𝐧𝐚𝐦𝐞: robin hood
𝐚𝐥𝐢𝐚𝐬𝐞𝐬: golden arrow, robin of the hood, rob
𝐚𝐠𝐞: 28 anos
𝐨𝐜𝐜𝐮𝐩𝐚𝐭𝐢𝐨𝐧: líder da sede da defesa mágica em corona, fundador da cozinha social food for thought, ladrão, rebelde
𝐨𝐫𝐢𝐞𝐧𝐭𝐚𝐭𝐢𝐨𝐧: bissexual demirromântico
𝐰𝐞𝐚𝐩𝐨𝐧 𝐨𝐟 𝐜𝐡𝐨𝐢𝐜𝐞: arco e flecha dourados
𝐩𝐞𝐫𝐬𝐨𝐧𝐚𝐥𝐢𝐭𝐲: bem-humorado e irreverente, dono de uma lábia incomparável, sempre disposto a se aventurar e facilmente irritável diante de injustiças
𝐪𝐮𝐚𝐥𝐢𝐭𝐢𝐞𝐬: altruísta, corajoso, engenhoso, justo
𝐟𝐥𝐚𝐰𝐬: imprudente, impaciente, obstinado, vingativo
𝐳𝐨𝐝𝐢𝐚𝐜 𝐬𝐢𝐠𝐧: aquarius
𝐦𝐛𝐭𝐢: ENFJ-T
𝐚𝐞𝐬𝐭𝐡𝐞𝐭𝐢𝐜: árvores anciãs, pratos de sopa, olhos roxos, botas de couro curtido, jogos de azar, risadas abafadas, madrugadas, céus estrelados, cheiro de orvalho
𝐓𝐋;𝐃𝐑: Robin Hood foi abandonado para morrer na floresta ainda bebê, por uma família que não tinha dinheiro para criá-lo; cresceu em meio às outras crianças que tiveram o mesmo destino, e juntos formaram o bando dos Merry Men. Robin é extremamente idealista e altruísta, e acredita que só terá seu final feliz quando todos no reino tiverem a mesma chance de conquistar o próprio. Apesar de aparentar ser extremamente bem-humorado, se irrita facilmente com injustiças, e tem seus episódios de melancolia.
Robin cresceu sem os pais, e sem nenhum contexto sobre suas origens. Foi criado em meio a um grupo de órfãos na floresta, cuidado pelos mais velhos até que tivesse idade suficiente para dar conta de si mesmo. Sagaz mesmo quando criança, os sussurros dos moradores do vilarejo mais próximo não passavam despercebidos quando visitavam o povoado: os chamavam de Filhos da Miséria, bebês abandonados por famílias incapazes de os alimentar, entregues à floresta e à morte. Em seu primeiro ato de rebeldia, decidiu que chamariam a si mesmos de Merry Men. Ele e os demais sobreviviam como um desafio à sociedade, e dividiam o pouco que conseguiam entre si.
Por muito que não culpasse seus pais biológicos, era impossível não se ressentir de uma sociedade que o havia dado as costas: sabia em primeira mão o quão desesperador era não ter o que comer, e sua raiva era direcionada não aos seres humanos presos em tristes circunstâncias, mas aos que estavam no topo da pirâmide semeando a pobreza alheia para alimentar o próprio conforto. Crescer em meio a outros como ele, sabendo que tinham escolhido os sacrifícios necessários para mantê-lo vivo, acabou por o moldar em uma pessoa altruísta, mas aquela nem sempre foi a verdade. Quando roubou pela primeira vez, o fez não para ajudar ao próximo, mas porque nunca antes havia experimentado um bolo de chocolate, e estava cansado de sua vida de privações. Foi por conhecer na pele a dor de ter pouco quando outros tinham em abundância que decidiu transformar o crime em um instrumento de justiça, percebendo que podia roubar para os que mais precisavam tanto quanto o fazia para si.
Comida e dinheiro eram necessidades básicas, era bem verdade, mas sabia que por si só não seriam capazes de mudar a realidade em que estavam presos. Foi por isso que persuadiu os irmãos da floresta a tentar fazer algo além de tapar o sol com a peneira, e o que antes era nada mais que um reflexo do instinto humano de sobrevivência se tornou um movimento organizado de resistência, com Robin fazendo seu melhor para manter todos vivos do único jeito que sabia: roubando. Invés de mercadorias, aprendeu a se infiltrar e roubar segredos, e usar da política para pressionar a realeza até que se dobrassem à sua vontade.
Facilmente se vestiria como a nobreza e jogaria seus jogos se aquilo significasse uma chance de libertar a si e aos seus. Foi assim que o tratado com a recém-coroada rainha Rapunzel foi assinado, e assim que acabou por se tornar líder da Defesa Mágica em Corona: na intenção de usar do cargo para garantir que mais nenhuma criança passasse fome.
Qualquer um que olhasse de fora acreditaria que Robin havia conquistado a vida que sempre sonhara, mas o arqueiro não se daria por satisfeito até que todos no reino tivessem a mesma chance de um final feliz, protagonistas ou não.
E tudo corria bem em seu plano até a chegada dos perdidos, e a intromissão do enxerido do Merlin.
͙ Robin é apaixonado pelas estrelas, e não consegue dormir tranquilamente em lugares fechados por estar acostumado a pegar no sono na floresta encarando o céu.
͙ Possui um colar com uma estrela real, um dos únicos pertences valiosos que guardou para si ao longo dos anos.
