quando se tratava dos próprios sentimentos. ❛ Pelo menos elas não fizeram muitas perguntas. ━ Não é como se tivesse algo contra o restante das garotas, apenas preferia que elas não soubessem.
O carinho de Barbara era mais do que bem vindo, ele se sentia um pouco melhor em saber que ela estava ali para acolhe-lo, mas as palavras pareciam que iam com o vento. ❛ Barbie, eu não fiz nada. Nyxie e Anael fizeram todo o trabalho sozinhas. ━ Soltou um riso em uma tentativa falha de deixar aquela situação cômica, mas não tinha funcionado. Mas não era como se aquilo o causasse desconforto, ele realmente estava grato por elas, pareciam saber lidar com espiritos muito melhor do que ele e não tinha nenhum ressentimento com isso, até porque, não era algo com que queria lidar. ❛ Mas não é isso que está me incomodando. É que quantas mais pessoas sabem mais dificil é fingir pra mim mesmo que eu não tenho essa merda de maldição.
Apoiou sua cabeça em cima da dela, suspirando enquanto a ouvia falar. Queria conseguir ver algo de positivo naquela situação como Barbara falava, mas parecia impossível. Todo dia tinha que pagar por algo que ele não fez, era lembrado da morte e da morte de alguém específico. Já faziam nove anos que estava naquela rotina e ainda não conseguia se acostumar ou tomar aquilo como qualquer coisa além de trágico. ❛ Espero que eu tenha ajudado mesmo, mas sei lá, é muito bom ajudar alguém quando você quer ajudar. Quando você é forçado nem tanto. Não que eu não me importe com eles, mas você sabe, se eu pudesse escolher não assistir tanto sofrimento eu escolheria não. ━ Mas em uma coisa Barbie estava certa, dor parecia sempre cercar os bons artistas e os dois tinham isso em comum. Talvez se um dia conseguisse quebrar a maldição e estivesse mais disposto a expor o que sente ele pudesse escrever um romance sobre essa experiência, dessa vez como se tudo não passasse de uma ficção. ❛ Talvez se eu começar a divulgar isso, meus curtas façam mais sucesso. Diretor culpado injustamente pela morte do namorado, bem dramático, a galera vai gostar. ━ Deu uma risada, tentando mudar o tom da conversa para algo mais leve.
Sorriu com a resposta dela e aceitou a ajuda para dormir, ele iria precisar já que sua mente inquieta provavelmente não lhe permitiria ter um bom sono. Infelizmente este não durou muito, pois logo dispertou quando ouviu Nyxie gritar terra a vista.
Foi um dos últimos a sair do navio, se certificando que este estava bem atracado para não correr o risco de receber uma ameaçada de morte de River caso algo acontecesse com ele. Ao se aproximar do restante do grupo, ficou tão surpreso quanto elas ao perceber que estava tudo vazio, nenhum sinal de vida. Ele se aproximou para análizar as coisas que foram deixadas para trás, completamente largadas como se as pessoas que ali viviam tivessem apenas evaporado. ❛ Não houve batalha, nem parece que saíram por vontade própria… É como se tivessem apenas sumido. ━ Comentou com a equipe para perceber que a atenção delas tava em outro lugar, um ponto luminoso no meio daquele cenário deserto. Quando Asami tentou se aproximar a bola começou a se mover, o deixando ainda mais aflito e confuso com o que estava acontecendo ali.
Ele tirou a moeda do bolso, conseguindo dessa vez observar a imagem do deus persa pela segunda vez desde que a ganhará. A primeira vez que a recebeu, pensou que talvez o objeto poderia ser mais claro com as suas respostas, mas era ainda tudo muito turvo, talvez com o tempo conseguisse aprender a usa-la melhor. Ainda não sabia o que aquilo significava ou o que lhes esperava onde a luz os levaria, mas sabia que aquela era a escolha certa. ❛ Anael tem razão. ━ Começou a caminhar em direção a esfera junto com as mulheres. ❛ Temos que segui-la.
