A Thousand Years
Há amores que chegam cedo demais.
Tão cedo que o mundo ainda não sabe como permitir que permaneçam.
E talvez tenha sido isso conosco.
Você foi meu primeiro amor, e eu fui o seu. Duas almas ainda imaturas tentando entender por que o coração conseguia sentir algo tão infinito dentro de vidas tão pequenas.
Então a vida veio.
Com suas distâncias, seus silêncios, seus anos atravessados no meio do caminho como oceanos impossÃveis de atravessar.
E nós nos perdemos.
Ou pelo menos era isso que parecia.
Porque existem pessoas que nunca vão embora completamente.
O tempo pode afastar corpos, mudar rostos, destruir rotinas, fazer nascer novas dores, novas versões de quem fomos… mas há amores que permanecem escondidos em algum lugar intocável da alma.
E durante todos aqueles anos, mesmo sem você, havia partes minhas que ainda pertenciam silenciosamente à lembrança do que fomos.
É estranho pensar nisso agora.
Como duas pessoas podem viver vidas inteiras, atravessar o mundo, se perderem tantas vezes, e ainda assim carregarem dentro do peito o mesmo lugar de retorno?
Talvez porque certos amores não acabam.
Eles apenas esperam.
Esperam o tempo amadurecer as dores, esperam o orgulho cansar, esperam a vida ensinar o valor de alguém que um dia foi casa.
E então, quando tudo finalmente se alinha, o universo devolve um ao outro aqueles que nunca deixaram de se reconhecer.
Talvez seja verdade: aqueles que estão destinados a ficar juntos primeiro são separados pela vida.
Porque alguns amores precisam sobreviver à ausência para entenderem que nasceram para permanecer.
— J.P.















