Fiquei um pouco afastada do Tumblr novamente, tenho coisas pra escrever desde o natal que ficaram entaladas em mim, mas eu ainda não digeri 100%.
Bom, fui pra minha cidade natal no Natal, passei ver a minha avó e ver meu pai e cara, fui tão tensa daqui pra lá, eu rezava pra não o encontrar, pedia, quase implorava pra Deus fazer com que ele estivesse fora. Chegando lá desci logo ver minha avó, matar a saudades da minha baixinha, conversar e vê-la, enquanto isso, eu tremia por dentro, estava agoniada, ansiosa e com um medo absurdo, mas algo dentro de mim gritava, berrava que eu precisava tirar aquele peso das costas, pois se deixasse algum dia isso iria sucumbir dentro de mim.
Pois bem, peguei meu celular com as mãos trêmulas, suando e com toda incerteza do mundo do que iria fazer, mas fiz, achei o número dele e liguei, ali eu engolia seco, enquanto repetia mentalmente "não atende, não atende, não atende", mas ele atendeu e o "Oi, filha" ecoou pra minha mente adentro e eu me dei conta que já não lembrava de como era a voz dele, então meus olhos encheram de lágrimas e eu falei com a voz mais embargada possível "Oi, pai, estou na vó, desce aqui pra me ver" e ele só falou que já descia, então o nervosismo que já se instalava antes de eu decidir vê-lo triplicou e a menininha da época dos traumas se instalou dentro da minha cabeça gritando e pedindo socorro, enquanto "Oi, filha" era passado mil vezes nos auto falantes da minha mente.
Passou alguns minutos, que cá entre nós, pareciam eternos, mas ele chegou, do mesmo jeito que eu me lembrava, com uma calça de um tecido molinho de cor azul escura, sem camisa,com um boné da vasta coleção dele e um chinelo estilo aquele do Guga, sabe? Passou pelo portão, foi para a parte de trás entrar pela cozinha, e não, ele nunca entra pela porta da frente desde que eu me entendo por gente, eu NUNCA vi, e não, não é exagero, e também não posso explicar o porquê desse ato dele, só sei que sempre foi assim e nunca mudou. Fui lá e o abracei, meu coração parecia escola de samba, minha respiração estava tão entrecortada que parecia que eu tinha saído de uma maratona, mas lá estava eu, enfrentando meu trauma de frente, decidindo perdoar e tirar todo esse peso passado, no fim, subimos pra eu ver minha madrasta, que ainda não gosta de mim, mas ninguém é obrigado a gostar de ninguém, né? Ele me mostrou a coleção de canecas que ele mesmo faz, me deu 5, e ainda deu um carrinho roxo pra minha namorada, fomos no bar e tomamos 2 cervejas juntos, foi gostoso, eu admito, eu ainda estava nervosa, ainda sentia que o mundo ia cair ali em mim, mas estava após anos aproveitando um tempo com o meu pai.
Não pude ficar muito tempo, pois íamos para o sítio, abracei de novo e disse que voltaria ver ele antes de ir embora, fui para o sítio com uma sensação muito mais leve, acabou que foi menos difícil do que eu imaginava, passei o natal mais tranquila, bebi bastante, brinquei lá com os adultos de esconde-esconde e voltei pra ver ele antes de ir embora, bebemos mais uma cerveja juntos, descobri que ele está muito doente e isso me aflingiu demais, por um lado por ele ser meu pai, e o outro que as doenças que ele tem, eu tenho uma tendência horrorosa de ter, inclusive a minha enxaqueca crônica o qual ele tem também.
No fim, voltei pra cá e pensei muito em escrever, mas sabe quando você sabe o que está sentindo, mas não está totalmente digerido, e embora você queira escrever, pôr no papel, na tela, não vai, parece que tem um bloqueio e não sai da maneira certa? Passei por isso, agora numa madrugada que eu não consigo dormir, eu consegui soltar que apesar dos pesares, de ainda ser um assunto pesado, de eu ainda pensar em tudo, eu o perdoei e não por ele, e sim, pra eu poder viver melhor e entender que nem tudo vai estar no meu controle.