𝖌𝖆𝖘𝖕𝖆𝖗𝖉 𝖉𝖚𝖇𝖔𝖚𝖎𝖘 ; ᴀ ᴍᴏᴏᴅʙᴏᴀʀᴅ

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Draco estava confuso. Por seu tempo no tártaro, ele havia conversado muito com alguns monstros e certas divindades que tiveram a oportunidade de subir a superfície e ele sabia que em todos os séculos -até mesmo milênios- que havia passado lá em baixo as coisas haviam mudado. Há quatro anos quando Gaia deu a oportunidade dele sair, ele aproveitou e, após a guerra, Júpiter permitiu que ele continuasse na terra, já que ele não se aliou aos gigantes e tampouco conspirou contra o Olimpo. Mas Drake sabia que esse passe livre que havia recebido seria regado de olhares e cuidados dos deuses -afinal, ele ainda era um semititã.
Quando ficou sabendo das traições e da chegada dos semideuses das diversas religiões do mundo -antigo ou não, ele não sabia o que sentir. Ele não se juntaria a Psiquê nem com as melhores das ofertas, estava feliz seguindo sua vida normalmente e até mesmo na Universidade de Nova Roma ele havia entrado. Sabia que os visitantes haviam vindo em paz, mas ainda tinha um pé atrás sobre eles e por isso se virou para muse, um pequeno sorriso em seus lábios mas o restante das feições sérias. ❛ Fala sério… você acha que eles estão sendo sinceros? ❜ questionou, girando uma adaga entre os dedos e encarando os novatos. ❛ Digo… podemos mesmo confiar neles? Já foi provado que nem nos nossos podemos confiar… ❜
「♢ ――― 」 Estava muito concentrado no livro que Brenna havia sugerido que lesse, pensando nos planejamentos que eles estavam traçando para a melhora da segurança no Acampamento Meio-Sangue para notar a presença de alguém ao seu lado. Apenas percebeu a presença do outro quando ouviu sua voz, olhando na direção que ele olhava e podendo perceber a presença dos novos semideuses no acampamento, que pareciam chamar a atenção não só deles mas em todos a sua volta. ❛ Acho que é muito cedo para falar. ━ Gaspard respondeu enquanto marcava a página que tinha parado no livro e o fechando ao seu lado. ❛ Confiança não é algo que se entrega, é algo que se conquista. Nós não devemos confiar neles até que eles conquistem isso, o mesmo vale do contrário. ━ Ele ainda não tinha uma opinião formada sobre aquela situação, não fazia parte do grupo que desconfiava de tudo e de todos, muito menos do grupo que se divertia cegamente com a chegada dos novos. Ainda estava em fase de observação, entender o porque daquilo e o que que os deuses planejavam com a junção de tão diferentes grupos. ❛ Acho que não vai ser muito diferente dos nossos, na verdade. Terão aqueles que podemos confiar e aqueles que não. Talvez fique mais fácil se os julgarmos como indivíduos do que como grupo.
「♢ ――― 」 O único assunto no acampamento agora parecia ser a descoberta dos outros deuses e sua prole, por isso não era surpreendente as rodas de conversa em torno desse assunto que surgiram desde o acontecimento. Gaspard olhou para as pessoas a sua volta que agora debatiam a novidade. ❛ Na verdade, eu já tinha pensado na hipótese, mas faz um bom tempo isso. ━ Ele deu de ombros. A verdade é que as coisas para ele não estavam tão claras quanto ele fazia parecer, e não podia evitar de se perguntar o porque que os deuses decidiram trazer aquela informação agora, muito menos juntar tantas regiões diferentes. ❛ Eu era ateu até descobrir que sou semideus, então imaginei que se uma mitologia é real, nada impede que as outras sejam. Mas nada se manifestou então deixei esse pensamento pra lá, não pensei que os outros deuses realmente existiam, muito menos na existência de outros semideuses e acampamentos... Até um hotel têm. ━ Como todos, ele estava chocado com tanta informação.
gaspard dubouis. 22yo. son of athena. head conselor. general expertise instructor.
lenaaichelburg:
Se Lena soubesse que aquela silhueta era do mais desprezível filho de Atena, teria preferido levar a caixa sozinha, nem que para isso precisasse arrastá-la pelo chão, fazer pausas, ou levar flor a flor. Franziu o nariz diante do cheiro de mar que Gaspard exalava. A luz do início da manhã quase permitia que a filha de Eros visse os cristais de sal que, provavelmente, se acumulavam em sua pele.