͙ Aprendeu a tocar o bandolim com uma das crianças da floresta ainda jovem, e até hoje sonha em se aventurar como bardo em uma estrada desconhecida.
͙ Além do arco e flecha, aprendeu combate com diversas outras armas para poder se manter vivo e com comida no prato, mas a realidade é que detesta violência e opta pela furtividade como vantagem sempre que possível.
͙ É extremamente brincalhão e cheio de piadocas, mas quem o conhece bem já testemunhou um dos episódios em que precisa se isolar e processar aquilo que sente.
͙ Detesta Merlin e o considera uma figura autoritária nos reinos mágicos – o seu plano rebelde é o tirar do poder para que protagonistas e figurantes possam finalmente ter livre arbítrio.
͙ Ganhou o título de "Golden Arrow" após ganhar uma competição em seu reino anonimamente, sob o nariz do antigo rei, mesmo com seu rosto estampado em cartazes de procurado.
͙ Quando ainda era criminoso, tinha o hábito de desenhar bigodinhos nos pôsteres que ofereciam recompensa pela sua captura.
͙ Com a mudança para um novo reino e a imposição da vontade de Merlin, Robin está se coçando para voltar aos seus hábitos antigos e causar caos só para mostrar que a vontade do mago não é absoluta e há quem tenha coragem de enfrentá-la.
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"Quem te vê todo posudo até pensa que você tem alguma moral, Hood." Sentou-se em uma das banquetas de frente para o balcão do estabelecimento do rival, aproveitando para tirar o arco das costas e descansá-lo no banco ao lado. "E por mais que eu queira muito estragar isso para você, vim em paz dessa vez." Debruçou-se sobre o balcão, erguendo as sobrancelhas para. "Preciso de um favor." Pelo tom empregado, que dispensava as habituais provocações que os dois arqueiros trocavam, o assunto fazia-se sério. Independente da rixa esportiva entre eles, Merida conhecia a história de Robin Hood e, acima disso, os princípios do homem; e era nele que poderia confiar para o que havia descoberto.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏O sino em sua porta de entrada anunciou a chegada de alguém, e Robin ergueu os olhos somente para se deparar com Merida. Um suspiro cansado o escapou antes mesmo que a ruiva abrisse a boca, sabendo que ela lhe daria nos nervos. Enxugou as mãos em seu avental antes de deixar a louça do almoço de lado, indo de encontro a ela junto ao balcão. ❛ Vossa Majestade. ❜ A cumprimentou em falso tom solene, oferecendo uma reverência profunda que só os dois saberiam interpretar como sarcástica. ❛ O que eu ganho com isso? ❜ Retrucou prontamente diante da menção a um favor, somente seus olhos a comunicando a verdadeira mensagem em silêncio: aqui não. Ainda havia meia dúzia de gatos pingados no salão que poderiam os entreouvir, e cautela nunca era demais quando os assuntos eram sérios. ❛ Me ajude a lavar a louça e eu penso no seu caso. ❜ Ordenou, indicando que Merida se juntasse a ele do outro lado do balcão e se fizesse útil, e confiando que ela entenderia que assim poderiam conversar em voz baixa.
Cara de susto? Oliver tinha certeza que não tinha expressado nada em sua face, porém, se o homem estava dizendo não podia negar, o problema consistia em responder o questionamento. " eu só me assustei em encontrar Robin Hood. " optou pelo papinho de forasteiro espantado com o aparecimento de um dos personagens, achando melhor ocultar por hora que seria ele a interromper a história do sujeito a sua frente. " ainda é estranho encontrar vocês. " acrescentou, apontando para o rapaz e frisando as palavras para não restar dúvida que se referia aos moradores dos contos de fadas. " Oliver... Lovell, eu não sou daqui, acho que ficou óbvio. " se apresentou tentando esboçar um sorrisinho, mas sem sucesso.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏A explicação não se encaixou perfeitamente aos olhos de Robin, mas decidiu não pressionar mais o ponto – talvez o rapaz realmente estivesse falando a verdade, e sua reação nada fosse além de espanto e reconhecimento. Decidiu dar-lhe o benefício da dúvida. ❛ Eu acho engraçado como vocês reagem à nossa presença. ❜ Admitiu, o coletivo ao qual se referia implícito em meio ao contexto. ❛ Imagine se você tivesse chegado aqui e todos nós conhecêssemos a sua história. ❜ Acrescentou, esperando que o cenário hipotético ajudasse a ilustrar o quão esquisitas eram interações como aquela, em que sentia estar em desvantagem por nada saber sobre alguém que conhecia sua história do começo ao 'felizes para sempre'. ❛ E quem é você lá no outro mundo, Oliver Lovell? ❜
Dava pra perceber que ele não estava realmente magoado, o que fez com que ganhasse alguns pontos com ela – não suportava homens que tinham o ego facilmente ferido. Riu da reação, revirando os olhos e cobrindo a boca teatralmente. “O que? não é todo dia que encontro alguém com o coração tão nobre!” colocou a mão no peito, dramatizando. Virou-se para analisar o mapa novamente, franzindo o cenho quando quase nada ali fez sentido para ela, mas foi interrompida pelo seu comentário, se virando com a sobrancelha levantada para a comparação. “Aço polido não vai nos ajudar nessa busca, as instruções foram bem claras, meu caro lorde” argumentou, sem muita seriedade nas palavras. “já um bobo da corte consegue oferecer seus serviços em qualquer ocasião. Vou levar como elogio” ergueu os ombros, ainda com um sorrisinho no rosto. “She doth” imitou o modo de falar shakespeariano para respondê-lo, estendendo a mão para ele como se oferecesse para beijá-la, “Verona Hermann, perdida, mas você provavelmente já sabia disso. É um prazer.”
