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@theolympusqueen

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God, I fucking hate stupid people. || @heather and natalie. {flashback}
Raiva sempre será momentânea, ou o álcool é realmente milagroso, pois assim que a bebida foi ingerida pela grega, um alívio tomou conta de sua alma como um calmante. Escutou com atenção as palavras proferidas por Heather, não discordando nem por um momento das mesmas; mais sinceras não haviam de ter no planeta. Entretanto, a garota não queria se perder muito no ódio momentâneo sobre seu superior — detestava ficar pensando em alguma vida alheia específica a menos que fosse obrigada, fazendo com que Natalie fosse uma péssima amiga para fofoca. Sua aversão pela mesma era um de seus pontos mais visíveis. Contudo, toda regra tinha uma exceção; e a morena não via porquê não abrir uma naquela vez. “Você me conhece bem.” Dissera com um sorriso de canto. Seu alvo sofrera visivelmente pelas consequências que causara a mercenária; por poucos momentos ela esquecera de seu profissionalismo para agir como uma completa bárbara, porém um resquício de consciência permitiu que a garota fizesse parecer que um de seus homens havia matado-o. Só que, até aquele momento chegar, com o braço ferido sangrando, as coisas dificultaram em níveis impensados por Natalie — os médicos disseram que ela tivera sorte, pois mais alguns movimentos rudes e romperia alguns nervos do ombro —. “Homens são todos idiotas, você sabe. Ainda bem que alguns se salvam dessa ideia." Sua voz tinha certo drama de novela ao dizer isto, e quando viu o braço erguido da mais velha segurando o copo em sua direção, virara a garrafa para enchê-lo com o líquido alcoólico. A referência ao braço, no entanto, pegara Natalie de surpresa; ela realmente não esperava que Heather notasse que estava ferida, até repassar todo o momento em sua mente, verificando as brechas pelas quais permitira tal coisa de ser notada. "Eu caí doze metros em cima de um prego ou parafuso, sei lá, porque - como eu disse - ele estava me esperando com alguns seguranças.” Ela fez uma pausa para beber mais de seu drink. “Mas, e você, como está?" Indagou olhando para amiga que também não parecia estar no seu melhor dia. Ora, conhecia muito bem Heather. Pelo menos o suficiente para não precisar de palavras para saber qual era o estado de espírito dela. "Quem é o odiado da vez?" Fizera uma brincadeira leve com a amiga, pondo no rosto um pequeno sorriso.
A melhora no humor de Natalie foi notável, seja causada pelo álcool ou pela lembrança do que fez com seu alvo. Se havia algo que Heather aconselharia a qualquer um sobre a amiga era: se essa mulher vier matar você, é melhor cooperar. Por mais profissional que ela fosse, irritá-la a deixaria inspirada. Nada bom para quem fosse o serviço do dia. "Da mesma forma que alguns se destacam pela estupidez, até quando ela é regra. Precisamos colocar mais homens não-tão-idiotas na Olympian, são raros por aqui." Concluiu sua fala antes de acenar em agradecimento a Nat pelo copo. Então deu um longo gole e fez uma pausa para apreciar a sensação muito bem vinda da bebida em sua garganta. Heather não tinha o hábito de beber quando havia tarefas importantes no trabalho no dia seguinte. Seu posto era sempre importante para ela, então dificilmente bebia em dias comuns. Naquele, porém, sentiu que merecia abrir uma exceção para si mesma. Zach podia aguentar seus próprios problemas se fosse a Cônsul a se atrasar graças a uma leve ressaca, por uma vez na história. Ok, talvez nem tanto, mas era com certeza incomum que fosse ela a Olympus a chegar com aquele tipo de dor de cabeça. Ergueu as sobrancelhas para a explicação da Paterson. Para pessoas com outro estilo de vida, seria uma tragédia considerável, mas a mercenária mal parecia ter sido perturbada. Dirigiu até ali, onde agora conversava e bebia como se fosse um acontecimento cotidiano. Para ser honesta, estava perto disso. "Se isso não viesse de você, eu estaria seriamente preocupada. Suponho que esteja tudo bem agora, certo? Cuidou disso antes de vir?" As perguntas foram casuais, quase retóricas. Não queria soar muito protetora; provavelmente seria uma ofensa para Nat. Ainda assim, sendo uma das melhores em sua profissão ou não, uma aventura dessas poderia criar uma ferida e tanto. Heather não queria que uma das poucas pessoas com quem realmente se importava acabasse com danos permanentes por descuido. Não custava confirmar. Gastou um segundo analisando a resposta ao questionamento seguinte dela. "É algo que temos em comum: o universo. Ou só Zachary mesmo." Bebeu mais um pouco antes de especificar as perturbações do dia. Não tinha certeza de onde focar sua raiva, não quando tirava um tempo para analisar suas causas. Parecia vir de todo lugar. "Os Ankh e os Odinson continuam lá, sem fazermos nada que realmente os atinja. Enquanto isso, nosso Don não ajuda, com a mania de nunca me escutar. Sei que não é seu tipo preferido de conversa, mas eu queria que você pudesse ver quanta teimosia cabe em um Zach só." Concluiu, repassando mentalmente cada motivo para se irritar.
to the rescue || natalie, haziel & heather
Não podia culpar Natalie por ficar surpresa com sua súbita preocupação. Antes daquela semana, não tinha sequer admitido que sabia seu nome, por muito que tivesse a certeza que a mulher sabia que era um pouco inesquecível demais para isso. A verdade é que aquela nova abordagem, a que o fazia abandonar um pouco aquela pose de que não se importava com mais nada a não ser ele mesmo — o que, em parte, continuava sendo verdade; sua prioridade seria sempre seus desejos — deixava o peso que repousava seus ombros um pouco mais leve. “Pequenas vantagens de ser homem.” Retomou o habitual sorriso de lado, se permitindo, por momentos, relaxar na presença dela. Por muito que a ansiedade de ver Heather continuasse bem presente, não havia mais nada que pudesse fazer. Já tinha colocado seus advogados em movimento, Zachary cuidando da parte monetária (ou, provavelmente, essa parte pertenceria a Sophia) e ele das burocracias necessárias para tirarem sua irmã daquele buraco nojento. Nada podia fazer a não ser esperar e não ajudaria ninguém se mantivesse o mau humor habitual. A última coisa que queria fazer era recebê-la de volta daquele jeito. “Tenho certeza que minha irmã ficará agradecida.” Se alguma coisa que Heather gostava, era saber que as pessoas se importavam com ela. Não havia sombra de dúvida que Natalie era uma amiga genuína para ela, o que só a fazia apreciar mais a companhia da mulher. Sem dúvida uma boa escolha, quando a conversa era sobre aliados. Teria de conversar um pouco mais com Heather a respeito dela, tentar conseguir um pouco mais de informação a repeito da morena.
Com o barulho das grades, Haziel se virou de imediato, procurando a irmã com o olhar. Não deu sequer sinal de reconhecer os que a acompanhavam, porque não podia se importar menos com a presença deles. Tudo o que queria era olhá-la, ter a certeza que ela estava bem. E por muito que o parecesse, podia notar as pequenas coisas nela, pequenos detalhes que lhe indicavam o contrário. O jeito que parecia tensa, até mesmo falando com Natalie, sinal de que estava controlando sua vontade chorar. O ligeiro temor nas suas mãos, que lhe revelava o quanto nervosa estava. No entanto, sua figura era admirável. Ainda de queixo erguido, mostrando que não podia ser derrubada por nada daquele mundo. Não conseguiu evitar sorrir ao admirá-la, esperando que ela finalmente notasse sua presença. E quando o fez, não ficou desiludido com a reação. Era como se, por momentos, os últimos anos não tivessem acontecido. Toda a distância entre os irmãos passando apenas a uma memória ruim, facilmente descartada quando comparada aquele momento. "Não poderia estar em outro lugar." Porque, realmente, não se perdoaria se o fizesse. Não havia nada mais importante do que ela, naquele preciso momento. Não deixaria seu lado até ter a certeza que sua presença não era mais desejada. Era difícil esquecer que se estivesse do seu lado, talvez pudesse ter evitado sua vinda para aquele lugar horrível.
Não hesitou muito mais. Tirou seu casaco, com movimentos rápidos, rodeando os ombros da irmã cuidadosamente com ele, mantendo um braço firme em torno deles, a puxando para si, querendo-a proteger dos que a olhavam como se ela não passasse de um pedaço de carne. Ela era uma rainha. Não era digna daquele lugar. "Eles vão pagar." Pronunciou-se, por fim. Ela tinha razão. Sua ideia quanto a guerra tinha mudado por completo. Agora, vi-a como uma necessidade. Alguém pagaria por aquilo. Pagaria com sua vida, nem que fosse a última coisa que Haziel fizesse. "Se Zachary demorar em fazer justiça, posso garantir que a farei com minhas próprias mãos. Alguém vai pagar por isso." Repetiu, uma tensão controlada em suas palavras, não querendo que sua fúria tomasse conta dele, enquanto estava sob o escrutínio dos polícias ainda. Não perderia tempo em lhe dizer como ele sempre estivera certo, em como ela a deveria ouvir mais. Era a última coisa que ela precisava naquele momento. "Vamos. Eu paguei para o táxi esperar por nós lá fora. Temos de ir na Olympian ou não duvido que Zachary terá minha cabeça e a de Natalie numa bandeja pela manhã." Claramente, não levava as ameaças de seu irmão a sério, mas podia entender a necessidade de ter a certeza que Heather estava bem. Pelo menos, isso lhe daria. Começou encaminhando-a para fora da esquadra, tendo a certeza que ela quereria a maior distância daquele lugar, sem se afastar dela. "Você vem Natalie ou vai arriscar sua sorte?" Perguntou, olhando por cima de seu ombro com um pequeno sorriso.
