ele bateu duas vezes na porta e escorou-se no aro de madeira, aguardando ser recebido. imaginava que àquela hora dominique já estivesse em casa. nas mãos, um presente embrulhado com cuidado por ele próprio; uma pequena figura do partenon ateniano. o ritual de entregar a ela uma lembrança depois de viajar por muito tempo não poderia ser deixado de lado. felix ollivander, o segundo neto mais velho, seu irmão corvino completamente careta, não aprovava da amizade que ainda fluía entre nate e sua ex namorada. mas como o bom quebrador de regras que o lufano era, ele não poderia ligar menos. ao notar que a porta estava sendo destrancada, howler colocou o seu mais charmoso sorriso no rosto, e aguardou pela surpresa. “long time no see.”
Tudo que Dominique queria aquela noite era um chá quente e um livro antes de provavelmente desmaiar no sofá e deixar que o livro caísse em seu rosto, sendo um claro sinal de que ela precisava ir para cama. Claro que, antes disso, ela iria obsessivamente verificar as rede sociais trouxas, que não sabia por qual motivo havia se deixado convencer a fazer parte, e então ela iria tentar racionalizar os acontecimentos recentes, embora não fizessem sentido algum. Ela também flertou com a possibilidade de simplesmente... sair. Mas após chegar em casa, até o seu chá pareceu trabalhoso. Ela estava preparando sua xícara quando ouviu as batidas na porta. Levantou uma sobrancelha, estranhando o fato pois não estava esperando visitas, e por isso respondeu da maneira que achava mais provável, “Vic, eu já falei pra voc──” mas sua frase morreu quando ela abriu a porta e viu quem era na verdade, “oh my Merlin, Nathaniel,” ela exclamou num misto de susto e surpresa, antes de arregalar os olhos pensando se ela estava apresentável além das olheiras horríveis que deveria ter, “──quer dizer, Nate!” Ela conseguiu se recompor, exclamando com um notável tom mais alegre. Poderia ter sido pior. Ele poderia ter aparatado dentro da sua casa (mesmo sabendo que ele não faria isso). Se em dois segundos, ela se sentia exausta, agora era como se tivesse eletricidade nas veias, quase saltitando no mesmo lugar. Era engraçado o fato dele precisar ir, viajar pelo mundo, mas ele sempre voltava. “Merlin! Entre, entre,” ela abriu mais a porta para deixá-lo entrar antes de abraça-lo. Pelo menos ainda não tinha trocado o terninho de trabalho para um pijama, pensou. “Como assim você está aqui── uau, na sua última carta não ficou claro que você estava voltando,” as perguntas rotineiras pareciam implícitas para ela ─ como ele estava, aonde estava, e o que estava fazendo. E, então, ela esticou as mãos, sabendo que tinha algo por vir.