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏O discurso sobre seu 'coração nobre' parecia comum entre os perdidos – de alguma maneira, o outro mundo o havia pintado como um dos mocinhos, diferente da impressão que muitos tinham dele nos reinos mágicos. Era no mínimo curioso notar o fato. ❛ É injusto que todos vocês pareçam saber minha vida de cor, e eu não não saiba nada sobre as suas. ❜ Resmungou em resposta, se referindo a todos os recém-chegados o uso do coletivo. Odiava se sentir exposto e observado, e era só o que vinha sentindo desde a chegada de todos os os pares de olhos curiosos. Com um suspiro, decidiu deixar o mapa e a caçada de lado, como se a interação o tivesse lembrado de que ganhá-la o faria o centro das atenções. ❛ Bom, eu não preciso de tesouros. ❜ Expressou a desistência em voz alta, dando de ombros, um raro momento em que sua competitividade deu a vez à razão. ❛ Lamento informar, donzela, mas seu nome não é proclamado nas canções por aqui. ❜ Foi o que retrucou mas, ao ver a mão estendida, a tomou na sua e pousou um beijo cortês, por muito que o sorrisinho em seus lábios entregasse estar contendo uma risada. ❛ E na vida de quem você veio se meter, exatamente? ❜ Questionou, imaginando que os caminhos de Verona estavam destinados a se entrelaçar com os demais habitantes do Mundo das Histórias.
O verbo no passado deixou Pinky sem fala por um momento, compreendendo o que ele quis dizer. E quando contou sobre o amigo estar no céu, em meio as estrelas, não contou sobre como achava aquilo impossível ou irreal. Em seu próprio mundo, Pinky muitas vezes já tinha sido confrontada pela fé e pensava ainda sem acreditava em Deus ou qualquer um das outras divindades para as quais tinha sido apresentada ao longo da vida. Compreendia que, acima de tudo, aquilo oferecia conforto. Se o amigo do estranho estava entre as estrelas, era porque tinha sido uma boa pessoa e bastava saber disso. Adorava a ciência, mas sabia quando era hora de colocá-la em jogo e quando não. Pensou até mesmo em repousar uma mão no ombro dele e oferecer conforto, porém Pinky não o conhecia e temia uma reação exagerada. Percebeu que ele, diferente de si mesma, era uma pessoa de poucas palavras, ou pelo menos naquele momento. Ainda assim ficava feliz que as estrelas pudessem ter atendido a um desejo dele, que uma pessoa querida para ele estivesse entre os astros.
Pinky sorriu para ele com a negativa, desejando se cerificar de que estava tudo certo e fez um pequeno movimento para se levantar e seguir rumo a festa; não considerava que tinha muito mais a falar com ele, apesar da gratidão pela experiência com a estrela. E então ele disse o nome dele. Aquelas duas palavras mágicas que fez o queixo de Pinky ir ao chão. Se fosse possível, teria quebrado ao chão e a cientista teria que recolher os pedaços. Robin Hood. Por alguns segundos, apenas o analisou, pensando que ele não era exatamente como pensava. Estava engomadinho demais e sempre pensou na figura como a raposa fofa do desenho. Pinky sentiu a verdade em cada uma das palavras dele e então, cheia de emoção e sem pensar muito bem, como sempre, Pinky o abraço, envolvendo o pescoço alheio com os braços. "Robin Hood, eu te adoro! Nunca fui do tipo a gostar de histórias convencionais, como as das princesas!" Disse, ainda agarrada a ele. "Você é uma figura super conhecida e querida no meu mundo, sabia? Roubar dos ricos para dar aos pobres? Isso é genial, estava indignado com a desigualdade social muito antes de Marx ou Engels existir. Um percursor do socialismo, sabia? Eu tenho até uma amiga historiadora que queria estudar a sua existência real no século 12, ela não iria acreditar se eu..." Então parou de repente, percebendo que não era exatamente adequado abraçá-lo daquela forma ou soltar tantas palavras por segundo.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Todas as conversas em que se engajou com perdidos haviam se tornado no mínimo peculiares após ter se apresentado mas, sem sombra de dúvidas, aquela reação facilmente levaria o prêmio de mais esquisita até então. Robin simplesmente congelou onde estava, ainda sentado na grama, os braços pendurados de cada lado do corpo como se fosse um boneco inanimado. Ser abraçado por alguém cujo nome não sabia não estava na sua lista de contatos físicos pré-aprovados, e ele tendia a ser muito particular sobre quem o podia tocar. De súbito, um estalo o ocorreu – era extremamente inapropriado ter outra mulher que não Marian se atirando sobre ele. Foi este o pensamento que o fez entrar em ação, se desvencilhando do enlaçar de braços ao redor de seu pescoço como se estes estivessem pegando fogo. ❛ Listen, I appreciate that, but you can't just... jump on people. ❜ A repreendeu, sem saber o que dizer a respeito da torrente de elogios, todos preenchidos por comparações que muito provavelmente só faziam sentido no mundo de onde a morena vinha. ❛ I get that you feel like you know me, but I don't know you – you haven't even told me your name yet. ❜ Acrescentou, exasperado e constrangido em iguais partes, a metralhadora de palavras apontadas em sua direção fazendo sua cabeça girar.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏❛ I'm a married man, so please don't do that again. ❜ Pediu, tentando empregar certa gentileza no tom. Não assumia más intenções, apenas costumes diferentes – talvez no outro mundo fosse normal abraçar alguém daquela maneira, mas precisava reforçar os limites que conheciam e respeitavam no reino em que estavam. Desconfortável, Robin optou por se colocar de pé, uma maneira natural de colocar ainda mais espaço entre os dois. Ocupou suas mãos batendo toda e qualquer sujeita de suas vestes, tentando fingir normalidade na medida do possível. Aos poucos, o que a estranha lhe havia dito foi começando a se encaixar e fazer sentido, a noção de que era uma figura conhecida no lugar de onde ela vinha lhe parecendo extremamente alienígena. ❛ O que você quer dizer com 'figura conhecida'? Como as pessoas sabem quem eu sou no seu mundo? ❜ Acabou por perguntar, buscando a resposta pela qual estava se coçando desde que percebera que era de alguma maneira famoso aos olhos dos novatos, sua curiosidade levando a melhor de si tão logo o constrangimento se havia dissipado.
