Um turbilhão de moléculas saem do objeto endócrino
Fora do copo, meu rótulo está no chão porque não me sinto carregado
O vidro quase vazio de coca sem gás é o puro xarope, como um velho careta, reclamando dos outros por deixar a luz acesa
Meu corpo, se me vêem fora do toque, é que minha mente ainda não transbordou
Esperando o tique, ou o velho barreiro. O corpo celeste que cintila reluzente quando já está distante
E eu só percebo quando não ignorante, quero ver os planetas se alinharem com os chakras
É a intermitência, assim como uma ressonância do ser, pedante pela incerteza do estar
Meu sal de frutas já não bate mais, me desculpe o mau-riscar.
Tão enfático que meu sistema ótico já quase turvo agora enlouquece de vez, frenético, e me faz enxergar coisas que podem não existir, por pura indigestão
Recarrego meu sistema fólico de surrealismo, e só termino quando meu sistema lÃmbico está completo, repleto de ego, de fogo, rudimentar.
Quando uma pedra na outra, havia no caminho
Uma permanessência concreta, infiel ao que cogitei no passado, pois sempre pulava a segunda fase do sono
E eu só percebia quando era segunda
Quando no outro dia eu já teria que voltar, e a vinheta de um programa que só passa aos domingos me trazia os pés ao chão, mesmo que quisesse ficar
Como cada segundo que escorre pelas mãos, por tudo que não passava de sonho
Sempre num sunday, quando quase fria a luz do sol finalmente chegava e derretia o que eu teria construÃdo friamente calculado, meu big bang de iceberg em persona, descongelando congelado
Na época eu trabalhava no subway, de segunda a sábado
De segundo a segundo ouço o ruÃdo do rasgo
Porque em um segundo tudo é escasso, a fome bate e acaba em algo que componho dos restos. Dos rostos que não vejo há anos
Algo que carrego nas mãos, sempre com segundas intenções, disritmado pelo papel de parede que me perco e agora me lembro que só desbloqueei pra que pudesse olhar as horas
Sinto que ilhar as coisas é o que me fascina as vezes
Eu não queria olhar seu rosto
Mas sinto que abrir as águas, como alguem que cria as guelras ou alguem que para as horas, que congelaria as guerras mesmo assim trazendo as honras, inda que não contaria com as mesmas duas vezes em que acertaria as teses, vezes estas em que se cumpririam as datas, ocasionaria em duas setas pretas do relógio sem pilhas, preso em pulso ou preso em parede espessa, de alvenaria.
Eu sinto que é as duas coisas, no singular
Que se eu acertar as mesmas duas vezes que o relógio indisposto no dia, a segunda é a coisa principal
O fim é triste (that's all folks)
O fim é triste, e pessoal.
Como em poesia onde tudo se extende, e nada se entende, não de primeira
Se eu pudesse citar alguém que me inspira já não seria poesia e sim uma página de uma revista qualquer ou quem sabe mais uma biografia de Jorge Amado ou Caetano Veloso
Mas não uma sessão de horóscopo do jornal da banca de alguma praça batizada com nome de algum santo ou entusiasta das boas ações. Numa sessão de horóscopo não se cita nomes, pois deve ser veramente subjetivo a quem procura, a depender, é claro, do signo
Eu queria dramaturgia. Ah! Como queria...
Em versos não se fala nomes antes de rodear o descrito de qualidades ou defeitos, mesmo que repleto de indecisões de Hamlet. Até que, com bastante sutileza eu, pelo menos (sempre o eu), faria como o sacana do Machado pois até hoje me pergunto se Capitu o fez ou não. E assim, no fim fabricamos eu(s)
Mas a quem me refiro hoje tem estatura baixa, lesa, cor de pele clara, os cabelos castanhos-claro e curtos, que agora estão de outra cor pois vive alternando através das estações. Do coração, eu não sei. Da mente, pior. Mas da arte, ela está sempre fervendo. Derramando como o leite que se esquece no fogo, pois precisa lembrar que está sempre aceso. E consegue escolher entre nata e coalha, como a centelha ilesa do contato ao chão. Decide entre o que é bebÃvel ou não. E sobre os vÃcios e versos, ela parece gostar de alguns dos meus, e assim vice-verso.
Bom, num sonho com ela eu chorava muito, chorava de soluçar, feito criança, ao ler um texto de sua autoria que por vezes eu repetia apenas um verso, que havia rasgado e levado comigo em um pedaço de papel de fundo colorido com borra de café, dizia:
"Ela contorna os traços do que eu poderia. Do que não é concreto, do que eu afagaria. Ela roubou em partes o que me mataria, ela era pura arte, pois dava a vida à morte, antes que alguém descarte, ela era a poesia."
Eu fiquei horas pensando sobre esse sonho, pois não me lembrava do verso inteiro, eu não lembrava, eu fazia de tudo pra lembrar, mas nada, somente o branco, ou melhor, o amarelo queimado do café. Esse "eu" dela em colocado em terceira pessoa era o que me mastigava por dentro, embaralhando em mim o "à quem" ela se referia, pois ela dizia o "ela". Eu só me lembrei na noite seguinte, quando já quase dormindo, eu me dei por conta que o sonho na verdade era meu e portanto os versos também.