Bandersnatch philosophies
Eu, como anti-realista, sempre pensei que o “mundo”, o “universo”, não é nada. Tudo é fruto da imaginação... que imaginação? A minha? Talvez. Nunca pensei além disso, então me beseava como se fosse a minha imaginação, mesmo. Pois em Bandersnatch, a psicóloga pergunta a Stefan: se você está sendo vigiado, e não está escolhendo suas próprias ações, e está num “filme”, nesta “Netflix”, que entretem os telespectadores, porque é isso que assistem? Porque o entretenimento deles é a sua vida? Uma vida como a vida de qualquer outro? Uma vida de uma pessoa qualquer comum, que no máximo está passando por alguns eventos diferentes? Por que isso é entretenimento?
Eu pensava algo como isso, mergulhada na minha filosofia anti-realista de que o “mundo” não é nada, tudo é nada mais que nada, tudo fruto que uma imaginação — a minha imaginação.
Mas, se tudo isso — que é nada — é fruto de minha imaginação, por quê?! Por que um mundo assim? Por que este universo, que conhecemos pela ciência, e todo o resto de que já abemos? E por que a minha vida? Por que não a de “alguém famoso”? Por que as coisas são assim — porque tudo, tudo, absolutamente tudo o que sabemos como mente humana, por que o universo é assim, porque eu decidi que a “vida” fosse assim? Dá para entender? E, o pior de tudo, além de tudo isso: o mundo é terrível. O mundo é terrível!
Agora eu estou digitando isso, mas milhões de pessoas estão morrendo das formas mais inimagináveis possível. E nem vou mais citar exemplos. Por que, se tudo é fonte da minha mente, se tudo é nada — e o ser humano NÃO SABE O QUE É “NADA” (as “explicações” e a curiosidade quanto à morte são a prova) — POR QUÊ? Então, eu sou uma pessoa horrível! Vivo nesse meu mundo criado, nesse mundo HORRÍVEL, onde aqui eu estou “feliz”, mas ali, podem estar sofrendo tanto! O mundo louco, por quê? E por que eu sou eu, como mente que cria um mundo e no final é o nada, porque esse mundinho?!