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After Parada do orgulho LGBTQI+ BH
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After Parada do orgulho LGBTQI+ BH
08.07

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CHATLINE com Jaca Beats
Depois de eras, pandemias e apocalipses zumbis, voltamos com o nosso Chatline. Afinal, o Paraíso precisa acontecer. O nosso entrevistado da vez é Jaca Beats, um jovem DJ e produtor de Volta Redonda (RJ), que traz uma proposta sonora singular, o que o destaca na cena underground da Bass Music brasileira e que vem para a Masterplano, no dia 17/12. Com DJ sets permeando entre o Lo-Fi e o High Low, Jaca Beats adapta para embalar as pistas com tracks com proeminência de bumbos e Roland TR-808, harmonizando transições que tornam impossível que os ouvintes fiquem parados. Então vamos de chatline!
1 Oie, Jaca Beats! O que você anda fazendo no dia de hoje, antes de abrir essa entrevista?
Eu faço faculdade de administração, inclusive me formei este ano, trabalho numa pensão de comida mineira em Volta Redonda/RJ, com minha família. E nas horas vagas estou sempre produzindo um som no FL Studio para tentar seguir carreira na área musical..
2 Você é de Volta Redonda/RJ. Pode contar pra gente como aconteceu seu contato inicial com a música?
Eu comecei a tocar violão entre os meus 14 anos na igreja. Depois disso, eu comecei a montar bandas covers. Nos meados de 2015, eu comecei a gravar uns sons de bobeira numa Drum chamada mixcratf. Foi aí que eu iniciei na produção, depois migrei para o fl Studio e estou aí até hoje.
3 Você é produtor e DJ, como funciona seu processo criativo resumidamente?
Eu não tenho muito um método, mas eu adoro ficar no Youtube ouvindo vários sons diferentes, porque eles me dão muita ideia para uma produção, mas às vezes eu uso sample de inspiração, às vezes eu toco alguma nota, aí já vem o som completo e vou montando. Mas eu curto fazer aos poucos, aí vai se encaixando aos poucos pra montar uma música completa.
4 Qual o rolê mais doido que você já tocou? E porque foi inesquecível?
Eu amei tocar na Fau Rio, que foi um evento que me iniciou com um palco grande, e foi muito legal, pois no dia estava chovendo muito e todo mundo estava animado e dançando na chuva com meus IDs e pra mim isso foi muito marcante.
5 Você vende uns beats no seu bandcamp, ne? Quais os maiores desafios desse trabalho?
Eu vendo muito sons no bandcamp, mas não é algo que consigo viver da música ainda, mas pretendo viver da música e estou correndo atrás para isso acontecer.
6 Se pudesse escolher um lugar para tocar no Apocalipse Zumbi, onde você tocaria?
Queria muito tocar em Volta Redonda em algum galpão abandonado da CSN. Seria muito bom.
7 Se pudesse escolher um lugar para tocar no Paraíso, onde você tocaria?
Seria uma boa discotecar flutuando, né?
8 House e Funk. Você trabalha maravilhosamente com esses dois gêneros musicais. O que mais gosta de cada um deles?
Eu amo o Flow dos MCs de funk. Tem muita energia envolvida pra dançar e o house conecta muito com isso, com a energia da dança, com um som muito exótico misturando os dois e fazendo algo diferente.
9 O que você anda ouvindo de mais interessante ultimamente?
Eu costumo ouvir um pouco te tudo, mas ultimamente eu estou ouvindo muito UK garage pra estudar uns sons novos, mas to sempre ouvindo de tudo, adoro ouvindo sons novos e estilos mesclados.
10 O que anda preparando para mostrar para o público de BH e da Masterplano?
Estou preparando a famosa mistura do funk, do house e um pouco de technera e meus sons autorais, que é claro que não pode faltar.
Chatline com White Prata
O tesão e o tédio agem juntos. Abrimos o chatrandom em busca de um chat molhado e o sinal da HEBECAM foi rackeada pela WHITE PRATA, uma cyber brasileña nascida no RIO GRANDE DO SUL, que tá vindo para beloris pro casório-divórcio da MASTErplanet. WHITE PRATA é uma das fundadoras do coletivo Vorlat em Poa e do selo FITA FITA em SP e também é integrante do duo Casca Máquina. O chat foi uma loucura. Falamos sobre portais mágicos de Esteio/RS, música non binária y anti-capital, palhaços e RAVE na igreja. Você precisa ler isso aqui!
