O salão principal estava exatamente como se recordava. As velas suspensas iluminando o teto enfeitiçado, o púlpito do diretor com as asas de fênix calorosamente acolhendo os recém-chegados e, mais ao fundo, a extensa mesa dos professores. O que era novo para si eram os olhares intrigantes de seus novos parceiros de trabalho, provavelmente tomando notas se ele seria mais eficiente que o falecido — e muito falecido — Sr. Binns. Um sorriso esguio surgiu em seus lábios com tal pensamento, formando piadas perfeitas para tentar conquistar seus primeiros alunos.
A passos largos, aproximou-se do seleto grupo de funcionários que conversava sobre o inÃcio do ano letivo. Com um cumprimento desajeitado, os saudou, até que, após uma apresentação, sua simpatia pareceu minguar. "Essa é a professora Trewlaney... vocês estudaram juntos, não?", o professor de Feitiços questionou, com seus pequenos olhos vidrados na expressão surpresa que emoldurou o rosto de Júlio. Seus pés pareceram congelar na pedra de mármore em que pisava, e ele precisou limpar a garganta antes de arriscar alguma palavra. Para alguém que era exÃmio com a linguagem, não saber o que dizer era uma raridade. "Talvez fizemos mais do que estudar..." sua voz ressoou mais alto do que gostaria, para ser sincero. Seus dedos esguios se esticaram para cumprimentá-la, assim como fizera com os demais. "Quanto tempo, Sybil! Você está... ótima!", concluiu ao mirar sua imagem. Haviam envelhecido, é claro, mas ela continuava com aquele brilho em suas madeixas loiras e com os olhos expressivos. "Eu não pensei que fosse te encontrar..." ou encontrá-la tão cedo, na verdade. Não era ruim esta sensação, apenas nunca tinha cogitado como se sentiria ao encontrar sua primeira esposa. Seu estômago agora se revirava com esta ideia, como se houvesse muitos assuntos que nunca foram digeridos corretamente. "Como você está?"