Poesia de crematório (o bardo voltou a rimar)
O teu velório, triste e só, sem vivalma que se veja, sem alma que o seja:
Ninguém quis saber, ninguém fingiu querer saber. E o resto que sobeja
Chamar-se-ia esquecimento caso houvesse alguém, algo para esquecer.
E foi nesse instante que antecede o instante que antecede o adormecer
Que ele, pasmo de saber, soube a resposta, que, afinal, sempre soubera:
Pois que todo o amor é de papelão molhado e só a indiferença é sincera.
Figurante sem falas és, nesta farsa que outrem escreve, atua, leva à cena:
Agora que a peça chegou ao fim, nem aplausos, nem prantos, nem pena.
Bem o sei: quando chegar a minha vez, não conto qu’algo seja diferente.
Um dia, talvez tudo mude. Um dia, talvez o mundo já não esteja doente.
Fabien Euskadi
