1 Oiee, White Prata. Muito chic seu nome. Acabei de pesquisar seu nome no google e vi que uma brasileira lá pelos 2017 foi bloqueada pelo face, pois não reconheceram o nome dela. Depois ela conseguiu comprovar que sim, ela era a White Prata. Você tem alguma relação com essa história?
Sim. Eu era o Facebook. KKKKKKK sou folgada, desculpa. Na verdade, essa história me inspirou muuuuuito. É um excelente resumo do mindinho (o que tem francesinha) do Brasil contemporâneo. É uma história de superação, uma batalha contra o virtual onde o real confunde o virtual, o Brasil vence e o Facebook perde. Amém!
2 Vi que você é de Esteio, menor município do Rio Grande do Sul. Sabemos que todas as cidades do mundo têm um portal para outra dimensão. A sua cidade abriga um portal? Onde fica?
O triângulo das bermudas do Sul oferece muita hostilidade confundida com hospitalidade em self-service. Quem tá me devendo vai amar um passeio romântico na Rua da Paz.
Aquele ex-patrão playba safado que mal pagava vai quebrar pedra na Pedreira até morrer só de regatinha e sapatênis. A galera do cosplay de pobre ia amar atravessar a RS, na divisa Esteio- Sapucaia vendada. Quem conseguir repete o desafio no eixo Cachoeirinha- Gravataí. Com o moreco, eu divido um BADJANGA (torre de batata com queijo, muuuita carne de boi, carne de porco, coração de galinha e linguiça). Pras littles trannys do meu kokoro, a gente vem na pegada Salão de Beleza da minha Mamis, o portal das Lindes na minha keké Vila Teópolis (as feia não dá uma volta na quadra sem pedir arrego). E a MASTERCRUSH ia ir de golzinho comigo curtir a mais famosa do submundo e odiada pela lei e minha família, a Rave do Deserto. David Lynch passa mal e Vinícius de Moraes atravessaria a rua de cabeça baixa.
3 White Prata ou Golden Shower. O que é mais desconhecido para o povo brasileiro?
Infelizmente White Prata não irritou o Bolsa Loka de Bosta o suficiente pra virar um tweet até aqui, mas sou artiste brasileire e não desisto nunca. Odeio ídoles e heroínes, só busco meu espaço como meme ruim da vida real no grande absurdo que é viver em 2019.
4 A Vorlat, o coletivo que você fundou, surgiu lá pelos 2014. O que você vê de mudança na cena de Porto Alegre de lá pra cá?
Sempre fui o avesso do clubber, do perito técnico intelectual, do saudosismo e da nostalgia (quando vejo algum resquício disso em mim, corro para o lado oposto), uma das poucas coisas que me dá gosto pela vida é irritar as normas e estressar o óbvio. Porto Alegre sempre me sorriu conservadora e é a Disneylândia pra fazer tudo que citei anteriormente e ser feliz. Confesso que pouco me conecto com a cidade e sua cena, a qual não me identifico e nunca me representou (quem eu sou, meu corpo e muito menos ideias), o que pra mim não é problema algum (o clássico da minha vida é não se sentir representado).
A mudança que mais me chama atenção é a transformação de coletivos existentes e surgimentos de outros com o foco em representação de corpos e ideias, falando mais do que blablabla TUM TUM TUM classista CDJ e xeração metida a intelectual pós-moderna. O que eu vejo é que antes tinha + gente folgada achando que era urubu mas era tudo carniça podre KKKKKKKKKKKKKKK.
5 O que mais chama sua atenção na cena de Porto Alegre?
A batalha diária das porto alegrenses do meu coração pra fazer o que se ama sem virar uma festa automatizada paga boleto de música eletrônica de gente héteronormativaaaaaaaaaaassa (que se veste só de preto) cheia de gíria gls. Diferentes cabeças surgindo e evoluindo, trazendo vivências muito mais ricas para as pistas. Menos sets cheios de track de gringo RICO!!!! branquelo e muita pesquisa avançada de deixar o sudeste salivando. Sem contar a galera autoral que já inspira o século 22, encabeçando o top hit do meu coração..... Saskia, Tabu, Pianki e a assombração de porto alegre a única barba que já amei. Alexandre Moreno.
