Eu que fiz, mas podem pegar se precisar.
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Eu que fiz, mas podem pegar se precisar.

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I'm a motherfuckin' world-class sinner: Somi Montgomery
Não me peçam mais NADA.
Não tem nada que ela odeie mais do que receber ligações.
As da escola são normais e não existe nada no mundo que a impeça se atendê-las no mesmo instante, as de seu pai ela só aceita porque é seu pai e não tem muito o que discutir quanto a isso, mas todas as outras pessoas, todo o resto ao seu redor, já parecia ter entendido que ela só se deixa ser alcançada por e-mails e horário marcado presencialmente no consulado. Porque qualquer pessoa além de seus filhos e pai é totalmente, totalmente irrelevante, que dirá urgente.
Ela nunca responde. Todo mundo sabe. Todo mundo pelo menos deveria saber.
— É Mr. Huntington que ligou. — Sua assistente diz já com um grande pesar. — Ele está preso e a senhora é a única ligação que ele pôde fazer, segundo ele mesmo.
Imagine então ligações de seu marido, bom, ex-marido, depois de quase dois meses sem ouvir falar dele para além de seu advogado quanto às questões pendentes do divórcio e como ele achava um absurdo ela recusar a pensão e dividir os gastos com as crianças.
"Porque eles são meus filhos também, eles são minha responsabilidade também. Eu me importo com eles."
Mas não o suficiente pra evitar aparecer tantas vezes no jornal, sendo a primeira por destruir a própria família, e a segunda indo preso por falsificar quadros e vender eles por aí sem freio algum. As colunas diziam que o caso vinha sendo investigado a meses, e enquanto passa pelos policiais e é levada para uma sala reservada, Somi se pergunta se foi assim que a mídia descobriu o histórico de traições dele também. Ela se pergunta também se as pessoas andam ganhando um dinheiro bom fazendo isso, porque seguir W por aí parece tão… Chato pra caralho.
— Você está ótima.
— Eu sei.
Ela mesma já está entediada de ficar do outro lado daquela tela de proteção transparente e tudo que ele lhe disse agora foi um bom dia. Será que foi assim que seu pai se sentiu quando finalmente se separou de sua mãe também?
— Então… Como vai o bebê? — Ele quer saber, na verdade, se esforça pra parecer que quer, enquanto enrola o fio do telefone nos dedos de maneira nervosa.
— Ah, meu bebê está bem. Ela tá crescendo rápido e a barriga finalmente começou a aparecer, a obstetra disse que ela vai nascer no inverno, como quando tivemos a Caterina. — Somi o responde ainda assim, abrindo um meio sorriso. — Mas já era esperado… Bom, eu esperava, já que planejei que fosse assim.
Ela sabe que o provocar com aquilo não vai levar a nada, mas ela gosta de como ele se sente envergonhado e a um passo de abrir um buraco no chão bem na frente dela. Como se ele tivesse muito a dizer sobre aquilo.
— Você sabe que eu sinto muito.
Mas não tivesse mais de dois neurônios na cabeça funcionando pra conseguir formular um conjunto de palavras melhor que aquele. Errei rude, fui um babaquinha. Eu não deveria ter feito isso enquanto você está grávida. Foda. Pena.
— Mas não foi pra isso que você me ligou, foi? — A mais jovem murmura ao analisar as unhas, antes de voltar o olhar pra ele. — O que você precisa?
— Ah, eu preciso de muitas coisas, e a primeira delas que você me ajude a sair daqui! — Como se não fosse óbvio suficiente, ele quer acrescentar, mas não quer abusar da sorte depois de subir o tom daquele jeito, então encolhe os ombros e se aproxima da tela separando os dois. — Eu sei que se ligasse pra casa, eles iam recusar. Também sei que meus investidores e agente não vão se envolver nisso por minha causa, todos os meus amigos, todos os meus colegas de ramo, de todas as pessoas… Você é a única que pode fazer algo por mim.
— Por que eu sou… mãe dos seus filhos?
— Não, não. Porque você é minha mulher e nós somos família.
E embaixadora na sede do consulado americano na França nos últimos dez anos, uma das pessoas a permanecer no cargo por mais tempo, a primeira mulher amarela fazendo isso e uma das figuras políticas mais influentes e limpas entre os dois países atualmente, se não a maior delas no quesito alianças internacionais. A menina dos olhos da ONU, ativista de causas importantes e voz pra muitos tópicos relevantes quando levantados em todas as reuniões e congressos que ela participava. A mulher que lutava pelas crianças e principalmente as que vinham de fora.