“Ouvi dizer que ser a heroína de vez em quando faz bem pra pele." Natalie soltou um meio sorriso para Heather, aliviada por vê-la ainda de queixo erguido. Sempre admirara a posição indestrutível da mais velha diante seus momentos piores. Tomava a atitude quase sempre como um exemplo de um futuro não muito distante; continuar daquela forma inquebrável, por mais que o próprio mundo estivesse estilhaçando-se em cacos de vidro ao seu redor como Heather sempre fazia. Quando ouvira o agradecimento da mulher, a morena tivera sua expressão suavizada em um sorriso genuíno, respondendo: "Amigas são pra essas coisas." Entretanto, sentira em seu interior que não fizera nada além do que surgir ali; afinal, o dinheiro da fiança não tinha vindo por parte dela e, sinceramente, Natalie não tinha a mínima ideia do que iria fazer após chegar à delegacia se Haziel não estivesse lá. Dinheiro para libertá-la, ela tinha. Porém a preocupação que nascera como uma chama ao encontrar um produto inflamável, impedira seu raciocínio de impulsionar ideias coerentes por um tempo. Pra falar a verdade, a morena ainda se questionara do motivo de estar arriscando tanto. Seu rosto poderia ter sido visto por qualquer um daqueles policiais presentes, então seria reconhecida e caçada como um animal até estar atrás das grades. Amigas são para essas coisas., sua mente repetira sua fala de poucos segundos atrás mostrando a justificativa que estava embaixo do nariz da morena.
Quando Heather passara por ela, Natalie olhara sobre o ombro a cena dos dois irmãos. Era estranho presenciar algo assim envolvendo a família Olympus, àquela cujas histórias de intrigas intermináveis poderiam superar a quantidade de páginas dos livros do George R. R. Martin. Entretanto, respeitando o momento dos dois, dera alguns passos para se distanciar dos mesmos enquanto conversavam de modo ‘particular’. O momento familiar deles a fizera pensar na própria família cujo contado não possuía mais; talvez estivessem mortos, sequestrados ou morrendo — Natalie não é exatamente uma pessoa otimista —, entretanto o ensinamento primordial que os mesmos deram à garota era de que afeição tornava-se equivalente à derrota, principalmente quando seu inimigo tem por conhecimento tal fato. Sua criação foi quase de modo total baseada em razões do que emoções, desde criança era obrigada a reprimir os sentimentos, por mais genuínos que fossem. Mas… Ali, ela sentia que estava jogando tudo o que aprendera no lixo; Natalie estava se importando. Os Ankh foram espertos com o golpe ousado que deram, mas cometeram um erro ao brincar com a Olympian ao fazer Heather e Henry serem presos. Ás vezes, vingança é justiça.
A voz de Haziel tirara toda atenção de Natalie em seus pensamentos, a fazendo se virar para os dois. Achara extremamente adorável a cena de irmão mais velho cujo o Olympus estava tendo com Heather, algo que nunca pensara que ele fizesse alguma vez até os últimos momento daquela noite. Ao ouvir a declaração de Haziel, as sobrancelhas da garota se uniram numa expressão pensativa. Zachary parecia gostar muito de ameaçar livremente qualquer um, não importando quem, com morte ou tortura. Talvez ele fosse ousado o suficiente para concluí-las ou, então, nenhum pouco louco de eliminar aqueles que fazem ‘o trabalho pesado’ da máfia. Não entendia exatamente o porquê da presença de uma mercenária ter sido exigida pelo Don; talvez o mesmo quisesse dar-lhe um sermão por não ter protegido a Cônsul no meio da confusão. Natalie estava se envolvendo em quantidade demasiada com os membros da máfia, numa linha que ia muito além de seu profissionalismo. Mais cedo ou mais tarde, quem sabe, a garota iria descobrir se isto era bom ou ruim. Os dois Olympus passaram na sua frente até a saída da delegacia, em seguida observou Haziel olhá-la por cima do ombros. Olhou para o relógio fingindo estar interessada nas horas. ”Não tenho nada melhor para fazer mesmo." Disse com ironia, dando de ombros. "Vocês vão de táxi. Eu estou de moto.” A grega ergueu o capacete preto para eles. "A menos que um de vocês queira ir na garupa. Prometo ir devagar." Abriu um sorriso com uma expressão de inocência estampada em sua face. Entretanto, as pessoas sabiam muito bem que Natalie adorava velocidade.
Fez o possível para se manter estável, mas quando o irmão envolveu os ombros dela o próprio casaco e manteve o braço ali, protetor, ela não teve mais vontade de se distanciar. O abraçou com força, como não fazia há décadas. Se fechasse os olhos por tempo suficiente, sentiria que estava na Grécia, na grama em frente à mansão onde ambos cresceram, ao invés de estar naquela delegacia imunda. O contraste entre os cenários e os sentimentos que eles causavam em Heather não podia ser maior, mas era justificado pelo alívio que a presença de Haziel lhe dava em meio à crise que vivera nas últimas horas. Quando se afastou dele, foi para olhá-lo nos olhos enquanto falava. "Não. É claro que eles vão pagar, mas com ou sem Zachary você não vai entrar nisso." A voz era gentil, mas não abria espaço para questionamentos. Com tudo o que enfrentara naquela noite, não cogitaria ver o irmão em risco em um futuro próximo. Além do mais, ela mesma fazia questão de lidar com os responsáveis pelo acontecido. "Há muitas maneiras de fazer aqueles egípcios se arrependerem sem nos expormos e, aliás, você acha mesmo que eu deixaria outra pessoa que não eu mesma cuidar do assunto?" A perspectiva a fez sorrir, por um segundo esquecida do lugar à sua volta, deliciada pela ideia da vingança. Logo o devaneio passou e a Olympus pôde sentir seus olhos se escurecerem, lembrados do motivo da tão desejada vingança. Por maior que fosse sua alegria por ser solta, em especial por aquelas duas pessoas, o pânico e a indignação de ter sido presa, além do simples fato de que ainda se encontrava entre aquelas paredes, não deixavam qualquer serenidade se solidificar.
Notou então que, mesmo ao se distanciar de Haziel para falar com ele, manteve uma mão agarrada à camisa dele, de lado. Ainda estava assim enquanto ele a conduzia para fora dali, com cada parte de si ansiosa pelo ar fresco que a limparia do estigma abominável daquele ambiente. O gesto infantil de se segurar ao irmão, tão deslocado nela em qualquer outro contexto, trouxe a vaga lembrança de quando eram crianças e foram investigar um barulho na casa. A pequena Heather, assustada com alguma ameaça invisível, segurou a camiseta do mais velho como a Cônsul fazia agora. Não era a primeira vez que ele vinha espantar os terrores dela, não mesmo. Sorriu para Haziel, um sorriso bem mais divertido e amigável que aquele que exibira ao pensar na exterminação dos Ankh. "Tenho ideias melhores envolvendo Zachary e uma cabeça na bandeja. Espero que você fique para assistir." Isso foi dito alto o bastante para que Natalie ouvisse também, e a frase seguinte foi dirigida a ela. Não tinha o menor medo de ser julgada pelos policiais, não podia se importar menos com o que eles pensariam de suas palavras. Livre da cela e das algemas, se sentia novamente capaz de lidar com quem quer que ousasse incomodá-la. "Você vai adorar, bem o seu estilo. Talvez possa me oferecer reforços se eu precisar de ajuda." A ideia foi o que bastou para tirar de Heather os maiores resquícios do horror de ficar em uma cela. Recuperara em definitivo sua postura de alguém pertencente à realeza, sem se preocupar com qualquer um fora de seu círculo. Estava de volta à sua zona de conforto, a velha raiva de Zach. Dessa vez, porém, encarava a questão com uma seriedade inédita. Jamais tinha se decepcionado com o mais novo naquela medida. Tudo mudava quando o Don deixava uma brecha suficiente para a Olympian mostrar fragilidade. O objetivo número um da morena, desde que chegara a Dubai, era manter a superioridade da máfia inquestionável. Agora, tinham entrado voluntariamente no covil dos rivais, sido atacados e pior, a própria Cônsul foi capturada. Precisavam retaliar, a Olympian como um todo devia responder à altura. Heather, em particular, tinha uma missão a mais: mostrar a Zachary que ele falhara com ela e então deixar claro o que isso significava.