―E você por acaso vai derreter se ficar assim mais alguns minutos? Pois, eu duvido. Afinal, o que estava fazendo no mar a essa hora?
Com as mãos na cintura, Lena estava feito uma estátua ouvindo o que ele tinha para dizer.
―Este é um horário normal, Gaspard. Se fosse uma pessoa normal, saberia.― Cuspiu o nome com o sotaque francês que anos de viagens com a família tinham proporcionado. Fitou seu rosto, irritada, apesar de não ter certeza do motivo exato de sua exasperação. Talvez fosse pelo questionamento desnecessário ou talvez pelo fato de que o cabelo úmido do rapaz, que agora começava a secar grudado em partes de seu rosto, chamava sua atenção de uma forma que ela desgostava. ―Quer saber? Eu mesma levo. ― Abaixou, enganchou as mãos na caixa e puxou-a para cima, enquanto soprava o cabelo que caía nos olhos.
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「♢ ――― 」 Não é como se a maldição fosse um segredo, se fosse seria difícil demais de esconder, mas não costumava expo-la para qualquer um. Gaspard era uma pessoa reservada por natureza, isso só aumentava quando se tratava de um assunto que o incomodava, por isso, eram poucos os que sabiam sobre aquilo. ❛ O que você acha? Fui tomar um banho. ━ A resposta era claramente irônica, ninguém em sã consciência entraria no mar de roupas antes do sol nascer, mas esperava ser o suficiente para que ela não fizesse mais perguntas.
A maneira na qual Helena proferiu seu nome soou mais incomoda do que ele esperava. Com anos morando nos Estados Unidos já estava acostumado com as pessoas errando a pronuncia e já a muito tempo tinha desistido de corrigir, aceitando ser chamado da maneira que os outros achassem ser mais valido. Ouvir o nome da pronuncia correta era reconfortante, ouvir ela verbalizar corretamente era o contrário, sendo o suficiente para lhe desestabilizar. ❛ Não, eu ajudo. ━ A teimosia dela foi respondida na mesma moeda, até porque, ele não queria parecer mal educado, apenas tinha sido pego em um momento ranzinza. De perto conseguia perceber como ela ficava bonita a luz da manhã, mas nunca admitiria isso em voz alta. ❛ By the way, eu estava falando das flores. ━ Não tinha certeza de onde tinha vindo a necessidade de se justificar, quando deu por si já estava falando. ❛ Se entrar em contato com a agua as pétalas vão murchar.
(OPEN TO ANYONE)
❛ㅤㅤA lua estava perfeita para um pouco de magia. Nyxie havia ouvido os conselhos de Quíron em conhecer mais o Acampamento Júpiter, e do lado romano ela tinha encontrado na biblioteca pergaminhos com alguns feitiços e poções no mínimo interessantes. Por isso, aquela noite ela iria se divertir, até mesmo os mortos precisavam de vez em quando. Talvez o jeito da filha de Hades fazer aquilo fosse um tanto diferente dos outros semideuses, mas, se ninguém visse não teria como ser julgada. Por isso afastou-se o máximo que podia da Área dos Chalés, embrenhando-se entre as árvores da floresta, onde imaginava que estaria a sós com as Dríades e não seria incomodada por nenhum curioso. Ledo engano.
Estava acostumada com as ninfas, afinal as Lâmpades faziam parte do cortejo de Hécate no Submundo, por isso conversava despreocupadamente com as ninfas das árvores enquanto preparava os ingredientes da poção que pretendia fazer, quando uma delas lhe informou que alguém suspeito se aproximava. ─── É por isso que eu prefiro gente morta, gente viva não dá paz nem no meio do mato. ─── Resmungava com as Dríades, que só faziam rir, enquanto ela preparava-se para sair dali e torcia para não dar de cara com quem quer que fosse.
