...eu voei alto, alimentado por toda sensação que isso poderia me dar, voei. E quanto mais alto voava, mais as sensações explodiam dentro de mim, o êxtase, o prazer, espalhado em todo meu corpo, me faziam esquecer de tudo... Com que forças eu iria lutar contra esse prazer intenso, único, inédito? Mas como tudo na vida, as conquistas cobram o preço, se não antes, depois, mas o pagamento é inevitável, e a moeda você nunca sabe qual é. Eu subi demais, me aventurei próximo do Sol, mesmo sabendo que voar alto, corria o risco da queda, que seria grande, que os machucados poderiam ser eternos e que eu lembraria disso para sempre, não me detive, embriagado pelas minhas sensações. Porém depois de um certo tempo, percebi que minhas asas, não batiam mais... Eu nem as tinha mais, pois aviam derretido frente ao maravilhoso calor do sol, que me envolveu, que invadiu meu ser... Eu estava mais leve, mas mesmo assim... Comecei a cair... Tudo que eu fazia , parecia sem efeito, eu continuava caindo... Eu olhava para cima o sol se afastando, o frio chegando em meu corpo, invadindo minhas veias, junto com o desespero, medo, solidão... Eu cai. Chegar ao chão é uma das piores sensações... Acostumar a não poder voar mais é pior ainda. Aceitar e ter a certeza que este vôo nunca mais vou fazer,dói. Mas foi isso, minhas asas eram de cera, eu poderia voar, mas não chegar perto do Sol. Se chegasse, não poderia ficar tanto tempo perto assim. Eu fiquei... O Sol me fez cair,... E foi isso. Você,...você foi esse Sol. O Sol de Ícaro.