CapĂtulo 10 - Namoro, sim ou nĂŁo?
Carla narrando:
Eu tenho que parar com isso. EstĂĄ se tornando um hĂĄbito. NĂŁo, hĂĄbito nĂŁo, estĂĄ mais pra vĂcio.
E por fim, eu acabei acordando ao lado dele. DE NOVO. Não que isso fosse ruim. à bom. Muito bom... MAS TEM QUE PARAR DE ACONTECER.
Grunhi tentando me soltar do braço dele. InĂștil.
âTomas! â Berrei ĂĄ plenos pulmĂ”es.
Droga, de novo nĂŁo. â Pensei, enquanto Tomas caĂa no chĂŁo duro como da primeira vez.
âCarla, Ă© serio vocĂȘ tem que parar de me acordar desse jeito. â Murmurou, deitando-se outra vez do meu lado. Foi inevitĂĄvel rir.
âDes... Descul... Desculpa. â Disse eu entre risos. Ele apenas resmungou alguma coisa e tentou voltar ĂĄ dormir. Tentou.
âTomas!Levanta!JĂĄ estĂĄ tarde. â Resmunguei o balançando como um pequeno bebezinho. O meu bebezinho.
âMinha doce queen bee, deixe-me dormir, sim? â Sussurrou um pouco abafado pelo travesseiro. Queen bee... Ele acha isso engraçado?NĂŁo que abelha rainha seja um apelido feio, Ă© muito fofo, mas eu nĂŁo sei se era pra ser fofo.
âSuas demonstraçÔes de lĂngua estrangeira nĂŁo vĂŁo ajudar em nada. Levante logo daĂ.
âNĂŁo, nĂŁo e nĂŁo. â Riu e me agarrou em um meio abraço, como o de quando acordei. Seus olhos escuros e brilhantes pareciam rir de mim em uma piada interna. âEu mereço dormir, sabe?VocĂȘ me deixou bem cansado.
Corei violentamente com a afirmação. Quando percebeu isso sorriu. NĂŁo um sorriso fofo, ingĂȘnuo e infantil, mas sim o sorriso safado, malicioso e com segundas, terceiras e quartas intençÔes.
Nos olhamos, apenas esperando um de nĂłs quebrar o maldito silĂȘncio.
Bem, nĂŁo foi preciso. Dei um pulo quando ouvi o som altĂssimo do meu telefone tocando.
Tomas o pegou de cima da cÎmoda e me entregou. A palavra sogra brilhava irritantemente na tela. O que só poderia significar uma coisa: Bernardo voltarå de sei lå onde e pedira a querida mamãe para ligar por ele.
Bufei e desliguei o telefone.
âQuem era?
âNinguĂ©m Tomas, ninguĂ©m. â Eu disse gesticulando com as mĂŁos demonstrando toda a minha irritação.
âEsse ninguĂ©m deve ser muito irritante entĂŁo.
O olhei como se eu dissesse:Â Jura querido?Eu desliguei na cara da pessoa, tem alguma possibilidade do indivĂduo em questĂŁo nĂŁo ser irritante?
âHum, sim, muito irritante. â Revirei os olhos enquanto dizia.
âEntĂŁo, comida? â Perguntou ansioso. Ri com repentina mudança de assunto.
âClaro! â Gritei animada. TĂŁo animada que peguei um travesseiro e o arremessei contra Tomas.
âHĂĄ!EntĂŁo Ă© assim nĂŁo Ă©? â Assenti para a pergunta. â EntĂŁo Ă© guerra!
Corri enquanto ele vinha com um travesseiro em minha direção.
NĂŁo sei como, mas paramos no sofĂĄ. Ele por cima de mim, me segurando no lugar e em suas mĂŁos estava estava o travesseiro.
âCarla, sei que nĂŁo Ă© muito romĂąntico e muito fora de hora, mas quer ser minha namorada?
Choque. Meus låbios se abriram e tenho certeza de que se eu estivesse em pé meu queixo estaria no chão.
âTem razĂŁo, Ă© muito fora de hora.
Ele bufou, com certeza nĂŁo era a resposta que esperava. Ele ia dizer algo ĂĄ mais, mas o calei com um beijo. NĂŁo era um dos âpra lĂĄ de calientesâ, mas sim um romĂąntico de tirar o fĂŽlego.
âSim, quero ser sua namorada. â Afirmei quando o ar faltou.
âCarla?...- Uma voz soou atrĂĄs de nĂłs. E, na porta, tinha tantas pessoas que eu nĂŁo sabia como era possĂvel. Entre elas, estava o meu ex-noivo patife.











