A minha mente não me obedecia, eu permanecia deitada ali, na minha cama fria, olhando para a lâmpada fluorescente e pensando em tantas coisas que me atormentavam de modo que não seria possível explicar. Meu corpo estava ali, intacto, imóvel, mas a minha mente vagava por um universo distante a procura de explicações para o que eu estava sentindo. Nenhuma resposta foi obtida. Aquela luz me deixara vesga, minha mente conturbada gritava, de modo que qualquer outro ruído eu não escutaria. Desliguei a luz, porém, a cama não tinha como ficar quente, afinal, as noites de Amsterdam congelavam-me por dentro e por fora. Fechei os olhos, e ainda assim não pequei no sono, meu pensamento estava em você, em nós dois, ou melhor, no fim do que um dia chamamos de "nós". As lembranças preenchiam meu corpo. Por dentro abria-se um grande telão onde repetiam-se cenas de uma amor inesquecível. As pálpebras tremiam executando uma sinfonia de sons. Podia-se ouvir a chuva na vidraça, o vento chacoalhando as cortinas, a caixa de musica se alentando em busca do fim. O corpo pesava e os sonhos se despertavam. Finalmente você estava ali. Ao te olhar suspendiam-se as dúvidas e um sorriso trocado com o meu deixava a certeza de que estaríamos juntos pro resto de nossas vidas. Aquela paz era a resposta certa a tanta saudade. Então como em um encaixe perfeito nas engrenagens do meu coração dominei o meu destino, acordei e parti. E se houver um final do mundo irei até lá te buscar.