Um movimento pequenininho, quase sutil, veio lĂĄ de dentro, como se a bebĂȘ quisesse dar bom dia.
Foi o suficiente para fazer seu coração inteiro se derreter.
Um sorriso automĂĄtico apareceu no seu rosto enquanto vocĂȘ abaixava a cabeça, passando a mĂŁo sobre a barriga novamente, como se pudesse responder ao toque da bebĂȘ. Ainda parecia surreal pensar que havia uma vida crescendo ali dentro. A filha de vocĂȘs.
â Ela tĂĄ acordada? â perguntou baixinho, encostando o queixo no seu ombro.
VocĂȘ assentiu, ainda sorrindo.
â Faz uns minutinhos. Ela tĂĄ mexendo bastante hoje.
Jake abriu um sorriso tĂŁo genuĂno que quase doeu no peito olhar para ele. Toda vez que a bebĂȘ mexia, ele reagia como se fosse a primeira vez da vida dele. Como se nunca conseguisse se acostumar com aquilo.
Ele ficou em silĂȘncio por alguns segundos, apenas acariciando sua barriga junto com vocĂȘ. EntĂŁo abaixou a cabeça e deixou um beijo demorado no seu ombro.
Depois outro na sua nuca.
E outro perto da sua orelha.
VocĂȘ soltou uma risada baixa.
â JakeâŠ
â Hm?
â VocĂȘ tĂĄ muito carinhoso.
â Eu sempre sou carinhoso.
â NĂŁo desse jeito suspeito.
Ele riu baixinho contra sua pele e apertou sua cintura.
â Talvez eu tenha motivos hoje.
VocĂȘ virou o rosto um pouquinho, desconfiada.
â Que motivos?
Jake fez aquela expressĂŁo convencida que vocĂȘ conhecia tĂŁo bem.
â Primeiro⊠feliz dia das mĂŁes, meu amor.
Seu coração falhou uma batida.
Porque era verdade, era o seu primeiro dia das mĂŁes mesmo com a bebĂȘ ainda crescendo dentro de vocĂȘ, mesmo sem ela ter nascido ainda.
Aquele sorriso bonito e animado de quem estava se segurando para nĂŁo estragar uma surpresa.
â Vem comigo.
Ele segurou sua mĂŁo e guiou vocĂȘ para dentro da casa, mas parou antes da sala.
â Fecha os olhos.
â Amor...
â Confia em mim.
VocĂȘ obedeceu, ainda ouvindo ele andar de um lado para o outro pela sala parecendo nervoso. Ele murmurava algumas coisas sozinho, arrastava alguma coisa, e vocĂȘ conseguia imaginar perfeitamente a expressĂŁo concentrada dele naquele momento.
EntĂŁo ele falou:
â TĂĄ. Agora pode abrir.
Quando vocĂȘ abriu os olhos, a primeira coisa que sentiu foi vontade de chorar de novo.
A sala inteira estava linda.
Ele claramente tinha passado muito tempo preparando tudo.
Flores estavam espalhadas por vĂĄrios cantos da sala, em tons delicados que vocĂȘ amava: rosas clarinhas, peĂŽnias, lavandas e margaridas pequenas. Havia velas acesas com cheiro suave de baunilha e algodĂŁo, deixando o ambiente aconchegante junto com a luz nublada entrando pelas janelas.
E no centro de tudo, em cima da mesa de centroâŠ
Uma cesta enorme.
VocĂȘ levou a mĂŁo Ă boca imediatamente.
â Amor...
Ele parecia absurdamente orgulhoso de si mesmo.
â Eu quase enlouqueci escolhendo isso tudo. EntĂŁo vocĂȘ tem obrigação de gostar.
VocĂȘ se aproximou devagar, completamente emocionada. A cesta estava cheia de coisinhas cuidadosamente escolhidas, daquelas que deixavam Ăłbvio o quanto ele prestava atenção em vocĂȘ.
Tinha cremes hidratantes prĂłprios para gravidez porque sua pele andava muito sensĂvel.
Porque gravidez fazia tudo ficar mais intenso, vocĂȘ andava insegura Ă s vezes, porque ainda parecia surreal imaginar uma bebĂȘ dependendo completamente de vocĂȘ.
