Grunhiu com o tapa em sua bunda, mordendo com força o próprio lábio inferior para conter um gemido. “Cunt.” Passou a mão na região enquanto virava o rosto para Kanto. Sorriu irritadiço, “oh, but you sure love them in your dick, papi.” Retrucou com cinismo dando-o dedo do meio. Voltou a atenção para o frigobar, se apossando de uma garrafa de refrigerante; não se surpreendera com a ausência de bebidas alcoólicas, não por ser um local de crianças uma vez que adolescentes também frequentavam aquele local e, bem, os tipos de crianças que apareciam por ali vinham de realidades em que beber na pouca idade não era incomum (especialmente no frio para esquentar o corpo) mas porquê, obviamente, deveriam acabar rapidamente. Também se permitiu respirar fundo, tomando um momento para esquecer da coxa formigando ou ou a ereção que incomodava, sendo estimulada pelo tapa; se não tivesse sido ele quem sujeitara aqueles contatos, diferente de outrora no apartamento, teria insistido em continuar considerando que provocá-lo além do limite era sua diversão, mas sabia a hora de parar. Não iria forçar o outro a querê-lo, ou se oferecer mais que o fizera… embora soasse tentador. Estava ridículo o suficiente para a noite, suspirou.
Ta Oh arqueou uma sobrancelha ao que o outro abriu novamente a boca, instintivamente olhando ao redor do local ao lembrar-se de sua própria juventude gasta naquele espaço. “Hm… well, I spent a lot of time here with other kids.” Abriu o refrigerante, encostando contra a parede ao lado do frigobar enquanto deixava o olhar percorrer as paredes e móveis. Antes haviam mais brinquedos, sucatas de neon e colchões, assim como goteiras e ratos; mas nada impedia a diversão. “I was just as homeless as them, so this place was heaven. It was a lot simpler, but still felt like neverland.” Sorriu fraco, relembrando das brincadeiras infantis mesmo que estivesse em seus quinze anoz. Aquele fora, muitas vezes, o local que o salvara de crises de pânico, e piores, durante a época do debut de Yoichi – época em que mais sofrera, tendo sido quando tomavam os remédios e eram obrigados a frequentar o médico por Abe acreditar que, daquela maneira, se livraria de Tae Oh. Aquele pedaço onde não precisava conter-se e agir com a imprudência digna de um adolescente significara muito para ele. Se analisasse era um pouco estranho compartilhar o local com Kanto, mas não era como se estivesse apresentando-o aos motivos reais de adorar a caverna. Meneou a cabeça para os lados, interrompendo a dispersão. “I noticed the music sheets at your place. You don’t look like someone who would play such a delicate instrument.” Tomou um longo gole do refrigerante, passando a língua sobre os lábios, em seguida, para retirar umidade.
Acompanhou-o com o olhar, rindo baixinho com o evidente alívio do mais velho ao retirar as espadas. “You were sexier with them, tho. Now you’re just normal.” Pendeu a cabeça para o lado, mordendo o lábio inferior. “Although I still would… oh, I forgot you wanted a break.” Murmurou uma desculpa em seguida, sorrindo de canto; I still would love to see you in your knees, completou mentalmente. Riu soprado com a pergunta, se desencostando da parede. “I won’t judge you, I was looking for the same thing.” Botou um bico nos lábios, levando a garrafa novamente à boca. Fazia tanto tempo que somente se deliciava do álcool que o gosto açucarado e gaseificado do refrigerante era viciante em sua boca, preenchido de nostalgia. “But no. Only soda and water.” Soltou um sopro debochado, “uh,” sentando-se no braço de um dos sofás próximos. “Talk for yourself.”
Retornou a atenção ao mais velho, assistindo-o ajeitar as bolas sobre a mesa. Somente negou o convite com um gesto de cabeça, levando a destra aos fios descoloridos e os bagunçando. Não estava com muito ânimo para jogar, ou melhor, ficar próximo de Kanto. Seria melhor tomar um tempo, estando ainda afetado pela sensação de seus toques. E mencionando sua falta de filtros como consequência da excitação, sorriu com o canto dos lábios, encostando o cotovelo sobre o encosto do sofá. “Such a nice angle.” Murmurou para si mesmo, apreciando a visão do outro flexionando-se com taco enquanto dava a primeira tacada. Fazia-o imaginar como seria tê-lo spraweld out against the table, moaning his name while he turned him into a mess. Holy Fuck. Aquilo não funcionaria. Terminou de virar o líquido pela garganta, desejando que fosse álcool. “It’s nice to watch your ass from here but I’ll give it a go.” Passou as costas da mão na boca, colocando a garrafa vazia no chão ao levantar-se, caminhando em direção a mesa de sinuca. Pegou um taco também, apertando as pálpebras por poucos segundos ao que flexionava o pescoço. “Shit. I need more alcohol.” Se ajeitou sobre a mesa, dando uma tacada. “Even.” Murmurou, puxando os fios de cabelo para trás com um fraco sorriso satisfeito, ao que a bola seis desceu pela caçapa.
Assentiu com a cabeça, demonstrando prestar atenção no relato do outro e se sentindo meio estranho de receber informações assim, que soavam tão íntimas. O olhou por um segundo à menção da última noite em que estiveram juntos, as partituras espalhadas em seu apartamento. “I was a music major, I’ve played the piano for a long time,” ele deu de ombros ao recordar sua faculdade e riu sem humor. “You don’t look like you could throw a good punch either, but guess what, looks are deceiving.”
Encarou Taeoh com escárnio após remover as espadas de sua roupa, levando o mero comentário como uma provocação em relação a pausa que pediu deixando Kanto tentado a fazê-lo engolir suas palavras, mas não disposto a sair perdendo com ou uma ereção mal resolvida ou calças sujas; especialmente quando Kanto estar em suas mãos parecia ser justo o que Taeoh queria. “Am I, are you sure?” Perguntou, a small smirk on his lips. “By the way you look at me I would hardly tell I’m just normal.” Ao receber a resposta de sua pergunta, Kanto resmungou em compreensão, mais ignorando-o do que respondendo-o.
Após a primeira tacada não render nenhuma bola encaçapada, Kanto virou o rosto e sorriu um pouco presunçoso. “You might bite once in a while, but you sure do bark a lot.” Mordeu o lábio inferior e tornou a se concentrar na mesa, analisando as novas posições das bolas. “Especially when it comes to my butt.” Para ser honesto, Kanto podia entender o comentário alheio sobre observar nádegas enquanto corria os olhos rapidamente pela posição de Taeoh. Conforme o mais novo jogava e atingia uma das pares, Kanto levou uma mão ao pescoço que ardia e fez uma careta ao ver um pouquinho de sangue em seus dedos. O filho da puta tinha realmente o machucado. “Odd,” ele comentou mais pela ironia do duplo sentido do que como uma constatação óbvia do jogo. Estalou a língua ao vê-lo acertar a caçapa e se pôs em posição novamente ao ajeitar sua postura. Mirou na bola nove, que não estava atrapalhando ou no caminho de uma par, comprimindo os lábios num sorriso apertado ao vê-la passar pela caçapa também. Estendeu o taco ao estar em postura ereta novamente, cutucando a perna de Taeoh com ele. “Your turn.”