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͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Todo o acontecido com as Pride Lands era devastador mas, para além do medo e da preocupação, Robin não conseguia evitar sentir raiva. Havia pessoas no reino destruído porque Merlin não as havia considerado importantes o suficiente para as proteger: o feiticeiro havia escolhido à dedo quem merecia ser levado ao Reino dos Perdidos, e diretamente condenado os menos importantes à morte. Como era possível que ninguém além dele visse a verdade pelo que ela era? Havia feito seu melhor para esconder o que sentia conforme a confusão devido a notícia e a queda das estrelas se dissipava, mas tão logo as coisas se acalmaram decidiu procurar por algum lugar onde pudesse estar sozinho, e expressar suas emoções sem pares de olhos a observá-lo. Saiu pelos corredores do palácio procurando um canto ou cômodo vazio e, julgando por fim o ter encontrado, se permitiu finalmente remover a coleira apertada que manteve em seu temperamento até então. O grito que por fim deixou escapar foi acompanhado de um golpe de punho fechado contra a parede, extravasando a emoção na forma de violência sem que ninguém o pudesse julgar. A dor serviu para ancorá-lo no presente, e no que precisava fazer a seguir. Estava prestes a deferir um segundo soco quando ouviu o leve farfalhar de um movimento e percebeu que tinha companhia. Merda. Ao girar sobre os calcanhares na direção da origem do som, se deparou com uma perdida a encará-lo. ❛ Desculpa, eu te assustei? ❜ Perguntou em seu tom mais comedido, a raiva se dissolvendo em uma tristeza amarga ao ignorar a dor lancinante em seus dedos.
A fala dele acabou lhe fazendo soltar uma risadinha, negando com a cabeça muito levemente em seguida enquanto um pequeno sorriso ainda existia em seus lábios. ❛ Nesse caso... Um passarinho me contou que você já é rei. Dos resmungões. ❜ E se aquilo fosse verdade - o que não era - ele não poderia ficar bravo com as aves que lhe fofocaram aquilo. Até porque elas eram muito fofas para estarem por aí compartilhando "notícias falsas". Quando sentiu o tecido sendo enrolado ao seu redor a princípio o olhou com um semblante agradecido. Estava mais acostumada e em sua zona de conforto a ser gentil com os outros sem necessariamente esperar que fosse recíproco, então quando algo do tipo acontecia a morena automaticamente ficava um pouco sem graça. ❛ Obrigada. Eu te daria uma concha como agradecimento, porém não quero irritar o Rei a essa hora. ❜ Desviou os olhos para o mar por um instante. Será que pegar algo do mar, mesmo no raso, contava como roubar um jardim? Água poderia ser um tipo de jardim? Foi o que Christine pensou por um momento antes de retornar sua atenção para o ex(?)rebelde. ❛ Talvez o outro passarinho que conversou comigo esteja certo, e na verdade você é o rei no reino dos gentis. ❜ Por mais que fosse brincadeira, Christine não mentia em dar a ele aquele adjetivo. Não era só ela que sabia que seu coração era de ouro.