Estar associado a ela já tinha lhe trazido muitos louros no passado, e na cabeça dele, era sua tábua de salvação pra sair daquela situação e voltar a ter qualquer crédito quando saísse daquela cadeia. Era um bom negócio, pelo menos pra ele, pai dos filhos dela.
— Você não quer que as crianças tenham o pai apodrecendo na cadeia, quer? — Ele apela quando percebe que o silêncio dela é longo demais, apoiando a mão livre no plástico entre os dois. — O que vai dizer pra eles? O que os amigos vão pensar deles? Como vai explicar que não vou aparecer nos fins de semana e nem estar presente mais? Você precisa pensar neles…
— E eu penso, o tempo todo, e acho bom eles crescerem já sabendo que o pai é um perdedor. — Ela o interrompe em um tom contido, antes de continuar. — Eles vão sobreviver, tem experiências piores na vida e eles tem um time enorme de figuras paternas melhores, disposto a ajudá-los nessa parte. Não precisa ficar preocupado, estão em boas mãos.
Ela não fica chocada quando W acerta um soco contra a tela, sequer sai do lugar em meio ao seu ataque de raiva, não só porque ela sabe que ele não pode tocá-la, mas também porque ela não se importa. Não faz bem pro bebê, nem pra ela, então o melhor é se preservar e guardar as energias.
— Mas sabe, essa visita toda não foi em vão. — Somi diz no mesmo tom tranquilo e contido, chamando a atenção do homem por um segundo. — Queria que soubesse de algo por mim, só porque sei que ninguém mais sabe, porque sou melhor em esconder segredos do que você.
É a vez dela de se aproximar da tela e bater as unhas perfeitas na superfície plana, ao confessar.
— Você não foi o único quebrando a promessa que nós fizemos no altar, e pra cada vez que você pensou que eu fiquei sozinha naquela casa esperando você chegar, alguém me comeu no seu lugar. — Ela recita pausadamente, quer ter certeza que ele a entende e escuta. — E muito bem.
A primeira reação de W é rir, então debochar das palavras dela, até começar a ficar nervoso e não parar de passar as mãos no próprio cabelo quando percebe que o rosto dela continua impassível; quando percebe que ela diz a verdade.
Desacreditado. Desapontado. Enfurecido. Bravo. Traído e… Curioso. Curioso também.
— E com quem foi?
Quão perto aquela pessoa estava? Ele conhecia? Eles já tinham se falado? Eles iam aos mesmos lugares? Por quanto tempo?
Ele não precisa fazer aquelas perguntas verbalmente, ela consegue ver elas flutuando em cima de sua cabeça, quando olha sutilmente para o lado e abre um sorriso que acentua suas covinhas.
— Essa história é engraçada, porque…
Alguém conserta o microfone no decote de seu vestido e diz que vai ser fácil, como nas reuniões que ela costumava participar; é só ouvir o que estão dizendo para ela no ponto e responder as perguntas que vão ser feitas pelos jornalistas, Caterina pode continuar sentada em seu colo, mas se ficar entediada é só pedir para sair. Vai ser tudo orgânico, eles só querem saber o que ela tem a dizer.
— A filha pródiga a casa sempre retorna, e hoje é como se a filha favorita da América estivesse entre nós mais uma vez. — A apresentadora do programa matinal a introduz através da tela, abrindo um sorriso enorme para Somi através da outra, sentada confortavelmente no sofá de sua casa na Quinta Avenida. — Nos diga, como foi a decisão de voltar pra casa depois de tantos anos trabalhando brilhantemente na Europa?
— Gosto de pensar que sentia falta de casa, exclusivamente, mas a verdade é que quero que meus filhos cresçam perto da família e que aprendam desde cedo que amor e apoio nós só encontramos em um lugar, e é entre aqueles que estão do nosso lado independente de qualquer coisa. — Montgomery diz naquela entonação perfeita, de quem sempre foi boa nos debates da escola e passou anos tirando notas máximas em oratória, enquanto as pessoas do outro lado da tela ficam visivelmente tocadas com sua resposta. — Quero ter meu bebê em casa, quero que as crianças cresçam perto dos nossos entes queridos e que se sintam em casa também, como quando me senti no dia que desembarquei e fui recebida com tanto amor.
