Mundo Novo é uma comunidade quilombola distante da região urbana de Buíque, Agreste pernambucano. É formada por 24 famílias descendentes de escravos que, assim como a maioria das comunidades quilombolas ou indígenas, viu boa parte de seus costumes e cultura sendo colocadas de lado graças ao avanço das gerações que, aos poucos, foram aderindo ao estilo de vida imposto pela modernidade. O desenvolvimento da comunicação, da tecnologia, o sistema educacional, foram moldando as gerações atuais que, pouco a pouco, foram mudando sua religião, roupas e linguagem. Até que ponto isso beneficia ou não é assunto para especialistas. Apesar de possuir minha opinião sobre o tema, não vou me atrever. O fato é que recentemente começou um movimento de resgate da cultura e de parte dos costumes da comunidade do Mundo Novo.
A iniciativa vem de Dona Zéfa, atual matriarca e líder da comunidade, e sua família que são descendentes diretos dos primeiros escravos fugidos que fundaram o Quilombo. Ainda nos primeiros estágios e quase sem nem um recurso, Dona Zéfa organiza reuniões e festas tipicas que eram realizadas nos primórdios da comunidade.
Dona Zéfa em frente à casa que era de sua Mãe. Atrás, suas filhas netos e cachorro.
Samba de Côco, Maracatu, Capoeira e festas religiosas estão sendo organizadas. No entanto, não são só os problemas financeiros que representam os desafios de Dona Zéfa; a comunidade sofre com o tráfico e o alto consumo de drogas, (que como celulares e televisões, também chegam em qualquer lugar) o alcoolismo, e o alto índice de natalidade.
Independente dos problemas sociais tão comuns no interior do nosso país, outra coisa comum aos brasileiro se sobrepõe: a alegria.
A comunidade sobrevive da criação de gado e agricultura familiar. Poucas pessoas trabalham na parte urbana da cidade de Buíque.
Devido ao difícil acesso e com pouca assistência do governo, os atendimentos médicos são realizados por “curandeiros” da comunidade. Somente em casos graves o paciente é levado a cidade.
As crianças contam com transporte oferecido pelo governo para irem à escola, mas o índice de evasão escolar é cada ano mais alto, segundo informações da Secretaria de Ensino de Buíque.
O alto da serra do Mundo Novo é o ponto de encontro para os eventos organizados por Dona Zéfa.
O Samba de Côco foi criado pelos escravos que pilavam o chão dos terreiros. Batiam os pés abraçados uns aos outros. Como a tarefa era demorada, podendo atravessar dias, canções surgiam no ritmo das pisadas. As canções tinham como inspiração o cotidiano difícil dos escravos.
O evento junta pessoas que deixaram a comunidade para morar nas cidades próximas. Tudo é registrado.
As meninas aprendem coreografias na comunidade. Para a maioria delas é o primeiro contato com danças tradicionais.
As saias e outras roupas típicas são doadas ou feitas pelos mais velhos da comunidade.
Amanda (de vestido branco) saiu da comunidade para estudar a cultura negra da região. Recentemente retornou à comunidade e é uma das principais articuladoras do movimento de resgate dos costumes quilombolas.
A Capoeira é praticada na maioria entre os meninos. Na comunidade, poucas meninas podem jogar Capoeira, aos poucos essa mentalidade está mudando.
Além do alcoolismo e do consumo de drogas, outro grande problema que a comunidade enfrenta é o alto nível de natalidade. Segundo a associação dos Quilombolas do Novo Mundo presidida por uma das filhas de Dona Zéfa, a media de filhos por família já ultrapassa três crianças.
Dona Maria, irmã de Dona Zéfa, segura o quadro com o retrato da antiga matriarca falecida a um ano. Dona Zéfa sentada à direita e sua família.
Reafirmação da Identidade do Mundo Novo Mundo Novo é uma comunidade quilombola distante da região urbana de Buíque, Agreste pernambucano. É formada por 24 famílias descendentes de escravos que, assim como a maioria das comunidades quilombolas ou indígenas, viu boa parte de seus costumes e cultura sendo colocadas de lado graças ao avanço das gerações que, aos poucos, foram aderindo ao estilo de vida imposto pela modernidade.