Se havia um lugar onde Hyomin passava boa parte do seu dia livre antes de seu trabalho era no jardim de seu clube. Lá a jovem conseguia manter toda a calma que a cidade não conseguia lhe proporcionar durante todo o seu dia, ainda mais tendo que olhar para o rosto de várias pessoas e ainda sorrir como se aquilo fosse algo super normal para si, mesmo que por dentro ela estivesse simplesmente gritando para que tudo aquilo acabasse logo e pudesse voltar para o seu quarto.
E como ela não sabia andar sem o seu caderno, a jovem acabou por pegar ele e um lápis que deixava ali dentro entre as folhas onde pelo menos uma estava sem nada, mantendo a sequência de folhas numeradas onde toda as anteriores já estavam totalmente tomadas pelos seus rabiscos, começou a desenhar ali toda visão que tinha daquele local: as flores, as árvores, o céu, as plantações, as paredes, e até mesmo tentando acompanhar os movimentos dos ventos e os novos focos que cada folha ali continha pela mudança repentina.
Ficar ali desenhando para si era sua terapia, até mesmo o seu remédio com mais efeito calmante do que qualquer outra medicação. Então sua distração de rotina era ficar ali, respirando aquele ar e sentindo todo aquele aroma das plantas que haviam naquele local. E isso nem sempre era o suficiente para si, já que em alguns casos tinha que arrumar todas as flores por algo sempre prejudicar o seu crescimento de alguma forma, mesmo que seja com os ventos tombando elas ou até mesmo alguém provocando tudo aquilo.
Contudo, a jovem estava feliz aproveitando que tudo estava em seu devido lugar, restando atenção até mesmo nas condições de cada plantação ali presente, suspirando feliz e observando as horas para que não acabasse se atrasando para seu expediente do dia, então estava usando todo aquele tempo para que pudesse estar ali deixando que tudo fugisse de sua cabeça e ficasse ali só os desenhos que a acompanhava.
Sua paixão era aquele caderno, e não é só porque ele possuía a capa de seu desenho favorito, dos Minions, e sim porque toda sua comunicação estava ali, seus desenhos comuns, de rotina, ou até mesmo os de que pudesse ter conversado com alguém. Já que mesmo que ela não conversasse com ninguém ali a não seu sua prima e seu irmão, gostava de observar que ao menos estava tentando ser mais comunicativa, mesmo que do seu jeito, acabando de folhear tudo ali que estava com as páginas preenchidas e retomando seu desenho de anteriormente.
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Seu dia estava sendo normal, principalmente depois de correr pod todo o campus de um lado para o outro para que pudesse encontrar sua prima, mas algo parou sua atenção por um momento.
Um rapaz estava em um canto sozinho tocando violão, e aquilo não prendia sua atenção do por ele estar sozinho, mas por estar tocando tao bem aquele instrumento. Talvez Hyomin tivesse a vontade de ficar violão, já havia ate mesmo tentado aprender com o do irmão ainda que sozinha, mas não dava nada certo.
E como de costume, queria registrar aquele momento, e foi então que a jovem de sentou em outro canto daquele local, mesmo que longe, focando sua atenção nas linhas de expressão daquele rapaz. Por um momento ela havia se esquecido de focar em tudo a sua volta e passou a focar naquele desenho mesmo que fosse só por fazer, colocando todos os detalhes necessários.
Tudo estava ocorrendo bem até que, ao tentar se lembrar de um detalhe que havia faltado no desenho, mas percebeu que o rapaz não estava mais la no mesmo local que começou, acabando por fazer com que Hyomin formasse um grande bico em seus lábios, já que estava ficando tudo quase pronto e só faltava aquele mínimo detalhe.
"Mas... E agora...? Faltava realmente só um pouquinho pra terminar...", pensou consigo, passando a observar o desenho. O principal daquela folha era aquele instrumento, o violão. Era uma curiosidade saber tocar um instrumento de corda, ainda mais um igual àquele.