「♢ ――― 」 Informação é poder, isso é algo que tinha aprendido desde muito cedo. Talvez por isso tivesse se tornado tão curioso, construindo um caracter quase que investigativo. Ele não se importava com fofocas, boatos ou a vida pessoal dos outros, era quando algo fora do ordinário acontecia que ganhava o aspecto de curioso. O mistério poderia fazer com que passasse noites em claro, tentaria buscar todas as informações e pensar em todas as possibilidades até que tudo estivesse esclarecido para ele, Gaspard não suportava o não saber, a falta de conhecimento sobre um fato e esse estava sendo o motivo para a sua falta de sono nas últimas noites. Por não estar presente no acampamento durante o natal ele ainda procurava tudo que poderia ser transformado em informação, depois de ter obtido relatos da grande maioria dos semideuses que estiveram presentes no ataque, agora procurava as criaturas da floresta que pareciam sempre saber um pouco mais do que qualquer outra pessoa. Xingou sua falta de tato social ao perceber que as ninfas não pareciam interessadas em contar-lhe uma coisa se quer, mas não desistiria tão fácil, andando pela floresta atrás de qualquer coisa que desse uma luz para o que vinha ocorrendo. Pensou estar sozinho ali até ouvir a voz de outra pessoa seguido de algumas risadas. ❛ Desculpe? ━ Falou com ironia ao conseguir distinguir a figura da semideusa a sua frente, ficando um pouco ofendido pela frase rude que foi dita. ❛ Já parou pra pensar que talvez as pessoas venham aqui para outras coisas, e não para perturbar a sua paz?

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― open starter
Para Lena Aichelburg, morrer nunca foi um grande problema, desde que fosse enterrada com moedas nos olhos para pagar sua travessia. Não queria ficar presa entre mundos, a depender da boa vontade de Caronte em lhe conceder um desconto ou, quem sabe, uma viagem com tudo pago. Podia ser chamada de sonhadora pelos outros campistas mas não era inocente ao ponto de acreditar que alguém ― ou melhor, alguma entidade ― faria tamanha boa ação sem receber nada em troca. Por isso, andava sempre com algumas moedas.
A filha de Eros tinha para si que morrer era tão parte da vida quanto nascer, e se apegava nisso desde muito nova, quando a morte começou a se tornar uma possibilidade real e tão palpável quanto os monstros que a perseguiam. É claro que, nesta mesma época, descobriu uma intensa atração pela vida e tudo o que ela poderia oferecer.
Então Lena nunca pensou muito em como morreria. Era algo dispensável quando metade de seus genes descendia do Olimpo: certamente morreria nas garras de alguma criatura do submundo ou na ponta de uma lança inimiga no ápice de uma guerra. Seria sepultada com centenas de outros semideuses. Fariam uma mortalha em sua homenagem e deixariam ursinhos e flores na porta de seu chalé. Uma semana depois seria esquecida, como todos eram.
E Lena era aterrorizada pela ideia de que seria esquecida. Por isso, mesmo tendo passado algum tempo desde o ataque, tinha nos braços uma caixa pesada que fazia seu caminhar menos gracioso do que o comum, cheia de flores coloridas que haviam acabado de desabrochar. Não estava pronta para deixar aquele ataque cair no esquecimento, e nem sequer havia estado no meio-sangue naquela noite. Talvez por isso mesmo. As mãos começavam a ceder quando a silhueta de MUSE apontou em seu campo de visão. Lena apoiou a caixa num joelho e acenou efusivamente, chamando sua atenção.
―Se importa de me ajudar?― Pediu, cedendo ao peso da caixa e a pondo no chão. ― São para o memorial.
「♢ ――― 」 O sol ainda estava começando a nascer quando voltou para o Acampamento Meio-Sangue e da mesma forma que acontecia todos os dias, Gaspard estava mal-humorado pela noite que tinha passado e ao mesmo tempo aliviado por enfim o amanhecer chegar. A única coisa que desejava agora era tomar um banho, dormir e tentar esquecer os rostos que passaram por ele. Não esperava encontrar alguém acordado aquela hora, normalmente o acampamento estaria silencioso e vazio, por isso se surpreendeu ao ver uma pessoa extremamente desajeitada e carregando um objeto claramente grande demais caminhando sozinha.
