Down to the bits that I left uptown | @Kennedore
Se limitou a dar um pequeno e sincero sorriso enquanto escutava as palavras que eram proferidas do jovem rapaz loiro que encontrava a sua frente. Em meio aos seus devaneios pensamentos, ainda não havia se intrigado com o fato do rapaz carregar um cabide consigo. Só percebeu que era algo incomum, quando o mesmo tocou no assunto. E chegou a conclusão, que ele não achava aquilo estranho, porque não gostava de julgar as pessoas, em hipótese alguma. Em contra partida, achava irônico o fato de sempre o chamarem de estranho. Se lembrou então de vários momentos em sua infância, que foi julgado por ser considerado “estranho”. Uma de suas memórias mais marcantes, foi em uma aula de educação física. Os franceses adoram jogar queimada, poucos sabes, que esse é uma das atividades preferidas, e Kennedy também adorava. Só que como sempre era o alvo das bolas, passou a desgostar desse desporte. Assim como aconteceu com várias outras coisas da sua vida.
Nunca sabia o que falar, e quando falar. O único momento em que sabia exatamente o que falar, era quando estava lecionando. Era curioso isso, porque não fazia ideia de como as palavras iam brotando em sua mente, enquanto estava em sala. Por isso, ficou um tempo em silêncio procurando quais seriam as palavras certas a se dizer. Não estava acostumado com essa situação, geralmente as pessoas mantinham distância dele, e ele estava acostumado.
O rapaz lhe parecia ser uma pessoa deveras simpática, e estava torcendo mentalmente que o rapaz loiro, Theodore, se desse conta que ele não pensasse que era uma pessoa introvertida e estranha. Por tal motivo, Kennedy disse a primeira coisa que venho á sua mente. — Lasanha! — Exclamou rapidamente. Alguns segundos depois, percebendo o que fizera, tratou de corrigir sua fala. — Quer dizer, acho melhor comermos lasanhas. Vai que você não goste da culinária francesa, enfim…Entenderei se não quiser ir. — Colocou as mãos no bolso da frente, timidamente e completamente sem graça. E se amaldiçoando mentalmente, por parecer tão desajeitado.
— Claro que não, até prefiro que me chamem de Kennedy, ou Ken. Me chamar de Senhor Brock, me faz sentir como um velho, que sofre de impotência sexual. — Nem percebeu que havia feito uma piada, mas se tivesse percebido o que havia dito, provavelmente estava sem graça, mas ainda do que que se encontrava no momento. — Arrumou sua coluna, enquanto um sorriso ia brotando de seus lábios, quando escutou que o garoto aceitou fazer companhia. Ficou um pouco extasiado e ansioso, porque ninguém costuma aceitar. — Se importa de irmos de moto? Eu deveria ter um carro, só que não sou o maior fã desse tipo de veículo. Se não gostar, não me importo de chamar um táxi, Theo. — Assentiu, comprimindo os lábios, e encarando o jovem, enquanto esperava a resposta.
O professor era exatamente tudo aquilo que não diziam. Por mais que estivesse tentando ser engraçado, sem sucesso, era uma atitude deveras curiosa, e acima de tudo, muito fofa. Theodore acenou com a cabeça, concordando com a sugestão das lasanhas. Ele adorava lasanha, era um de seus pratos favoritos, por mais que ultimamente só comia lasanhas prontas, as quais colocava em seu microondas e permitia que fossem aquecidas para alimentá-lo depois. Não tinha tempo de comer de forma saudável. A faculdade, o trabalho, Roxie Foster... Tudo lhe tomava tempo demais. Mas, naquela tarde, ele percebeu que estaria bem tranquilo, fora a consulta que teria de fazer ali no período da tarde. Deu de ombros, por fim, e disse alguma coisa, para que Kennedy não ficasse sem graça. — Tudo bem então, vamos comer lasanhas! — Deu aquele sorriso amplo e bonito que ele conseguia fazer como ninguém mais, e ouviu a consideração do professor sobre ser chamado formalmente como um mestre de história deveria adorar, o que achou estranho, mas não por ele ser estranho, e sim por ser uma atitude tão informal vindo de um homem que crescera para estudar toda a educação e simpatia envolvida nas maravilhosas e nas trágicas partes do passado, e se propunha a não deixar as mais relevantes dessas partes se perderem no passado.
Theodore riu quando o professor falou que ser chamado de "senhor" o fazia sentir como se tivesse impotência sexual. Não entendera se aquilo fora uma cantada, ou se fora só uma piadinha impensada. Pela descontração do professor, ele conseguia sentir que era mais a segunda opção. Ele não parecia ser gay, mas se tinha uma coisa que Theo aprendera nos últimos anos, era que não existia uma aparência gay. Qualquer homem e qualquer mulher poderiam ser gays sem dar nenhum indício de sua orientação sexual. Isso o deixou intrigado sobre Ken, queria saber mais sobre ele. — Ahn, ok, Ken. E, ainda bem que você não se sente um velho com impotência sexual. — Riu e balançou a cabeça negativamente. Era uma figura, aquele professor.
O estilista em treinamento adorava qualquer meio de transporte com duas rodas. Isto é, se ele conhecesse outro além de uma bicicleta ou uma motocicleta, adoraria também. Costumava andar de bicicleta no parque algumas vezes, mas só quando acordava muito cedo e de bom humor, afinal, não era o que se dizia de um garoto dedicado a esportes físicos, as vezes, preferindo mesmo dormir mais do que ir pedalar um pouquinho. — Podemos ir de moto, sim! Eu adoro andar de moto. Mas, a última vez que eu andei, foi antes de sair da casa dos meus pais. — Franziu a testa, lembrando-se de como o pai era seguro ao lhe emprestar a motocicleta, mas como mudara depois de ter assumido sua escolha de querer ser um estilista e não um advogado. De toda forma, sabia argumentar como um advogado, mas as leis que ele seguia eram mais voltadas para "O que não usar num evento de gala onde a imprensa está fotografando todos a torto e a direito?" do que para defender os direitos de alguém. — Bem, e então, onde está a moto? — Theodore estava feliz por ter uma companhia. E estava morrendo de vontade de perguntar se poderia guiar a moto, mas se conteve. Quem confiaria as chaves de seu veículo a um estranho, que tecnicamente acabara de conhecer, já que poucas foram as vezes que se viram dentro do campus?