A sugestão de Natalie desviou sua atenção das consequências que levaria ao Don. Com seu humor restaurado, ao menos por hora, foi fácil sorrir de volta para ela, irônica. "Fico lisonjeada com o convite, mas deve ser mais fácil sair ilesa de uma visita a isso que de uma volta por Dubai de carona com você." Respondeu, claramente se referindo à delegacia. "Deixa para quando eu estiver em trajes mais adequados." Piscou para a Paterson, que sabia que Heather precisaria de um pouco mais de álcool no sangue ou um pouco menos de opções seguras para aceitar a proposta. Deixou então que Haziel a levasse para a entrada da delegacia, com Natalie atrás deles. Os olhos da Cônsul brilhavam para o mundo que reencontrou ao passar por aquela porta. Para muitas pessoas, as poucas horas presa não significariam grande coisa. A experiência era assustadora, é claro, mas não podia ter grandes efeitos quando sequer se passava a noite na cela. Para Heather Olympus, porém, ser encarcerada, por mais curto que fosse o período detida, era cair do topo do mundo para o lugar onde os comuns e horríveis viviam. Em seu posto, a morena estava acostumada a ser intocável. Nada devia ameaçar a Cônsul da Olympian, não era para haver força capaz de atingí-la. Nunca se sentira tão desprotegida e frágil. Imaginava que cada pessoa envolvida em uma das máfias de Dubai, por mais irrelevante que seja, já devia saber onde ela foi para depois da festa. Muitos estavam provavelmente comemorando. A necessidade de os fazer entender com quem os Ankh tinham mexido a consumia. Afastou com algum esforço essa linha de pensamentos e foi até o táxi que esperava pacientemente na porta, ainda com o irmão ao seu lado. Fez questão de abrir a própria porta antes que qualquer um considerasse fazer isso por ela. Não que Heather não gostasse de ser servida. Apenas não estava com humor para se mostrar dependente. Por mais grata que fosse a seus heróis da noite, estava ansiosa para voltar ao modo salvo a mim mesma. "Te vejo na Olympian, então. Temos um show ou dois para preparar." Disse para Natalie, acenando antes de entrar e se acomodar na janela oposta do banco de trás. Enquanto esperava Haziel seguí-la, encarou o taxista pelo espelho da frente, o desafiando a lhe dar um olhar de julgamento por ela ter saído de uma prisão. O homem não era burro para tanto e evitou contato visual.
ends with us: a hera/zeus playlist [listen]
o1. king and lionheart - of monsters and men (and as the world comes to an end, i’ll be here to hold your hand, ‘cause you’re my king and i’m your lionheart) o2. in our bedroom after the war - stars (she’s gone, she left before you woke, as you last night, neither of you smoked, dishes, tv, bed, the dark was filled with dread, but at least the war was over) o3. starts with them, ends with us - dan mangan (don’t fear the worst in case it comes, just pray in the night that they don’t take your love, the hills are alive with the sound of their guns, you’re getting used to ‘em) o4. cold summer - seabear (i can see your eyes turn blue, i can see the weather changing you, cold summers one after the other, got old fast soon grew tired of each other) o5. no children - the mountain goats (i hope it stays dark forever, i hope the worst isn’t over, and i hope you blink before i do, and i hope i never get sober) o6. landfill - daughter (well this is torturous, electricity between both of us, and this is dangerous, ‘cause i want you so much, but i hate you guts) o7. elephants - rachael yamagata (and how dare that you say you will call, when you know i need some peace of mind, if you had to take sides with the animals, won’t you do it with one who is kind) o8. good morning, hypocrite - electric president (our head, our hands, our brains, our lungs: they’re just machines, these hearts are all we’ve got left and they don’t beat) o9. i think i need a new heart - the magnetic fields (but the words you want to hear, you will never hear from me, i’ll never say happy anniversary, never stay to say happy anniversary)

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MOODBOARD - HAZIEL AND HEATHER (5/?)
"And then there was Heather. She once had been his best friend. Now he hasn’t sure if they were even friends anymore. He never had a problem with pretending he didn’t care but when he looked at her and saw how hurt she was it got harder everytime."
Irresistible Force | Zachary & Heather {flashback}
Sequer fez questão de aparecer na reunião que ocorreu mais cedo. Era um deboche a sua intelectualidade, já que não estavam abordando nenhum tema útil. Porque precisariam logo da presença do Don?
Zachary mexeu-se na poltrona, tentando relaxar. Depois de aturar e despachar aquela desconhecida logo cedo, ele aceitara férias apenas para se livrar dos sermões de Heather. Também preferia passar 15 minutos olhando para a cara de Haziel, a estar com aquela dor de cabeça, mas realmente precisava tomar o remédio, trancar a porta do escritório e descansar um pouco. Ele era o líder daquela máfia, e por conta disso, não permitiria que alguém percebesse que estava indisposto. Menos sua querida irmãzinha, que sabia que cuidaria dele. Inclinou um pouco o banco para trás, contraído o rosto pela sua ‘sorte’. Por que diabos ele era constantemente perseguido por lunáticos? Primeiro tinha seus parentes, esses eram erros genéticos que teria que aguentar até sua morte. Nem sabia dizer como conseguiam trabalhar no mesmo negócio por tanto tempo. Depois entrava todos os perigos de sua ‘profissão’ que não eram poucos. Estava constantemente jurado de morte, e por mais que duvidassem, agradeceria todos os dias o fato de ainda respirar e ter saúde. Se sua ‘sorte’ parasse por aí, ainda estava tudo bem, tudo suportável. Era só ignorar a existência dos irmãos o máximo possível, mas logo vieram Egipcios e Nórdicos. Outros dois encostos que sempre estavam no pé dele, desde que houve o ‘boom’ que levou a todos para Dubai. E esses, em especial Ramses e sua belíssima esposa (Se é que poderia dizer que ainda estavam juntos) faziam questão de serem tormentos em sua vida, chegando a serem mais chatos que os irmãos.
Ele voltou os olhos para os dedos que tamborilavam displicentemente na mesa ampla e retangular na sala que estava. Não via a hora de poder voltar para seu apartamento e passar um bom tempo relaxando na banheira, de preferencia sozinho. A cota do dia já havia sido estourada. Fez menção de olhar as horas no relógio em seu pulso pelo que devia ser a milésima, mas olhou rápido para a porta, quando essa for escancarada, revelando sua meio-irmã, que interrompia seus devaneios. Era a primeira vez naquela semana que percebeu que ela havia mudado levemente a cor do cabelo. Ou será que era a maquiagem diferente? Não, estava em dúvida. Algo em Heather havia de fato mudado.
"Não, não fala. Você mudou o cabelo?" Começou, analisando-a de cima a baixo ao que aproximava-se da mesa, cortando ainda mais a distância entre eles e ignorando completamente as palavras da morena. "Não… Você perdeu peso. É isso." E com um sorriso trinfal, jogou seu trunfo. Sabia que ela iria se irritar ainda mais ao ouvir aquilo, mas não importava. Era uma desculpa para que aqueles olhos começassem a faíscar e ela tentasse avançar sobre si, na vontade de capturá-lo pelo pescoço. Com essa tática, o Don daria mais um passo em direção ao que almejava há algum tempo.
Estava prestes a se virar e sair, do mesmo jeito que entrara, porém com mais barulho para piorar a dor de cabeça de Zach. É claro que bateria a porta com um estrondo, torcendo para que ecoasse. Mesmo que estivesse ali para lhe trazer o remédio, a Olympus queria que ele sofresse um pouquinho. Quem contestaria o fato de que a punição era merecida? Seus planos foram arruinados pelas palavras do irmão. Considerou seriamente roubar o remédio de volta e triturar comprimido por comprimido com a ponta do salto. Bufou, indignada com o quanto ele era absurdo. Às vezes, só por existir, o Don dava à própria Heather uma insuportável enxaqueca. Então, havia momentos como aquele, em que ele se esforçava. Com isso, ultrapassava o limite do mero incômodo e acendia nela um instinto de esmagar alguma coisa. Talvez ele mesmo, com um rolo compressor. Enquanto não conseguia uma licença para dirigir um desses (não era tarefa para designar a terceiros; faria questão de atropelá-lo por conta própria), se limitava a ignorá-lo. Vez ou outra dava-lhe um belo tapa no braço para lembrar com quem ele estava falando, mas já estava acostumada a simplesmente fingir que não viu nem escutou a afronta do dia.
Naquela manhã, porém, a morena já tinha queimado toda a paciência disponível para o irmão. Até a caminhada até a sala dele foi feita no limite da boa vontade, temperada pela irritação de saber que Zachary conseguia convencê-la a ajudar mesmo quando ela não devia nem atender uma ligação dele. Chegou ao escritório do Don com a esperança de que seria uma passagem rápida por ali. Achou mesmo que conseguiria se livrar do problema com sucesso. Entregaria a cartela, voltaria para sua cadeira confortável e concluiria o trabalho do dia. Uma vontade bem plausível, até o loiro abrir a boca. Antes de mais nada, Heather sabia muito bem que seu cabelo e seu peso continuavam perfeitos e inalterados há anos. A tentativa ridícula de Zach de elogiá-la era obviamente uma desculpa para trazer ainda mais raiva à sua já odiável manhã. Para piorar, havia o desgosto de saber que ele usava o mesmo tom que a Olympus o vira usar inúmeras vezes com suas... Garotas. Se sentia incapaz de definir a que ponto era patético.
