Olhe quem vem por ali! Não é aquele vampiro? Seu nome é Shin Won Gyun se não me engano, e ouvi dizer que tem 23 anos, embora os boatos apontem que na verdade tenha 398 anos. Ele parece bastante com o Im Jaebum, e vem andando bem ocupado.
Ocupação: Dono do Uisun Hotel Group.
Posicionamento: Diante do tratado de Pacem, nome do seu char é aparentemente a favor.
Afiliação: Caçadores.
Nacionalidade: Coreana.
Player: Eli.
- WARNING: assassinato, tortura, gore.
Era inverno em Hanseong, a capital do reino de Joseon, e estava em meio uma guerra, quando Won Gyun abriu os olhos, novamente, após morrer. Para alguns, um milagre; aos outros: uma maldição. Para ele, no entanto, era o suficiente; só de estar vivo já era uma dádiva. Contudo, nada foi pior do que relembrar toda a dor ante morte. Era como se um flashback contínuo passasse por sua mente e o assolasse por inteiro, sem contar na visão defeituosa e os sentidos todos aguçados. Para chegar até esse ponto, passou por uma infância até que boa, ainda que estivesse com dias contados para uma guerra iminente, que acabaria com parte de sua descendência e dignidade.
Há quinze anos nascia o jovem filho do militar Wun com a princesa Yi Uisun. Mesmo que fosse de berço de ouro, ele foi designado pela corte para atuar como soldado, ignorando qualquer chance de tornar-se herdeiro, por hora; por mais que não fosse descartado da linhagem, Gyun ainda tinha de competir com os primos e por isso, para não ser apenas mais um, ocupou-se com a guarda e em aprender o que precisava com seu pai. Aos dez anos, com o apoio de seu avô – induzido pela princesa, sua mãe – tornou-se um soldado, mas não atuou em batalhas por ter de conservar-se e ser muito pequeno. Invés disso saía para caçar com uma escolta e foi assim que aprendeu a manejar arcos e lanças, sendo um bom atirador mesmo com a pouca idade. Aquilo seria de total utilidade para ele, futuramente; porém, mais à frente morava o perigo. O reino Joseon estava marcado há muito tempo por japoneses e sua invasão recente, antes mesmo de ele nascer, por isso, cinco anos depois, aconteceu. A ingenuidade foi achar que agir com normalidade, mesmo depois de ainda estarem se reerguendo, era o correto a se fazer; que nada mais aconteceria àquele espaço. Essa mesma ingenuidade colocou a capital em ataque, principalmente por estarem em minoria e não terem conseguido segurar a linha de frente por muito tempo. Won Gyun que já tinha seus quinze anos, um adolescente aplicado e futuro general, encontrava-se na frente do palácio para proteger seus familiares junto de seu pai.
A invasão fora tão bem executada, que a única opção que tiveram fora a de renderem-se. Os líderes do ato tomaram a mãe de Gyun, assim como as outras princesas e mulheres do palácio, para usarem-nas à bel prazer. Ele não viu, ninguém viu, mas sabiam que era só questão de tempo para que a população de Hanseong que ainda vivia, padecesse sob a fatalidade que era instaurada. A começar pelas mulheres; logo após, a desenfreada sentença de morte aos inocentes dos vilarejos, e em seguida a captura dos príncipes – Won Gyun incluído. Fora levado às masmorras, antes mesmo de o sol nascer, junto dos primos e amarrado em estacas que eram usadas para torturar os infratores do reino. Naquele momento, Gyun estava incapacitado de fazer algo, por isso a falta de palavras lhe manteve em um patamar isolado dos parentes ao lado, que gritavam e suplicavam para que vivessem. Todas crianças; mal sabiam sobre o que esperar do dia de amanhã. Só esperavam por presentes, brinquedos, e a rotina diária que um jovem príncipe teria. Contudo, lá estavam eles, sendo torturados. Por quê? O filho do general não sabia responder; estava mais confuso do que tudo, ainda mais naquele momento. Eram questionados um por um e se demorassem ou se recusassem a dizer, eram espancados. Da fileira, o primeiro a morrer pela dor foi o segundo mais velho, e aquilo só desesperou mais ainda os jovens. Mal conseguia entender mais pelo quê se tratava tudo aquilo e também não soube contar quanto tempo ficou dentro daquela masmorra, mas toda vez que desmaiava, agradecia por não sentir nada.
