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🥀 Ir para o Três Vassouras depois de um dia de trabalho, era o que Winter mais gostava de fazer porque sempre podia ver gente nova por ali, sem contar que era divertido observar os bruxos conversando sobre alguma coisa. Os olhos dourados fitavam algumas fotos que havia tirado naquele dia, analisando-as cuidadosamente antes de ouvir uma voz lhe tirar de seu devaneio, erguendo as iris brilhantes para muse e abrindo um sorriso um pouco sem graça por não saber o que estava sendo dito - Pardon, eu não entendi absolutamant nada do que falou. Pode repetir, s’il te plait? - indagou educadamente, apoiando as mãos na mesa e indicando com um aceno de cabeça o lugar vago a sua frente.
Quando estava cansada do Beco Diagonal, Olivia muitas vezes alternava para Hogsmeade. Era um sentimento nostálgico que lhe acometia passear por aquelas ruas e lembrar do seu tempo em Hogwarts e quando ansiava para os passeios. Merlin! E pensar que já faziam quase cinco anos da sua formatura. Como sempre, o Três Vassouras foi o local escolhido no fim do dia para comer alguma coisa e, claro, beber uma cerveja amanteigada pelos velhos tempos. Para sua surpresa (mas não muito), acabou que não foi a única pessoa que teve a mesma ideia e o lugar se encontrava lotado. Com sua cerveja amanteigada em mãos, a morena apenas viu uma mesa com uma garota sozinha, na qual talvez ela pudesse sentar se a pessoa em questão não se importasse. Assim, se aproximou e perguntou, porém a resposta dela lhe deixou claro que falou baixo demais para o ambiente e que, em segundo lugar, estava diante de alguém que tinha inglês como segunda língua. ❝ — Desculpa, eu falei muito baixo. Só quis perguntar se tudo bem eu me sentar aqui com você, porque todas as outras mesas estão ocupadas. Eu pedi comida e não queria comer na bancada do bar. Mas só se estiver ok para você!❞ — falou. aumentando o tom de voz para que a outa ouvisse e fazendo questão de ser educada.
ㅤㅤ━━ Eu queria poder te confortar, dizendo que existe salvação, mas olha só estado dessa roupa, está cheia de buracos. Não sei se você se encontrou com dragões ou foi atacado por uma quimera, mas desculpa, não tem jeito. ━ Devolveu a peça para a pessoa à sua frente. ━━ Talvez queira ver algo diferente? Temos várias opções na loja, é só dar uma olhada. Com certeza é melhor do que isso que me trouxe.
Que besteira tinha feito naquele dia! Tinha visitado a sua tia Beatrice King, irmã de Oliver, quem não via há um tempo. Sempre era bom bater papo com tia Triz e a prima Sam, então acabou passando o dia anterior todo lá. Como de costume, as duas garotas trocaram roupas e transformaram o quarto de Samantha em um verdadeiro palco. A própria Triz acabou lhe emprestando um vestido, confidenciando que pertencia à falecida avó, Amelia, com quem manteve um relacionamento próximo e inseparável até a sua morte. Emocionada com a sua imagem do espelho, Liv ficou ansiosa em usar o vestido, tendo-o carregado consigo para casa. Ao aparatar na esquina do loft, porém, uma buzina lhe assustou e a garota deixou o vestuário cair no chão. Antes que pudesse invocá-lo com o famoso e útil Accio, a peça foi arrastada por um automóvel e resgatada tarde demais. Até conseguiu ajeitar um pouco a situação com alguns feitiços que conhecia, mas não queria estragar ainda mais o vestido, por isso levou-o até uma especialista. A resposta dela, entretanto, deixou-lhe ainda mais triste. ❝ — Não acredito... Ai.❞ — lamentou. Mesmo que achasse um lindo vestido para substituir, não seria a mesma coisa. ❝ — Era da minha... Avó. Ela faleceu há uns anos. Minha tia me emprestou, o maior erro que ela cometeu na vida, pelo visto.❞ — desabafou. Era sem noção jogar aquilo em uma desconhecida, mas não teve tempo de lamentar direito aquela perda até então. ❝ — Acha que... Eu conseguiria substituir sem passar despercebida?❞ — questionou. Odiaria decepcionar a tia ou deixar-lhe triste pela perda.
FLASHBACK.