Odiava ainda mais saber que a estupidez do mais novo atingiu o objetivo: tirá-la do sério, fazê-la se demorar ali de tão irritada que estava. Ao invés de se afastar, permaneceu onde estava, mesmo que ele tivesse se aproximado. Ao fim da fala dele, chegou alguns centímetros mais perto, para que Zachary entendesse cada palavra que sussurrou. "Guarde suas tentativas de agradar com palavras sem nexo para as pessoas que te conhecem pouco o suficiente para dar atenção, maninho. Eu juro que não tenho mais paciência para lidar com isso por hoje." Concluiu mentalmente com "Espero que seu cérebro exploda", mas não teve tempo de decidir se diria essa última frase ou não. A raiva em seus olhos foi substituída pela confusão quando realmente prestou atenção em Zach. Havia alguma coisa no olhar dele, uma expressão que ia além da tradicional escolha de mal ouvir o que ela dizia. Parecia prestes a fazer algo desastroso, algo que fez Heather ficar completamente imóvel e esperar pela reação dele, apesar de sua parte racional estar mais inclinada a correr.
to the rescue || natalie, haziel & heather
Tinha de admitir que se sentia aliviado por pelo menos ver uma cara familiar no meio de todo aquele caos. Gostaria que sua noite do lado de Natalie tivesse terminado de um jeito diferente. Estava se divertindo com a morena, até permitindo-se conhecê-la melhor, até terem sido rudemente interrompidos, é claro. Começava descobrindo nela uma potencial poderosa aliada, mais ainda do que tinha antecipado. E, vê-la ali, preocupada com o bem estar de sua irmã… Bem, isso só a fazia subir mais pontos na sua consideração. "Péssimas. Estou esperando que estabeleçam a fiança deles." Retrucou, controlando sua irritação, sabendo que ela não era culpado por aquela demora absurda. Se tinham escolhido Dubai pelo seu sistema judicial defeituoso, devia haver alguém rindo da cara deles naquele exato momento. Porque estavam sofrendo suas consequências, num momento em que mais precisavam que ele funcionasse como uma máquina bem oleada. “Não acho que possamos fazer muita coisa além de esperar, por muito que eu…” Parou de falar, quando ouviu o toque familiar do seu celular, logo alcança o aparelho com sua mão. “Um segundo.” Pediu para Natalie, antes de atender, já antecipando o que seria.
Quando o desligou, um sorriso permanecia nos seus lábios. Tinha de admitir que provocar Zachary, mesmo naquelas situações, era algo que apreciava. E era sempre bom saber que era pelo menos um pouco inteligente. “O dinheiro já está disponível.” Se virou de volta para o policial. "Pagarei a fiança de todos que foram presos no casino hoje. Sim. Todos. Aqui está o número da conta. Trate disso o mais depressa possível, mal a decisão do juiz chegue." Ordenou, antes de retornar sua atenção para Natalie. "Aparentemente, meu querido irmão decidiu que era uma boa ideia libertar todos. E ele tem razão." Era um plano de última hora, mas que poderia resultar a seu favor. Por muito que agora ele apoiasse uma guerra contra a Ankh, não os magoaria ter outros do seu lado, lhes devendo um favor, já que certamente eles também estariam procurando vingança depois daquela noite. Uma que Haziel faria com suas próprias mãos se Zachary não se despachasse.
Sem muita mais hesitação pousou uma de suas mãos na curvatura do pescoço dela, acariciando a pele devagar. "Eu fiquei preocupado com você." Permitiu que seu olhar se suavizasse. A verdade é que com toda a confusão, não conseguira encontrar Natalie mais. Temera que algo tivesse acontecido, mas Heather era sua prioridade. Presumira e, agora via que estava certo, que ela tinha conseguido escapar, já que não fazia parte da lista dos prisioneiros. Deixou seu braço cair, sem estender demais o contato entre os dois. “Eu tentei te procurar depois de mandar Pearl para casa, mas acho que você já tinha saído. Então, eu vim para aqui, mal soube de Heather.” Não lhe devia nenhuma explicação em particular, mas se sentia na necessidade de a entregar. Afinal, ela tinha sido sua acompanhante naquela noite terrível.
A morena aguardou com paciência o outro atender a ligação, não tirando seus olhos do ambiente que a cercava. Ela ficara imaginando em que situação sua amiga se encontrava, por mais que as prisões de Dubai tivessem um pouco mais de luxo que as dos outros países; não havia outra emoção em seu âmago senão preocupação, algo que, por sua vez, em raras ocasiões de sua vida sentia por outro ser vivo — geralmente envolvia apenas suas missões ou objetos de valor —. Ela suspirou algumas vezes com impaciência. O estresse talvez estivesse esgotando sua calma, evaporando-a da exata maneira que o sol evapora a água. Muitas perguntas passavam pela cabeça da mercenária, e realmente teria entretido sua atenção com seus pensamentos se a voz de Haziel não tivesse trazido-a novamente ao presente enquanto conversava com o policial. A surpresa fora inevitável. Zachary Olympus liberou mesmo o dinheiro para soltar todos na prisão? Natalie não tinha conhecimento dos outros presos, mas sabia que tinha mais; afinal, haviam várias pessoas ali tanto da máfia grega, quanto da nórdica. Os egípcios foram extremamente espertos. Desgraçados, melhor dizendo. As sobrancelhas delineadas da morena se ergueram com a declaração de Haziel. “Eu ouvi direito?" Indagou com ironia. "Boas ações vindas de Zachary? O que ele está esperando, entrar na lista dos bonzinhos do Papai Noel?" Entretanto, Natalie sabia que tinha um plano por trás de tudo aquilo. Afinal de contas, o líder não era um ser de pouca inteligência; até porquê, se fosse, não teria alcançado um cargo tão alto numa máfia contrabandista de armas. "Bem. Ele foi esperto.”
O toque de Haziel fizera Natalie olhar para a mão do homem, e em seguida para seu rosto. Do fundo de sua alma, a garota não esperava nem em mil anos causar o sentimento de preocupação em alguém; ainda mais quando este alguém se chamava Haziel. O comportamento de indiferença dela deveria ser à prova de laços sentimentais, e o que diabos estava acontecendo com a mercenária nos últimos anos? A expressão em seu rosto se suavizou acompanhando a do Olympus, suspirando baixinho. “Sinto muito." Natalie tinha uma impressão de que, pela primeira vez em anos, estava se desculpando com sinceridade. O gesto de Haziel a fez se perguntar por um breve momento se já havia preocupado alguém; uma questão ingênua para uma mulher como ela, porém esquecia que também era humana. O toque se cessou, e a morena respondeu: "Hoje foi um daqueles dias que comprovam que uma mulher consegue, sim, correr de salto." Ela deu de ombros tentando descontrair a situação. Natalie também havia tentado encontrar Haziel no meio da confusão, porém eram tantas pessoas fugindo que quase fora pisoteada pelos grandes homens. Felizmente, a mercenária tinha ótimos reflexos e uma colega para puxá-la para longe do caos. "Eu… não podia deixar minha amiga numa situação dessa. Vim pra cá o mais rápido que pude." Era estranho confessar algo assim em voz alta, a morena sentia que estava expondo um ponto fraco dela; se importar. "Mas é ótimo que esteja aqui. Detesto autoridades.” Tentou contornar a situação com um sorriso no rosto.
Ainda segurando o capacete com a mão direita, ela cruzou os braços com um longo suspiro de impaciência, trocando o peso de seus pés. Era irônico para uma pessoa como ela se encontrar num departamento policial, envolvendo a justiça; não tinha aversão a mesma, sempre tentava agir de modo justo para com as pessoas — por exemplo, ela não matava um e deixava o outro vivo para viver traumatizado. Matava os dois —. Entretanto, o barulho das camadas de grades que separavam as celas com presos da delegacia, indicavam que estavam sendo abertas. Natalie automaticamente virara o rosto para fitar as figuras ainda algemadas passar por ali, e não se surpreendera ao ver Heather acompanhada por Henry, Felicia e Tayte. Ela dera um pequeno sorriso ao ver a amiga beirando o que poderia ser considerado ‘bem’, ou pelo menos inteira. A mercenária apenas aguardou que os policiais ali perto livrassem-na das algemas em seus punhos para se aproximar, colocando seu capacete de moto embaixo de um dos braços. “Você parece… Inteira." Pensara em dizer ótima, entretanto estaria mentindo para Heather; afinal, não era a melhor das situações. Queria dizer mais alguma coisa, mas não sabia o quê exatamente, então ficara em silêncio.
A fúria de Heather crescia a cada passo angustiado dentro da cela. Tentava em vão não se preocupar, pois sabia que seria inútil. Dali, não era sequer ouvida pelos policiais, os únicos no prédio capazes de agir. As tentativas de adivinhar o que acontecia fora da delegacia, se havia algum progresso para resgatá-la, não ajudariam. A noite parecia se resumir em ironias. Caso tivesse escapado com os outros, a Olympus saberia exatamente o que fazer. Tão logo considerou o assunto, sua mente tinha um plano objetivo e eficiente traçado, com cada detalhe do que faria para soltar as pessoas da Olympian presas, se não fosse uma delas. Se orgulhava da absoluta certeza de que, com a Cônsul em ação, ninguém a serviço dos gregos ficaria sob tutela da polícia por tanto tempo quanto ela mesma já estava. O conhecimento de como o problema se dissolveria facilmente se estivesse em condições de resolvê-lo, apesar de inflar seu ego levemente abatido, não trazia grande melhora para suas emoções. Como não ficar frustrada ao notar que era uma das mais úteis cartas da máfia naquela situação, mas obviamente estava fora da mesa? No fundo, era a incapacidade de salvar a si mesma que a consumia. Entre as discussões com Zachary, a dedicação à Olympian e os demais relacionamentos complexos em sua vida, Heather sempre cuidou de si. Em quem mais poderia confiar tal tarefa? Cada amargo minuto naquele ambiente desprezível confimava que fora inteligente de agir assim por tantos anos. Jamais deixaria de proteger quem ou o que era importante para ela, mas precisava redobrar as precauções para não permitir que nada a atingisse. Talvez um dos maiores impactos daquelas horas na cadeia fossem que, dali em diante, com certeza daria prioridade a si mesma com mais frequência. Em especial quando a outra pessoa com quem se importar fosse um certo Don.