Ela não vê, mas a produção coloca fotos do aeroporto no dia em que ela oficialmente se mudou com os filhos e como a comoção foi enorme. Como se ela fosse uma pop star e não uma mera figura política declarando aposentadoria do cargo de embaixadora, porque ela não era só isso, era a mãe de família que tinha sido traída e exposta pra todos verem enquanto estava grávida e cuidando das crianças. A filha que a América viu sofrer sem poder fazer nada além de mandar mensagens positivas, confortá-la a distância e fazer dela um verdadeiro símbolo de resiliência.
E ela seria burra se não aproveitasse toda aquela atenção em cima dela.
— Você foi verdadeiramente excelente nos representando lá fora por todos esses anos e foi como ver alguém da minha própria família se sobressaindo por aí, conquistando tanto e trabalhando tão duro também. — O apresentador ao lado da mulher mais velha a enche de elogios, exibindo um sorriso que gritava orgulhoso, orgulhoso de você. — É uma pena que você tenha se aposentado tão cedo, nós estávamos esperando vê-la ainda ativa no cenário político do país.
— Ah, mas eu pretendo continuar ativa trabalhando com nossos líderes, durante a gestação e principalmente depois que tiver minha filha, eu simplesmente adoraria ser nomeada pra vaga de Secretário de Estado agora que ela está vazia. — Ela diz, apoiando a mão que não segura os ombros de Caterina no peito, piscando os olhos algumas vezes, emocionada de verdade. — Eu acredito que tenho muito a acrescentar no setor de relações internacionais do nosso país, e posso garantir que mesmo sendo muito jovem se comparada aos ocupantes antes de mim, posso fazer a diferença e ajudar nossas cadeiras mais importantes a tomar um rumo sólido e seguro em direção ao progresso. — Ela completa seu discurso, lançando um olhar doce para sua filha, então alisando a barriga de maneira quase automática. — Eu, como mãe, e agora fazendo parte das mães solo desse país, me preocupo muito com o futuro que estamos construindo para nossos remanescentes e acho que é disso que a América precisa. Alguém que se preocupa, alguém que vê através dos problemas. Alguém que quer soluções e vai trabalhar duro para consertar só o que vale a pena ser consertado.
De volta aos Estados Unidos, ela continua odiando mesmo ligações, mas não se importa de atender aquela que vem da casa branca, exigindo que ela compareça em Washington o mais breve possível porque tem um cargo para ocupar.
Na verdade, ela ama todos os chamados que recebeu.
°•☆▪︎°•☆▪︎ Sacrificed my adolescence just to waste my time on the edges of your life °•☆▪︎°•☆▪︎
Ela sabe que tem um milhão de possibilidades, um milhão de razões para que ele não esteja com ela, ali e agora, quando escuta os batimentos cardíacos do bebê pela primeira vez, por isso tenta não se importar; ele vai ter outras oportunidades, eles vão ser pais de novo. O que é um dia quando te prometeram uma eternidade? Ela entende. Antes de saber o porquê, ela entende.
— Vai ser um bebê do inverno francês, assim como a Caterina. — A médica diz, parecendo tão orgulhosa quanto Somi Huntington, que é a mãe de verdade. — Vocês devem estar tão felizes, tem todos os motivos pra isso.
O bebê está bem, ela diz. Crescendo bem e saudável como deve ser, e enquanto mantém seu discurso polido sobre tudo o que ela pensa e tudo que ela acha que aquela mãe precisa se atentar nos próximos meses, a assistente do lado de fora entra na sala sem bater. É urgente demais pra pensar em ser educada aquele ponto, e sua chefe está prestes a saber o porquê quando coloca o Tablet em suas mãos, os olhos tão arregalados que parece que vão sair do seu rosto, quando a médica frisa mais uma vez.
— Eu gostaria que você evitasse se estressar, também.
Mas é difícil quando todos os portais de notícia do país estão enchendo a Internet com fotos do seu marido saindo com uma mulher branca com a mesma idade que você, deixando como opinião pública que talvez o motivo desse escândalo seja a gravidez, e isso também é tão triste.