Enquanto Olivia o compreendia e trazia um crescente sorriso no rosto do moreno, ele finalmente se sentiu mal. Sua cabeça começou a doer em um pequeno fio que agora inundava todos os cantos enquanto o estômago parecia ferver. Se estivesse se encarando, veria que estava começando a ficar entre o vermelho e verde. Levou a mão para a barriga e concordou. “Seria um péssimo chamador de atenção porque chamaria muita.” Falou com um leve gemido ao fim da frase, olhando para baixo e já reparando no suor que começava a sair. “Pior do que se declarar sob Amortentia é acabar tendo uma diarreia porque tomou alguma coisa desconhecida que te faz querer cortar a própria língua a cada frase, e logo em seguida te faz esquecer que queria isso.” Rebateu um tanto incomodado e olhando para a melhor amiga pedindo socorro, sem saber bem o que dizer ou o que fazer. “E é a última vez que vou tomar aqui também! Acho que tinha alguma coisa lá… Com certeza tinha ou não teria acabado de falar tudo que eu tentei esconder por anos atrás e dado certo até então, droga.” Xingou baixinho quando voltou a falar mais do que devia. O caos que havia se instalado entre a mente e a reação do veritaserum em Aleksandar sem que ele soubesse era terrível e ele temia ficar cada vez mal e… “Eu não posso perder os jogos do fim de semana. Não, não! Por Merlin! É a única coisa que me deixou animado além do meu lunascópio interativo com projeção da realidade que eu devia ter esperado para contar porque ele ainda não está perto de estar pronto.” Entrou em pânico só de pensar em perder tudo que havia planejado para aquele feriado, tampando a boca logo em seguida por ter revelado o projeto que tinha tanto medo de acabar falhando. “St. Magnus. Agora. Você me leva.”
✯
Ouvindo a descrição dada por Aleksandar, algo estalou dentro de Olivia, como um eureka. É claro, deveria ter prestado atenção nisso antes (era uma sorte que não tenha virado Auror, quem é que não conseguia identificar uma poção tão notória. ❝ — Alek! Língua solta, verdade além da vontade! Você tomou por engano Veritaserum. Agora só não sei se foi no sorvete ou em outro lugar. Ufa, achei que você tava tendo um derrame ou algo parecido.❞ — confessou, realmente aliviada porque o amigo não estava sofrendo algum tipo de condição ou tinha sido contaminado por algo mais sério. A “poção da verdade” era fatal em seus efeitos de soltar o verbo, mas não causava outros efeitos colaterais mais graves. Ainda assim, Liv não conseguia pensar em um lugar próximo que não o St. Mungus para encontrar um antídoto. ❝ — Eu acho que deve ser algum tipo de brincadeira de dia dos namorados. De novo isso, que coisa de mal gosto! As pessoas ficam por aí tomando e respirando as coisas sem saber, acho que isso cabe um processo, hein.❞ — falou, indignada e em tom mais alto enquanto olhava ao redor para ver se algum funcionário ou alguém próximo falava alguma coisa. ❝ — Juro que não vou usar essas informações contra você. Palavra de amiga. Depois que tomar antídoto você ainda vai lembrar que me disse, então vou deixar à seu critério comentar sobre ou não. Se não quiser, a gente finge que nunca aconteceu.❞ — disse, um sorriso no rosto. Entendia o que era ter segredos dos quais nada queria se comentar e não ia crucificar Krum por isso, especialmente pela dinâmica próxima que ambos tinham há anos. Assentiu em concordânica com o amigo, já levantando do seu assento. ❝ — Vem, vamos lá. Vai dar tudo certo, você não vai perder nada. Cinco minutos e você vai tá bem, vai ver só.❞ — falou, guiando Alek para o lado de fora e achando um lugar seguro para aparatar até o hospital bruxo e resolver aquela confusão de uma vez por todas.
ENCERRADO.
— Eu já quebrei os dentes varias vezes, depois disso eu desisti, sabe como é, não posso machucar esse rostinho bonito. — Apontou para o próprio rosto antes de dar uma risada alta. A companhia de Olivia sempre era agradável para o apanhador, não se lembrava de momentos em que ela não estivesse em sua vida, devido a proximidade de seus pais. — Os melhores segredos estão bem guardados. — Piscou para ela, antes de gargalhar pela brincadeira, apesar de ser bem convencido de seu talento, sabia o quão talentosa a outra era, pelo simples fato de ser treinado pelo pai dela. — Eu to bem, meio desfalcado, mas bem. Que nada, ele tem sido um anjo, deixando a gente numa boa. — O tom era claramente irônico o que o fez rir logo em seguida. — Você sabe como ele é, acho que eu morro antes do final da temporada só pelos treinos.