Sem poder se conter, voltou a pensar em como as coisas deviam estar lá fora. Não tinha uma informação sequer, mas conhecia os procedimentos da Olympian bem o suficiente para supor. Seu irmão devia ter reunido todos, a não ser os que estivessem em uma missão a mando dele. A essa altura, certamente havia um esquadrão responsável pela vingança. Zach não deixaria um rival atacar sua máfia e sair impune. Heather se perguntava se, além disso, estaria preocupado o suficiente para cuidar da situação da irmã. Depois do jeito que a noite terminou, considerando o que sentia quanto ao desempenho dele para proteger a todos, não gostava da resposta que sua mente fornecia. Por fim, teve esperança de que Sophia, ciente do paradeiro da Cônsul e de que ela não fora a única capturada a serviço dos gregos, agisse a seu favor. Abnara saberia o que fazer e não se esqueceria do quanto a agilidade para lidar com aquela crise era importante para a imagem da Olympian. Os pensamentos de Heather a consumiam, mostrando possibilidades cada vez mais negras, quando foi sobressaltada por um guarda abrindo a porta. Ele foi direto até ela e disse que estavam livres. A surpresa foi tanta que a morena nem protestou quando o oficial segurou seus pulsos para colocar de novo as algemas. Eram apenas para o trajeto até a liberdade, mas ela mal as notou. Ficou chocada com o fato de que sairia mesmo dali, naquela hora. Só então percebeu o pavor que sentia por trás de toda aquela irritação, a crença de que passaria uma noite naquele lugar tenebroso, apesar de sua mente perseguir cada cenário em que alguém a libertaria. Seguiu o policial, sem reparar nos outros que vinham atrás dela, apesar de notar que o fato de ser a primeira a ser retirada da cela parecia proposital, pelo que observou das ações do homem que a puxou para fora das grades. Quem quer que veio a seu socorro deve ter sido claro quanto à importância de levá-la embora dali. Enquanto era conduzida à entrada da delegacia, voltou a ser consumida pelo ódio e pela vergonha ao pensar que seria vista algemada. Era surreal que a mulher que mais cedo atraiu olhares de admiração de todos à sua volta, em um evento já marcado pela elegância, descera tanto em um espaço de tempo tão curto.
Apesar disso, o nó em sua garganta se dissolveu quando seus salvadores entraram em seu campo de visão. Sentiu a boca se abrir em espanto enquanto o policial tirava suas algemas, sendo bem mais rude que o necessário. A Olympus nem se importou. Estava ocupada xingando a si mesma pela ardência em seus olhos. Não, de jeito nenhum, não choraria. Depois de tudo que vivera desde aquela festa digna de Carrie, não daria à noite um ápice tão indigno. Caminhou lentamente até eles, se dirigindo primeiro a Natalie, feliz em saber que ao menos seu vestido e seus sapatos estavam intactos. Não tinha um espelho para descobrir sobre o cabelo, mas a ausência de um era provavelmente uma boa coisa. "Eles vão precisar de muito mais para atingir Heather Olympus." Disse, de alguma forma orgulhosa como sempre. Ok, tinha sido atingida, mas não chegaram nem perto de derrubá-la. Queria abraçá-la. Mesmo que não fosse o estilo delas, aquele contato seria um alívio, a confirmação de que iria logo para casa. Apesar disso, não conseguiria tocar ninguém de quem gostasse antes de um longo banho. Se sentia suja, poluída pela estadia ali, e começou a se questionar sobre quanto tempo levaria até parecer ela mesma de novo. "O que está achando de ser a heroína da noite? Sabe, até que cai bem em você." Julgou que uma piada sobre assassinato não cairia bem para os policiais, ainda mais porque Heather falaria sério ao sugerir a alegria da morte dos envolvidos. Por isso, apenas assentiu para a amiga e murmurou um singelo "Obrigada, Nat." que expressava toda a sua gratidão, e provavelmente a surpresa de vê-la ali. Foi ainda mais difícil impedir a própria expressão de desmoronar quando foi até Haziel. Devia ter adivinhado. Agora, era evidente que o irmão mais velho deveria ser seu primeiro palpite ao ser solta, ao mesmo tempo que soava como algo totalmente inesperado. Parou em frente a ele, próxima o suficiente para que só ele ouvisse quando ela falou. "Não sei se você tem ideia do quanto é bom te ver aqui." Se esforçou para continuar a olhá-lo nos olhos, porque sabia que Haziel enxergaria o que aquela experiência fora para ela. Mesmo assim, não havia motivos para esconder do irmão o que sentira antes e como estava agora, aliviada, grata, um pouco assustada e ainda tomada pelo ódio a tantas outras pessoas. Se tinha qualquer dúvida quanto a confiar nele, foi apagada pela imagem dele à sua espera. "Parece que você estava mais certo do que eu pensei, sobre o que disse no jantar. Só espero que você tenha mudado um pouco a sua opinião quanto à parte da guerra." Não precisaria especificar que se referia, primeiro, às falhas de Zachary e, em seguida, aos egípcios. Os Ankh pagariam em dobro pelo que a fizeram passar, além de que Heather ia garantir que não tocassem ninguém de sua família de novo. Naquele momento, essa família não incluía só o sangue do seu sangue. Pretendia estender aquela proteção a todos que fossem fiéis à Olympian, a começar pela própria Natalie.
Natalie Peterson and Heather Olympus moodboard
“I seriously don’t understand how you survive without me sometimes.”
MOODBOARD - HAZIEL AND HIS FAMILY (3/?)
"The weird thing about his brothers was as much Haziel could hate them he would always love them above all else. There wasn’t anything he wouldn’t do to keep them alive even if it was keeping himself away to not end up killing them out of frustration."

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greek mythology meme: [6/7] gods
↳ hera
The sister-wife of Zeus and the Olympian queen of the gods, Hera was a daughter of Kronos and Rhea. After the Titanomachia, and her wedding to Zeus, she was treated by the other gods with the same amount of respect as he was, even though her husband still treated her as an inferior. The couple had two sons and one daughter together: Ares, Hephaistos, and Hebe. Since Hera was the goddess of marriage and women, Zeus’s constant sleeping around caused her to become perpetually jealous and quarrelsome.
God, I fucking hate stupid people. || @heather and natalie. {flashback}
youreonlydarkness:
Natalie ignorou o comentário da amiga enquanto era guiada até o precioso armário de bebidas. Ela também tentou ignorar a dor que se instalava pelo seu ombro com o curativo recente; felizmente, a mão na qual Heather usou para puxá-la era oposta ao lado ferido. Ainda assim, doía. Dada sua função de mercenária, o direito de reclamar de forma aberta de suas missões era restringida. Todavia, o fato não mudava a teoria mais que comprovada: Natalie era humana e, sendo humana, tinha controvérsias básicas incluindo uma leve aptidão para quebrar regras. Sabia muito bem que Heather entenderia. Melhor ainda: que não julgaria a atitude. A companhia da outra era sempre a mais de bom grado recebida de todos os irmãos Olympus; os outros, ocupados aos extremos em seus afazeres, quase agiam de modo automático durante o decorrer de seus dias. Quase. “Era para ser um simples assassinato. Porém Zachary parece amar me enviar para missões quase suicidas. Eu estudo a porra da vida do cara, para no final ele estar me esperando?!" Em vez de afirmar, acabou indagando um pouco mais alto do que pretendia, guiada por sua frustração reprimida nas últimas horas. Natalie nunca se dera bem com falhas; era perfeccionista demais para ter um bom relacionamento com os erros; simplesmente os repudiava da mesma forma que os humanos agiam com ratos. Todos que já tiveram o prazer — ou desgosto — de trabalhar com ela, sabiam muito bem disso. "Talvez seja algum tipo de teste divino. Se é que existe isso." Murmurou por fim, não contento a vontade de abrir o armário de bebidas de Heather. Sua frustração estava num nível tão demasiado que a morena sequer se importou se devia pedir ou não permissão a mesma. Suas mãos agarraram a primeira garrafa — talvez vodka ou wisky, não se limitou a ler — enchendo um copo de vidro guardado em um dos compartimentos, o tomando em seguida. Natalie sentiu o álcool descer num rasgo por sua garganta, porém pareceu um tipo de remédio momentâneo. O que, para ela, era uma felícia.
