Sou publicitĂĄrio e nĂŁo sei inglĂȘs: e agora?
Mercado competitivo exige conhecimento em idiomas, principalmente o inglĂȘs; conversamos com profissionais para entender as principais atividades envolvendo outras lĂnguas.
Para jovens profissionais que acabaram de entrar no mundo publicitĂĄrio ou para aqueles que querem alavancar sua carreira, o conhecimento em idiomas, em especial o inglĂȘs, Ă© um diferencial na hora de galgar novas posiçÔes dentro das agĂȘncias e lidar com grandes clientes. De acordo com uma pesquisa da consultoria de recursos humanos Robert Half feita com 387 profissionais entre abril e maio deste ano, 67% dos profissionais com ensino superior que estĂŁo empregados tĂȘm fluĂȘncia ou nĂvel avançado em outro idioma, sendo 92% fluentes em inglĂȘs e 43% fluentes em espanhol. Entre os profissionais com ensino superior desempregados, o Ăndice de fluĂȘncia em outro idioma Ă© de 60%, onde 94% sĂŁo fluentes em inglĂȘs e 44% em espanhol.
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Mas com que frequĂȘncia o inglĂȘs Ă© realmente utilizado na publicidade? AtĂ© que ponto dĂĄ para se virar sem ser fluente no dia a dia das agĂȘncias? Conversamos com publicitĂĄrios para entender as ĂĄreas e atividades onde o idioma Ă© mais exigido.
CĂcero Rohr, diretor de atendimento da agĂȘncia Master, acredita que o que determina a necessidade do inglĂȘs Ă© o perfil do cliente. Uma multinacional, por exemplo, pode pedir que um publicitĂĄrio acompanhe uma reuniĂŁo de board internacional ou leia diretrizes globais da marca antes de um briefing. âAtendemos a um cliente que Ă© uma grande multinacional, a Volvo CaminhĂ”es, e recebemos muitos documentos em inglĂȘs que precisam ser consumidos por vĂĄrias pessoas na agĂȘncia. Guides sobre a marca, sobre produtos, referĂȘncias de comunicação de outros paĂses sĂŁo parte do dia a dia de uma conta assimâ, exemplifica.
ReuniĂ”es com clientes e operaçÔes internacionais das agĂȘncias
Para quem trabalha ou tem vontade de trabalhar com marcas e agĂȘncias internacionais, Ă© preciso estar preparado para participar de reuniĂ”es, ligaçÔes, webinars de treinamento e apresentaçÔes com executivos e times gringos. FunçÔes que interagem mais com clientes e exigem a negociação com parceiros de outros setores, como para profissionais de atendimento, e atividades que envolvem a defesa de projetos e apresentaçÔes, como planejamento e criação, requerem o domĂnio de outras lĂnguas com mais intensidade.
âVisto que temos cada vez mais executivos internacionais rotacionando em posiçÔes pelo mundo, inclusive no Brasil, que Ă© um mercado importante para diversos segmentos da indĂșstria, tem sido cada vez mais necessĂĄria a fluĂȘncia em inglĂȘs para executivos de atendimento, ĂĄrea comercial, planejamento e criação, principalmenteâ, afirma Ligia Vulcano, COO da agĂȘncia Sunset.
Beatriz Moura, Business Account da FutureBrand SĂŁo Paulo, conta ainda que podem surgir situaçÔes de Ășltima hora onde profissionais devem âse virarâ para lidar com parceiros. âPor vezes precisamos mudar o idioma da reuniĂŁo no momento da apresentação porque na sala estĂŁo presentes uma ou mais pessoas estrangeiras. Nesses casos, dominar o inglĂȘs Ă© essencial para que o conteĂșdo seja compreendido por todos os presentesâ, conta.
AtĂ© mesmo criativos podem cair de paraquedas em brainstorms com clientes internacionais. Felipe Andrade, diretor executivo de criação da Rapp Brasil, conta que jĂĄ foi avisado de surpresa de que haveria uma reuniĂŁo com filiais da agĂȘncia. âDisseram que tĂnhamos 20 minutos pra criar e explicar a ideia. Fomos no melhor estilo freestyleâ, relembra. Ele acredita que o conhecimento em inglĂȘs tambĂ©m ajuda a compor o storytelling e criar nomes para cases. âSe quisermos que a ideia rode o mundo, todos devem entender o raciocĂnioâ, afirma.
Mesmo para quem nĂŁo domina o idioma, Ă© possĂvel dar conta do trabalho em algumas atividades, garantem os publicitĂĄrios. Trocas de e-mail e a elaboração de relatĂłrios podem passar com a ajuda de colegas e da internet, na opiniĂŁo de Ligia, da Sunset.
âMuitos profissionais tĂȘm um bom entendimento do inglĂȘs, mas nĂŁo tĂȘm fluĂȘncia para falar. Nesse caso, leitura de materiais do cliente e do mercado, participação em apresentaçÔes do cliente e workshops sĂŁo atividades que um inglĂȘs intermediĂĄrio cumpre o papelâ, afirma.
Fabio Brito, VP de atendimento da Leo Burnett, afirma que Ă© difĂcil trabalhar no âembromationâ. âFluĂȘncia Ă© percebida e a falta dela vai fazer diferença em uma apresentação para cliente, em um texto de email que precisa ser redigido, em contrato que precisa ser avaliado no idioma, em um novo negĂłcio e em entendimento para que nĂŁo haja ruĂdos nos processosâ, argumenta.
Por outro lado, cursos de inglĂȘs podem nĂŁo caber no bolso de todos os profissionais, principalmente daqueles em inĂcio de carreira, entĂŁo uma dica Ă© ouvir podcasts e ler publicaçÔes sobre publicidade e marketing em outros idiomas. âLeia, ouça entrevistas, veja programas e assista a filmes. Existem cursos gratuitos e um mundo de possibilidadesâ, recomenda o executivo.
Em segundo lugar na linha de importĂąncia entre os idiomas estĂĄ o espanhol, muito utilizado por marcas em fase de expansĂŁo e agĂȘncias com clientes latinos. âO que temos usado e precisado cada vez mais aqui na Sunset sĂŁo pessoas fluentes ou nativas nas variaçÔes da lĂngua espanhola para atuar em social media como community managers para operaçÔes de AmĂ©rica Latina, pois conhecem a cultura e expressĂ”es locais da lĂnguaâ, diz Ligia, da Sunset.
Beatriz, da FutureBrand, afirma que o inglĂȘs ainda acaba tendo preferĂȘncia em trabalhos com executivos de diferentes partes do mundo, mesmo quando hĂĄ vĂĄrios profissionais latinos envolvidos. âEm um contexto em que todos sĂŁo da AmĂ©rica do Sul, no entanto, opta-se pelo espanholâ, completa.
Fonte:Â http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2018/08/02/sou-publicitario-e-nao-sei-ingles-e-agora.html