✯
❝ — Tem razão, seria uma pena! É o que eu sempre digo, quer me atingir com um balaço? Faça, só não na money maker, que é minha cara.❞ — brincou. Gostava da relação com Fred exatamente porque se sentia livre para falar daquelas coisas e fazer piada com o que passavam. Como dois apanhadores, se entendiam melhor do que pessoas em outras posições. Não evitou prolongar o riso quando o Weasley brincou sobre seu pai. Sabia como era o estilo intenso dele de treino e sabia que sempre fora assim desde Hogwarts. ❝ — Forças, você vai sobreviver. Tenho umas dicas: quando ele começar a dar discurso, bata palmas até não conseguir ouvir mais ele falar, ele vai desistir porque fica muito emocionado. Quando ele mandar mensagem no grupo falando que o treino é as 5 da manhã, finja com o time todo que ele estava doido, porque ele apaga todas as conversas porque ‘podem estar espiando’ e não vai ter como checar o que era verdade.❞ — enumerou as particularidades de Oliver Wood para Fred, não deixando de sorrir ao pensar no homem.

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⚖️ Alguma coisa na garota fazia com que a Zabini ficasse ligeiramente desconfiada, mas não sabia muito bem o que poderia ser, então era melhor retribuir a simpatia. Afinal, quem sabe precisasse de um favor da outra futuramente — mesmo que não fizesse a menor ideia do que ela fazia da vida — Casos criminais. Eu sou da defesa, geralmente odiada. Mas faz parte do trabalho. E sim, eu faço bastante essas audiências… são bem emocionantes, sem contar que é bom ficar argumentando e refutando a outra parte. — disse com simplicidade. O que Aurora mais gostava no trabalho, era que podia desestruturar toda uma suposta investigação dos aurores que havia prendido algum bruxo purista, sempre havia um furo nas provas que fazia com que tudo viesse a baixo e a acusação acabasse ficando em uma desvantagem gritante — além é claro, de haver algo mais… valioso para os juizes da Suprema Corte dos Bruxos, mas aquilo não vinha ao caso no momento e muito menos era do interesse de outra pessoa que não a Zabini. No instante em que a mulher disse seu nome, uma sensação de repulsa tomou conta de Aurora, mas ela conseguiu disfarçar muito bem e apenas manteve o sorriso simpático — que não ajudava em nada naqueles olhos insensíveis que tinha — Flint-Wood… interessante. Mas e você, Olivia? O que faz? — perguntou calmamente, parecendo verdadeiramente curiosa para descobrir o que a garota fazia. Mesmo que em outro momento tivesse simplesmente se levantado da mesa para deixar a garota sozinha, mas até que a companhia da jovem não era tão insuportável como pensaria.
✯
❝ — Alguém precisa defender, certo? Não seria justo se não houvesse julgamento, o quanto de gente ia sofrer sendo inocente.❞ — exprimiu sua opinião tímida. Em geral Olivia tinha assertivas muito determinadas em sua mente sobre suas crenças e jamais tinha dúvida do que defendia, porém o seu lado que insistia em ter a simpatia e amor de todo mundo lhe fazia, muitas vezes, guardar as visões mais fortes para si. Não conhecia Aurora Zabini e não podia dizer qualquer coisa que lhe viesse à mente, por mais difícil que fosse e por mais sociável que fosse. Chances eram que com aquele sobrenome podia estar diante de um problema. Não sabia se o “interessante” exprimido pela garota foi de fato verdadeiro, mas continuaria sendo simpática até que não fosse mais possível. ❝ — Ah, você sabe. Nada de mais. Apanho alguns pomos de ouro nas horas livres.❞ — falou simplesmente, dando de ombros. Não era soberba nem nada, fez aquilo porque simplesmente não queria discutir sobre Quadribol e a menos que estivessem bem enganada a Zabini não lhe inspirava muito amor ao esporte. ❝ — Em outros momentos eu fico zanzando por aí. Meu pai é dono da Floreios e Borrões.❞ — explicou.
FLASHBACK.
