Cheguei em casa por volta das 21:00h, atrasado para o primeiro jantar no nosso apartamento novo [ela passou o dia me mandando mensagem, pedindo para que eu não me atrasasse], maldito trânsito. Encontrei Marina arrumando a cozinha, ela nem percebeu que eu havia chegado, parecia tão concentrada na arrumação dos armários. Fiquei observando-a por alguns instantes, ela estava com aquele vestido azul marinho, AH! Ela estava vestida naquele bendito vestido que me deixa com vontade de agarra-la e nunca mais solta-la. Fui me aproximando e antes que ela pudesse fazer qualquer movimento, eu a abracei, então ficamos ali em silêncio ela enxugando o prato e eu me embriagando com seu cheiro, ficamos assim por alguns instantes até que Marina (com seu jeito irônico de ser) rompeu aquele silêncio e falou: Chegou cedo para o café Dr Leonardo. Sorri, apertei-a [ainda mais] e respondi quase sussurrando: É que pretendo desfrutar o máximo possível de sua companhia até a próxima refeição dona Marina. Ela até tentou ficar séria, sei que ela fez o possível para não sorrir, porém acabou deixando escapar um sorriso. Ao olhar para o lado notei que a garrafa de vinho estava vazia e que havia um pouco em uma taça sobre o balcão, questionei sobre o conteúdo da garrafa e mais uma vez obtive uma resposta irônica. Ela pegou a taça bebeu o conteúdo que restava e disse: Estou seguindo recomendações médicas, nunca ouviu dizer que um cálice de vinho faz bem para o coração? - Se um cálice faz bem para o coração, uma garrafa faz bem por corpo inteiro, é isso? Perguntei enquanto mexia na garrafa vazia. Marina pousou a taça sobre o balcão, veio ao meu encontro e disse – Faz bem para alma meu caro, para a alma. E assim ela virou-se e me beijou, um beijo com gosto doce de vinho e amor.