Se para algumas pessoas os livros eram ótimos companheiros, para Hyomin as flores eram as suas. E não é a toa que ela ficava bastante tempo estudando mais sobre flores do que sobre situações normais para seu curso, mas como dizer que aquilo não estava ligado? Já que estudando dessa forma saberia as melhores flores e melhores locais para adaptar uma plantação em um terreno. Tanto que durante sua tarde na faculdade, buscava ficar ali naquele lugar onde podia explorar cada tanto sem medo de que a achassem uma completa estranha.
— Que diferente você... Parece até mesmo nova por aqui não é mesmo? — Disse em um dos campos espalhados do clube de jardinagem, observando aquela rosa que ao menos sabia sua origem. A jovem podia começar a pesquisar sobre ela e tentar encontrar todas as informações, mas seu primeiro instinto foi de pegar o seu caderno e começar a desenhar aquela rosa.
Tentava fazer os mínimos detalhes dela para que pudesse deixar tudo bem claro ao pesquisar sobre, e como sabia que aquilo seria o seu famoso dia de estudos, decidiu ficar ali admirando tanto aquela rosa quanto também todo jardim. Ela pode até dizer que essa é uma mania sua: ficar admirando as flores e todas as plantações trazia calma e também conforto, já que aquilo é uma paixão.
Tudo estava bem calmo e tranquilo até que acabou ouvindo um barulho. Logo Hyomin não sabia ao certo sobre de quem se tratava, já que mesmo estando tanto naquele lugar, não conhecia boa parte dos estudantes que faziam parte do grupo consigo, e foi então que ela acabou resolvendo ficar ali quieta, voltando a observar as flores e tentando esquecer que não era mais a única ali dentro.
Para a jovem era ruim ter aquela sensação de que não pode confiar em ninguém ao seu redor, a não ser aqueles que ela conhece a um pouco mais de tempo, ou de só ter um pouco de convivência, mas que fosse o suficiente para que pudesse ao menos conseguir falar sem conseguir gaguejar tanto. Aquela sensação onde sua respiração acelerava mais do que o normal, olhava para todos os cantos e a tentativa de não observar todos os movimentos que faziam ao seu redor, mas como era improvável, ela só virou a página do seu caderno e passou a desenhar uma rosa menor, uma de suas favoritas, para que pudesse tentar ao mesmo tempo se distrair e também se concentrar.
Hyomin não podia esconder o seu cansaço naquela noite, já que resolveu passar a manhã e a tarde mais escrevendo e lendo do que tudo. Geralmente isso não faz com que a jovem sinta tanto sono, so que o diferencial disso tudo é que: sua noite que deveria ser de sono acabou mudando para a sem sono e com seus vários desenhos sobre a noite.
O barulho da porta fez com que acordasse de seu cochilo em um so pulo, contudo acabou reparando em quem entrava. A mesma menina de todas as noites que comia ali no seu local de trabalho. Sua curiosidade até que despertava, já que tinha a impressão de que sempre a via em algum lugar.
"Ah, deve ser so mais uma das minhas impressões bobas...", disse consigo. Foi então que tentou manter-se bem acordada, já que sabia que seu chefe nao poderia vê-la daquela forma, pois poderia custar caro o suficiente, como seu emprego.
E como de costume, a jovem saiu de perto do caixa por um momento para que pudesse arrumar uma prateleira rápido ao perceber que haviam feito uma bagunça ali, voltando em seguida para o caixa correndo e pegando seu caderno por um momento, suspirando um tanto baixo e observando o lado de fora da loja, acabando por se sentir um tanto aliviada por ver que estava calmo, mas ao mesmo tempo tendo seu sentimento de angústia por saber que estava calmo demais.
Se tem algo que Hyomin gosta mesmo de fazer é desenhar, e aquilo não era nada de novidade para quem a conhecia. Contudo, saber que mais alguém gostava daquilo mais do que as coisas normais que as pessoas gostam fez com que ela se sentisse um tanto melhor.