“Olivia, sendo bem sincero, você é muito legal para assumir o papel de ódio pelo Dia dos Namorados. Não existe aquele lance de amor próprio? Mesmo que não esteja comemorando com alguém, comemore por você. A gente tem sempre que tentar tirar proveito das situações.” ━ Como alguém que não era escalado para romances, Teddy fazia o possível para aproveitar como podia. Em datas como aquela, era sempre divertido se parear com pessoas solteiras, assim ninguém saía zerado daquele dia e teriam histórias para contar por aí. O bruxo sorriu, alteando as sobrancelhas, considerando a frase dela e serviu-se de mais firewhiskey. ━ “Eu não gosto de usar bebidas como desculpa, mas gosto do gosto que deixa no beijo, então… Que tenha muito firewhiskey envolvido.” ━ Virou a dose na boca. Em seguida riu, dando de ombros. ━ “Ligar e fazer uma grande declaração por telefone, chorando, bêbado, perguntando os motivos da pessoas não querer ficar comigo. Se humilhar de acordo. Já fez isso? Todo mundo tem uma história louca pra contar.” ━ Fez uma expressão engraçada, pois ele mesmo já havia passado vergonha com aquele maldito aparelho trouxa. ━ “Teve uma vez que eu estava muito louco depois de uma festa, peguei o telefone e disquei o que eu jurei ser o número certo, mas acabou que era de um homem e quando ele atendeu, eu falei um monte de coisa sobre uma colega da escola que não fazia merda nenhuma e era uma folgada. Não entendi nada quando comecei a ser xingado, a gente não pode nem reclamar mais.” ━ Puxou a garrafa para continuar bebendo direto dela.
✯
❝ — Eu não tenho ódio, juro! Não é uma coisa de ter dor de cotovelo de quem namorado também, não ligo pra esse tipo de coisa. É só... Meio sem sentido, assim como muitos outros feriados. Mas eu vou lá reclamar de um motivo pra beber coisas duvidosas? Jamais.❞ — se justificou, porque realmente não queria sair de mal amada, já que não era esse o caso. Não entendia todo o frenesi sobre a data, mas ela lá ia julgar quem gostava? Só na sua cabeça, claro. Aquele assunto na verdade era um ponto frágil para Olivia que não gostava de conversar sobre sentimentos e era filofóbica até o último fio de cabelo. Virou uma dose de firewhiskey por isso e para seguir os passos de Teddy. ❝ — Não quero soar alcóolatra nem nada, mas se há um motivo para beber, melhor.❞ — entrou na brincadeira. O relato de Lupin arrancou uma risada sincera de Liv, porque jamais imaginou que logo ele era o tipo de pessoa que ligava para alguém ao beber. As pessoas sempre tinham lados ocultos e interessantes, aquela era sua conclusão. ❝ — Pra falar a verdade, nunca cheguei a fazer, apesar de ter tentado. Toda vez que tive algum tipo de ex eu bloqueava o número para não correr esse risco. Drunk Olivia gets weird pretty fast.❞ — confessou, rindo e relembrando aqueles momentos. ❝ — Não acredito que ele reclamou! Quem não ia querer receber uma ligação dessas? Eu nem to sendo irônica! Depois da raiva de ter sido acordado, não seria interessante uma pessoa completamente aleatória te ligar e falar um monte de coisas? Eu ia no mínimo ia pedir mais detalhes.❞ — disse rindo, mas tinha consciência que sua natureza curiosa e interessada demais nos assuntos que dizem respeito à natureza de outras pessoas talvez não fosse compartilhado com tanta gente assim.
Jorja Smith at her Dior Beauty dinner (September 24, 2019)
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Helene sempre foi uma estudante dedicada. Gostava de ser a melhor da turma. Na verdade, gostava de ser a melhor, ponto. Por isso, poderia estar (teoricamente) atrasada em relação às pessoas que haviam começado o treinamento logo após Hogwarts, mas isso não significava que ficaria para trás. Ela sempre foi muito boa em duelos, para começo de conversa. E gostava de levantar as mangas e estudar. Por isso, se encontrou indo mais uma vez para a Florreios e borrões, sentindo-se como a garotinha de onze anos que iria começar a escola. O sino definitivamente remetia as compras escolares, e quando os olhos bateram na figura atrás do balção definitivamente teve flashbacks de Hogwarts. Torceu o nariz quando encarou Olivia. Como gostava de ignorar a Flint-Wood, ela quase esquecia que aquela loja era de Marcus Flint agora. “Você tem The Dark Arts Outsmarted?” perguntou, tentando se manter civil, e esperava que Olivia não dificultasse essa tarefa.