— Eu vim pra essa porra de país racista por sua causa, eu disse não pra todas as universidades nos Estados Unidos, eu deixei minha família para trás e sacrifiquei a minha adolescência inteira pra seguir você e seu sonho de ser diferente do seu pai e trabalhar com as coisas que você ama. Você, um merdinha mimado e que não faz ideia de como as coisas são nas vidas das outras pessoas ao seu redor, porque nós estamos sempre, sempre te orbitando como se você tivesse sofrido mais! — Não é o coração partido que a faz gritar daquele jeito, nem a humilhação pública, que dirá como ele tenta sair daquela situação a cada pausa que ela faz dizendo que ela está exagerando. É porque ela sabe que de todas as possibilidades, aquela foi a que ele escolheu pra não ir até a consulta do bebê que eles vão ter juntos. — Sempre te doando tempo, atenção e amor, porque você acha que merece mais. E eu dei tudo a você, a família que você queria, a casa estruturada que você precisava, o apoio e respeito e consideração que você nunca teve… E mesmo assim não foi suficiente, por vinte anos, você nunca achou que eu fosse suficiente.
Sua mãe também vivia dizendo que ela precisava fazer mais se quisesse ser perfeita e bem aceita quando era mais nova, não esperava que a pessoa que ela escolheu passar a vida tivesse coragem de fazer ela passar pelo mesmo, mas aqui estava ela, e era tão infantil se sentir desapontada mesmo que infantilidade fosse tão natural para pessoas adultas quanto crianças.
Se ela mandasse as crianças pra outro país, se ela se escondesse de tudo e todos, se ela desistisse de sua carreira e arranjasse outra coisa pra fazer, bem longe dali, até que todos se esquecessem dela, parecia tentador mas não era justo.
Não era justo que ela fosse a pessoa sendo prejudicada, não era justo quando ela nunca foi a culpada.
E essa era a declaração que ela tinha para dar para as pessoas ocupando seu gramado e portões, enquanto deixava aquela Mansão ao lado dos filhos que não pensaram duas vezes a não ser escolher ficar com ela e o bebê que estava por vir, inabalável e imperturbável como ela sempre foi, porque não era um garoto mimado do Upper East Side que ia lhe tirar a paz de espírito quando ela tinha tanto pra fazer.
Crises e cicatrizes fazem parte da vida de qualquer pessoa, mas lutar por elas e terminar com elas só vale a pena se você recebe algo no final, e esse não é o caso. Eu tenho muito o que fazer.
Huntington era só um menino, e não cabe a mulheres chorarem por eles quando estão ocupadas tentando conquistar o mundo.
Chilling Adventures: Somi (Montgomery) Atwood
A coisa mais satisfatória do mundo, além de ser cogitada a primeira ministra mais jovem da história daquele país, era poder recusar aquele cargo porque eu estava ocupada demais sendo um exemplo de diplomata ativista e barraqueira na rua, como bem tinha aprendido com os franceses.
— E ai, vocês vão me dar dinheiro? Um carro blindado? Respeito? Eu sou uma Montgomery, tinha essas coisas antes mesmo dos meus pais saberem que eu ia nascer.
Queria pontuar inclusive que já tinha visto contratos mais tentadores do que aquele, excluindo totalmente o fato de que um presidente ia escolher eu, uma mulher asiática e considerada extremista demais quando o assunto eram os direitos dos outros, pra comandar um lugar daqueles.
— Prestígio.
— Minha irmã me manda flores todos os dias com um cartão escrito você é foda pra caralho.
— Vai entrar pra história...
— Sabe quantas vezes eu expus um dossiê de corrupção desde que eu estava na faculdade?
— Autonomia.
Assim, não que eu quisesse poder absoluto sobre tudo e qualquer coisa. Eu tinha me concentrado naquele caminho porque sabia que influência e as palavras certas, e eu ter onde me elevar, poderia ajudar as pessoas e fazer os problemas delas serem reconhecidos. Nunca foi pelo dinheiro, e nem pra ser amada. Eu só queria ajudar porque achava que precisava, mas autonomia era uma palavra maravilhosa.
— Eu posso banir uma pessoa do país?
E eu já me sentia adorável.
— Proibiu a London de entrar na França? — Will me questiona, muito devagar, o celular longe da orelha enquanto continuo amarrando uma fita na cabeça de Nadia. — Com uma advertência de atentado a segurança pública no portão se imigração?
— Você não proibiria a London de entrar na França com uma advertência de atentado a segurança pública no portão de imigração?
E aquele tinha sido só um dos MUITOS aniversários tranquilos que meus filhos tiveram graças ao poder, a autonomia, e a combinação dos dois juntos.