Jake imediatamente saiu da pose convencida e se aproximou preocupado.
â Ei⊠amorâŠ
VocĂȘ começou a rir no meio do choro.
â Eu odeio o quanto isso foi bonitoâŠ
Ele segurou seu rosto com delicadeza.
â VocĂȘ merece coisas bonitas.
VocĂȘ tentou responder alguma coisa, mas Jake beijou sua testa antes.
Depois beijou o cantinho do seu olho molhado.
Sua bochecha.
Seu nariz.
E entĂŁo sua boca.
Beijinhos lentos, demorados, carinhosos, daqueles que pareciam cheios de cuidado. VocĂȘ segurou o moletom dele entre os dedos enquanto ele continuava roubando mais beijinhos que claramente nĂŁo estavam planejados.
VocĂȘ riu outra vez, e ele aproveitou para beijar vocĂȘ direito agora. Um beijo lento, quente, cheio daquele carinho tranquilo que fazia tudo parecer mais leve. As mĂŁos dele seguravam sua cintura com cuidado automĂĄtico, como se vocĂȘ fosse a coisa mais preciosa do mundo inteiro.
Quando o beijo terminou, Jake se ajoelhou na sua frente sem aviso.
VocĂȘ arregalou os olhos.
Ele levantou devagar a barra da sua camiseta, deixando sua barriga completamente Ă mostra, e olhou para ela por alguns segundos com aquela expressĂŁo apaixonada que sempre fazia seu peito apertar.
EntĂŁo deixou um beijo bem no centro da sua barriga.
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Agora mesmo vocĂȘs dois estavam esperando seu nome ser chamado para a seção obstetra - Meses atrĂĄs vocĂȘ e Toji descobriram estar grĂĄvida. O Satoru seguiu vocĂȘ assim que a viu na rua, andando com uma bolsa em sua mĂŁo e a outra apoiada em sua barriga bastante aparente. Desde jĂĄ, ele apenas seguiu vocĂȘ, enquanto falava e Ă s vezes soltava algumas cantadas para ti.
Como se Deus ouvisse suas preces, uma mulher de jaleco e prancheta abriu uma das portas levantando sua cabeça e observando todos do lugar, chamando seu nome em seguida.
Por fim, aquela frase fez novamente seu rosto emburrar e o de Satoru se iluminar, por que diabos ela foi chamar logo ele de pai?
â Parece que agora eu sou o papai dessa criança â Brincou acariciando sua barriga, o mĂĄximo que vocĂȘ fez foi bater em sua mĂŁo a tirando de lĂĄ - Ai!
â Gojo, por favor, vai embora! - Reclamou passando pela porta para entrar no consultĂłrio, onde uma mulher morena a esperava com um sorriso.
â Se vocĂȘ nĂŁo parar de falar idiotices, irei matĂĄ-lo! â Avisou. Fogo queimava em seus olhos e Ăłdio jorrava de suas palavras. Satoru apenas engoliu seco e a seguiu ao consultĂłrio
O tempo foi passando e o tratamento tinha acabado. Satoru nĂŁo parava de falar e, infelizmente, nĂŁo podia fazer nada. Gojo nĂŁo parava de tagarelar, vocĂȘ jĂĄ estava por um fio de explodir, sĂł queria que seu marido matasse o homem para que vocĂȘ vivesse em paz.
VocĂȘ gritou com o moreno, reclamando sobre seu novo "babĂĄ". O Zenin apenas a olhava sem uma expressĂŁo, dando o ponto de que vocĂȘ nĂŁo estava em condiçÔes de fazer as coisas sozinha. Sem mais argumentos, vocĂȘ apenas se calou e aceitou seu inferno nomeado Satoru Gojo.
Agora, vocĂȘ estava sentada em sua varanda de madeira, pernas cruzadas em Ăndio, mostrando sua calmaria. Se nĂŁo fosse por Gojo, que de repente apareceu cantando desafinado uma mĂșsica. Isso fez seu sangue ferver um pouco, uma vontade sĂșbita de matĂĄ-lo te apossou, mas apenas suspirou pesadamente.