Ficar na Floreios e Borrões não era exatamente um trabalho, mas um hobby. Ela adorava atender as pessoas e ajudá-las a encontrar a leitura certa e recusava sequer menção de pagamento por parte de Marcus, visto que usava aquilo como forma de preencher seu tempo livre e algo que levava na brincadeira e leveza. Como bem sabia, monetizar ou profissionalizar um hobby podia ser cansativo (disse a jogadora de Quadribol profissional). Assim, se contentava com puxar assunto com os clientes e as vezes mesmo criar laços por ali. Cada soada do sino de entrada era uma nova oportunidade. Naquele dia, porém, ao observar Helene Carrow adentrar o estabelecimento, Olivia questionou que tipo de provação estava sendo obrigada à passar.
Como começou aquela inimizade? Só Merlin sabia, mas a Flint-Wood tinha pe atrás com basicamente metade da Sonserina, com bônus extra nesse caso diante do sobrenome de Hell. Sabia que podia ser injusto isso, visto que a Carrow não parecia carregar o legado dos tios-avós, mas, além da sua desconfiança, de quebra as interações entre ambas sempre foram desastrosas — não pareciam ter nada em comum e tinham características conflitantes. E Liv ressentia grandemente quem não prontamente gostava dela, era assim desde sempre. Desaprovou inteiramente sua presença, mas a garota era uma profissional em tudo que fazia, portanto guardou seu comentário de “tem certeza que não é ‘mastered’ ao em vez de ‘outsmarted’?” e apenas disse: ❝ — Claro. Por aqui.❞ — e não esperou nenhum comentário adicional para começar a andar até a estante correspondente. Seção de Defesa Contra as Artes das Trevas. Não sabia exatamente em qual lugar da prateleira estava, mas também não era funcionária do local. Além do mais, não daria o gastinho para Carrow de servi-la. ❝ — Aí em algum lugar.❞ — deu de ombros, apontando para a prateleira. Até estava orgulhosa do seu profissionalismo! Quem disse que era impulsiva? Ela era dona da suas ações! Controlava sua própria mente! Tinha rédea dos seus instin... ❝ — Mas devo dizer que a gente não vende nada de Artes das Trevas, sabe? Acho que é melhor esclarecer isso de cara.❞ — acabou adicionando sem pensar, apenas para provocar Helene. Bom, deixa pra lá.
👾 Respirar um pouco de ar, sem precisar se preocupar com clientes e outras coisas, era o que Felix mais gostava porque conseguia colocar as ideias no lugar e não ficar preocupando Nate caso ficasse quieto demais. Os olhos esverdeados estavam analisando as ruas mais calmas do Beco Diagonal — por ser começo de semana ainda — e acabou por entrar na Florean Fortescue para comprar um sorvete — e talvez para o irmão mais velho, mas ia pensar nisso ainda. Só não esperava que estivesse um pouco mais cheio que o normal e tivesse que procurar uma mesa já ocupada para se sentar — Com licença, posso sentar aqui? Eu não sabia que iam estar todas ocupadas em um dia de semana. — comentou divertido, levando a destra aos cabelos já bagunçados de modo a bagunça-los mais ainda.
Seus dias de liberdade no Beco Diagonal chegavam gradativamente ao fim, pois em poucos dias os treinos das Harpies já iriam retomar. Olivia ainda precisava se decidir se estava feliz por sair da ociosidade ou ansiosa pela cobrança que vinha pela frente. Mesmo assim, passava os seus últimos instantes nos locais que mais gostava, um deles sendo a Florean Fortescue. Nem era pelo sorvete em si, apesar de amar, mas sim pelo ambiente ao ar livre e o início da primavera combinados. A aproximação alheia fez Liv despertar da leitura (não atenta, note-se, já que pensava na morte da bezerra) e encarar sua nova companhia. Como sempre, exibiu um sorriso. ❝ — Claro, senta aí. Pois é, acho que somos em mais desocupados do que se pensava! Brincadeira, mas acho que o início da primavera pode ter algo a ver com isso. Sabe como é o inglês, o frio foi embora levemente e já estamos colocando manga curta.❞ — tagarelou; era sua marca registrada engatar uma conversa animada com qualquer pessoa que fosse, até mesmo estranha.