Voltando a atenção para temas mais sérios, o sorriso da cantora murchara levemente. Teria uma época em sua vida que concordaria, mas agora? Quando estava presa ao compromisso que tinha assumido, e consequentemente a tudo que vinha atrelado ao teatro? Era difícil falar aquilo com a mesma confiança de antes. Quando os olhos castanhos fitaram o sol que se punha, a morena admirou as cores que pintavam o céu, até se lembrar de algo. ❛ Meu pai sempre gostou da história do sol e da lua serem amantes que só se encontravam no pôr do sol. Quando cresci, tive a oportunidade de contar essa mesma história no teatro para as crianças do conservatório, que vieram assistir essa peça. O mesmo conservatório que eu estudei. ❜ Tirando alguns fios rebeldes do rosto, por conta do vento do fim da tarde, continuou. ❛ É irônico que depois disso eu tenha passado a ver o sol majoritariamente pela arte, e conseguido memorizar todas as fases das luas por vê-las cada vez mais. ❜ E voltou o rosto na direção dele. ❛ Então eu diria que perdi muitas...? ❜ Não era exatamente uma dúvida, mas sentia que ficaria triste se fizesse a conta para descobrir. ❛ Mas não dá pra fugir da responsabilidade. Se eu não o fizesse, quem cuidaria de tudo? ❜
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Já que havia temporariamente aberto mão do título de rei dos ladrões, rei dos resmungões lhe parecia um substituto justo. Assentiu solenemente, fingindo coroar a si mesmo com uma joia imaginária. ❛ I shall wear my title with pride. ❜ Aceitou com um sorriso orgulhoso, como se o hábito de reclamar fosse um hobby. ❛ Não me agradeça ainda, você está em dívida comigo e eu irei cobrar. ❜ Devolveu em forma de alfinetada, por muito que sua expressão entregasse a falta de seriedade. Se ajustou sobre a areia, o vento gelado de um dia que se tornava noite servindo para despertá-lo. Mesmo com o sol ainda no céu, já podia espiar ambas as luas competindo pelo espaço, e em breve as estrelas estariam no céu competindo por sua atenção. Por ora, se concentrou no que a amiga tinha a dizer, e o adjetivo por ela empregado para descrevê-lo o pareceu injusto – Robin sempre havia tido dificuldade em aceitar elogios genuínos, e em acreditar que os merecia. Naquela ocasião em particular, escolheu não os endereçá-los diretamente, na esperança de que a mudança de assunto disfarçasse sua hesitação. A escutou em silêncio conforme falava de sua vida, de seu pai, das crenças que regiam aquele mundo e da arte, seu olhar procurando pelo dela de maneira a demonstrar interesse. ❛ Seu pai era meio inclinado para a poesia, hein? O sol e suas duas luas... ❜ Robin pausou, ponderando a história que já havia ouvido um milhão de vezes. Alguns a considerariam romântica, mas só o que sentiu ao ouvi-la novamente foi tristeza. ❛ Qual das duas é a amante, e qual está fadada à solidão? ❜ Questionou, percebendo como o conto refletia a divisão e desigualdade nos reinos em que habitavam: duas luas, uma reverenciada e uma esquecida pela história. Talvez devesse incorporar a metáfora em seus discursos acalorados. A melancolia foi substituída pela preocupação ao ouvi-la falar sobre como vivia em função do trabalho, só vendo o sol e as luas através das lentes de sua arte. Voltou seu rosto em direção ao dela, o pôr do sol lhe parecendo secundário. ❛ Alguém o faria, Cee. O mundo não pararia sem você. ❜ Afirmou de maneira objetiva, achando a noção reconfortante. ❛ Talvez isso signifique que você não deve parar sua vida em favor do mundo. ❜
Não conseguiu conter a risada com a sua resposta – ok, boa. Tinha absorvido o suficiente do comportamento das moças nobres presentes naquele mundo nas horas em que estivera observando, e estava interpretando um personagem, tudo numa tentativa de tornar aquela caça ao tesouro mais divertida. Verona nunca tinha sido muito interessada por enigmas, quebra-cabeças ou coisas do tipo. Ergueu uma sobrancelha com o que ele disse a seguir antes que pudesse comentar a sua primeira provocação. "O Robin Hood? Uau" comentou com um leve toque de ironia, mas ainda mantendo o sorriso no rosto para deixar evidente o tom amigável. Aquela era uma das histórias que ela conhecia... bom, conhecer era uma palavra forte – era um conto inglês, então não era raro que o mencionassem de vez em quando em seu dia a dia, mas ela conhecia pouco dos detalhes. Ele roubava dos ricos e dava pros pobres ou algo do tipo...? Ela tinha quase certeza que em alguma versão ele era uma raposa. Estendeu a mão e apertou a dele alguns segundos depois, como se estivesse ponderando se valia a pena ou não – se estivesse sendo sincera, não ligava muito se realmente seria a ganhadora daquilo, só estava lá pela diversão. "Quer dizer que você é o tal diamante bruto, então? Vai ser um prazer oferecer meu lady insight."
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Aquela era sua primeira interação com um dos perdidos em que a reação ao ouvir seu nome não o causava vergonha alheia. Robin riu diante do leve tom de deboche, decidindo ali que gostava da novata – abominava as normas e etiquetas sociais que regiam a nobreza, preferindo sempre por interações autênticas como as que tinha com o seu bando. ❛ Ouch. Não sou nenhum príncipe, mas essa doeu. ❜ Fingiu, levando as mãos ao coração de maneira a exagerar a reação de mágoa, a expressão exagerada entregando que não falava sério. Com a atenção momentaneamente desviada do mapa, ponderou qual poderia ser a contribuição de uma lady em uma caça ao tesouro. ❛ Eu estou mais para aço polido, e você mais para o bobo da corte. ❜ A contrariou com duas metáforas perfeitas: Robin se via como um metal bruto que o mundo tratara de fundir e afiar, e apreciava aquela conversa com a desconhecida como uma fonte de entretenimento. ❛ Doest mine own lady has't a nameth? ❜
Sem saber o que pensar ou sentir, Hana olhava para os locais como se aquilo fosse lhe ajudar a se situar de alguma forma naqueles problemas em que todo mundo parecia ter se metido sem saber o porquê. E ter um reino destruído parecia uma coisa pior ainda e sequer morava lá, não sabia nem como poderia agir mediante aquela situação. "Você acha que isso vai afetar tudo?" Questionou à pessoa mais próxima que coincidentemente era Robin. "Assim... Um reino foi destruído né, isso deve falar muita coisa."
