O meme engraçado que você mandou no grupo pode estar ensinando ciência! ou destruindo ela?! provavelmente os dois.
não é exagero, é objeto de estudo, e o objeto é você.
Para, respira! Você já parou pra pensar que um meme do Zé Gotinha armado com um fuzil pode ser, ao mesmo tempo, uma crítica política, um vetor de desinformação e um objeto de pesquisa acadêmica? Pois tem gente estudando exatamente isso, e o que eles encontraram é mais perturbador e fascinante do que qualquer thread do Twitter.
Antes de continuarmos, quando foi a última vez que você viu um meme sobre ciência, achou engraçado e foi embora sem nem perceber o que aquilo plantou na sua cabeça? É exatamente aí que mora o ponto.
Oliveira, Porto e Cardoso Junior (2020) chegaram a uma conclusão que parece óbvia mas muda tudo: quando um meme sobre ciência circula nas redes, ele não funciona como outros formatos de divulgação científica. Ele desloca a linguagem, pega um fato, uma teoria, um personagem da ciência e joga em outro contexto completamente diferente, com humor, ironia e referências que só fazem sentido pra quem está imerso naquela cultura digital.
E mesmo assim, ou por causa disso, alguma coisa fica!
Mas aqui é onde a coisa fica perturbadora, esse mesmo mecanismo que ensina sem avisar também engana sem avisar.
Oliveira e Porto (2024) rastrearam o que aconteceu com o Zé Gotinha nas redes durante a pandemia e encontraram basicamente um estudo de caso sobre como o mesmo símbolo pode servir a narrativas completamente opostas ao mesmo tempo.
O bonequinho que nasceu em 1987 pra combater a paralisia infantil foi apropriado tanto por grupos pró-vacina quanto por grupos antivacina, muitas vezes no mesmo período, nas mesmas plataformas. Essa disputa não foi acidental, ela reflete uma luta real por credibilidade, por atenção e pelo controle do que as pessoas acreditam.
O Zé Gotinha armado não foi só uma piada, foi uma estratégia discursiva, e funcionou.
E sabe o que torna tudo isso ainda mais urgente?
Porto, Oliveira e Rosa (2018) botam o dedo numa ferida que a academia ainda sangra: conhecimento científico que não chega ao público permanece apenas com quem o produziu, parado, sem efeito, sem alcance!
Os organizadores de Produção e Difusão de Ciência na Cibercultura defendem que, no contexto atual, as relações entre produzir, divulgar e fazer circular o conhecimento precisam ser completamente repensadas, e que a cibercultura abre espaços pra isso de formas que a comunicação científica tradicional nunca alcançou.
Traduzindo: se a ciência não aprende a jogar no campo onde o público já está — que hoje é o campo dos memes, dos reels, dos microvídeos — ela perde o jogo antes mesmo de começar. E quem ocupa esse espaço no lugar dela raramente tem compromisso com a evidência.
Então o meme é vilão ou herói? Nenhum dos dois e os dois ao mesmo tempo!
A pergunta que fica não é se o meme vai continuar existindo, é se a ciência vai aprender a jogar nesse campo antes que a desinformação domine de vez. O Zé Gotinha está esperando uma resposta.
E quem sou eu? Esse segredo eu não conto pra ninguém. Vocês sabem que me adoram... xoxo ;*
















