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Margaery aproveitou seu horário livre para poder ficar esperando o final da aula do herdeiro de Corona. Encostada em uma parede fingia ler seu livro, mas na realidade estava atenta para a aparição de Soren. Quando o garoto finalmente saiu da sala, a anilena guardou seu livro e movimentou sua mão direita em direção a ele, sussurrando: - Lubricam principis corona facta est terra. – sua magia roxa saiu em forma de fumaça, dirigindo-se aos pés de Fitzherbert. Ao vê-lo cair uma risada alta escapou de seus lábios e ela bateu palmas anunciando sua culpa. Seus olhos chegavam a derramar lagrimas de alegria enquanto ela se aproximava de um príncipe que era incapaz de levantar. Os demais aprendizes já se afastavam sabendo das desavenças da dupla. – Sabe, Soso, eu não sabia que finalmente tinham te tirado do trono de Corona! Mas ainda bem que já arrumou um trabalho aqui no castelo como faxineiro. Você está fazendo um ótimo trabalho limpando o chão!
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Aproveitar-se da distração alheia ao sair da aula, para Soren, era de uma covardia extrema. Deturpar a emoção pura de ser livre da tortura diária era baixo, muito baixo. E, apesar de normalmente não estar acima de tais ardis, tudo mudava de figura quando estava na outra ponta da equação. O alto humph! que deixou seu corpo junto a uma quantidade considerável de ar, só ajudava a provar isso. “ Porra… ” gemeu, confuso com o que o tinha levado a cair de forma tão espetacular. Mentalmente, tinha lá suas dúvidas, mas fisicamente era o epítome do equilíbrio. A questão, porém, logo foi esclarecida pela risada escandalosa de Margaery. Que pequena mequetrefe! Levantando o olhar para a loira, não havia nas íris castanhas nada além de intenção assassina. Contudo, o príncipe se forçou a soltar uma risada, surpreendendo aqueles que passavam apressados por eles — com certeza antecipando uma briga. E não seria o Fitzherbert a decepcioná-los. “ Ah, Mae, aí que você se engana. ” Ainda sobre as próprias costas, esperou que a anilena ficasse ao seu alcance, o que aconteceu pouco antes de sua última provocação. Ela estava melhorando em seus esforços para tirá-lo do sério, tinha que admitir, mas nenhuma centelha de respeito o impediria de reaver seu orgulho. Esticando um braço, rapidamente o posicionou por trás dos tornozelos da princesa, puxando-os em sua direção. “ Eu nunca faria um trabalho tão bom quanto você. ” Praticamente podia ouvir as vozes de seus amigos repreendendo-o por se trocar com a Pendragon, censurando-o por derrubá-la. Obviamente, estava ciente do quão não cavalheiresca era sua atitude, no entanto, ponderado não fazia parte de seus atributos. O sorriso em seus lábios, então, tornou-se mais genuíno. “ Se eu soubesse que queria tanto trocar de lugar, teria te dado a chance de se voluntariar primeiro. Tenho certeza que você tiraria mais proveito da função, já que dificilmente será rainha. Talvez até conseguisse o papel de Gata Borralheira! ” Sentindo que o agarre do feitiço havia enfraquecido, tentou levantar novamente, agora sendo bem sucedido. Não nutria emoções positivas pela garota no momento, principalmente quando havia tanto a fazer antes da excursão ao parque no dia seguinte e ela atrapalhava sua agenda, porém, viu-se oferecendo-a uma mão amiga… A princípio. “ Por mais ansiosa que esteja por realizar uma boa ação, está começando a atrapalhar o fluxo do corredor. ”
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O choque de cair no chão só não foi maior do que sua raiva. Se ela pudesse, matava Soren ali mesmo naquele momento, sem se importar com o que os outros pudessem falar. Como ele ousava fazer isso com ela? Pouco importava na cabeça de Margaery que ela havia começado. Oras, ela estava se divertindo e ele estava provocando. Eram coisas totalmente diferentes! – Eu vou te amar seu safado! – xingou a Pedragon, o que arrancou algumas risadas das pessoas ao seu redor. – É melhor você sair correndo porque quando eu levantar eu vou te transformar em um inseto! – ameaçou a princesa enquanto tentava se colocar novamente sob os pés, mas caia toda vez que se movia, o que a deixava ainda mais irritada. Seu pai havia dito algum dia que o feitiço sempre se virava contra o feiticeiro e essa era uma daquelas situações, porém a anilena odiava quando Arthur estava certo e estava realmente decida a transformar o príncipe em um animal qualquer. Com um orgulho totalmente ferido, pensou em negar a mão que Soren oferecia, porém pensou melhor e aceitando a oferta, puxou-o novamente para o chão ao mesmo tempo em que se levantava, desvencilhando-se do feitiço. – Acho que o gatinho borralheiro aqui é você, vossa alteza. – dando foco no final de sua fala, Margaery fingiu fazer uma referencia quase que teatral. – Mas não sei pra que essa cara! Vou melhorar seu dia, ok? – usou seu sarcasmo apenas para dar inicio ao movimento de sua mão direita, que se mexeu fazendo um circulo no ar. Murmurou o feitiço – pluviam – e assistiu satisfeita uma nuvem preta começar a nascer em cima da cabeça de seu adversário. Acenou para ele em despedida no mesmo tempo em que a água começou a sair da nuvem com estrondoso relâmpago.
