Eu ainda não sei como descrever o que esta semana me fez sentir. Penso que não sou a pessoa indicada para dizer como é que as pessoas devem reagir num momento como este.
É inadmissível que em 2020 o racismo ainda seja uma realidade, principalmente sendo que o país onde ele mais é evidente é supostamente um dos países "mais evoluídos do mundo" os EUA são como um livro que tem uma capa linda, maravilhosa, com uma sinopse espetacular, mas que depois de lermos o livro percebemos que fomos enganados e que o livro afinal não é tão bom como esperávamos, nem de longe nem de perto. Considero que nos últimos 4/5 anos as coisas foram gradualmente piorando, politicamente, socialmente, ambientalmente... E espero que este ano sirva pelo menos para mudar mentalidades e formas de estar. Não quero pensar como é que as pessoas mais afetadas por estes flagelos se devem estar a sentir. Não imagino. Mas sinto que tenho de fazer alguma coisa e tenho pena de não ter uma voz mais ativa e que alcance mais pessoas. Porque embora pareça que nada muda, há sempre esperança e nunca podemos deixar de tentar.
A verdade é que eu não consigo exprimir em palavras aquilo que sinto. Mas, nós, os privilegiados, devemos informar-nos e educar-nos e àqueles que nos rodeiam. Fazer tudo o que for possível para pelos menos os mais próximos de nós mudarem de mentalidades. Eu sei que a mentalidade é a coisa mais difícil de mudar nas pessoas e num povo em geral. Enquanto as pessoas forem mal educadas desde crianças nesse aspeto e não forem chamadas à atenção enquanto são jovens vão sempre haver pessoas racistas, homofóbicas, xenofóbicas... pois são ideias erradas que muito possivelmente foram transmitidas pelas suas famílias que pertencem a uma geração onde estes temas nem eram discutidos e muito possivelmente escondidos da sociedade e era aceitável e normal que estas atitudes erradas acontecessem e infelizmente até era estranho se alguém pensasse o contrário e essas pessoas eram consideradas loucas. Cabe-nos a nós, jovens, mudar o mundo- literalmente- mudar as mentalidades, espalhar a palavra, discutir estes flagelos da sociedade e praticar a mudança, estudando sobre estes assuntos, informando-nos a nós próprios e aos outros. Se não mudarmos agora estes comportamentos vão continuar a acontecer e a humanidade nunca vai evoluir. Vão continuar com os mesmos pensamentos retrógrados. Vamos continuar a estar desinformados. Vamos continuar a ter comportamentos errados e criminosos.
Como é que é suposto confiarmos na polícia quando eles são os primeiros a mostrar sinais de racismo e preconceito? Como é que nós vamos denunciar uma situação causada pelas pessoas que deviam proteger-nos? Como é que vamos acabar com a supremacia branca? Devemos usar a nossa liberdade de expressão e de ação- dentro dos limites, claro- para mudar estas situações e melhorarmos o nosso mundo, o mundo onde os nossos filhos, netos... vão viver. E eu quero que eles vivam num mundo seguro onde este tipo de coisas não acontecem. Onde respiram ar puro, onde não há preconceitos, onde todos são aceites e têm os seus direitos, onde o ambiente está a ser respeitado e onde eles podem ficar seguros. Eu quero fazer parte das mudanças a que temos assistido neste século. Quero dizer com orgulho que mudámos o mundo em que vivemos, futuramente. Quero contar uma história com um final feliz, porque é assim que eu quero e espero que isto acabe. Que acabe bem. Que todos sejam iguais e não tenham medo de ser diferentes. As diferenças são boas, são elas que nos enriquecem. O que não pode nunca acontecer é sermos tratados de maneira diferente injustamente só por não sermos iguais. Isso não pode ser tolerado.