Pareço feliz por fora, e é isso que mais me confunde. Porque ninguém imagina o caos que carrego por dentro, nem eu sei como ainda disfarço tão bem.
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Pareço feliz por fora, e é isso que mais me confunde. Porque ninguém imagina o caos que carrego por dentro, nem eu sei como ainda disfarço tão bem.

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O CASTELO E A RUÍNA
Sabe, que saudade eu tenho dos velhos tempos. Por um tempo, eu amei e fui amada e vivi os mais incríveis dias de amantes apaixonados. Aquele sonho acordado. Aquela útopia.
Eu tinha 17 anos e uma vida de aventuras pela frente. O "casinho" virou família. Ele virou meu lar, meu aconchego, meu porto seguro. Me mostrou um mundo de que eu gostava mais do que o meu. Não tínhamos status e nossa casa era menor que meu antigo quarto. Mas éramos Amor e, o mais importante: livres.
Aí fui mãe. Mãe dos meus bichinhos. Uma maternidade muito mais gratificante que a coespecífica (mãe e filho da mesma espécie — esse termo existe porque na própria natureza existem muitos animais que adotam filhos de outras espécies, então sim, continua sendo maternidade a relação humana-pet).
A princípio éramos três: eu, Lucas e nossa querida gatinha Guguinha. É muito importante dizer isso porque ela foi um grande marco em nossa relação. Aí veio o Gu e depois o NestNest. Guguinha, uma princesinha marrenta. Gu, vulgo Billy, seu "namoradinho" apaixonado e carinhoso; e NestNest, o "intruso" medroso.
Foram tempos mágicos. Mesmo com meus surtos de bipolaridade intensos aos 17 anos, no fim da adolescência, amei toda a minha família com todo o meu coração. Éramos nós e os gatinhos, e ninguém tinha nada a ver com a nossa vida. Mais tarde veio o Baquinho, meu querido Cocker Spaniel Black and Tan. Felicidade é o nome.
Que saudade eu sinto. Nós ouvíamos música o dia inteiro; CDs e mais CDs, naquela época não havia smartphone. Íamos à praia, morávamos na praia. Nosso apartamento de areia e maresia. Nessa época eu já tinha 21 anos e ele 30, e nossos filhos crescendo.
Ele cozinhava e eu sorria. Às vezes eu brigava, batia nele, em mim, mas nunca nos bichinhos. Ele chorava, eu chorava e nós nos amávamos até o dia amanhecer. Não existia tédio, nem espaço para mais ninguém. Até que, mesmo sem espaço, veio a Gaia-Shiva. Minha pretinha velhinha sofrida. À beira da morte e do abandono, encontrou seu caminho até mim e eu me apaixonei à primeira vista pela primeira vez (com o Lucas foram necessárias muitas vezes).
Foram meses de quarentena no quarto de hóspedes se recuperando. Pensei que eu a estava salvando, mas foi, com certeza, o contrário. Ah, minha Gaia... Por um tempo fomos nós dois, três gatinhos e dois cachorros. Todos com personalidades muito marcantes e diferentes, o que nos tornava uma família feliz e completa. Aliás, esse era o nome do nosso empreendimento na época: "Hospedagem Família Feliz", nosso hotelzinho para cães; a casa ficava cheia deles. Éramos muito felizes e completos.
Meses depois a Gaia se foi. Já estava recuperada, conseguia correr, brincar e cuidava de mim; era muito feliz, mas seus órgãos falharam num mal súbito devido à idade e às sequelas da cinomose. A casa perdeu a luz e parte de mim se foi.
Uns meses depois, a visita da minha mãe ocasionou a perda do nosso filho Billy. Pronto. A desgraça se instalou. A perda destruiu nossa família; o rombo em nossos corações nos destruiu. Nunca mais fomos os mesmos. O sonho acabou. Lucas e Baco foram para um lado; eu, Guga e NestNest para o outro. O fim de uma era.
Hoje já não tem mais Guga, e NestNest não mora mais comigo. Sou uma mãe sem filhos, uma esposa sem homem e uma mulher incompleta vivendo sem propósito, buscando um novo caminho e entendendo como ser feliz de novo. Tentando recolocar os tijolinhos nas ruínas do que já fui.
Mas agradeço. Amei e fui amada. Amei, e muito. Ah, que saudade!