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Robin era particularmente bom em se fingir de indiferente quando o mundo parecia ruir ao seu redor, uma habilidade conquistada através das centenas de experiências de quase-morte que havia tido em seus vinte e oito anos de vida. Por muito que seus pensamentos espiralassem em preocupação, e seus pés o instigassem para que cruzasse a confusão do salão em busca de Marian, o arqueiro no máximo poderia ser interpretado como ligeiramente preocupado, recuando contra uma das paredes do salão para escapar do empurra-empurra. ❛ Acho que o Merlin não tem tanto controle sobre as coisas quanto gostaria que vocês acreditasse. ❜ A alertou, dando de ombros, o 'vocês' ficando subentendido no contexto – sua animosidade em relação ao feiticeiro não era segredo algum, e acontecimentos como aquele eram o porquê. ❛ Eu não confio em uma só pessoa para manter este reino a salvo, nem para tomar todas as decisões. ❜ Prosseguiu, sabendo que para os perdidos as dinâmicas políticas que regiam as cortes mágicas ainda eram novidade. ❛ Todos os nobres estavam aqui. As vidas perdidas nas Pride Lands foram as que Merlin considerou menos importantes. ❜ Concluiu, o discurso incendiário parecendo destoar de sua expressão controlada.
Absolutamente encantada, Pinky pegou o cordão nas mãos, surpresa com a leveza. Trouxe o objeto para perto, percebendo a estrela brilhante... com cinco pontas, como aquelas que haviam no mundo real, formas geométricas que representavam aquilo que estava tão distante. Naquele lugar estranho, era uma estrela de verdade, brilhante e verdadeira. Alguma emoção brotou no coração de Pinky, impressionada por estar segurando uma estrela em suas mãos quando tanto havia sonhado com isso na infância. Os alarmas também soavam na cabeça, alertando-a sobre a impossibilidade da coisa. Ela olhou para aquele rapaz e não conseguiu evitar sorrir, feliz pela simplicidade do momento e pelo que ele tinha proporcionado. "Não vou abrir a garrafa, não se preocupe." Comentou, girando o pingente para observar de outro ângulo. "Seu amigo é sábio. No meu mundo também podemos fazer amizade com as estrelas." Não exatamente, mas Pinky as considerava como amigas. "Gigantes e pequenas ao mesmo tempo... E que respondem desejos. Parece impos.. Impressionante" Havia um toque de reverência na voz da mulher e também em seus olhos ao desviá-los de novo para o desconhecido. "As estrelas já atenderam a algum pedido seu?" Poderia pedir também? Para retornar para casa? "É uma crença interessante. Melhor do que acreditar em céu e inferno ou um purgatório. E o que acontece com as pessoas ruins? Viram buraco negros?" Tentou fazer uma piada falha, dando uma risadinha. Até as crenças ali pareciam mágicas. Pinky esticou o cordão de volta para ele, sendo tomada pelo desejo de ao menos saber o nome dele. Ao mesmo tempo, estava com um pouco de medo de descobrir se era algum príncipe ou não, porque estes sempre pareceram muito chatos aos olhos dela e aquele homem a sua frente parecia tudo, menos chato. "Obrigada por me mostrar a estrela. É a primeira vez que vejo uma de tão perto." E provavelmente a última também, porque queria retornar logo ao mundo real. "Precisa de ajuda para colocar o colar de volta?" Indagou, desejando ajudar como uma outra forma de agradecimento.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Seu amigo é sábio. Robin esboçou um sorriso saudoso ao ouvir aquela verdade, por ora deixada de lado com passar dos anos, mas jamais esquecida. Devia tudo o que sabia ao amigo em questão, e seu peito se encheu de orgulho ao ouvi-lo ser elogiado por alguém que sequer o conhecera. ❛ Ele era. ❜ Foi a melhor maneira que encontrou para partilhar que o sábio em questão já não estava mais entre os vivos, mas seu tom ao dizê-lo não foi melancólico. ❛ Tenho certeza que ele está lá em cima. ❜ Acrescentou, indicando o céu pontilhado de luz com um movimento de cabeça. Old Man Fred havia sido um homem bom, e se alguém naquele maldito reino havia se tornado uma estrela, este alguém era ele.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏A pergunta sobre as estrelas e seus desejos o pegou desprevenido. Não, os astros nunca haviam atendido seus pedidos de maneira direta, mas talvez tivessem contribuído para o alinhamento de planetas que foi sua vida. Quando menino, costumava olhar para o céu e pedir por uma família, e destino ou magia alguma haviam sido capazes de desfazer a escolha de seus pais mas, de maneira pouco convencional, havia encontrado sua família no bando conhecido como Merry Men. ❛ Eu acho que sim. ❜ Foi a resposta que deu, sem muita convicção. Robin era um homem de muitas crenças – não em deuses, mas nas forças da natureza que regiam o Universo, e escolhia acreditar que volta e meia suas preces haviam sido atendidas. Por este motivo, não gostava de pensar no que acontecia com pessoas ruins ao morrer: já havia mandado algumas dessa para uma pior e, além de esperar que tivessem o fim que mereciam, se perguntava se aquilo o tornava mau também.