Won Gyun viu seus primos morrerem diante de seus olhos, por puro divertimento alheio, e talvez fosse apenas um tipo de lição para que o rei entendesse a gravidade da situação. Então se era para ensinar, a única opção que ele tinha era a de morrer mesmo. Estava pálido, cansado, dolorido, com fome e sede; diversas vezes foi posto à prova de afogamento, diversas vezes lhe marcaram na pele com ferro quente ou lhe presenteavam com marcas que, futuramente, deixariam cicatrizes. E ele ainda estava aguentando, talvez por isso tivesse se tornado o brinquedo dos torturadores. Perguntava-se onde estava a família, onde estava seu pai para protegê-lo, e por que eles não haviam chegado ainda. Mas o mais bizarro de tudo era que Gyun enfraquecia pelo sangue que lhe era tirado. Só viu uma vez, quando estava acordando novamente, já muito exausto, três deles lambuzados com sangue, só não sabia dizer se era dos corpos dos primos – se pelo menos ainda restava algo deles – ou se era o seu próprio. Aquilo o deixou mais apavorado do que tudo, mas foi justamente a sua palpitação frenética que atiçou os outros. Won Gyun não se lembra do que aconteceu antes, durante e depois, só lembra de ter sido cegado enquanto se aproveitavam dele; e então o frio. Tinha sido jogado do outro lado para servir de comida aos corvos, mas o erro deles foi o de marca-lo vinte quatro horas antes de ele retornar, sufocado pela sede. Agora Gyun era uma aberração. Para longe de Hanseong ele foi, sem saber exatamente o que estava fazendo ou para onde estava indo, mas o desespero e ansiedade o atacaram mais do que os torturadores, causando confusão mental. Era uma ânsia crescente dentro de si que o enlouquecia, e pouco depois de fugir daquele espaço que um dia fora sua casa, o jovem príncipe-soldado encontrava-se extasiado pelo quê tinha se tornado.
Não obstante, ainda tinha a visão enegrecida. As únicas coisas que ele conseguia enxergar eram batimentos cardíacos em cada animal que encontrava pela floresta, e todo barulho o ensurdecia por ser tão alto e límpido. Alimentou-se de sangue de cervo por dias… Semanas, se duvidar. Também tinha a questão de não saber diferir o dia da noite, tampouco quando podia sair dos buracos para evitar de queimar-se. Todavia, pensava que aquilo era só o início e talvez fosse uma maldição por ser da família real. Pouco a pouco foi tomando consciência e tinha para si que precisava encontrar o caminho de volta de novo; mas estava perdido. Para alguém que não teve oportunidade de atravessar as fronteiras da capital, estar naquele espaço desconhecido era assustador, ainda mais por ser uma criança. Ainda era ingênuo o bastante para pensar que teria alguém com quem jogar-se aos prantos caso voltasse para Hanseong, mas havia aquela coisa dentro de si que o impedia de reagir sobre isso. Essa mesma coisa fez Won Gyun desistir e seguir seus instintos atuais; havia muita coisa a qual ele era alheio, mas decerto sabia que voltar dos mortos não era algo tão simples assim para que ele o fizesse novamente.
