Capítulo 15 - Quando estou do seu lado. - Epílogo
Carla narrando:
A praça do bairro é muito bonita. Tem flores, uma lago e enorme. Tomas me levou até um banco que tinha perto do lago, ele se sentou e esperou que eu sentasse a seu lado.
–Carla, eu...
–Você lembrou.
–Não... Eu só queria fazer umas perguntas sobre...
–O que aconteceu no passado? - Completei, observando o seu rosto. Ele parecia nervoso, estava suando.
–Como... Como nos conhecemos?Como começamos a namorar?Por que eu sinto que ainda te amo?
A última pergunta me pegou desprevenida. Eu não sabia o que fazer, e sem meu consentimento, eu comecei a chorar.
–Oh, d-de-desculpe, Carla. - Ele envolveu seu braço em meus ombros e me puxou para mais perto. Toda a tristeza que eu tinha condenado apenas pra mim, voaram dentro do meu coração e fizeram de meu rosto um lago salgado.
–To-Tomas... Me desculpe. - Eu disse, enxugando as minhas lágrimas.
Contei nossa história a ele. O clima amenizou. Ele ria e fazia cometários sobre si mesmo na história, como se não fosse ele o personagem.
Eu parei de falar. Tinha chegado a hora de contar sobre o acidente, a pior parte da história. Comecei calmamente, comentando algumas partes. O momento em que saímos do apartamento, até... O momento em que ele caiu da escada.
Ele não falou nada mais. Colocou seu rosto entre as mãos.
–Vamos para casa, bee.
Segurou minha mão e segui ao seu lado até chegarmos em casa. Eu fique muito preocupada, no que ele estaria pensando?
–Tomas? - Leila chamou, quando passamos pela porta.
–Eu estou aqui, mãe. - Respondeu com um meio sorriso. Não parecia mais o homem abalado que estava ao meu lado há poucos segundos. Leila olhou das nossas mãos até o sorriso dele e sorriu pra mim.
–Papai!Mamãe! - Clarisse apareceu gritando. Tomas a pegou no colo e eu beijei sua testa. A alegria dela era o que importava agora, e, de certa forma, eu imaginava Tomas também pensando assim.
Começou a chover. Trovoadas fizeram com que eu e Clarisse gritássemos. Tomas tentava não rir enquanto abraçava Clarisse e eu me agarrava a seu braço.
–Eu ouvi passos. Tomas vai ver o que é. - Leila falou, assustando Clari, que se encolheu mais no abraço do pai.
Tomas revirou os olhos, dizendo que a mãe estava ouvindo coisas. Me entregou Clarisse e foi verificar.
–É apenas uma caixa. - Afirmou confusamente, voltando da porta com uma pequena caixa nas mãos.
Clarisse tirou os olhos do meu ombro e espiou por entre os cabelos.
–O que tem aí?
–Eu sei lá.
–Então abre!
–Eu não!Vai saber o que tem aqui dentro, e se for uma bomba?
–Tomas, abre logo isso! - Me estressei, metendo-me na discussão deles.
Ele depositou a caixa no chão (Com um cuidado desnecessário) e abriu. Clarisse desceu do meu colo querendo ver o que era.
–É de pelúcia? - Indagou, olhando o interior da caixa. Do lugar onde eu estava, conseguia ver apenas pelo branco.
–Não parece ser de mentira. - Falei, me aproximando.
–É um gatinho! - Clarisse gritou, entusiasmada.
–Clarisse, são dois! - Ri, pegando os dois de dentro da caixa.
Tomas deu dois paços pra trás e colocou a mão sobre o nariz.
–Oh, você é alérgico Tomas. - Leila lembrou.
–Mas eu não! - Clarisse riu pegando os dois no colo. - Podemos ficar com eles?Sim?Sim?Sim?
–Contanto que eles não se aproximem de mim. - Murmurou Tomas.
–E que não estrague minhas plantas. - Acrescentou Leila.
Clarisse olhou pra mim. Faltava apenas a minha aprovação.
–Escolha os nomes querida. - Sorri, obviamente que eu gostaria de ter gatos andando pela minha casa sujando as minhas coisas, miando sem parar e me aranhando. Mas eles eram muito fofos.
–Mingau e Tapioca!
Rimos por tanto tempo que eu não sei quanto foi. Mas o importante é que agora tínhamos dois novos integrantes na família: Mingau e Tapioca.
–Mamãe, vamos ficar todos juntos agora? - Clarisse perguntou-me antes de dormir. Eu estava sentada na beirada da cama e ela já estava deitada.
–Sim. Todos nós.
–Até mesmo Mingau e Tapioca?
–Sim, eles também. - Me surpreendi quando Tomas apareceu na porta. Feliz. Os dois sorriam. Era só o que eu precisava.
–Boa noite meu anjo. - Beijei a testa de Clari. Tomas fez o mesmo e saímos do quarto depois que ela pegou no sono.
–Carla... Sei que faz muito tempo... - Começou a falar, enquanto andávamos pelo corredor. - Mas sinto que isso pode dar certo.
–Isso o quê? - Perguntei, desviando os olhos.
–Nós dois.
E... Me beijou. Nossa, como senti falta dos seus lábios. Ele parecia receoso, com medo da minha reação. Retribui o beijo e segurei sua nuca, com de que ele se afastasse.
–Isso vai dar certo. - Prometi. Certa de que faria tudo para ficarmos juntos. Sempre.