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Abraham riu do comentário da garota, de fato a fala dele parecia com a de algum pai muito preocupado com o filho, ou de algum adulto extremamente certinho e que se importava com as regras. Se bem que o próprio Bram tinha adquirido um jeito mais responsável de agir desde que tinha entrado para o treinamento dos aurores e se formado, e era estranho pensar que no passado, quando ainda estudava em Hogwarts ele não passava de um jovem rebelde, mesquinho e sem muitas responsabilidades. Era uma mudança e tanta, e o bruxo tinha amadurecido bastante com aquilo. “Posso te garantir que pai nenhum me mandou até aqui”, falou em um tom bastante humorado. “E como prova disso estou disposto a pagar pela próxima dose, caso não seja demais para você”.
✯
❝ — Ufa, assim fico mais tranquila! Quer dizer, já sou bem grandinha, mas acho que nos olhos dos pais nunca se cresceu o suficiente.❞ — comentou com uma careta ao pensar em como Marcus e Oliver ainda lhe tratavam em alguns momentos, mesmo tendo atingido a maioridade há quatro anos. Olhou para o estranho e bateu palmas em aprovação. Não o conhecia mas ele com certeza já tinha dado um passo essencial para conquistar sua simpatia (que, para ser honesta, não é muito difícil de conseguir). ❝ — Bom, nesse caso vou precisar saber seu nome. Acho que é o mínimo de cortesia da minha parte te cumprimentar do jeito certo.❞ — sorriu simpaticamente.
a última coisa com que nathaniel estava preocupado naquele momento eram as fofocas feitas pelo jornal sabe-se lá de quem. suspirava ao avaliar a própria varinha em mãos, acariciando-a por cima de um arranhão recém-adquirido enquanto a mente viajava pelos acontecimentos recentes. perguntava-se se a má educação da mesma era pelo acidente, enquanto ouvira o sininho que anunciava a chegada de alguém desviar sua atenção para porta. ver a silhueta de olivia o fez sorrir, enquanto enfiava a varinha no bolso de trás da calça jeans. “heeeey livs.” deu a volta no balcão para cumprimentá-la devidamente com um abraço apertado e um beijo estalado na bochecha. logo, os olhos azuis estavam concentrados na bebida ao seu lado. escorou-se no balcão para sentir o cheiro que exalava e soltou todo o ar dos pulmões, satisfeito. “nice.” voltou a olhar para a amiga, o agradecimento fazendo os lábios se curvarem para cima. “thank you— o que esse pobre mortal fez pra merecer esse delicioso presente? além da sua companhia, é claro.”
✯
❝ — Quer dizer que uma garota não pode ir até o local de trabalho do seu amigo fazer uma surpresa por simples e pura amizade? Que mundo tão cruel é esse que a gente vive?❞ — dramatizou, mas não conseguiu conter a risada que se seguiu. Claro, estava ali por motivos específicos, porém envolviam acima de tudo o afeto que sentia por Nathaniel e a preocupação decorrente disso. A própria Olivia não era a melhor pessoa para endereçar sentimentos pessoais, portanto nunca sabia como agir de fato em situações como aquela. Se o Ollivander não quisesse falar sobre o assunto, não achava que era seu lugar forçar. Mesmo assim, sentia que precisava dar a chance de Nate se expressar se quisesse. Ergueu as duas mãos em sinal de rendição e explicou: ❝ — Eu por acaso li umas coisas envolvendo seu nome... Coisas bem chulas de gente desocupada, tenho certeza, mas quis ver como você tava. Eu sei que você é muito acima desse tipo de coisa, mas, bom, nunca é massa ter seu nome envolvido em fofoca. Eu bem sei.❞ — justificou. De fato, ser uma notória jogadora de Quadribol implicava em algumas especulações sobre si, em maioria sempre sem fundamento.