Durante um período de quase dez anos, contados a partir do momento em que recebeu a devida ajuda em uma cidade distante de onde nascera, aprendeu a andar sob o auxílio de estacas longas de madeira que ele precisava colocar à frente do corpo para saber onde estava pisando e o que tinha no caminho. Era interessante escutar daqueles humanos, aparentemente inocentes, tudo o que sabiam. Enquanto passava o tempo com eles, perceberam o total controle de Won Gyun sobre sua sede e talvez por isso que o mantiveram vivo por tanto tempo, ensinando-o. Não importava o quanto doía a barriga ou o quanto a garganta arranhava toda vez que sentia o cheiro de sangue humano, o garoto era tão fixo na ideia de que se cedesse aos próprios desejos faria algum mal, que tal fator ajudou ainda mais em seu auto controle. Era questão de tempo até que o príncipe-soldado virasse, de fato, uma máquina. Essa mesma família de humanos que o ajudou, foi quem clareou suas ideias. Eles caçavam aquele tipo de gente – gente como ele –, por isso sabiam tanto. Era bom porque Gyun só precisava de uma boa dose de ensinamentos para que pudesse realizar sua vingança; era tudo que tinha em mente desde que saiu de Hanseong. Com o passar dos anos, a visão também foi se adaptando e ele agora enxergava com os outros sentidos apurados, além de sua própria imagem ocular vampírica auxiliar o processo de compreendimento. Passou por muitos bocados até chegar naquele nível e já não se sentia tão insatisfeito quanto antes; na verdade, serviria para uma causa maior do que apenas matar gente inocente por não conseguir se controlar. Justamente a partir daí, quando teve experiência o suficiente para atuar na caça daquelas aberrações da natureza, que esqueceu-se de por quem lutava. Gyun havia esquecido até mesmo de onde viera, mas em um curto espaço de tempo teve a oportunidade de lembrar-se, quando, pela primeira vez em anos, voltou para Hanseong. O reino agora era pacífico, não haviam mais tantos problemas quanto da primeira vez em que estivera ali e tampouco da última vez, por isso sentiu o coração de gelo aquecido mais uma vez – ainda que por breves momentos –. No entanto, não via sinal de seus pais, além de que a guarda havia mudado toda. O luto pelos príncipes mortos mantiveram-se, todavia. E foi na passagem que viu um cemitério; neste, sua própria lápide. Ali, como em alguns outros túmulos, jaziam flores que ainda estavam novas, o que significava que alguém ainda estimava-o, mesmo depois de sua “morte”. Mas não podia ficar mais tempo por ali para descobrir quem; Hanseong era um banquete para Won Gyun e ele precisava viajar com sua nova família para cumprir as tarefas.
Já não lembrava mais como era outra vida de mordomias, pois tinha se acostumado tanto com a rotina de ir e vir, estacar a vida de outras criaturas por conta própria como se ele mesmo não fosse uma aberração, que chegava a ser difícil imaginar algo além; algo suave. Os anos iam passando rápido demais para que ele se desse conta, mas guardava tudo na cabeça. Durante esse tempo, enterrou amigos e cuidou dos filhos deles; iam e viam, por isso aprendeu que conviver com a dor da perda era melhor do que expô-la. Não tinha motivos mesmo, já como ele era imortal; fadado a ver todos que um dia prezou, morrerem. Nem parecia que Gyun tinha essa tendência sanguinária dentro de si, já que havia controlado há décadas, mas isso não queria dizer que ele também não dava um jeito de suprir seus desejos quando sentisse necessário. Era uma arma letal no grupo de caçadores. Embora fosse cego da vista, tinha todos seus outros sentidos muito bem apurados, por isso muito era subestimado. Ao decorrer das centenas de anos, encontrou-se em um novo mundo, muito mais à frente do que o que estava acostumado; Contudo, o esforço dele para algo que queria era notável, tanto é que quando a era tecnológica tomou seu auge, Gyun passou a aderir também.
Chegou na então Busan quando o Dragão ainda nem tinha dado as caras, mas quando o fez causou certa descrença da parte dele para com suas intenções. Todavia, depois de tantos anos, estava acostumado a conviver com diferenças e seu único propósito ali era eliminar qualquer um que afligisse a raça humana. Por mais que não concorde cem por cento com as opiniões do dito cujo superior, Gyun sabe se colocar em seu canto e assim o fez por mais uma centena de anos. Durante esse tempo, também, decidiu que precisava de algum ponto fixo para si, já como não pretendia sair dali por um tempo – pela primeira vez em anos estava contente com o que tinha –, portanto usou de seu espaço para abrigar a quem precisasse. Isso, no entanto, gerou uma procura tão exagerada que ele começou a construir um hotel. Batizou com o nome de sua mãe, de recordação, e espalhou várias filiais pelas proximidades de Busan, até chegar um ponto em que já estava saindo daquele campo. Formou, então, um grupo: Uisun Hotel Group, onde ele era o dono, e foi a partir desse dia que oficializou seu nome para Shin Wongyun – aderindo ao Shin em respeito à geração da família que o ajudou desde os primórdios de sua nova vida –. Durante todo o tempo, todavia, Wongyun não deixou de atuar em sua área e seu maior prazer: que era livrar-se de quem interferisse na pacificidade da cidade.