Vigário Geral, Mangueira, Complexo do Alemão - Rio de Janeiro, Brasil.
“Olhe as crianças que é o futuro e a esperança...”

seen from United States

seen from United States

seen from Türkiye

seen from United States
seen from China
seen from United States
seen from Yemen

seen from United States
seen from Poland
seen from China

seen from Netherlands
seen from China

seen from Malaysia
seen from United States

seen from Russia

seen from T1
seen from T1

seen from Japan

seen from Malaysia

seen from United States
Vigário Geral, Mangueira, Complexo do Alemão - Rio de Janeiro, Brasil.
“Olhe as crianças que é o futuro e a esperança...”

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming
Em 1993, quando não deu mais para disfarçar que a Cidade está Partida.
“Na verdade, já existiam então “duas cidades” ou uma cidade partida, mas a convivência amena, a obediência civil, a falta de antagonismos de classe e a despreocupação com os problemas sociais nem sempre deixavam perceber que havia um ovo de serpente chocando no paraíso.” p.6
“Nessa terra em que as fronteiras são sempre tênues, imperceptíveis para quem vê com os olhos de “cá”, os contrários convivem: a alegria e o pranto, a miséria e o prazer, a violência e a solidariedade, a fé e o crime, o tráfico e a vida honesta, a glória efêmera e a resistência muda, o medo, a crueldade e o terror — um cotidiano feito de sofrimento, mas também de uma esperança que às vezes parece inútil. “ p.6
“Um desses políticos se transformou no mais duradouro símbolo da violência política no Rio: Tenório Cavalcanti. Deputado recordista de votos, candidato duas vezes ao governo do estado, prócer da uDN, o Homem da Capa Preta dominou Duque de Caxias e parte da Baixada Fluminense durante a década de 50.”
(…)
“Carregando sempre um Colt 28 folheado a ouro e uma metralhadora — a Lurdinha — que era exibida como um acessório inseparável, Tenório fez sua carreira política ali, dando e recebendo tiros. Em 1953, ele estava com 47 anos e dizia ter o mesmo número de cicatrizes de balas disparadas por desafetos — políticos, policiais e marginais. Em agosto desse ano, Tenório sofreu um atentado que atribuiu ao delegado de Caxias, Albino Imparato. Três dias depois, Imparato e o matador profissional Arnaldo Bereco eram mortos por uma rajada de metralhadora. Acusado do crime, que ele teria executado pessoalmente, o Homem da Capa Preta refugiou-se em sua casa, chamada defortaleza.
Quando a polícia tentou invadi-la, parlamentares udenistas se reuniram no interior em «vigília cívica» “. p.13
“Nessa abertura política pós-45 já se podia observar o que seria confirmado em outra abertura, umas três décadas depois: a democracia brasileira nunca esteve habituada a visitar prisões. “
“ Kruel respondeu à interpelação dos comerciantes com a garantia de que adotaria medidas drásticas. Se fosse preciso, prometeu, autorizaria “o extermínio puro e simples dos malfeitores”. Só assim bandidos como Coisa Ruim, Buba, Praga de Mãe, Paraibinha e Buck Jones deixariam de aterrorizar a população. Dois deles, Mineirinho e Cara de Cavalo, iriam ficar como símbolos da criminalidade dos anos dourados. A morte espetacular deles, em operações de guerra executadas pela polícia, envolvendo milhares de homens armados, inaugurou os tempos modernos. “ p.19
“A chegada a essa favela plana exige um esforço inesperado: é preciso antes subir e descer 45 degraus. Uma passarela apanha o visitante do lado asfaltado e o conduz a nove metros de altura, sobre a via férrea, depositando-o do outro lado, num larguinho que funciona como um hall de entrada.” p.31 (sobre a entrada no Vigário Geral)
“A operação que iria exterminar 21 pessoas começou na noite de 28 de Agosto de 1993, um Domingo, e terminou na madrugada de segunda-feira. A primeira ação foi na praça Córsega, na parte asfaltada do bairro. Eram onze da noite quando homens fortemente armados mataram um rapaz, feriram uma mulher e destruíram uma motocicleta. Em seguida,dirigiram-se para a vizinha praça Catolé do Rocha e incendiaram cinco trailers de venda de refrigerantes e cachorro-quente.
Depois, atravessaram a linha férrea e invadiram a favela.