Eu simplesmente amo o coletivo Turmalina (coletivo de música eletrônica de produtorxs negrxs) e a Zona Exp (coletivo experimental das doidona sem medo). Eles simplesmente chegaram na cidade e falaram pras chata: "VCS VÃO TER QUE ME ENGOLIR". Qualquer coisa que mande um VTC pro conservadorismo na terral do Sulito e seja completamente ilegal já vira meu crush eterno.
6 Você acaba de chegar numa igreja e lá tem duas pistas. Uma tá rolando um live só com monstras barrocas e outra um DJ-set 155bpm liturgia das pagãs. Pra onde vc vai?
Gente, é nessa igreja que quero ser velada, meus amores! Anotem aí, por favor! Meu critério de desempate seria: pra onde foi as minha little tranny????
7 Cite duas referências sonoras & não binárias pra gente ficar de olho.
Música eletrônica infelizmente é MUITO CLASSISTA. Eu não sei o que aconteceu no meio do caminho, que chegamos em 2019 e 95% do que vejo é uma bosta normatizada sem esperança e na mão de quem tem dinheiro pra ter acesso e bancar seus fracassos. Convenhamos, isso não inspira e não dá perspectiva alguma, e dá vontade até de fazer outra coisa da vida. MAS HÁ LUZ e ela contorna as adiversidade$$$$$$$ geografica$$$$$$ e corporai$$$$$$$ e sabem que a própria arte é uma missão. Sou grate por viver na mesma época e ainda poder ser próximo de grandes pessoas que me inspiram!!!!! Eu poderia fazer uma dedicação pessoal para cada uma delas KKKKKKKK mas aí vai, anotem:
Massam, a Xerosinha Jup do Bairro, Miuccia, Rafinha Badsista, PUJOLL (ouçam a buceta do homem pós moderno)!!!!!, a européia que eu amo Odette, Violet, Carneosso, Saskia, as Deli Girls, Linn da Quebrada, Perrelli, Eram, Delcu, Acaptcha, Frontinn, Letz.... Dessas inspos eu só não fiz som com a Violet, Frontinns, Carneosso e as Deli Girls, mas ainda há tempo. Ah! Vou fazer uma menção honrosa para o DJ hétero que eu amo: RHR. O único que chegou pra mim e perguntou antes de tudo, qual pronome eu gostaria de ser chamada :) Inspiração de vida e superação, junto com todas essas, compõe as cabeças do futuro.
8 Existe uma força estranha querendo nos normatizar todos os dias. Como você faz pra sair ilese dessa prisão?
"A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos." Karl Marx em O 18 Brumário de Luiz Bonaparte.
9 Os palhaços nos fazem rir. Mas do que os palhaços riem?
Do espelho.
10 O que tá pensando em mostrar-atormentar nesse casamento-divórcio de 4 anos?
Pra quem gosta de salgado vou levar doce, pra quem gosta de doce vou levar salgado xPPP. QUEM VIVER VERÁ!!!!!!
Chatline com Retrigger
Foto: Isadora Luchtenberg
O Chatline de hoje tá bem LOKAL REAL OFICIAL. No melhor estilo “De volta pra minha terra”, conversamos com Raul Costa, o Retrigger, esse punk lokal que vem a BH fazer um live xocante na Bodas de Fritas. Como vocês devem perceber, ele é super apto pra tocar em casórios, cortejos e festas de família.
Na ativa desde 2001, Retrigger é um músico eletrônico brasileiro que, em suas apresentações ao vivo, mistura o som 8-bit e a estética maximalista do breakcore. Tudo isso com retrofuturismo (theremin!), videogames e um tanto de humor.
A gente passou um brilho labial sabor morango e abriu o chatcam com ele. Vamos lá!
1 Oie, Raul. A gente tá doido pra ver seu live bem na vibe “De volta pra minha terra”. Qual sua relação com BH hoje? Você vem sempre aqui?
