Tomar os medicamentos, drogas, pílulas, cápsulas, suspensões e até os sublinguais, vale mesmo a pena?
Ouvindo o psiquiatra do House, aquele médico com sérios disturbios mentais, falar que ele poderia ter ajudado Vicent Van Gogh, e que pode ajudar o House, seu paciente, se ele quiser ser ajudado, me fez pensar muito sobre a utilização, ou a não utilização desse tipo de medicamento.
Para os desconhecedores do histórico médico de Van Gogh, um dos pintores mais geniais, na minha humilde opinião, foi diagnosticado com transtorno bipolar do tipo I. Essa doença consiste em períodos alternados de depressão profunda, e de mania, quando o paciente sente que pode tudo, que sua presença na terra se compara com a presença de Deus, que ele pode absolutamente tudo, até cortar a sua própria orelha. Mas também há um lado "bom", e eu não sei, sinceramente, até que ponto isso é bom, mas, há uma genialidade no paciente, este se sente apto a trabalhar horas e horas a fio em trabalhos manuais e intelectuais, como pinturas e textos.
Isso explica muito a genialidade deste artista, como ele conseguia juntar traços e cores de uma maneira tão interessante e agradável aos olhos. Mas, e se na época em que este gênio viveu, houvesse a psiquiatria atual, e por acaso ele resolvesse se tratar ou alguém internasse ele mesmo contra a vontade, querendo que ele se trate e volte a ser "saudável e normal", será que ele teria, hoje em dia, tão grande fama recorrente aos seus quadros maravilhosamente pintados?
Eu, como um terço farmacêutica - sim, eu me considero não só uma estudante, mas sim uma amante da arte de tranformar susbtâncias químicas que dependendo da dose podem matar, e dependendo, também podem curar - não acredito que ele teria tamanha genialidade, tamanho desenvolvimento de sua arte. Ele teria sido só mais um, mais um pintor frustrado, com um pequeno atelier, com quadro comprado pelos parentes por pena de tanto tempo e esforço disperdiçado em algo tão sem emoção e beleza. Apenas mais um pintor, apenas mais uns poucos quadros sem importância.
Acho que deixar uma pessoa acordar um dia extremamente eufórica, com planos de dar a volta ao mundo em menos de oitenta dias, e como veículo para isso, apenas um balão, terminar o dia na sua cama, chorando pois Deus - segundo o que ela acredita, esqueceu-se dela e da sua dor - sem comer por horas o sufientes para acabar com todo o glicogênio existente no fígado e começar a usar as gorduras como combustível para mais energia disperdiçada em expelir lágrimas e apenas respirar, pensando como a vida é injusta, simplismente não é justo. É sofrimento demais para uma pessoa só, sofrimento que poderia ser tranquilamente dividido em várias pessoas voluntárias.
Eis a questão, abrir mão da genialidade, ou abrir mão do sofrimento? O paciente tem essa escolha, mais difícil - significamente mais difícil - que a escolha de Sofia.