Às 11 h45 chegaram a uma birosca onde umas oito pessoas bebiam cerveja comemorando a vitória da Seleção Brasileira contra a da Bolívia. Os encapuzados se identificaram como policiais e pediram documentos aos presentes. Em vez de examinar as provas de trabalho apresentadas, jogaram uma bomba de efeito moral e começaram a atirar. Em poucos minutos, havia sete corpos estendidos no bar.
O alvo seguinte foi a casa em frente, onde morava uma família de crentes da Assembleia de Deus. Foram executadas oito pessoas, inclusive os pais, Gilberto Cardoso dos Santos e Jane, que morreu abraçada a uma Bíblia. As cinco crianças conseguiram fugir enquanto os matadores discutiam se deviam ou não matá-las. Ao mesmo tempo, em outras ruas da favela, mais cinco pessoas eram assassinadas por outros comandos.” p.38 e 39 (sobre o massacre do Vigário Geral)
“Embora os dois massacres apontassem na direção da polícia e não dos marginais, a sensação generalizada era de que a cidade estava entregue aos bárbaros. A tentação da solução final, já observada em outros momentos, com a remoção radical de favelas e a liquidação de pobres, ressurgia de forma recorrente. Se a ameaça vinha das “classes perigosas”, da “outra” cidade, por que não apartá-las, pela força, pelo confinamento ou pelo extermínio? “ p.50
“O tom não é de queixa e ele não se mostra disposto a se demorar no assunto. Entra logo no seu tema preferido: a “comunidade”. Naquela semana, fora prestar depoimento no Fórum. Teme que o processo sobre a chacina não dê em nada. Ficou impressionado com o número de advogados que os acusados levaram, uns quarenta.” p.58
“Os dois sabem que os tempos são outros. Hoje há o tráfico e nenhuma escola política surgiu para substituir a do Partidão.” p.59
“Dois representantes dessa “escola”, Jane Souto de Oliveira e Yedda Botelho Salles, já haviam apontado em seu trabalho a “falta de lobby” e a tendência dos parlamentares cariocas de preferirem ser porta-vozes da Federação em vez de o serem da cidade. “Onde estão as vozes do Rio?”, perguntavam elas. Com humor, forneciam um divertido exemplo para ilustrar essa mania de grandeza carioca. Em outros lugares, os jornais se chamavam O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Diário de Pernambuco, Estado de Minas. “No Rio, se chamam O Globo e Jornal do Brasil”, constatavam Jane e Yedda.”
“O relatório final das sessões, preparado por Luiz Eduardo, reconhecia que era urgente "libertar as favelas e periferias" , mas isso não podia ser feito com a “invasão socialmente irresponsável”. Nesses casos, a ação policial só contribuía para empurrar a população para a área de influência da liderança marginal. A presença do poder público nas zonas pobres da cidade não podia se fazer sentir apenas pelo seu braço armado. “Não há cidadania possível sob fogo cruzado”, dizia o documento. “ p.81
“O chefe da equipe Furacão 2000, Rômulo Costa, lembrou que o fenômeno funk existe no Rio há vinte anos, quando havia o Black Rio, inspirado no Black Power americano, e semente do funk. Já havia um forte preconceito e uma grande resistência à organização por parte dos órgãos de repressão militar.” p.87
“Às oito da manhã do dia de Natal, a favela de Vigário Geral começou a ser ocupada por policiais do Bope — Batalhão de Operações Especiais. Vestidos de preto e armados com fuzis e metralhadoras, dezesseis homens tomaram posição de combate na entrada da favela, junto aos dois orelhões públicos, e ao longo da rua principal, a rua da chacina. Alguns rojões deram o sinal para a tropa de Flávio Negão, avisando que a favela estava sendo invadida. Os moradores entenderam que deviam se retirar das ruas. Em poucos minutos, a frente da Casa da Paz, lotada, foi se esvaziando. O fantasma de uma nova chacina estava de volta.
Caio, que chegara à favela às sete da manhã, tentava acalmar os moradores, mas era difícil explicar a pessoas ainda traumatizadas pela violência policial que aqueles soldados em estado de guerra — alguns deitados no chão, outros apontando armas, todos em posição de tiro — estavam ali para festejar a inauguração simbólica de uma casa cujo nome era justamente “da Paz”, em memória aos oito inocentes assassinados em seu interior.