Visito sempre BH, tenho um monte de amigues aí, além dos meus pais, né? Nos últimos tempos tenho ido mais por dois motivos, minha namorada belorizontina e meu projeto novo, que estou trabalhando com a incrível Stephanie Tollendal. Nosso duo se chama REIKO REIKO, já já lançaremos as primeiras tracks. Tá muito bom, aliás. Acho que vcs vão gostar.
2 Quando você começou a fazer um som em BH, como era a cena na capital? Você era mais conectado com a cena punk, indie, eletrônica? Conta pra gente!
Gente, tem tanto tempo... Quando me mudei pra BH, em 1999 (eu nasci em Contagem e cresci em Ipatinga), a cena punk era muito legal e acabei ficando próximo das bandas e das pessoas, foi uma coisa de formação mesmo, acho que a forma que penso música, arte e minha vida ainda é bem ligada ao jeito punk de fazer as coisas. Era época do Butecário, uma "casa de show" que rolava no sindicato dos bancários, uma iniciativa do Edmundo, que hoje toca o Matriz. Gente, eram umas bandas muito mais ou menos que a gente achava incrível. Aliás, era uma vida muito mais ou menos, acho que nem sinto saudade, mas foi importante demais. Acho que o período da Mansão Libertina e Carnaval Revolução (2002-2004) foi REALMENTE muito legal e importante. Ali se criou algo que talvez estejamos precisando hoje de novo.
Depois abriu A Obra, toda aquela coisa da surf music. Eu me misturei com esse povo também. Ao mesmo tempo, teve Anderson Noise e aquelas raves grandonas em volta de BH, isso era ano 2000? Algo assim. Também me misturei nessa bagunça. Na época, o "certo" era ser parte de uma cena, se vestir igual aos coleguinhas, mas eu meio que não tava afim disso não. Eu corri atrás de todas coisas, acho q não fez muito sentido na época, mas hoje parece que eu escolhi bem. Em resumo, hoje tá mais legal, né? Tem uma diversidade de sons, de pessoas e de histórias. Me agrada muito o que eu venho conhecendo de BH hoje em dia.
3 Se você pudesse levar um único instrumento pra fazer um live. Qual você levaria? E porquê é o theremin?
Gente, imagina que chatice eu tocando theremin por horas na cabeça do povo? ahahahah Eu amo o que o theremin é: essa caixa mágica que dá seus poderes pra qualquer um que esteja perto. É só ligar que todo mundo quer ver. É também um instrumento muito expressivo, tanto no som que faz, quanto na performance. Mas ó, um set inteiro... ninguém ia aguentar!
4 A gente já viu você tocando fogo literalmente. Já deu algum erro, acidente ou susto no meio do paranaue?
Primeiro, é 100% seguro pra festa, não se preocupem com isso! Eu faço isso há mais de 10 anos! Mas...uma vez deu errado. E foi importante demais pra mim, porque deu errado MESMO. Queimei todo meu antebraço esquerdo num show em Brasília, queimaduras de segundo grau, ficou bem feio. E era uma época que eu claramente estava perdendo a noção no palco. Esse dia me marcou demais, desde então meu show mudou bastante. Ainda tem fogo e descontrole, claro. Mudei o jeito que encarava muita coisa na hora do show. Agora também tem outras coisas, eu toco mais os synths, eu canto, eu estou dando mais do q só meu corpo pra ser queimado, acho. Falei um monte disso na terapia na época, foi um marco. Gente!! Momento de revelações.
5 Fala pra gente duas refs brasileiras que sempre serão referências pro seu trabalho.
Chico Correa é um moço que não para de ser foda e sinto que vem sendo muito importante pra mim. Acho que no futuro ele vai ser parte da história da música brasileira. E ele ainda está lá na Paraíba, fazendo a correria dele, fazendo parte daquela cena incrível de João Pessoa. Eu via o que ele faz partindo da música popular do nordeste e ficava pensando "qual seria minha parte nisso?". E eu sempre vivi em cidades jovens, tipo BH e Ipatinga. A gente não tem muitas tradições, né? Eu sei que existe folclore, música dos tambores, teve Clara Nunes, Clube da Esquina, mas não eram parte da minha vida. A minha história é feita de punk rock, metal, rockabilly. A banda da minha cidade que todos conhecem é o Sepultura. Iggy Pop é meu Jackson do Pandeiro, né? Então acho que é o que eu faço hoje, sou o Chico Correa do lixo. Do barulho.