Sabe, ontem eu consegui consertar uma torneira. Anteontem eu terminei um livro. E assim sigo essa vida, mais ou menos.
O Caminho Até Você
Há várias pessoas na mesma calçada em que estou, mas não posso ouvir seus passos nem os carros transitando. De cabeça baixa, continuo meu caminho.
É de manhã, e não sei muito bem onde estou indo. Eu pego o ônibus e vejo que as ruas estão vazias — há somente corpos transitando, sem nenhuma empatia. Então fecho a janela, porque até a paisagem parece morta. Checo o meu relógio, e já são cinco e cinquenta.
Peço ao motorista para parar a um quarteirão e meio. Gosto de imaginar o que vou dizer a ela quando a solidão passar, então desço um pouco antes da sua nova casa. Eu havia esquecido as flores, mas, por sorte, no novo endereço havia uma floricultura perto — e eu pensando que nada dava certo.
Enfim, como sempre, subo a rua e entro. Ah, sim, esqueci de comentar (rsrs): eu sempre senti aquele frio na barriga, mesmo depois de me declarar várias vezes.
Enfim, ela estava ali, debaixo de um gramado extremamente verde e cheio de vida. Eu olhei fixamente para a lápide, e dizia:
“Me faça ser poesia — e todos aqueles goles de café, com cigarros morrendo em você todos os dias...”
Fernando Oliveira
"Minhas emoções não mudam — elas explodem."
Até quando vc é forte? Até que ponto você aguenta ser forte? Usar máscara e mostrar para mundo que você está bem, quando na verdade por dentro você está a ponto de explodir de tanta agonia e aflição, com tantos sentimentos invadindo sua cabeça?

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Eu não imaginava que com 30 anos estaria aqui nesse mesmo velho lugar... Na mesma dor, nos mesmos ciclos, nesse mesmo loop infinito.
Meu Deus… até quando hei de vagar por essa bipolaridade que me dilacera em silêncios e tempestades ? Até quando suportarei essas inseguranças que se agarram à minha pele como sombras famintas, essa angústia sufocante que pulsa no peito e faz minha alma sangrar em feridas que ninguém vê?
Até quando vou me curvar diante do mundo, apagando minha própria luz como se fosse indigno de existir ? Até quando vou me encolher diante do mundo, me diminuindo como se fosse menor que qualquer sombra que passa ? terei algum dia descanso, ou sou condenado a caminhar por esta noite eterna onde até meus próprios passos me temem? Será que algum dia encontrarei paz, ou estou destinado a caminhar eternamente com esse vazio que me acompanha como um velho amigo triste ?
Lar de extremos
Não era pra ser tão difícil levantar da cama,
como se cada manhã fosse um parto da alma.
O corpo pesa, o mundo exige, e eu… me arrasto.
Não era pra ser tão difícil sair com amigos,
como se o sorriso precisasse ser ensaiado,
mil vezes diante do espelho —
pra fingir que existe alegria onde só mora o esforço.
Não era pra ser tão difícil abrir os olhos
e já negociar com o humor do dia,
implorando por estabilidade como quem pede ar.
Não era pra ser tão difícil.
Mas é.
É um peso que ninguém vê.
Uma dor que não sangra, mas dilacera.
É o vazio que habita até os dias cheios,
o eco constante do nada.
Tentei preenchê-lo com compras impulsivas,
com agitações vazias,
com copos cheios,
com festas barulhentas.
Mas o buraco ficou.
Sempre fica.
Será que um dia…?
Será que um dia ele cala?
Não era pra ser tão difícil.
Viver… não era pra ser tão difícil.
Mas o meu viver é luta.
É tropeço disfarçado de rotina.
É guerra dentro de mim —
uma batalha entre extremos que ninguém vê.
E não, não é falta de fé.
Não é ausência de Deus.
Quem dera fosse algo tão simples de resolver.
É o caos químico,
é o fogo e o gelo revezando dentro do peito,
é ser lar de extremos,
sem saber quando um invade o outro.
Ainda assim, estou aqui.
Tentando não afundar nessa multidão.
Tentando me reerguer,
mesmo quando não sei mais onde me apoiei da última vez.
Às vezes, falho.
Mas tento.
Com o que me resta.
Com o que ainda pulsa.
Não era pra ser tão difícil.
Mas é.
E mesmo assim… eu fico.
Eu insisto.
E isso, só isso, já é uma forma de coragem.
-Danielly R.