Jogou a cabeça pra trás, rindo do comentário e pergunta dela. Se fosse humilde o suficiente ele confessaria que haviam milhares de coisas que ele não sabia, uma delas: as pazes com o pai, e talvez cuidar melhor da irmã, mas ele não queria entrar em assuntos tão profundos, não, Frank sempre lidava com os problemas que lhe faziam “mal” sozinho, ele era orgulhoso demais para pedir ajuda de qualquer um, até mesmo das pessoas mais próximas, até mesmo dos amigos que ele considerava família, o que era o caso de Olívia. — Não sei fazer as pessoas ficarem longe desses lindos lábios. - Ele fez um biquinho na direção dela, brincando com o assunto. Frank acenou com a cabeça, cheio de orgulho da fala dela. — Gostei de ver. E você sabe, não é como se eu duvidasse da sua capacidade, sei que você só perde pra mim. - Ele deu de ombros, como se estivesse falando apenas a verdade, quando estava brincando novamente. — Mas me fala, quando é o próximo jogo, vou lá torcer pro você. - Ele piscou para ela, afinal só eram rivais em campo e ele estava de licença, podia muito bem ir assistir a amiga jogar e dar-lhe apoio. — Só não se acostume. - Ele então bebeu um gole da própria caneca. — Ohh sim, isso seria bom. Prometo ao seu pai que ia ajudar o James enquanto estivesse por aqui, precisamos dele de volta no time, Fred também vai ajudar. Talvez pudéssemos montar dois times e jogar alguns amistosos. O que me diz? - Propôs mesmo sabendo da inimizade dela com James.
✯
Olivia riu com gosto da brincadeira de Frank. ❝ — Você não muda nunca, né? Convencido. Bom, ossos do ofício, certo?❞ — brincou. O garoto já fazia sucesso na época de Hogwarts, agora que jogava profissionalmente Quadribol, ela sabia por experiência própria que isso aumentava exponencialmente. ❝ — Discordo, ainda acho que te dou bastante trabalho, mas isso a gente deixa para a próxima Holyheads v. Puddlemere. Sei que meu pai fica doido quando vê uma dessas na agenda do time.❞ — riu, lembrando da última vez que aquilo ocorreu que Oliver fez questão de lhe ligar e passar a próxima hora falando sobre o assunto. Amava como o pai, mesmo depois de tantos anos, era enérgico e possuía obstinação e animação com basicamente tudo que envolvia o jogo. Era disso que sentia falta às vezes. ❝ — Hmm, vai ser daqui duas semanas. Pode deixar que vai ter seu nome na lista pra você me assistir de camarote.❞ — piscou para o amigo; ainda assim, agia com mais confiança do que estava sentindo de verdade. Ser apanhadora requeria muita atenção e ultimamente Liv andava muito dispersa, com medo que isso afete seu desempenho. Se fosse em outro momento a menção sobre o acidente de James Potter lhe faria revirar os olhos ou comentar algo infame; entretanto, desde o dia dos namorados, Olivia não conseguia nem ao menos pensar nele sem querer morrer. Além do mais, difamar ele por aí da mesma forma agora era perigoso, já que se lembrava muito bem do vídeo que o garoto tinha em sua posse. Apenas balançou a cabeça em concordância. ❝ — Seria ótimo, sério. Às vezes...❞ — estava quase confessando um de seus pensamentos mais íntimos, porém hesitou. Não queria dar impressão errada. ❝ — Jogar profissionalmente às vezes tira um pouco daquele motivo inicial do Quadribol, pelo menos pra mim. Seria bom jogar por jogar, por gostar.❞ — acabou dizendo.
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Depois de um longo dia de trabalho, Bram passou no Caldeirão Furado para beber e comer algo, sentindo-se esgotado para preparar uma refeição decente em sua casa. O bar acabava sendo uma opção mais fácil: lá a comida era entregue rapidamente, tinha o bônus de ser gostosa e Bram não precisava se preocupar com a louça para lavar – era no mínimo irônico que o auror conhecia vários feitiços de ataque e defesa, já tinha lidado com bruxos perigosos e mesmo assim não conseguia decorar simples feitiços caseiros que ajudavam no cuidado da casa. O bruxo pediu para um dos funcionários do pub um wellington beef, um prato tipicamente inglês, e um suco de abóbora. Por mais que tivesse considerado a possibilidade de pedir uma boa e velha Ogden, Bram precisava acordar cedo no dia seguinte e seu trabalho já era complicado demais para que ele aparecesse por lá com ressaca. E enquanto comia seu jantar, saboreando aquela refeição deliciosa, notou a presença de uma pessoa que parecia estar exagerando nas doses de bebida. “Pelo visto alguém aqui tem um bom gosto…”, começou a dizer, observando a garrafa de Ogden na mão da pessoa. “Mas você não acha que já bebeu demais? Não que eu queira ditar o que você deve ou não fazer, considere isso apenas uma recomendação de uma pessoa que se preocupa”.