Em um dia normal de sua rotina de caminhar pelo campus da faculdade para ver se encontrava alguma coisa nova para desenhar, acabou se deparando com uma pessoa sentada de costas para si e um pouco abaixada, mas ao mesmo tempo que ficava assim, levantava a cabeça aos poucos e esticava o corpo, o que dava a impressão de que era para que não pudesse sentir as dores nas costas.
Aquilo despertou uma extrema vontade de saber o que está acontecendo, e foi por isso que acabou andando até que pudesse chegar perto da garota ali. Por um momento sentiu que não deveria fazer isso, já que parecia estar realmente invadindo o espaço dela, mas quando percebeu o que estava fazendo, Hyomin já estava passando ao lado daquela pessoa e prestando atenção e seu desenho.
“Hyomin... Por que você não cria coragem logo de falar com alguém...”, pensou consigo, mas como não tinha ainda total segurança, ela só andou mais um pouco e parou novamente, passando a olhar aquele ambiente.
Observar aquele local que a jovem desenhava a fez sentir uma enorme vontade de ficar ali também, acabando por arrumar um canto mais isolada para que pudesse pegar seu caderno e seu lápis inicialmente, passando a observar tudo que estava ali até se encantar com um lado específico, começando aquilo que tanto ama fazer, desenhar.
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Existe um motivo pelo qual Hyomin é chamada por sua prima de kungfu panda, e é pelo simples fato de que a jovem praticava esse esporte quando era mais nova, e ter que sair da classe na época que resolveu se isolar de todo mundo doeu muito em si, então suas práticas acabavam por ser em casa mesmo. E ao descobrir, quando passou na prova, que a universidade onde a jovem iria estudar fornecia esse esporte a fez muito alegre, contudo sua alegria foi para baixo ao ver que o horário iria bater justo com o de seu trabalho.
Então, como a jovem não poderia praticar aquele esporte durante sua estadia na faculdade, aproveitava alguns momentos de treino dos alunos para que pudesse assistir estes, pois assim ao menos não esqueceria todo o seu treinamento e também como se defender quando precisasse. Estar ali acabava por ser até tranquilo, pois mesmo com os gritos e disputas em dupla durante os treinos ela sentia-se bem com aquele local.
“Ah... Que saudades que eu tenho de poder estar assim...” era o que passava pela cabeça dela toda vez que via aquilo, e ela sabia que não podia participar daqueles momentos e naquelas reuniões principais onde todos os alunos podiam lutar uns com os outros. E por coincidência, — que talvez era a melhor parte para si — não conhecia ninguém ali, então podia ficar ali a vontade sem que alguém a perguntasse sobre o por quê e para quê perder o tempo que podia estar aproveitando para fazer algo ficando ali sentada observando as pessoas naquela situação.
Se tinha um costume que Hyomin havia aprendido durante seus tempos que queria se comunicar foi a linguagem de sinais, já que sua prima e ela aprenderam a conversar daquela forma para que ninguém entendesse o que estavam falando. Contudo, sempre que podia estava conversando consigo mesma treinando cada vez mais para caso precisasse se comunicar sobre algo importante.
Em sua mente aquilo era algo mais comum que podia acontecer, já que era uma forma de tentar ajudar e pedir ajuda quando precisar, mas junto com isso vinha também: “Espero que ninguém me veja fazendo isso sozinha...”. E sua concentração acabava por desligar a jovem de tudo que acontecia em sua volta, já que precisava tentar falar consigo mesma toda aquela matéria que havia aprendido durante toda a semana, e desde que entrou naquela universidade seu método de tentar memorizar todas aquelas normas e regras era de sentar e conversar consigo mesma.
Já que sua concentração era tanta e não conseguia perceber nada a sua volta, e como a biblioteca era bem calma não tinha como ela perceber que estava acontecendo algo, e então ela acabou não percebendo que alguns alunos passavam pelo local onde estava. Com o livro a sua frente aberto em uma das normas, Hyomin começou a pensar sobre como entender aquilo sem que precisasse decorar, o que estava sendo bastante difícil para si.