Renasci.
Como em um parto exaustivo e cansativo, foi cortado os nossos laços. Eu que era acostumada com o que jĂĄ vinha vivendo, levei um grande choque em me sentir sozinha. E, como um recĂ©m nascido que se descobre dia apĂłs dia, foi assim que me vi nos Ășltimos 365 dias.
Tudo ao meu redor estava desmoronando e eu, perdida e apavorada, achei que o amor ia me salvar. E salvou, mas nĂŁo o amor que eu achei que seria e sim o amor que eu nĂŁo valorizava mais: o amor prĂłprio.
Eu estava com tanto medo da vida, do presente, que tentei me agarrar em um futuro que, sĂł por ser futuro, nĂŁo tem como saber se vai acontecer ou nĂŁo. Eu procurei em pessoas, em lugares, em bebidas, algo que sĂł encontrei dentro de mim: Um novo eu, com infinitas possibilidades, vĂĄrias qualidades e defeitos e que merece imensamente ser feliz e fazer muita gente feliz.
Eu me preocupava muito com os outros, com dinheiro, com trabalho, com rótulos e esqueci de mim. Mudei em relação a isso? Não completamente, porém agora eu entendi que posso sim me preocupar, mas não posso tomar pra mim algo que não é meu e nem sofrer por algo que ainda não aconteceu e nem sabe se vai de fato acontecer. As coisas tem o tempo certo para acontecer e acreditar nisso me fez seguir em frente.
Nesses 365 dias eu fiz coisas que nunca imaginei, conheci lugares que eu sempre quis ir e outros que eu nem imaginava. Eu aprendi que amar Ă© ser livre, Ă© ser desafiada todos os dias, Ă© encarar a vida com leveza e consciĂȘncia, Ă© se permitir a ser quem se Ă© de verdade. Ainda dĂłi lembrar, mas logo essa dor se transforma em força e vontade de continuar seguindo a minha vida.
Sou grata a Deus, grata aos meus ancestrais que me trouxeram até aqui, grata aos meus verdadeiros e poucos amigos, grata ao universo, grata ao Sol por ter me ensinado "a nascer e a se por", sou grata a vida e por todas os sentimentos e sensaçÔes que senti até aqui.
GratidĂŁo a minha crise de ansiedade, que me ajudou a despertar e me ensina diariamente que nem sempre tudo estĂĄ bem, mas eu sempre saberei lidar comigo mesma e que eu sĂł tenho a mim e isso jĂĄ Ă© tudo.
Termino esse desabafo citando uma das mĂșsicas que me acompanhou nessa transição:
"Me perdi pelo caminho
Mas nĂŁo paro, nĂŁo
JĂĄ chorei mares e rios
Mas nĂŁo afogo nĂŁo"
PS.: Para eu nunca esquecer: Aqui
Agora