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Conhecia bem o temperamento intempestivo da Pendragon e, apesar dos indícios contrários, tinha plena ciência do que provocava ao atiçá-la. Bom, talvez não plena, mas essa não era a questão. A verdade é que as consequências de suas ações pouco lhe importavam, de modo que não havia nada para impedi-lo de debochar da princesa que o ameaçava. “ Você não deixa de surpreender, schatz. Já escutei declarações feitas nas alturas, mas gritadas do chão é a primeira vez. ” Que sua risada estrondosa se juntasse a de outros estudantes pudesse irritá-la, não fazia diferença alguma para Soren. Se muito, a possibilidade de retaliação servia apenas para incentivar um comportamento ainda mais imprudente. E como não seria assim? Vivia pelos desafios que surgiam em seu caminho. Pelo menos, de covarde não poderia ser taxado — um dos erros principais na insinuação de Mae, que deveria ter apostado todas as fichas em sua estupidez. Até mesmo ele tinha que admitir a burrice de seu ato de gentileza para com a garota. Que inferno, já não havia aprendido que cachorro maltratado sempre mordia a mão que lhe era estendida? A risada cheia de antes foi substituída por uma seca, destituída de graça, porém repleta de irritação. “ Foda-se ”, respirou. Ela literalmente o tinha sobre os joelhos. Por um segundo, limitou-se a encarar o chão, sentindo o peito oprimir e a visão embotar. Estava perdendo o controle, sabia disso, contudo, não conseguia refrear a onda de raiva que engolfava qualquer pensamento racional. Estava furioso. Mais que isso: revolto. Uma reação perigosa, e completamente desmedida, impulsionada por um gatilho há muito esquecido e inadvertidamente disparado. Não tinha culpa, é claro, seu corpo simplesmente agia por instinto e seu poder, ansioso por retaliar a suposta ameaça, agitava-se em resposta. Em outro momento, seria certo dizer que jamais usaria seu poder contra alguém, contra Mae, de forma tão direta. Entretanto, certezas não poderiam, nem deveriam, ser consideradas em relação a ser tão imprevisível quanto o Fitzherbert. Ao erguer novamente a face para encarar uma sorridente Margaery, cujo os lábios teciam outro de seus feitiços, algo mudara no príncipe. Os traços que denotavam irritação relaxaram, tornaram-se inexpressivos… A não ser pelos olhos, lentamente consumidos pela escuridão outrora restrita às profundezas de sua magia. Como num mau agouro, o castanho fora engolido pelo negro, alastrando-se para além de suas bordas. Foi uma sorte, realmente uma sorte, que o professor finalmente tenha se aventurado para fora da sala de aula, motivado pela comoção criada. “ O que está acontecendo aqui!? ” A voz forte, juntamente com o trovão soando acima de sua cabeça, foi o suficiente para atravessar o transe que Soren havia sucumbido. Tão rápido quanto havia lhe tomado, seu poder retrocedeu, deixando-o ofegante. Que merda tinha acabado de acontecer? Só poderia esperar que a água ensopando sua camisa, colando-a a seu corpo, não só justificasse sua reação, como distraísse sua plateia dela. Foco, era disso que precisava, surtos teriam que ficar para depois. Assim, ergueu-se sobre seus pés, forçando o mais descarado dos sorrisos em seus lábios ao dar um passo em direção a anilena que tratava de fugir, puxando-a para seu lado.
“ A minha querida Mae estava frustrada com o clima ensolarado de hoje, muito avesso ao humor dela, e resolveu me usar como solução, não é? ” Indagou, pressionando-a contra seu flanco, satisfeito por compartilhar a pequena tempestade. Voltando-se para o docente, continuou em tom de camaradagem. “ Eu que não me oporia aos desejos de uma dama. Então como pode ver estamos bem e decentes… Por pouco tempo. ” De fato, chuva, roupas brancas e pudor nunca formaram uma boa parceria. “ Se nos der licença, temos que… ” disse, fazendo menção de ir embora, entretanto, fora interrompido antes de dar um passo sequer. “ Parados, os dois. Não ousem subestimar minha inteligência, altezas. Me acompanhem até a diretoria. ”