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Estava prestes a aceitar o cordão que lhe foi estendido de volta quando processou a oferta que acompanhava o gesto. Havia algo que lhe parecia íntimo demais na ideia de dar-lhe as costas e permitir que a mulher passasse a jóia ao redor de seu pescoço, como se aceitá-lo fosse trair Marian. Sacudiu a cabeça educadamente, pontuando o declínio com um sorriso antes de tomar o colar em seus dedos. ❛ Não precisa. ❜ A respondeu, posicionando a corrente de volta onde pertencia e tateando até a fechar. A ideia de ter compartilhado tanto de si com uma estranha pesou em sua consciência, e por fim decidiu desfazer aquele nó. ❛ Eu me chamo Robin, aliás. Robin Hood. ❜
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Talvez o local mais normal daquele evento fosse a festa do chá e isso que estava acontecendo numa área visivelmente saída diretamente do pais das maravilhas. Porém, Oliver estava mais confortável ali do que perto de dragões ou de tapetes voadores, a única estranheza seria se ele diminuísse de tamanho ao comer o bolo errado ou aumentasse de tamanho, isso seria facilmente controlado, ao contrário do restante. Estava avaliando um bolinho com medo de que ele o fizesse inchar e virar um balão quando um sujeito aproximou-se lhe perguntando e óbvio que Oliver não sabia lhe responder. Porém, nada daquilo era mais assustador do que a consciência que se abateu sobre ele, aquele era Robin Hood e Oliver se tornaria inimigo dele em breve. Tentou disfarçar a expressão de espanto e focar-se no bolinho em sua mão. " acho que é seguro comer, vá em frente. " ofereceu para o outro, esperando que ele não saísse voando pelos ares.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Os anos de convivência forçada na corte de Corona o haviam deixado mais afiado para perceber mudanças nas expressões alheias, e o ligeiro espanto no semblante do rapaz não lhe passou despercebido – a emoção desapareceu tão rápido quanto surgiu, mas foi suficiente para atiçar a curiosidade de Robin. ❛ Por que a cara de susto? ❜ Perguntou, inclinando a cabeça ao fitá-lo, a torta em suas mãos momentaneamente esquecida. Era esquisito, saber que os novatos do outro mundo tanto sabiam sobre sua história quando nada sabia sobre as deles, e Robin detestava estar em uma posição de desvantagem. ❛ Eu assumo que você sabe quem eu sou. ❜ Continuou, tentando chegar à raiz do que poderia causar a reação de espanto, pousando a sobremesa intocada de volta na mesa do buffet em favor da conversa. ❛ Quem é você, afinal? ❜ Seus olhos se estreitaram na direção do desconhecido, desconfiado.
Tudo bem, talvez ele não estivesse sendo totalmente sincero quando disse que não queria bisbilhotar. James era curioso por natureza, por isso aguçou os ouvidos, enquanto tentava parecer desinteressado. Mas ficou genuinamente sem graça por ter sido pego. Pelo menos, o outro homem não parecia ter ficado tão irritado com a intromissão, então o ruivo deixou um suspiro aliviado escapar de seus lábios, antes de responder. “Ainda não entendi muito bem com essa fonte dos desejos funciona de verdade, mas ouvi dizer que não adianta fazer pedidos muito absurdos.” Voltar para casa estaria fora de cogitação, é claro. Por que funcionaria, não é mesmo? James deu de ombros. “Então tentei com alguma coisa bem simples, assim como você.” Tirou do bolso alguns pacotinhos de barrinha de proteínas, com cobertura de chocolate. “Meu snack favorito, e não encontrei nada que fosse semelhante por aqui então… é, pedi algumas pra deixar guardado. Para emergências, sabe como é.” Além de que isso o fazia lembrar de casa, ou seja, era reconfortante, então ele não achava que havia desperdiçado seu pedido, por mais que pudesse ter pensado em alguma coisa melhor. “Sabe se podemos fazer mais desejos? Não prestei atenção nas regras.”
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Ainda não entendia como o Outro Mundo podia funcionar sem magia de tal maneira a tornar feitiços triviais como o da fonte difíceis de compreender. Ao ver que o ruivo não havia aceitado sua oferta de hidromel, Robin tomou mais um gole antes de pousar a garrafa sobre a mureta da fonte. ❛ Fontes como essa só fazem mágica de conveniência – coisas que tornam seu dia menos miserável, mas não mudam sua vida. ❜ Foi a melhor explicação que conseguiu oferecer, muito menos científica do que os perdidos aprenderiam na Academia. Seus olhos se estreitaram na direção do que quer que o rapaz havia tirado de seu bolso, incapaz de reconhecer o tal snack, mas logo se distraiu com a pergunta seguinte. ❛ Contra as regras ou não, não tem ninguém fiscalizando. A Fada Madrinha tem magia o suficiente pra te oferecer mais do que um lanchinho. ❜ O instigou, indicando com o queixo para que ele fizesse mais um desejo. Parte de si estava curioso para ver se haveriam consequências, e parte só queria medir se o desconhecido era um dos certinhos.