Os mais constrangidos eram os próprios soldados. O comandante da tropa, um jovem tenente chamado Ronaldo, se desculpava com os organizadores: “Estou aqui cumprindo ordens. Preferia estar em casa com minha família num dia como hoje” . Também ele não entendia a razão daquele aparato, já que a festa era de paz. O tenente Ronaldo achava que se devia ligar para o secretário de polícia, Nilo Batista. “Isso não deve ser coisa dele. É de gente que quer ser mais realista que o chefe” , disse ele. O problema é que Nilo Batista não era encontrado em nenhum lugar, nem no celular. Informavam que ele estava a caminho, num helicóptero, em companhia do pastor Caio Fábio.
Não havia só constrangimento, mas muita tensão. Minutos antes, um soldado da PM dera uma corrida em um traficante armado que, desobedecendo ordens, estava lá no fundo da rua. A sorte é que o bandido preferiu correr a atirar. Um tiro de qualquer um dos lados poria a festa a perder.” p.95
“Dali a alguns dias, o grupo ia discutir o novo espetáculo e ela introduziria uma discussão temática. “Tem que ter mais fantasia”, ela diz e a revelação me surpreende, com essa nossa tendência de achar que valores como prazer, sonho, fantasia são signos exclusivos de classe.” p.98
“É curioso como, nas comunidades pobres, o nosso etnocentrismo preconceito se manifestam mais frequentemente quando encontramos não o feio, mas o belo. A sensação é sempre de inadequação. É como se fosse uma impropriedade. “Como é que pode! Uma menina tão bonita e inteligente aqui nessa miséria!”, pensamos sem dizer. Parece que nos espantamos menos com a injustiça social do que com a desigualdade estética.” p.98
“Em matéria de juventude pobre, até a pergunta está errada. Não é “por que tantos jovens estão no tráfico?”, mas “por que tantos ainda não estão?”. Ainda não estão talvez por falta de vagas. Do balcão da tendinha dá para ver um bom pedaço do Rio e do Brasil. Quase em frente, à direita, está um grupo que resiste, mas que a cada dia é empurrado para a marginalidade.” p.101
“Mas nem pensar. O homem que a carrega não tem cara de bons amigos. Não cumprimenta quando passa — ao contrário de outros soldados que fazem questão de parecer gentis e ostenta um legítimo figurino destroyer. É o próprio desconstrutivismo belga que está ali. Na cabeça, um gorro ninja. Na cara, uma barba desarrumada. Uma jaqueta de plástico imitando couro cobre pela metade uma camisa estampada com a fralda por cima da bermuda. O tênis, sem cordão, está enlameado. Não é uma moda pura, mas malhada. Mais expropriação do que apropriação. Ela vai buscar inspiração entre os excluídos — os sem teto, os miseráveis e os bandidos — e acaba sendo usada por eles. Trata-se de um dinâmico intercâmbio comercial: o asfalto consome a cocaína da favela e esta, à sua maneira, a moda do asfalto. “ p.101
“Boi é uma ilustração para a tese do antropólogo Luiz Eduardo Soares, que acha inútil querer embarcar esses meninos no trabalho embrutecedor ou na disciplina castradora da Primeira ou da Segunda Revolução Industrial. Eles preferem a sedução da revolução pós moderna. Luiz Eduardo observou que eles acham “mais encantadores os caminhos estéticos, esportivos, da alta tecnologia, da informática avançada, da televisão e do showbusiness”. É isso ou “a glória fugaz da marginalidade”. Não adianta chamar a Polícia; é melhor chamar o Fantástico. “
“Salo quis saber se o pastor pretendia usar toda a área e ele disse que sim, que era “condição sine qua non” — e perguntou onde iria arranjar recursos para sustentar aquele delírio. — Junto aos parceiros — respondeu logo Caio — e o maior deles é Deus — acrescentou,com a segurança de quem tinha procuração para anunciar o sócio principal. — Se Ele está no negócio, outros parceiros aparecerão — completou. “ p.142
O tom não é de queixa e ele não se mostra disposto a se demorar no assunto. Entra logo no seu tema preferido: a "comunidade". Naquela semana, fora prestar depoimento no Fórum. Teme que o processo sobre a chacina não dê em nada. Ficou impressionado com o número de advogados que os acusados levaram, uns quarenta.
Zuenir Ventura em Cidade Partida, p.58
A chegada a essa favela plana exige um esforço inesperado: é preciso antes subir e descer 45 degraus. Uma passarela apanha o visitante do lado asfaltado e o conduz a nove metros de altura, sobre a via férrea, depositando-o do outro lado, num larguinho que funciona como um hall de entrada.
Zuenir Ventura em Cidade Partida, p.31 (sobre o acesso ao Vigário Geral)

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
Free to watch • No registration required • HD streaming