Sou feita de poesia, caos e constelaçÔes.
Nessa Cross
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Sou feita de poesia, caos e constelaçÔes.
Nessa Cross

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âMinha mĂŁe sempre disse que eu nunca deveria me entregar totalmente a alguĂ©m, seja a um amor ou uma amizade. E agora, vejo o quanto ela estava certa. As pessoas sĂŁo imprevisĂveis.â
â Proseastes.
Ă beira de abismos distintos, me pergunto quando vou cair. Todo dia vivendo o mesmo dia mesmo que lutando batalhas diferentes pesar de todas serem sem chance de vitĂłria. Ă inegĂĄvel que a cada dia eu cedo um pouco mais, a cada dia o despenhadeiro se parece mais atrativo. E se eu me jogar? SerĂĄ que a queda doerĂĄ menos do que a dor que eu sinto agora? serĂĄ que me entregar Ă escuridĂŁo Ă© pior do que a briga incessante por luz? quanto tempo mais eu aguento sem despencar?
voarias
Te mostrei meus caminhos mais escuros, vocĂȘ me mostrou os seus dias de sol. Ă por isso que hoje eu choro sozinha e vocĂȘ sorri ao longe.
Refeita
Ă uma voz bem fraquinha de fundo, quase como um sussurro. E ela te diz âo problema Ă© vocĂȘâ.
â agirlinthemoon

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Amar vocĂȘ tem gosto de vinho tinto e me causa a mesma sensação, um misto de explosĂ”es com urgĂȘncias.
Renascestes
Eu tentei tanto ser seu apoio de novo, eu quis tanto poder sĂȘ-lo, porĂ©m demanda tanto de mim que, em certa medida, vocĂȘ nĂŁo mais me queria aqui e sim queria um espectro translĂșcido do que eu sou. NĂŁo posso escalar os montes que me pediu pois sou humana, nĂŁo consigo entregar tudo em suas batalhas como se fossem minhas e muito menos me render a narrativas pelas quais nĂŁo sinto verdade. Sim, eu sei que hĂĄ verdades borbulhantes a cĂ©u aberto movimentando seus quereres mais profundos e sei que nĂŁo Ă© fĂĄcil contĂȘ-las. Nosso impasse Ă© que o mundo Ă© grande demais, muito maior que suas certezas engessadas em antigas pedras sagradas. A vida Ă© mais variĂĄvel que sua Ăąnsia por controle quer tornar e infelizmente nĂŁo sabemos o que acontece dentro dos outros. NinguĂ©m sabe. Entendo a urgĂȘncia de pertencimento que te tira o sono, a Ăąnsia pela entrega e pelo incondicional afeto de outrem. Te vi dançar a mesma mĂșsica vezes o suficiente para decorar passo por passo, nota por nota, arranjo por arranjo. SĂł que vocĂȘ nĂŁo, vocĂȘ insiste em tocar tudo como se fosse a primeira vez e nĂŁo aprende depois de repetidos erros e acertos. Ainda bem que por vezes vocĂȘ acerta, e erra tentando acertar. Erra tentando se proteger da crueldade que existe lĂĄ fora e espanta tambĂ©m a bondade, porque perdeu a habilidade de distinguir. Dentro da caverna, sem luz, distribui socos que vĂŁo pra todas as direçÔes, inclusive atĂ© aos que se dispĂ”em a te dar algo bom. Completamente protegido de tudo, menos de si mesmo e de suas certezas que preenchem lacunas que deveriam estar abertas. NĂłs realmente tentamos, nĂŁo Ă©? Exaustivamente. Entretanto, vocĂȘ clama por afetos que nĂŁo me sĂŁo possĂveis, vocĂȘ grita por amores que nĂŁo me cabem. NĂŁo mais. Esgotando toda a energia que poderia se direcionar a algo bom, deixando apenas a casca do que Ă© uma tentativa frustrada de conectar o que jĂĄ acabou. O fim começou dentro de mim, bem antes do dia em que o ponto final ocorreu, quando percebi que nĂŁo havia mais algo de bondoso sendo criado, apenas a preocupação agoniante diante do futuro incerto. Espero que um dia lhe ocorra que mais do que alguĂ©m que te dĂȘ tudo que tem, vocĂȘ precisa antes entender o que quer do mundo, o que aceita e principalmente o que consegue ver. NĂŁo dĂĄ pra mostrar bondade a quem nĂŁo a conhece mais, ou muito menos furar barreiras que espinham a carne de quem tenta. Ainda bem que tentamos, mas nem mesmo minhas lanternas mais fortes iluminariam a escuridĂŁo que guarda no coração, o medo que te isola do mundo. A luz tem que vir de dentro.
Refeita
Pega de assalto pela inevitabilidade, me levou tudo. Tudo e mais um pouco. Carrego o peso de nĂŁo saber conter as erupçÔes que acontecem a todo instante em direção a todo lugar. Nada preenche os espaços alĂ©m do grito que se esvai. Grito como se alguĂ©m fosse ouvir, mas ninguĂ©m ouve. ressoa, reverbera, em formas distintas o meu pedido por um pouco mais de suavidade. Peço a nĂŁo sei quem que tenha um pouco de calma com a massa que me compĂ”e, massa esta que se cansa de nada conquistar. O grito silencioso sĂł vibra e nĂŁo assombra ninguĂ©m, enquanto pretendo conter os demais gritos que nĂŁo escaparam. NĂŁo sei lidar com as atuaçÔes que me sĂŁo exigidas sempre que coloco os pĂ©s fora das paredes que protegem o que sou. [o mundo Ă© dos que sabem disfarçar e eu explodo] essa supernova contida nĂŁo cabe em lugar algum, nĂŁo interessa a ninguĂ©m, minha rebeldia ingĂȘnua nĂŁo tem lugar. Minha energia se esvai ao tentar conter cada microexplosĂŁo diĂĄria, podada pelo medo da destruição iminente. E jĂĄ nĂŁo estaria eu destruĂda nesse jogo que nĂŁo sei as regras, tampouco conheço as peças? [pois sei que a vida Ă© um jogo que eu nĂŁo sei como ganhar] nĂŁo sei lidar com a escuridĂŁo fĂsica que se expande dos meus pesadelos para o mundo, dos meus medos que desaguam no vazio. Eu nĂŁo sei lidar.
Refeita