Proposal Challenge: Somi Montgomery
O meu pai era e ainda é a minha pessoa favorita no mundo inteiro.
Wes Montgomery, muito além de filho perfeito, marido impecável e empresário bem sucedido, era o pai que toda criança deveria ter. Todas as minhas memórias com ele giravam em torno de gestos e palavras simples, onde ele segurava minha mão antes de qualquer decisão ou passo dado, aos cinco ou quinze ou vinte anos de idade, e dizia que não importava o que eu quisesse fazer ou como eu me sentia sobre fracassar e o decepcionar, ele ainda me amaria e me apoiaria e sempre estaria do meu lado pro meu próximo grande ato.
Antes de subir no palco para o teste da Royal, antes da minha entrevista para a Nouvelle, então quando me tornei a melhor bailarina na Academia e resolvi que queria ser ainda melhor, e quando decidi que a carreira na diplomacia me interessava mais do que herdar a cadeira da minha mãe na empresa que não era mais dela e agora; antes de abrir todo o meu coração, mais uma vez, para William Atwood, depois de uma longa conversa sobre ele ser todos os passos e decisões que eu queria tomar dali em diante sem me arrepender e nem hesitar, se ele me quisesse também.
Fiquei feliz pelo meu pai ser a pessoa do meu lado quando resolvi abandonar um evento do consulado pra estar na exposição do Will, a maneira com que ele só tinha acenado com a cabeça como se não fosse nada e chamado nosso motorista de volta e dado todas as coordenadas necessárias, como se eu não pudesse ser expulsa ou presa ou odiada por fazer uma coisa daquelas. Não era importante, não mais do que eu realmente queria fazer e onde eu realmente deveria e queria estar.
Acha que vão se sentir ofendidos por eu ter saído correndo no meio do meu primeiro de muitos discursos na frente de todos os diplomatas e embaixadores da Europa? — Perguntei sem realmente me importar com uma resposta ou as consequências dos meus atos, porque estávamos falando do trabalho do meu namorado e o quão duro ele tinha dado pra fazer aquilo acontecer e eu não podia ser impedida ou proibida de ver e sentir isso com ele.
Eu acho que ninguém nunca deve ter feito uma coisa dessas em toda a história de eventos de embaixadas na face da terra, mas não quer dizer que você não possa ser a pioneira e que isso importe de verdade. Eles deveriam ter trocado as datas. — Meu pai comentou de volta, ao segurar seu braço no meu e me guiar todo caminho já vazio para a exposição, deixando muito claro que até mesmo o genro dele era digno de algum tipo de exclusividade. E não estava mentindo. — Vai ter uma vida inteira pra fazer discursos e convencer as pessoas que você é tão forte e capaz e competente quanto parece, mas não vai ter outras tantas para o que… Você decidiu fazer. — Prosseguiu, com toda a paciência e gentileza que ele poderia me oferecer naquele momento, mesmo que eu soubesse que mesmo uma pequena parte dele estava gritando internamente por eu não conseguir esperar uma hora ou duas ou que simplesmente as pessoas não estivessem concentradas em mim quando eu literalmente desapareci atrás do microfone. — E, além do mais, vai ser uma surpresa e tanto.
Pelo menos era o que parecia. Will e eu e meus irmãos e meu pai e até a minha mãe e meus amigos sabiam que eu tinha problemas com aparecer nos lugares do nada. E eu não podia fazer absolutamente nada pra me ajudar se sofria de algum tipo de distúrbio que me fazia repensar todas as minhas decisões em segundos e mudar completamente o meu rumo desde ali. Sabia que poderia prestigiar o meu namorado depois, até no dia seguinte e que estava tudo bem, uma vez que nós dois estávamos nos preparando e nos esforçando pra dois compromissos completamente diferentes e o apoio do outro era o suficiente, então comecei a pensar se era mesmo o suficiente, e se eu realmente queria atrasar as coisas que queria dizer e expor pra ele, quando podia fazer tudo e mais um pouco, talvez, num dos dias mais importantes e felizes da vida dele. Eu só precisava estar lá, não importava o que.
