Antes de abrir os olhos, os dedos da mão destra pressionaram as têmporas à medida que o cenho se franzia devido a dor que percorria sua cabeça. Não demorou a constatar que deveria ter bebido demais, já que a lembrança de estar bebendo em seu escritório na noite anterior ⎯ havia se negado a ir no encontro da faculdade com seus ex colegas ⎯ estava vívida, fresca em sua mente. Porém, assim que abriu os olhos, tudo pareceu confuso demais para absorver durante o que achava ser uma ressaca. A visão turva se focou no teto cuja mancha arredondada parecia estranhamente familiar, mas logo percorreu o recinto com os olhos, reconhecendo-o imediatamente. O olhar pousava com demora em cada detalhe do lugar, nos objetos e inclusive na cama vazia ao lado da sua. Era, sem sombra de dúvidas, seu quarto na época em que estudava na UCLA. Num rompante, o corpo se moveu e assentou-se tão rapidamente sobre o colchão da própria antiga cama que um misto de dor latente e tontura se apossaram de si, embora sumiram tão rápido quanto se manifestaram. — Mas o que… — Novamente massageou as têmporas, fechando e abrindo os olhos algumas vezes na tentativa de checar se estava realmente ali, o que foi comprovado sem muita dificuldade. Nathan se levantou calmamente na falha tentativa de evitar a tontura anterior, mas sem titubear tanto quanto antes, caminhou até o único espelho do quarto que ocupava grande parte da altura de uma das paredes e finalmente se permitiu olhar seu reflexo que mostrava claramente sua aparência aos 26 anos e não aos 36. Um tanto em choque, apoiou-se ao redor do espelho com ambas as mãos espalmadas na parede, desviando o olhar do espelho por um tempo somente para novamente, em seguida, voltar a olhá-lo. — Que porra é essa? — Sussurrou para si mesmo. Era tudo real demais, sabia que não estava sonhando, então… o que acontecera, afinal? A mente fria, por horas, tratou de calcular e interpretar tudo o que havia acontecido desde que abrira os olhos e essa sensação de realidade e ao mesmo tempo falta de pertencimento que sentia no peito, e a única explicação plausível ⎯ palavra que jamais utilizaria em voz alta quanto a esse assunto ⎯ era que havia, de alguma forma, retornado ao ano de 2014. — Merda.