A Rita Lee é uma artista que me inspira muito, mesmo que sonoramente não seja assim tão parecido. Eu amo o período dos Mutantes com ela, gosto do início da carreira dela também. Era uma coisa que minha mãe ouvia muito, acabou participando da minha vida. Qdo eu era mais novo, acho que não entendia, mas agora penso bem diferente. Ainda mais sabendo das histórias dela e vendo a forma tão lúcida que ela envelheceu. Adoro ler e ver entrevistas com ela. Essa mulher é história do Brasil. A parte boa da história!
6 O descontrole coletivo vai salvar o país?
NÃO TENHO DÚVIDA! Não podemos parar. Vai dar medo? Vai. Mas ninguém pode parar. É porque não conseguem controlar a vida alheia que começaram essa onda conservadora babaca e violenta. NÃO PARA NÃO!
7 Quais informações sigilosas você gostaria que fossem vazadas?
Quando é que vai cair? Cadê o Queiroz? Quem mandou matar Marielle? Isso todo mundo quer saber né? Mas assim, de foro íntimo, acho que não quero saber muito mais coisa não.
8 O que você acha legal na música eletrônica do Brasil?
As festas e as pessoas envolvidas. O tanto que é poderosa a energia, a diversidade das pessoas, a liberdade que todo mundo sente, os visú loki, os horários impossíveis, a rua.
9 O que você acha very chato na música eletrônica do Brasil?
Gente, acho que dá pra diversificar o som, hein? Tem TANTA coisa incrível que acontece por esse mundão, porque a gente se prende tanto a umas 3 ou 4 referências? E rola em todas vertentes. Acho muito incrível festa em que os DJs não fazem sentido, que não "têm referência", que não parece nada que eu ouvi antes. E outra coisa, em 2019 ainda tem gente tentando dizer que DJ "de verdade" toca assim ou assado. MELDELS.
10 Se pudesse trazer um convidado (de qualquer lugar do mundo) para fazer o live com você, na Masterplano, quem você traria?
Acho que seria o Dan Deacon! Imagina? Com aquela cara de técnico de TI que faz aula de teatro no bairro, tocando música com brinquedos estragados e organizando dinâmicas de grupo com vozinha de robô. Sério, ele organizou um túnel de quadrilha no boiler room.
Ia ser lindo também a Fugu RoMance do Siren's Carcass. Eu adoro ela. E ela é uma sereia. Se bem que não tem mar em bh, não sei como ela se sentiria.
Chatline com Amanda Mussi
Tá sentada? Tou tão ansiosa com esse cumpli de 4 anos que tive que entrar no chatline de novo. A Amanda Mussi aka Amanda Moussie de Maracujá entrou no chatline e a gente bateu um papo com essa mana maravihosa, que vem pra Bodas de Fritas, da Masterplanet. A entrevista tá cheia de ótimas refs, passagens pelo Paraguai_LATINOAMERIK, histórias de adolescência até o techno de bairro do tradicional Santa Cecília, de São Paulo_Brasil. Bota um 7 aí nos seus fones e vem ler!
Crédito: otimokarater
1- Oie, bee! Como vc tá agora? Qual o seu estado de espírito nesse momento, agora que você abriu o chatline?
Eu to ótimaaa, super feliz, ouvindo as pre masters do disco que vou lançar em setembro animadíssima e respondendo emails.
2 - Eu (Mastermana) acho um bafo sua relação com o Paraguai. Sei que há aí uma relação familiar, mas podia contar pra gente como é isso de fato? Você nasceu lá, morou lá, tem parentes?
Sim, meu pai é de lá, desde que nasci vou pra lá várias vezes por ano visitar e morei lá dos 8 aos 13 anos. Foi lá também que conheci meu melhor amigo Ariel, aka P. Lopez, que foi a pessoa que mais me influenciou a entrar na música. Tenho uma conexão de família e de trabalho muito forte lá. Meus irmãos adolescentes moram lá ainda e tenho muitos amigos.