A mudança na opinião de Heather sobre o destino era radical. Agora, ele parecia disposto a agradá-la. Além de levar Natalie à sua porta, a primeira coisa que ela disse foi uma reclamação sobre Zachary. Existe algo melhor para otimizar uma amizade que uma raiva ou frustração em comum? A oportunidade de discutir seu azar transformou aquele em um dia de sorte. Era reconfortante - o máximo possível em meio a tantos problemas - ter alguém igualmente insatisfeita com as obrigações cotidianas. Não que a Olympus não amasse seu trabalho e seu status na máfia. Só não estava com paciência para as complicações usuais. Talvez devesse tirar umas férias, mas seu serviço não permitia esse luxo. Todo o resto estava a sua disposição, tinha o mundo nas mãos, mas se afastar da Olympian por alguns dias não era cogitável. Suspirou antes de dar sua opinião sobre o problema de Nat. "Talvez ele nem note, concentrado como está em si mesmo. Ou então ele faz de propósito, o que, convenhamos, é a cara do Zach." Revirou os olhos para a habitual idiotice do irmão mais novo. Então, prestou atenção na amiga. Se estava tão irritada, além de obviamente sedenta pela bebida, devia ter mesmo cometido algum deslise que a motivasse a se sentir assim. A aversão dela por falhas era de conhecimento geral, mais um ponto que tinha em comum com Heather. A principal divergência era que, se a Cônsul errasse, criava uma bola de neve em suas mãos, no centro de um dos negócios mais perigosos que existiam. Já a Paterson não envolveria tantos fatores, mas teria consequências bem mais difíceis de reparar. Sua excelência era garantia de sobrevivência. "O que conta é que você cuidou do problema, como sempre faz. Imagino que o cara sofreu um pouco a mais por te dar um susto." Constatou, pensando no que Natalie deve ter feito com um alvo que a deixou assim, uma vez que o dominou. Observou, aprovando mentalmente, quando ela tomou a iniciativa de escolher uma bebida. Na verdade, seria mais preciso dizer que a outra simplesmente puxou a mais próxima, mas o resultado era o mesmo. Heather pegou um copo para se e o estendeu na direção da amiga, que ainda segurava a garrafa, esperando que ela o enchesse. "E quanto a esse braço? Tem a ver com a missão?" Perguntou, notando que Nat o mexia de um jeito estranho, como se a incomodasse. Quando ela chegou, a Cônsul supôs que viesse direto do trabalho, mas talvez tivesse lidado com alguma complicação antes.
Got a task for you @Heather & Aaron {flashback}
O costume de treinar todos os dias, mesmo sem a menor necessidade. Quem olhasse de longe diria que Aaron era um fissurado pelo corpo, quando na verdade o homem apenas gostava de estar pronto. Suas mãos eram suas armas, tinham de estar engatilhadas, ter balas o suficiente para ultrapassar qualquer contagem do oponente. Seus pés eram seu melhor meio de locomoção. Para um lutador, os pés chegam até a ser mais importantes do que as armas em si. Para chegar a uma considerável perfeição, Aaron seguia uma simples rotina. Primeiro saco de areia, socos e chutes. Segundo pular corda, de todas as maneiras que conhecia. Terceiro Box, para este ele sempre precisava de um soldado, era melhor quando se tinha um oponente, quando se previa os movimentos. Era um jeito de treinar um pouco a cabeça, mas para esta ele não dava muita importância. Não mesmo.
Passava o dia treinando se possível fosse. Entre uma atividade e outra dava uma checada no celular, seus comandos costumavam ser passados através do aparelho. E não é que Warmon estivesse desesperado para uma briga, mas no dia em questão ele chegou o aparelho mais do que o normal. Estava no final de suas atividades quando ouviu o bip de longe, se a distancia fosse maior, o loiro provavelmente teria corrido. Por sorte só precisou acelerar os passos. Na tela a mensagem da Srª. Olympus. Aquilo não era tanto incomum, Aaron costumava fazer favores para ela por fora de seu roteiro diário, de fato até gostava. Heather sempre lhe deu boas tarefas, boas caçadas. Ela parecia entender que ele não só era bom no que fazia, mas precisava daquilo, como Darwin precisava de álcool ou coisa parecia. Ao terminar de ler, o loiro mandou a seguinte resposta. “Estava treinando. Se não for incomodo, posso encontra-la em seus aposentos.”.
Ao final da mensagem, Warmon correu para o chuveiro. Não se preocupava com o suor de seu corpo, ou com o odor proveniente do mesmo. Na verdade se sentia mais másculo quando estava assim. Mas Heather não precisava passar por tal incomodo. Uma calça larga, estilo militar, os coturnos preferidos e uma regata branca com “Captain Hook” escrito nas costas. Nem se quer esperou por respostas, tratou de dirigir-se aos aposentos da dama, e se fosse ousadia demais de sua parte, ele realmente não estava ligando. Iria pelo trabalho, e nada mais. Os passos apresados, um pé na frente do outro, como uma marcha. O soldado podia ter virado capitão, mas ainda cultivava velhos hábitos.
Três batidas suaves na porta dos aposentos de Hearther. Ele esperava.
Mal tinha selecionado uma roupa adequada - um longo azul simples, mas como sempre elegante, acompanhado de saltos pretos - quando ouviu a resposta em seu celular. Foi conferir e deu de ombros com a sugestão de Aaron. Mais fácil para ela, que nem precisaria deixar o quarto. Sequer se deu ao trabalho de confirmar a proposta dele. Se Warmon dissera que estaria ali, não precisava de uma resposta a não ser que a Cônsul discordasse da ideia. Gostava disso nele, a praticidade ao fazer o próprio trabalho. Era uma característica conveniente para as missões que Heather destinava ao capitão. Também era útil para ela que o rapaz fosse o principal nome entre a força ofensiva da Olympian. Preferia lidar com alguém que não tivesse muitos superiores a seguir, pois assim diminuía o risco de ordens conflitantes terem prioridade sobre as dela. Se apressou para estar apresentável quando ele chegasse. Não era um grande desafio para alguém como ela.
Quando estava pronta, se sentou na cama e abriu novamente o caderno, que tinha deixado ali ao entrar. Passou a limpo a folha com seus alvos, bem a tempo de ouvir as batidas em sua porta. Precisou de poucos passos para abrí-la, revelando Warmon à sua espera. A postura e os trajes de Aaron deixavam evidente a área em que ele trabalhava. Tudo nele indicava a afinidade com o estilo de vida militar. Até o tempo curto que levou para chegar ali era uma vantagem em seu serviço. Mais uma vez, aprovou silenciosamente a escolha do irmão para o comando dos soldados da máfia. A disciplina do capitão para seguir as autoridades da Olympian, combinada à famosa sede de sangue que ele sabia aplicar com maestria, o tornavam perfeito para a função. "Boa noite, Aaron. É uma tarefa bem simples a que eu tenho. Só um segundo." Disse, já se virando para ir pegar de novo a anotação. Esperou que ele a seguisse para dentro do quarto, deixando a porta aberta. As atividades que destinava ao capitão não eram nenhum segredo. Naquele meio, pessoas como Heather costumavam ter alguém que sujasse as mãos em serviço a elas.
Alcançou o caderno e arrancou a página que reescrevera. Foi bem prática e se limitou às informações essenciais. Entregou o papel a Aaron enquanto dizia suas instruções: "Todos os nomes nesta lista são de pessoas que trabalham na Olympian, mas que precisam de um pequeno aviso, do tipo que você sabe entregar. Não faça nada permanente, cada um deles tem algum motivo para estar na máfia… provavelmente. Só deixe claro que devem ser mais cuidadosos." Saber que aqueles que a irritaram pagariam por isso era encantador. Não precisava de motivos e detalhes, só sua palavra. Para ser sincera, nem se lembrava com exatidão o que algumas se suas (em breve) vítimas fizeram. O fato de que tinha seus nomes ali era o suficiente para acreditar que mereciam a punição que Warmon levaria até elas. Não conseguia se lembrar do tédio de logo antes quando sentia o poder que tinha nas mãos, a facilidade de castigar quem quer que desejasse.
Just get me a gun || Heather & Henry
Desde que podia se lembrar, Heather era ótima em processar informações e guardar na memória tudo o que havia de relevante. Naquela cela, porém, as lembranças pareciam se embaralhar e escapar dela, sem fazer nenhum sentido. Não era para menos. O motivo era justamente esse, estava em uma cela. Que lógica havia em um universo em que a Cônsul da Olympian era presa? Como se não bastasse, era obrigada a dividir aquele espaço horrível com Henry. Não adiantava ralhar com os policiais grossos sobre seu direito a um espaço só para si, já que tinha seu curso superior. Era ignorada, o que só aumentava seu desejo de enviar cada um deles para os soldados da máfia. Renderiam um lindo pelotão de fuzilamento, mas isso era algo a ser resolvido mais tarde. Primeiro, precisava lidar com o presente. Tudo o que construíra para si mesma ao longo da vida a levava a estar em negação quanto ao novo cenário. Por mais que seu cérebro se recusasse a aceitar aquilo, os acontecimentos da noite ocupavam seus pensamentos e a única saída que a morena encontrou foi tentar organizá-los.
O último momento de sanidade do qual se lembrava era muito comum em sua vida: estava preocupada com Zachary. A festa dos Ankh parecia feita para instaurar o caos, mesmo antes da chegada da polícia. Temia pelo irmão, um alvo enorme desfilando entre seus maiores inimigos, e também estava inquieta por não saber o quanto ele tinha se precavido quanto à segurança de toda a máfia. Agora era óbvio que nem metade do suficiente. Tão típico. Mal o tinha questionado discretamente sobre que tipo de proteção tinham ali quando o mundo parou de funcionar como deveria. As "autoridades" estavam por toda a parte e os olhos de Heather foram para o Don, a possibilidade de ele ser capturado passando em um flash por sua mente. Em seguida, ele desapareceu e ela estava pronta para correr, acompanhar o soldado mais próximo em direção à segurança, mas não chegou tão longe. Um rapaz que só conhecia de rosto, um dos subordinados de Aaron, se moveu na direção dela como se fosse tirá-la dali. Antes que ele a alcançasse, um policial já a tinha capturado e, sem outra chance de escapar, a Olympus foi escoltada para fora do cassino. Podia ver o olhar do homem examinando o entorno, sem dúvida em busca de Zach. Quando armaram aquela armadilha, certamente informaram aos envolvidos que poderiam encontrar o chefe da Olympian perto dela. Com tal constatação, a raiva do irmão começou a consumí-la.