se fosse uma mulher de assumir segundas intenções, facilmente estaria admitindo que se aproximar daquele barco flutuante no mesmo momento que robin hood, não era uma coincidência do acaso. não mesmo. a persona estava sempre disposta de provocações e aquele desejo de infernizar quem quer que fosse e bem, como eles haviam um passado, mesmo que um que possivelmente, deixava outrem irritado, não conseguia desapegar disso. em seu cerne, conseguia ouvir a risada de vanessa diante de outrem, percebendo como as duas haviam o irritado, o colocando em uma situação que possivelmente, ia contra a sua índole. e úrsula amava está naquela posição, de alguém que era má, mas também tentadora dentre palavras dúbias e mentiras. ao ouvi-lo, retirou a mão que estava indicando posse, mas não se mostrou nada além de neutralidade. ، vai brigar por um passeio em um barco idiota? o questionou, mostrando um pouco de veneno e provocação. ، não sabia que tinha voltado a ter cinco anos, hood. possivelmente, nem preciso dizer que a idade, me faz mais esperta que você.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Revirou os olhos diante da condescendência de Úrsula – a broaca precisava de hobbies mais saudáveis, e de sessões vitalícias com o Coelho Branco. Ela havia aperfeiçoado o hábito de irritá-lo como se fosse um esporte, e Robin se permitiu olhar ao redor por um segundo, como se ponderasse as consequências de a agredir com um dos remos. ❛ I don't know about that, granny – you only seem to have one half of 'evil genius' going for ya. ❜ Foi o que respondeu, como se a provocação estivesse na ponta da língua esperando ser cuspida com desdém. Como haviam testemunhas demais no festival para que começasse uma confusão, se resignou a não deixar que ela vencesse e, com a agilidade de quem já havia enfrentado obstáculos maiores, pulou para dentro do barco antes que ela pudesse reagir. ❛ Vai entrar, ou a idade também deixou suas juntas enferrujadas? ❜ A provocou com um sorrisinho implicante, fazendo jus à acusação de infantilidade ao mostrar-lhe a língua em uma careta.
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O sol estava se despedindo da praia quando Christine resolveu aproveitar das águas para nadar. O lugar parecia mais calmo sem tanta gente, e até as sereias pareciam ter ido embora. Isso não era de todo mal já que ela tinha aprendido a nadar enquanto estava no conservatório, e até era muito boa naquilo, o que significava que poderia deixar as sereias descansarem enquanto estava ali.
Estava começando a anoitecer quando a cantora saiu do mar. Cobrindo seu corpo com uma toalha, Christine nem viu quando se sentou ao lado de Robin, já que sua vista não era a das melhores e estava distraída pela brisa fria que tinha surgido, fazendo com que se tremesse um pouquinho de frio. Virou-se então em direção ao rapaz, um sorriso bem-humorado tomando seu rosto. ❝ Acho que o título de rei dos mares pertence ao rei tritão, mas talvez ele se interesse em uma divisão se você fizer uma proposta justa. ❞ Sugeriu, divertida. A probabilidade daquilo acontecer era baixa, mas quem sabe? ❝ Também gostaria de ter um pouco disso aqui. ❞ Voltou o olhar para as águas, agora aproveitando a brisa que batia em seu rosto e jogava seus cabelos um pouco para trás. ❝ Mas não posso. ❞ Suspirou, mais melancólica do que deveria. ❝ O dever da ópera me chama. ❞
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Estava mais acostumado a nadar no rio que cortava sua floresta do que no oceano, então escolheu permanecer no conforto familiar da areia. Conforme o céu e o mar se tingiam de laranja com o pôr do sol, se aninhou no cobertor que havia sido cortesia da fonte de desejos, e notou Christine saindo da água e caminhando na direção geral em que estava. Robin sentiu-se grato por um rosto familiar em meio às interações esquisitas que havia tido com perdidos naquele dia. Tão logo ela estava ao alcance de sua voz, a alfinetou com a frase sobre querer o mar só para si, fingindo não gostar da companhia mesmo que o sorriso em seu rosto fosse pura contradição. ❛ Nah, ser rei não é para mim, resmungar é minha verdadeira vocação. ❜ Retrucou diante da sugestão, a notando estremecer sobre o vento frio que os açoitava. Se desfez do tecido que o cobria, prontamente o enrolando ao redor da morena sem esperar por permissão – seu instinto protetor era difícil de conter. ❛ A vida não pode ser só sobre deveres. ❜ Achou importante pontuar, talvez porque a melancolia da dançarina lhe lembrava a sua própria. ❛ Olha esse pôr do sol. ❜ Indicou com o queixo, seus olhos castanhos preenchidos de genuína admiração. ❛ Quantos desses a gente já perdeu por cumprir nossos papéis nas histórias? ❜
— Era uma brincadeira, era para você me elogiar, porque você está tão tenso? O que aconteceu? — pegou a bebida com uma mão e tocou no ombro do outro com a outra mão. — Tirando o fato que eu não faço a menor ideia de onde o Eugene se meteu, e eu estou fazendo uma investigação em nome do reino de Corona com relação ao que está acontecendo, tudo está maravilhoso, Robin, e você? Mais agitado do que o normal? Quer autorização real para roubar algum nobre, porque você sabe que, se for obra de arte e você vender pro museu de Corona, eu dou em cinco minutos.
͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏ ͏Revirou os olhos, a expressão enraizada muito mais em implicância amigável do que em irritação real. ❛ Não aconteceu nada, só estou meio on edge com tudo o que anda rolando. ❜ Foi a explicação que ofereceu, algo entre a verdade e a mentira. ❛ Não sei o que está rolando com o Eugene, mas a gente precisa decidir o que fazer com esses novos integrantes da corte, e logo. ❜ Retrucou, sabendo que parte da responsabilidade de executar as ordens de Rapunzel seria sua, caso os novatos fossem um risco para a segurança. ❛ Meus dias de ladrão estão no passado, Blondie, mas bom saber que você é mais leal à mim do que aos riquinhos. ❜ Respondeu à oferta, seu sorriso ladino contradizendo a recusa.