3 - Como é sua relação com a música eletrônica latinoamericana? Em quem devemos ficar de olho na cena latinoamericana?
Como eu cresci acompanhando muito o trabalho do LPZ (coletivo de 3 artistas que o P. Lopez faz parte) que é do Paraguai, e ao mesmo tempo morando em São Paulo, pude ver de perto como ainda sofremos consequências da colonização. E quanto mais eu viajo para outros países da América Latina, mais me apaixono pela identidade de cada país em suas respectivas cenas. Ainda não somos valorizados como deveríamos, mesmo com toda a riqueza musical que temos no continente. Eu luto muito para que os países latinos se unam mais, especialmente o Brasil que parece um continente separado, os polos culturais ficam longe das fronteiras, o idioma e a síndrome de que o que vem de cima é melhor, criaram um abismo entre nós e os demais países. E isso com certeza é fruto de uma mentalidade colonizada. Acho que a relação com os países nórdicos deveria ser mais horizontal, precisamos de muita reparação histórica para mudar isso. E ainda assim resistimos muito para viver do que fazemos com música, o que lapida muito nossa identidade e nossa forma de nos expressar. Acho que o sofrimento faz nossa expressão artística ter mais vida, sem dúvida.
Os artistas da América Latina que tem que ficar de olho:
Chile: Aurelius 98 (Chile), Andrea Paz, Persona
Colômbia: Magdalena/Ana Gartner, Julianna, Leeon, Mansvr
Argentina: Zomvic, Amin Diamin
Paraguai: LPZ, Octavio, P. Lopez, Cosmo Lopez, Bordon, Victoria Mussi, Koko
México: AAAA, Machino.
4 - Sobre Santa Cecília e o techno de bairro. Você costuma encontrar as vizinhas pra brincar na CDJ e tomar uns bons drinks?
Mas é claro!!!! Eu vivo na casa da Cashu e da Laura comendo, tocando e bebendo bons drinks. Adoro um techno de bairro e as techninha do bairro frequentam minha casa também.
5 - Gigs pelo mundo e gigs pelo Brasil. O que você acha que só tem aqui? e que não tem no primeiro mundo das privilegiadas, além do bozonazi.
Aqui tem uma liberdade que não tem em outros lugares. Aqui pode fazer tudo, praticamente tudo, mesmo com a lei, é bem mais flexível que outros países em alguns aspectos ainda......
A energia das pessoas é bem única também, xs brasileyrxs são muito fofxs, dadxs, animadxs, kerydxs <3
6 - Qual era sua banda favorita na adolescência?
311 kkkk uns boyzão gringo do surf alaaaak
7 - Qual foi aquele start na sua carreira de DJ?
Acho que quando conheci a Volvox e comecei a tocar em Nova Iorque com ela. Isso deu uma guinada nas coisas. Essa mulher, além de uma grande amiga, é um anjo na minha vida que me abriu muitas portas pelo mundo <3
8 - O que acha dessa polêmica sudestina (ironia) - bpm alto e bpm baixo?
Eu tô por fora kkkkk mas pelo visto as pessoas não entenderam que todo mundo pode coexistir né? Ninguém é obrigado a escolher um time, vai na festa que toca o bpm que vc gosta e eu vou na do bpm rápido. Tem pra todxs.
9 - Você tá terminando um long long set de muitas horas. Qual vai ser a última track?
Eu tenho tocado uma música minha que vai sair nesse EP que falei ali no começo, ela é bem legal para fechar. Ou então eu coloco uma música disco, depois de ter tocado pesado, pra todo mundo ir embora sorrindo. Essa aqui é clássica da roberta closing
10 - A gente tá muito feliz com sua vinda pra Masterplanet. O que você tá preparando para esse date casamento boda quinceanera radical passeio completo?
Eu tou até nervosa, esse date tá pra acontecer faz 1 ano já, não sei se vai ser namoro ou amizade, mas to mega ansiosa para tocar para as mastermonas. Tou preparando um enxoval de bate cabelo das trevas, um techno/house radical chic.

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LIVE SET
MASTERp la no
17/03