O caminho até a delegacia foi uma tortura, em um carro com sirenes. As algemas não poderiam parecer mais deslocadas, em contraste com sua aparência elegante. Ao chegarem, cada funcionário do local os encarava sem o menor esforço para serem discretos. Heather duvidava que vissem alguém como ela por ali com frequência. Acostumada aos olhares em qualquer contexto, seguiu de cabeça erguida para a - pausa para a repulsa - cela. Preservaria toda a dignidade possível em sua estadia no inferno. Não havia muito com o que trabalhar, mas os desafios eram parte de sua rotina. Não se sentou; evitaria qualquer contato físico com aquele prédio, a não ser que fosse inevitável. Apenas andava de um lado para o outro, os saltos ecoando com seus passos ritmados. Uma vez que analisou as últimas horas e se fez capaz de encará-las como realidade, o ódio voltou ao centro de sua atenção. Para o líder de uma organização de tamanho poder, Zachary tinha se mostrado extremamente leviano. Estava acostumada a suportar o irmão sendo irresponsável e a compensar seus descuidos, mas aquilo não era uma ressaca após uma noitada adquirindo DSTs. Fora negligente a ponto de arriscar a Olympian inteira, quase entregar todo seu império de bandeja para os rivais. Os colocara dentro do covil inimigo sem um plano eficiente de defesa, desapontando todas as pessoas que tinha a função de proteger.
Pior, se mostrara tão prestativo e grato para com aqueles que mais lutavam por ele que deixara Heather desprotegida. Chegava a ser irônico. A mulher dedicara a maior parte de sua vida trabalhando no sucesso deles, pelo qual ele obviamente levava o crédito, e se orgulhando do irmão quando ele agia corretamente. Chegava a admirar a grandiosidade dele. Então, na primeira vez em que foi exposta a um risco direto dessa magnetude, ele sumiu e seus escudos falhos permitiram que ela acabasse na cadeia. Com certeza estava muito mais preocupado em se esconder que em resgatá-la, naquele exato momento. Devia estar com um exército em volta, destinado apenas a não deixar que nada o atingisse, enquanto ela contava apenas consigo mesma para não cair ainda mais, se é que tal façanha era possível. Não podia começar a definir a fúria que se espalhava dentro de si. Sem interromper sua caminhada constante, disse para o companheiro de cela: "Henry, você que está acostumado a quebrar algumas regras, me lembre por favor... O que acontecerá comigo quando eu assassinar o seu Don?" A voz era distante, perdida em planos. Devia ser mais assustadora que se expressasse toda a sua raiva. Era o som de alguém que já decidira o rumo a tomar, só tinha que acertar alguns detalhes do processo.

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a dark adoration // haziel & heather
A verdade é que aquelas palavras, vindas dela, doíam mais que qualquer coisa. Por vezes, esquecia-se que ele não era o único que sofria com suas decisões, com o afastamento permanente de sua família, por seus próprios motivos egocêntricos. Porque ele acreditava. Quando ela dizia que gostaria que ele a procurasse mais, que realmente acreditava que ele nunca a tinha traído e, provavelmente, que nunca o faria. Por muito grande que fosse a sua mágoa, até ali, na sua tentativa fraca de manipular sua própria irmã, estava fazendo aquilo por ela. Ou, pelo menos, era o que dizia para si mesmo para tentar aliviar sua consciência. Estava tentando-a salvar, salvá-los a todos de serem vítimas do egoísmo de outros. Poderia ter agido antes. Anos atrás, quando a liderança de Zachary não estava tão cimentada, onde Haziel ainda tinha uma chance de assumir o negócio de família. Mas escolhera não o fazer. Então, a pergunta certa a se fazer era porque agora? Porque, anos depois, em que passara grande parte deles se afogando no seu próprio ressentimento e mágoa, decidira agir? Parecia-lhe difícil acreditar, até mesmo nele próprio, que fora o bem estar dos seus irmãos que o fizera dar o passo em frente, finalmente tomando a decisão que era hora de fazer alguma coisa, se tão infeliz estava com o jeito que as coisas permaneciam. Não o queria acreditar, porque significava que depois de todos aqueles anos, mesmo tentando não o fazer, ainda se importava. Importava-se com o sangue do seu sangue, as pessoas que cresceram do seu lado e tão pouca fé tiveram em si. Era uma realidade dura, em que aquele que era considerado o maior monstro deles todos, era o que mais sentia.
"Zachary é um risco para a Olympian." Disse-o, porque era nisso que acreditava. Sempre fora com seu orgulho desmedido, agindo como se ele e mais ninguém além dele importasse. Uma indiferença necessária naquele tipo de negócios, é claro. Mas o que ele parecia esquecer é que a Olympian ia um pouco além do mero negócio. Era a família dele. E por muito que ele pudesse não dar a mínima para o que acontecia com Haziel, deveria se importar com Heather e Paul. “Você está tentando me convencer ou se convencer disso, Heather?” Seu tom de voz se tornou mais suave, um pouco mais compreensivo que antes. Porque entendia. Genuinamente, entendia aquilo que ela estava passando. O tinha visto vezes sem conta. Aquela tentativa de manter o lado profissional separado do pessoal, desesperadamente agarrando-se a ideia que precisava manter a confiança no seu líder. O que não tinha a certeza se ela percebia, era quantas chances ela tinha oferecido para o irmão de ambos com a desculpa que era daquele jeito que ele era. Desculpas e mais desculpas para seus erros e motivações, algo que Haziel não suportava ver.
"Eu não quero discutir." Disse, por fim, porque aquele nunca tinha sido o seu objetivo. Era inteligente o suficiente para saber que não mudaria a opinião dela numa tarde. Teria de ser um objetivo a longo prazo, que poderia começar lentamente a ser introduzido quando ficassem um pouco mais próximos. Não teria qualquer resultado se começasse uma discussão ali. Provavelmente, só perderia mais um pouco de sua irmã. “Eu fui sincero no que disse. Você concordando ou não, um meio termo poderia ser encontrado se Zachary assim o quisesse. Egoísmo é algo perigoso quando você está numa posição de liderança.” Havia um tom final em suas palavras. Teriam de concordar em discordar, pelo menos, naquele momento. “Eu culpei você por o nosso afastamento durante muito tempo. Mas as coisas mudaram. Houve coisas que eu… Poderia ter feito de uma forma diferente.” Admitiu. Era difícil para ele, porque por muito que o quisesse, nada do que estava dizendo era uma mentira. Já tinha chegado nessa conclusão fazia bastante tempo, mas seu próprio orgulho, caraterístico dos Olympus, não o deixara procurar sua irmã antes. “Estamos em risco e eu não gostaria que algo acontecesse sem você saber isso.”
A forma direta como Haziel pronunciou tais palavras, como uma sentença indiscutível, impediu aquele frio de deixar Heather por completo. Cada vez mais, a conversa confirmava o quanto a rivalidade entre seus irmãos era grave. A morena sabia melhor que ninguém as dificuldades que o Don podia causar à máfia. Dedicava parte de seu tempo a cobrir os detalhes que ele deixasse passar, estava geralmente estressada com o atraso ou a negligência dele em alguma tarefa, porque estava ocupado demais se divertindo. Como fizera por quase toda a sua vida, cuidava dele, o que no momento significava também cuidar da Olympian. Ainda assim, Zachary estava lá quando as decisões precisavam ser tomadas, aparecia quando ela e Sophia necessitavam de uma ação dele, tinha conquistado o respeito de quase todos os funcionários da máfia e conhecia bem seus domínios. No entanto, seu irmão mais velho não parecia disposto a acreditar em na disso. "Eu o conheço. Sei no que ele deixa a desejar, pode apostar que eu o lembro disso o tempo todo. A questão é que ele me dá motivos para ver além das falhas." Estava prestes a continuar e explicar seus motivos para pensar assim, mas mudou de ideia no último instante. Um discurso sobre os méritos de Zach não contribuiria para uma reaproximação com Haziel. "Ainda acho que nossos riscos vem de fora." Foi o que disse, por fim.