Por mais que seu último desejo agora fosse qualquer interação social, ele não negaria ajuda para algo relacionado ao memorial, seria demasiado insensível de sua parte fazer algo assim, então se aproximou da figura para ver do que aquilo se tratava. O humor que já estava péssimo apenas piorou ao reconhecer Helena, que provavelmente não teria pedido sua ajuda se tivesse o identificado. Soltou um suspiro em desgosto enquanto notava a caixa de flores apoiada no chão. ❛ Tem certeza? Não sei se você percebeu, mas eu to ensopado. ━ Vaidoso do jeito que era, teria odiado encontrar qualquer um naquele estado, mas encontrar Lena era ainda pior, provavelmente aquilo seria uma boa desculpa para ofende-lo em algum momento. ❛ Alias, por que você tá fazendo isso a essas horas? Não tinha um horário normal?
「♢ ――― 」 Ele ainda estava tentando compreender o que havia acontecido durante o natal, claro que num aspecto geral as coisas já faziam sentido, uma ataque, lobos, traições e manipulações... Ainda assim, existiam muitas narrativas e opiniões diversas sobre o que tinha acontecido e em sua cabeça tentava trabalhar em alguma teoria para conseguir ter uma visão melhor dos fatos já que ele mesmo não estava presente no dia que aconteceu. Com suas funções, ainda não tinha tido tempo de perguntar a @rowan-h sobre como tinha sido pra ele, sabia que pela condição do amigo não deveria ter sido fácil. ❛ O que ainda não faz sentido na minha cabeça é como eles conseguiram entrar, esperava que a barreira fosse mais eficiente do que isso. ━ Agora que tinham entrado no assunto se sentia mais confortável para falar sobre aquilo, também não queria ser invasivo quanto a um tema que ainda era tão sensível para a maioria. ❛ Aliás, como que foi pra você? Ainda não te perguntei isso.
「♢ ――― 」 Não era necessário um grande observador para perceber o estado deplorável no qual o acampamento se encontrava, os destroços da batalha ainda se encontravam em todo lugar e algumas construções estavam pior do que outras. Já fazia alguns dias que Quíron havia lhe chamado para a reconstrução do que fosse necessário, afinal, os filhos de Atena eram os mais indicados quando o assunto era arquitetura, e por mais que ele mesmo não tivesse muito conhecimento sobre a parte de projetos, sabia quem de seu chalé poderia ajudar e no que. Depois que os edifícios principais já estavam encaminhados, era hora de falar com cada um dos conselheiros para saber se precisavam de algo no próprio chalé e é por isso que agora se encontrava na frente da estrutura prateada, atrás de @stvrborn para saber se ela e as caçadoras necessitavam de alguma coisa. ❛ É... Oi. ━ Disse um pouco embaraçado. Não é nenhuma raridade as pessoas terem medo das caçadoras e ele não era diferente, não são o tipo de pessoas que você quer ter como inimigo. ❛ Quíron me pediu pra perguntar se vocês estão precisando de alguma coisa... Tenho algumas irmãs arquitetas e posso pedir para elas ajudarem... Isso se vocês precisarem, lógico.
𝖙𝖆𝖘𝖐 001
「♢ ――― 」 Sentou na mesa do pavilhão na frente de @queenb-c. Não era de costume ver os dois semideuses juntos, a verdade é que eles não se gostavam e isso era declarado para qualquer um que perguntasse, mas como proles de Atenas e Ares tinham a obrigação de deixar as rivalidades de lado pelo bem do acampamento. ❛ Não pense que estou mais feliz com isso do que você. ━ Disse ao notar a expressão que a mulher fez ao vê-lo, largando a bolsa em cima da mesa e tirando seu caderno e caneta da mesma. ❛ Precisamos pensar em alguma forma de melhorar as proteções do acampamento, ainda não acredito que foi fácil assim pra Lycaon e seus seguidores entrarem.

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「♢ ――― 」 Estava andando pelo acampamento quanto pescou os olhos de @francescabernardi, ainda não tinha a visto desde que voltou para o acampamento e ela parecia... assustada? Não era estranhar já que uma boa parte de seu rosto estava roxo e arranhado depois da missão. ❛ Se você acha que eu to ruim, deveria ver o outro cara. ━ Comentou em tom de brincadeira, dando um riso para ela. ❛ Como você está? Viu o massacre ou deu a mesma sorte que eu de estar fora do acampamento? Ainda estou ouvindo os boatos do que aconteceu.
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