Olivia não sabia cozinhar muito bem a vida toda e agora que morava sozinha conseguia sobreviver com o mínimo para se manter bem alimentada e saudável em dias de treino e jogos. Só que como agora não estava trabalhando, ficava com muita preguiça de ter todo aquele trabalho, portanto o Caldeirão Furado as vezes era uma opção melhor. O problema era só que não raro parava lá para comer, acabava bebendo no lugar. Cerveja amanteigada era coisa de criança, por isso Liv acabou enfiando o pé na jaca e pedindo firewhiskey, de longe a sua bebida alcoólica preferida. Bebia por uma soma de muitas problemáticas que vinham acontecendo na sua vida e acabou por virar as doses inconsequentemente, visando cessar seus pensamentos sóbrios. O comentário alheio foi completamente inesperado e fez a Flint-Wood rir. ❝ — É a melhor que tem, nunca decepciona.❞ — falou, apontando para a garrafa. Depois, deu de ombros, mas olhou-o de forma forjadamente desconfiada. ❝ — Por acaso meu pai mandou você aqui?❞ — brincou.

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“sabe o que eu fiquei bem surpresa, mas nem tanto, nesses últimos dias? procura pela poção do amor.” sem esperar que a pessoa reagisse a sua grande revelação, roxie continuou a organizar alguns produtos da loja, só colocando no lugar certo, sem usar de magia para isso. “eu sei que faz pouco tempo que passou o dia dos namorados, e é bem normal aumentar a venda nessa época, mas achei que já teria diminuído agora. isso é estranho, né?” comentou com uma risada curta, não demorando para notar que poderia estar tagarelando. terminou o que fazia, voltando-se para a pessoa, finalmente. “enfim, o que você quer? algo da loja? falar comigo? com outra pessoa…?” não queria dizer exatamente falar com meu pai, para não soar como a filha mimada que decidiu trabalhar com o pai, mas era basicamente isso o que queria dizer.
( ou comente snakeskin para um starter fechado com maddox )
❝ — Merlin que me livre!❞ — exclamou, pensando ainda no estrago que a poção tinha feito no dia dos namorados. ❝ — Sabe o que é, as vezes as pessoas sentiram no ar aquele dia e agora gostaram. Acho idiotice porque eu odiei, mas tem louco pra tudo, né?❞ — falou, pensativa. O questionamento da amiga lhe fez fingir uma expressão falsa de mágoa. ❝ — Roxanne Weasley, tá me chamando de interesseira? Vim aqui ver minha amiga, ué. Tava de bobeira por aí e vim importunar uma proletariada em seu local de trabalho.❞ — brincou, rindo.
ONDE: casa de oliver e marcus
QUANDO: alguma noite depois do dia dos namorados
QUEM: liv & @sxintpotter
Olivia tinha passado os dias após o Valentine’s Day trancafiada no quarto. Achava que beber Amortentia tinha sido o suficiente de festa por aqueles últimos dias, com o fiasco que havia acontecido e que se lembrava em detalhes vividos. Além do mais, ainda tinha muita coisa na cabeça que envolvia a busca pelos pais biológicos e demais questões pessoais, o que culminou em uns dias de recolhimento. Só que com isso, com o fato de não ter ido nem mesmo à Floreios e Borrões, fez com que os pais ficassem preocupados com ela e mandassem mensagens superprotetivas. Foi por isso que naquele dia resolveu aparecer em casa, fazia um tempo que não os via e achou que ia ser bom passar uma noite lá. Não avisou que ia, porque achou que seria uma boa surpresa. Adentrou a sua casa de infância com um sorriso no rosto, sem bater porta nem nada. ❝ — Alô, a filha preferida de vocês che...❞ —e a frase ficou incompleta, porque assim que adentrou a sala de estar notou que havia alguém ali e não era nenhum dos seus pais, mas sim a pessoa que ela menos queria ver no mundo. A pessoa que vinha evitando com sucesso há dias e tinha planos de evitar pelo resto da vida, mas pelo visto suas esperanças estavam sendo frustradas. Sentiu que o rosto ficou vermelho, só de lembrar as merdas que falou para ele naquele dia. ❝ — Fuck.❞ — acabou soltando, uma expressão verdadeira dos seus sentimentos. O que diabos ele estava fazendo na sua casa? Porque não podia estar, sei lá, literalmente em qualquer outro lugar? Cogitou sair correndo de novo, como fez na loja, porém de repente suas pernas lhe traiam e ela não conseguia se mover.