Soube que tinha tomado a decisão certa vendo todos aqueles quadros espalhados pela sala e como todas as pessoas presentes se sentiam tão maravilhadas quanto eu, mas não tão orgulhosas e felizes e extremamente e absurdamente ainda mais apaixonadas por aquele homem e tudo o que ele significava pra mim. E eu me perdi em todas as sensações e vislumbres de cada pintura sem nem sentir a presença do meu pai passos atrás de mim, tentando absorver tudo aquilo e não chorar no processo, até encontrar ele. Como nas outras vezes, primeiro do que ele, o que me dava uma vantagem pra admirar ele por uns segundos e depois me recompor como se não tivesse sido totalmente e completamente afetada por só estar centímetros perto dele.
William Atwood, eu espero mesmo que não tenha pensado que eu não viria. — Disse ao me inclinar levemente por cima do ombro dele, só depois que ele finalmente ficou sozinho, porque não queria atrapalhar o momento dele tendo atenção e os olhos das outras pessoas. — Não existe nada no mundo todo que possa me fazer perder isso, mesmo um discurso muito importante e o fato de que talvez os meus mentores me odeiem muito agora. — Disse ao me colocar do lado dele e observar brevemente a exposição, como se não fosse nada, e realmente não era, ao menos não pra Somi que tinha outra ideia e coisa completamente contrária na cabeça. — E não existe nada no mundo todo que me faça não escolher você. E é por isso que estou aqui, por que escolhi você, mas não só sobre entre o meu discurso e isso tudo, mas porque escolhi você em todos os sentidos e maneiras e jeitos possíveis. — Prossegui, antes de finalmente ficar de frente pra ele, ignorando o fato de que talvez eu estivesse me vestindo muito formalmente dentro daquele vestido da Marchesa e que ele não tivesse sido escolhido pro evento em si, eu ainda estava sorrindo, me segurando muito para não tocá-lo e nem beijá-lo ou ir direto ao ponto, mas ainda com o sorriso que reservava para ele e só ele. — Eu amo você e acho que você já sabe disso, amo você com todo o meu coração e a minha alma e o meu corpo e sei que também sabe disso, mas é inevitável não dizer que você é o único e aquele que tem todos meus sonhos e segredos pra si todos os dias, sem obrigação ou esforço algum, por que graças a você sei como é me sentir livre e capaz e corajosa o suficiente pra fazer e ser só as coisas que me fazem feliz… Você sempre sendo uma delas. Tem noção do quão feliz e realizada você faz com que eu me sinta só por estar ao meu lado ou segurando a minha mão ou se preocupando comigo? Ou como eu me sinto feliz por poder fazer o mesmo por você? — Não queria que as pessoas parassem tudo o que estivessem fazendo pra ver aquilo, era muito íntimo e particular e eu deveria ter pensado em pelo menos ir pra um lugar mais quieto antes de começar o meu discurso real da noite, mas não conseguia me importar com quem estivesse ouvindo ou assistindo, muito menos quando finalmente tomei as mãos dele nas minhas e me deixei ficar mais próxima dele. — Estou orgulhosa de você, não é o suficiente só saber disso enquanto estou do outro lado da cidade fazendo outra coisa, mesmo sabendo que está orgulhoso de mim também e são essas coisas pequenas que me fazem querer viver uma vida toda com você todos os dias. Estou feliz por ter se tornado o homem mais incrível e talentoso que eu conheço e por poder amar você e ser amada também e eu tenho tanta sorte por ter você que… Achei que deveria fazer isso por nós dois mais uma vez. — Disse antes de dar uma pequena pausa, então soltar as mãos dele e me concentrar em revirar minha bolsa atrás da pequena caixa de veludo bordô perdida dentro dela e, quando finalmente achei, me limitei só em dar um pequeno passo para trás, uma vez que ficar de joelhos ou qualquer outra coisa estava fora de cogitação com um vestido daqueles, e me ocupei em abrir ela e a segurar o mais firmemente possível, com medo de estar tremendo muito e acabar deixando ela cair e as alianças também. — Eu quero você, e quero ter uma vida com você, e morar com você e poder ter filhos com você e sei que vou ser tão feliz e me sentir tão conectada a você quanto estou agora, mas não poderia perder a oportunidade ser a primeira a sugerir algo entre nós dois mais uma vez. — Declarei, agora segurando uma lágrima ou duas, começando a me perder nas palavras que ainda faltava serem ditas, mas só porque tudo se parecia mais com um sonho. — Eu quero me casar com você, mas só se você quiser se casar comigo, e compartilhar todas essas outras coisas, também. Eu prometo fazer de você o homem mais feliz do mundo.

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