â VocĂȘ estĂĄ matando uma galinha, ou estĂĄ cantando? â Perguntou rancorosa
â- Que mal-humorada, se ficar irritada vai fazer mal ao bebĂȘ â Uma veia pulsou em sua testa, mostrando o quĂŁo irritada estava com a presença dele
Os dois pais olharam para trĂĄs observando as enormes caixas nas mĂŁos do grisalho. O homem em si sorria alegremente, enquanto os outros dois tinham carrancas desinteressadas.
â NĂŁo lembro de o ter chamado aqui â Pontuou Toji
â Digo o mesmo â Confirmou (Nome) com a cabeça
â Eu sou um Ăłtimo tio pro Megumi. Por isso preciso estar presente pra ele, sempre! â A palavra "sempre" fez com que os dois adultos se arrepiarem de medo. NĂŁo porque tinham medo de Satoru, e sim porque odiavam sua presença
â Somos os pais dele Satoru, acho que se vocĂȘ desaparecer por uns, sei lĂĄ, trĂȘs anos? Ele nĂŁo iria nem se importar â Toji sem se importar, ditou as palavras esperando que o feiticeiro fosse rapidamente embora
A mulher o olhava apĂĄtica, sem se importar com sua existĂȘncia, nĂŁo a leve a mal, mas Satoru estava insuportĂĄvel durante todos esses meses!
â Bem, nĂŁo importa! AliĂĄs, um de vocĂȘs pode me responder uma coisa? â Com a atenção dos dois em si, o grisalho pergunta: â Para fazer um chĂĄ de bebĂȘ, precisa ferver os bebĂȘs?
9° mĂȘs; Parto.
VocĂȘ gritava e gritava de dor, agoniada com as contraçÔes em seu ventre. Estava deitada em sua cama com um Satoru totalmente nervoso, sem saber o que fazer, jĂĄ havia ligado para Shoko, mas a mulher ainda nĂŁo havia chegado. Esqueceu completamente de ligar para Toji, entĂŁo nĂŁo tinha ajuda nenhuma.
Sua casa estava uma bagunça. De vez enquanto, Satoru vinha com um pano molhado em ĂĄgua morna para vocĂȘ, e no lugar de Toji ele segurava sua mĂŁo para que pudesse ajudar a empurrar o bebĂȘ para fora de si.
Quando finalmente escutou um choro agudo, vocĂȘ se deixou cair na cama cansada e suada pelo enorme esforço. A pedido de Shoko, Gojo trouxe uma enorme bacia de ĂĄgua morninha, para que pudesse limpar a criança. Mas antes, a mulher cortou o cordĂŁo umbilical que ainda os prendia.
â Ei! (Nome)! VocĂȘ vai ser uma daquelas malucas que comem a prĂłpria placenta? â Brincando, Satoru perguntou
Megumi dormia calmamente em seus braços, de vez enquanto ele soltava uns barulhinhos de ronco ressaltando sua fofura. Sua boca formava um pequeno beicinho, que às vezes mexia ainda adormecido. Suas bochechinhas cheias tinham um tom mais rosado, assim como parte de seu nariz.
â Meu pequeno Fushiguro â VocĂȘ murmurou. Gojo apenas a olhava com um sorriso calmo pairando em seus lĂĄbios
Megumi olhou para a cara de Satoru - essa que tinha um imenso sorriso - e sentou-se novamente no chĂŁo, desinteressado no assunto. Por outro lado, Toji apenas observava a situação com um pequeno sorriso imperceptĂvel.
â Parece que nem o Megumi gosta de vocĂȘ â Toji diz com um lindo sorriso sarcĂĄstico â Eu te falei, nem se vocĂȘ desaparecer por trĂȘs anos ele iria se importar
â Poxa Megumi, assim vocĂȘ magoa o titio!~ â Choramingando, o grisalho sentou-se virado para parede com a cabeça apoiada em seus joelhos. Enquanto isso, Toji se divertia com a tristeza do outro e, Megumi apenas brincava com seus carrinhos.
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Quando menina tinha tantos cuidados com uma flor que plantei enquanto ela crescia,hoje pronta pra ser mĂŁe e ter uma semente tĂŁo preciosa dentro de mim,me sinto uma mulher maravilhosa e ao mesmo tempo um belo jardim.