arqueou as sobrancelhas com o comentário alheio, surpreendendo-se com este. “só para a sua informação, ainda tenho somente vinte e sete anos, então tenho muitos anos ainda até ter experiência para assumir um encargo de tia dos gatos.” retrucou, embora com bom humor e leveza em suas palavras. “para te falar a verdade, eu tenho cinco irmãos mais novos. meio, sabe, que cuidar de crianças já é algo que eu estou acostumada tem muito tempo… e sim, eu sei que seis filhos é um monte.” sorriu de canto, dando de ombros. estaria contando muito mais do que uma simples mentira se a vida com a família sempre fora fácil, mas mesmo com as cicatrizes que se vinculavam com vários de seus problemas do presente, significava muito para hyena; a perspectiva de formar, no futuro, uma família que pudesse chamar de sua, a agradava plenamente. “os gatinhos já podem marcar uma tarde para brincar entre eles, desse jeito.” gracejou, apoiando um dos braços sobre a mesa e observando a garotinha que acompanhava o pai. quando escutou-o repetindo as palavras que a filha proferira, conseguiu apenas arquear as sobrancelhas mais uma vez em resposta, como era algo um tanto peculiar de reagir; não sabia nada sobre a tal esposa dele, ainda que suspeitasse que a mesma existia pela aliança em seu dedo. “ah, não se preocupa. sou do tipo que monta tudo que precisa fazer adiantado, não consigo ficar muito tempo parada. fico nervosa por pensar que posso estar deixando algo passar.” explicou, mordendo o interior da bochecha. estava prestes questionar sobre suas considerações quanto à construção de personalidade dos personagens, quando jiae capturou novamente suas atenções e arrancou mais um sorriso de hyena. “você tem sorte de ter uma filha assim, apesar de eu duvidar que seja a primeira vez que ouve isso. ela tem quantos anos, mesmo?” questionou, não se recordando se ele já havia mencionado a informação. “ela é uma artista.” sorriu, indicando com a cabeça o desenho que a pequena iniciava em sua folha. com a pergunta seguinte de taeil, a mulher até mesmo tomou um gole de seu café para se preparar em relação a como o responderia - céus, o temor que sentia de ele acabar se arrependendo de ler o seu livro beirava o indescritível. “seri é quem conta para a yoohwa que a irmã dela está, como você já sabe, desaparecida já faz mais de um mês… também, ela é quem eu planejei ser a pessoa que conta que existe um policial envolvido, que possa ser ele quem está matando as garotas, por já ter aparecido na área, estar numa gravação de câmera de segurança seguindo uma das meninas que morreram, etc.” tentou verbalizar suas ideias, respirando fundo antes de já prosseguir. “basicamente, eu estava pensando que ela poderia acabar morrendo mais na reta final, como uma forma de indicar que quem era realmente o responsável ainda estava solto… e que queriam silenciar ela, por ter aberto a boca sobre a real identidade do assassino.”
expressou surpresa com o número de irmãos mencionados por ela, rindo em seguida. “cinco?? eu tenho dois e já achava ruim.. que guerreira. desculpa te chamar de tia dos gatos, agora você é oficialmente uma guerreira nos meus olhos” não sabiam muita coisa um sobre o outro, mas se perguntava se hyena gostaria de um dia ter filhos também, já que famílias grandes muitas vezes acabavam encolhendo pois seus descendentes sabiam bem a dificuldade que era criar mais de uma criança no mesmo ambiente. a menina, antes de interromper a conversa, olhou hyena com mais carinho, mas envergonhada, abaixou a cabeça e voltou a brincar com seu gato de pelúcia, dessa vez com um leve sorriso no rosto. “meu sonho é ser organizado como você, depois que essa aqui nasceu eu vivo perdendo tudo em todo lugar” ajeitou a franja da filha, para que não a atrapalhasse enquanto desenhava. sorriu com o comentário de hyena, pois tinha plena certeza do quão sortudo era de ter jiae em sua vida, especialmente depois de acontecimentos infortunosos. “ela é meu tesouro. e completou 3 anos faz pouco tempo. no exército eles não te ensinam a trocar fralda, mas deveriam, porque olha.. fez falta” riu com o próprio comentário, lembrando dos primeiros dias que esteve em casa com a bebê e dos desastres que só um pai de primeira viagem consegue presenciar. “desculpa, você pode me cortar se eu falar demais, sou meio tagarela. vou focar no livro” limpou a garganta e adquiriu uma expressão mais séria enquanto ajustava o óculos em seu rosto, abrindo os arquivos em seu ipad para que pudesse acompanhar a explicação dela. conforme hyena falava, taeil anotava em seu esquema toda as relações entre as personagens, com sua letra meio bagunçada por estar anotando com pressa. até então, estava bastante ansioso com a história, pois era bastante promissora e ela saber dosar o clichê com as inovações. além disso, protagonistas mulheres eram sempre refrescantes. “entendi, pra dar o encaminhamento para o final do livro você introduz a morte dela e essa seria como a prova final para conectar os casos, isso?” levantou o olhar brevemente, apenas para confirmar se estava indo na direção de raciocínio correta. “você já viu aquele filme, como é o nome.. um olhar do paraíso? que o fim é inconclusivo? você pretende seguir essa linha ou realmente prender o cara? porque são muitos poucos os livros que usam esse recurso e p-” fechou os olhos por um momento ao sentir a mãozinha de jiae puxar sua camisa, olhando para a menina, que questionou do que se tratava a palavra ‘assassino’. “é uma pessoa muito má, que machuca as outras” e recebeu uma carinha de espanto em resposta, enquanto trazia a menina para seu colo. “mas você está segura com o papai, não se preocupe. esse moço mau existe apenas na história da hyena-ssi e ele vai pagar, né?” sorriu, olhando para a mulher a sua frente. virou o ipad na direção da moça, no que parecia ser outro rascunho, completo de anotações e rabiscos da cor vinho, marca registrada de taeil. “esse é o documento que você me mandou semana passada, fiz as correções e enviei uma cópia para o seu email hoje de tarde. estamos progredindo bem, você aprende rápido! tenho certeza que a editora não vai pegar pesado conosco”