Aquela sim foi uma frase agradável de ouvir. Do ponto de vista de Heather, já havia guerras demais em pauta. Não podia ser considerada gananciosa por desejar a harmonia pelo menos entre eles. Mesmo que parecesse um desejo ingênuo, persistiria na tentativa de deixar aquele restaurante um pouco mais próxima do mais velho. Até ali, parecia ter boas chances de conseguir esse objetivo, mesmo com o fato Zachary complicando a tarefa. Em nome desse propósito, preferiu não salientar que o Don parecia não acreditar em meios termos. "Eu sei que foi, mas acredito que também possa ver porque eu uso os argumentos que uso." Torcia para que Haziel pudesse mesmo se lembrar das razões dela para defender o mais novo. Se viu tentada a propor que visse por conta própria. Com um pouco de esforço bem pensado, Heather poderia convencer Zach a dar mais destaque ao irmão na Olympian. Mesmo que já fosse um sócio, ele não empregava todo o seu potencial enquanto limitado àquele papel. Se conseguisse um pouco mais de poder, trabalhando lado a lado com ela e o Don, Haziel representaria um ganho imensurável à máfia. Claro, querer que eles trabalhassem juntos era cruzar a linha da insanidade, mesmo que a ideia funcionasse perfeitamente no universo alternativo em que era cogitável. Esqueceu o devaneio e continuou a ouví-lo. Recebeu bem a finalização que Haziel colocou na própria fala. Preferia não discutir a liderança da Olympian enquanto aqueles fossem os critérios. Era difícil ignorar aquelas acusações, dava-lhe a sensação de cometer uma traição, mas o faria se necessário para o bem maior.
No caso, o bem maior era a oportunidade de ter um pedaço de sua família de volta. Com sua característica lealdade inatingível, Heather merecia aquela folga. De repente, se sentiu exausta demais para abrir mão de mais uma coisa tão preciosa para ela em nome de Zachary. "Certo, podemos falar sobre isso em outra oportunidade. Quem sabe não entramos em um acordo no próximo jantar?" Sua expressão voltou a se suavizar, com a sugestão de outro encontro em breve. Não custava nada investir no futuro próximo, se já chegara até ali. A determinação de lutar por esse objetivo se tornou maior diante das próximas palavras de Haziel. Mais que qualquer temor quanto a ser manipulada ou usada, tinha medo de criar ali um conflito que a separasse de vez do irmão. Os outros perigos valiam a pena, desde que houvesse a chance de se reconciliarem. Nunca tinham realmente brigado, afinal. A única batalha era entre ele e Zach, se afastou de Heather como consequência. Mesmo após todos aqueles anos e com a culpa que sentia por não ter insistido para que ele permanecesse em sua vida, ela não escolhera isso. Não estava disposta a fazer uma opção entre os dois. Já que parecia impossível uní-los, desejava que pelo menos a briga deles não determinasse que a presença de um ao lado dela excluísse a participação do outro. Ver um desejo parecido em Haziel, em especial com a demonstração de humildade que sequer era justa, causo nela um alívio indescritível. Teve que respirar fundo antes de responder, para ter certeza de que sua voz não falharia. Quase obteve sucesso total nisso. "Todos nós erramos. Eu deveria ter agido diferente, por muitas vezes. E há de fato a possibilidade de uma guerra a caminho. Aconteça ou não, ainda não chegou e não estamos mais no passado. Talvez... Talvez possamos compensar nossas falhas agora, enquanto ainda temos tempo." Percebeu que olhava a decoração da mesa, sem coragem de o encarar enquanto esperava pela resposta.
I hope I did good by choosing you @Heather&Felicia {flashback}
A infância de Felicia Kohler em Munique não tinha sido fácil. Nem de longe. Mas ela gostava de pensar que as coisas tinham melhorado. Que seria muito pior se a sua vida tivesse sido boa e depois desmoronasse. A ultima vez em que “tremeu na base” foi quando Augustus morreu. Sentiu-se sem chão e que agora teria que reconquistar tudo novamente. E agora, sabia e tinha provas de que estava conseguindo. Estava havia dois dias trabalhando como bartender na Olympus, e adorou o reconhecimento quando contou para Oliver, Francis e até mesmo Ludvig. Estava confiante, segura de si. Principalmente depois de ter conhecido Heather Olympus e conquistado a mesma. Tinha noção de que poucas pessoas se manteriam confiantes na presença da mesma. E ela era uma delas. Isso só massageava o seu ego. Fez questão de enquanto trabalhava, manter o sorriso de lado nos lábios vermelhos, sabia que estava sendo observada. Era a novata. Mas o que não sabiam era que ela gostava e muito de toda a atenção.
- Seu uísque com gelo, Senhor. – Segurava o drinque do homem calvo e grisalho que estava na sua frente e a observava com um profundo interesse entre os dedos finos. Por um momento Felicia se perdeu em pensamentos, tomada pelas memórias de seu falecido marido. Apesar de flertar com alguns clientes já em tão pouco tempo. A mulher estava realmente desacreditada no amor. Duvidava que algum dia fosse se envolver com alguém tão intensamente de novo. Mas no fundo, bem no fundo, sabia que se acontecesse…seria ali na Olympus. Nunca tinha se sentido tão atraída. O lugar era imponente, mas o que ela mais gostava lá era o fato de ser uma chamariz de homens e mulheres bonitas. – Posso convidá-la para jantar?Nunca tinha-a visto por aqui. – Felicia saiu de seus devaneios com a pergunta do homem. Riu, de forma comedida, colocando o dedo na frente da boca rubra como se estivesse pensando na proposta. – Talvez na próxima. – Ela cedeu a mão que o homem pegava, sorrindo enquanto ele beijava-a de uma forma um tanto antiquada. Não sabia se a boate interferia em relacionamentos de funcionários com clientes. Mas não queria arriscar estragar tudo logo tão cedo, e com um cara que nem ao menos sabia se valeria a pena. Se teria alguma informação pra lhe fornecer. Respirou fundo, voltando as suas bebidas que já tinha aprendido a amar.
Preocupou-se se veria a Heather novamente. Era a pessoa mais importante ali dentro com quem tinha feito contato. E continuaria assim por muito tempo. Mas por incrível que pareça, tinha gostado dela. A afeição era recíproca. Ela era forte, a determinação era visível e Felicia decidiu que queria ser tão importante como ela. Não se tornar líder de uma máfia. Ou uma cônsul. Mas algo parecido. Não tinha más intenções com aquela mulher que tinha a tratado tão bem. Fez mais alguns drinks que eram pedidos, ouviu os cortejos dos homens com um sorriso no rosto. Mas riu, de forma radiante, ao ouvir e ver Heather Olympus. Não morre tão cedo, foi o que pensou. – Aqui é calmo. Mas é divertido. Eu estava precisando. Obrigada. – Ela se virou para dar atenção aquela que mesmo sem saber, já tinha-a amadrinhado. Sentia que iria agradecer eternamente a mesma por tê-la contratado. – Eu tento. As pessoas gostam de quem é versátil. – Ela piscou, sem se importar com dubiedade da frase. – Quer algum drink? Digo, em que posso ajudá-la? – Ela respirou fundo, esperando a resposta da mesma para poder sair de trás do balcão e poder lhe dar toda a atenção que sabia que deveria.
O sorriso distraído de Heather era um eco de seus pensamentos anteriores, mas algo nele era gerado pela presença de Felicia. Talvez fossem complementares: a mente da Cônsul se concentrava em pequenos sucessos, otimista como raramente era. Se sentou em um dos lugares disponíveis, ciente de que sua presença era suficiente para que os demais respeitassem seu espaço. "Fico feliz que esteja gostando. Me deixe saber se precisar de alguma coisa." Apreciaria verdadeiramente se a outra a procurasse. Daria-lhe uma oportunidade de avaliá-la melhor. Talvez fosse um sintoma de obsessão pelo controle, mas a Olympus adorava saber quem as pessoas à sua volta eram e até onde podia confiar nelas. Tinha seus próprios métodos para investigar esse e outros traços em cada um, mas aquilo não era uma prioridade com a Kohler.
O auge de sua coleção de informações se dedicava às pessoas da própria máfia. Queria saber como andavam os negócios das rivais, conhecer o desempenho delas e suas fragilidades, mas nada se comparava ao tempo que dedicava ao estudo da Olympian. Se orgulhava de conhecer cada detalhe referente ao próprio cargo e ir além. Trazia na memória os dados mais básicos sobre cada nome a serviço dos Olympus, mesmo aqueles com quem nunca falara pessoalmente. É claro que não fizera uma investigação aprofundada sobre todos eles; havia pessoas encarregadas especificamente disso. O que Heather fazia quanto aos funcionários com quem não tinha contato direto era mais como um hobbie. Matava algum tempo reunindo fatos que resumissem o papel deles na corporação, apenas porque se satisfazia de conhecer melhor os diversos setores da própria máfia. Ainda assim, com Felicia, estava mais interessada em apenas conhecê-la como pessoa. Ela não tinha um papel tão significativo que demandasse averiguar muito sobre sua vida. Era apenas uma garota simpática que a Cônsul gostava de ter por perto.
Sorriu para a resposta e da outra. "É de fato um talento interessante, ainda mais em uma cidade como Dubai." Mais uma vez, se pegou pensando em quanto a loira sabia sobre as máfias que governavam a área. Não devia ser completamente leiga, certas coisas não passam despercebidas quando você se aproxima demais. "Obrigada, mas não posso arriscar uma ressaca amanhã." Agradeceu, sorrindo novamente. Heather não costumava beber quando havia algum evento relevante no trabalho no dia seguinte. É claro, para ela quase todo evento era relevante, se envolvesse a Olympian. Talvez por isso ela tivesse que quebrar as próprias regras de vez em quando, mas não era um costume. Alguém tinha que compensar a imprudência de Zach, não é? "Mas diga-me, porque exatamente você procurou o emprego aqui. Não chegou a me falar sobre isso." Cedo ou tarde, a morena tinha que conhecer a nova funcionária um pouco melhor.