JĂĄ se sentiu perdido? Claro que jĂĄ, todo mundo, toda hora, em algum momento sentiu um vazio que nĂŁo podia ser preenchido com comida ou abraços. Um vazio que vai muito alĂ©m do emocional, seja ele no tal do coração ou esse conjunto de sinapses que vez ou outra alguĂ©m traz a tona para justificar os ditos impulsos. Se sentir perdido tem uma relação muito mais intima, fica na entranha do seu pensamento, no lugar mais escuro da sua felicidade, ele te consome e corroĂ como uma necrose que pouco a pouco dilui seu bem-estar em uma tremenda escuridĂŁo. Ă ainda mais doentio ou dolorido quando acontece em meio a seu lar. NĂŁo falo da casa propriamente dita, mas do ambiente confortĂĄvel onde se compreende que vocĂȘ pode ser vocĂȘ mesmo: Seu cĂrculo de amigos. Ă como se mesmo ali, no meio dos seus iguais, toda a cena fosse vista em terceira pessoa, e vocĂȘ nĂŁo Ă© mais vocĂȘ, pois ali, onde se encontra, jĂĄ nĂŁo cabe mais. EntĂŁo, em meio a tal deprimente viagem, vocĂȘ se encontra na procura de pequenos detalhes, momentos e sensaçÔes que justifiquem sua presença ali. VocĂȘ tenta provar a si mesmo que ai Ă© seu lugar e de forma desequilibrada retomar o controle de sua vida. VocĂȘ respira e olha as pessoas em sua volta; VocĂȘ respira e se sente pequeno; VocĂȘ respira, olha os diversos sorrisos e força sua graça; VocĂȘ respira e se reconecta; VocĂȘ inspira e se realoca; VocĂȘ expira e jĂĄ passou. Mas no fim daquela noite, talvez sim, talvez nĂŁo, vocĂȘ se sente estranho, como se tivesse simplesmente se contentado, vocĂȘ se sente culpado por forçar conforto ao desconforto e ao menos eu, choro baixinho pela falta de coragem pra mudar.
Lucas Castro














