VocĂȘ escolheu ir embora. Num dia qualquer, sem motivo aparente. Eu te procurei e tentei entender, tentei te pedir pra ficar. VocĂȘ me bloqueou. Me deixou sofrer, sentir culpa por algo que nĂŁo fiz. Me desbloqueou, sĂł para me destruir mais. VocĂȘ contou sua versĂŁo, uma versĂŁo que sĂł existe na sua cabeça. VocĂȘ disse que jĂĄ nĂŁo me amava. Como se o amor, fosse algo que some assim, do nada. Como se o amor deixasse de existir de uma hora para outra, sĂł porque queremos. Mas, nĂŁo dĂĄ pra dizer que nĂŁo ama hoje, sendo que ontem o amor ainda existia. Machuca, entende? Perceber que a reciprocidade nĂŁo existe, que o "amor" pode deixar de existir para a pessoa. E cansa, insistir. Tentar entender o seu lado. Mesmo que vocĂȘ nĂŁo se importe em entender o meu. E eu tentei, esgotei minhas forças ao tentar te perdoar, ao tentar te entender. Mas amor nĂŁo se implora, amor nĂŁo se explica. Amor Ă© sentido, Ă© demonstrado. Amor Ă© leveza. Amor Ă© luta. Amor Ă© finitude. Por isso, eu te bloqueei. Do meu coração, da minha vida. E meu caro leitor, eu te pergunto: quem vocĂȘ bloqueia? Quem vocĂȘ supera? Quem vocĂȘ deseja esquecer? Porque, bloquear requer coragem, requer força. Requer maturidade. Bloquear significa, superar e tentar esquecer aquilo que te fez mal. E se um dia, foi necessĂĄrio bloquear alguĂ©m da sua vida e do seu coração, tudo bem. Pois, para esquecer um mal, Ă s vezes Ă© necessĂĄrio se livrar. De vĂȘ-lo, de senti-lo. EntĂŁo, nĂŁo se culpe pela forma que vocĂȘ lida com o fim. Pois nĂŁo deverĂamos nos arrepender de tentar amar, quem nĂŁo tem a mesma coragem de falar a verdade sobre nĂŁo conseguir realizar a reciprocidade.
Milena Borges.

















