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Harley Quinn sketch I drew. Kind of a mix-matched combination of the various Harley Q styles that I like. #harleyquinn #harley #dcsuperherogirls #dccomics #comics #jayju #monsterhigh #drawing #doodle #illustration #design #graphicdesign #characterdesign #ipadproart #procreate #characterart #sketch #sketchbook #blueline #digitalart #digitalpainting #design #instaart #cute #kawaii #mh #eah #artist #everafterhigh #illustrator
Supergirl sketch for fun. #supergirl #dcsuperherogirls #comics #jayju #monsterhigh #monsterhighdolls #drawing #doodle #illustration #design #graphicdesign #characterdesign #ipadproart #procreate #characterart #sketch #sketchbook #blueline #digitalart #digitalpainting #design #instaart #cute #kawaii #mh #eah #artist #everafterhigh #illustrator
...
— Você vai se perder. — John o provocou, não se importando que o outro homem andava a sua frente, mais fugindo do que com ele.
— Como se fizesse diferença. — Ronan não conseguia evitar grunhir entre uma palavra e outra. Ele estava particularmente irritado aquele dia. Não pretendia ser perturbado por ninguém, nem mesmo a pena dos amigos, e muito menos por um sorriso insistente e olhos estupidamente azuis.
— Ah sim, a pose de “garoto perdido” ainda se mantem, não é? — John acelerou o passo para que pudesse ver a reação do outro quando provocava, claramente se divertindo.
Eles desviaram juntos do ciclista que vinha na direção contrária, na calçada estreita, o que os fez esbarrar um no outro. Ronan levantou um braço cruzando o peito do outro e o empurrou para o lado, abrindo espaço para continuar sua missão sabe-deus-para-onde. John pulou um pouco quando a pele do braço descoberto do outro encostou na região das suas clavículas, o que não passou despercebido por Ronan. Nada passava.
— Caralho! Você ta frio para uma porra, meu irmão! — Ele encarou Ronan como se fosse um quebra cabeça interessante e mais do que um tanto bizarro. Ronan apenas mexeu os olhos em sua direção e deu de ombros, sustentando o olhar do outro pela primeira vez aquele dia.
Os dois não eram realmente grandes amigos na escola, longe disso, mas frequentemente esses encontros ocorriam e eles incomodavam um ao outro à loucura. O fato de Ronan tolerar John naquele dia mostrava que ele realmente apreciava a presença. Eles andaram alguns segundos sustentando o olhar um do outro até que Ronan o desviou, fingindo querer ler um menu de um restaurante qualquer.
— Não sabia que você era fã de... — o outro garoto não deixou passar despercebido o último movimento de Lynch, encarando a nuca descoberta de Ronan, por onde as pontas e curvas da tatuagem de suas costas se enrolavam e juntavam com a fina linha de seu cabelo que era sempre raspado quase a nulo. — Lagostas? — John exclamou, lendo o cardápio. — Para o café da manhã? Eu até sabia que você era burguês, mas a esse nível...?! — John deu uma risada alta.
Ronan simplesmente estalou a língua e continuou andando, sentindo o olhar que fitava suas costas causar um arrepio.
— Aquele seu irmão, Declan, ainda está metido com política? — John afirmou quando voltou a seguir o outro, quase esbarrando nele quando Ronan parou abruptamente e agarrou seu casaco de couro. Seu rosto, geralmente frio, mas calmo, como uma geleira, tinha assumido uma forma escura, como se a geleira tivesse criado rachaduras fundas o suficiente para soltar um iceberg que mataria a qualquer um que estivesse no meio. Esse definitivamente não era um assunto que o garoto queria ouvir falar.
— Não pronuncie o nome deste verme na minha presença.
John enrijeceu por um momento, mesmo Ronan não tendo levantado um punho. Sua voz era firme e áspera o suficiente. John sabia que ele era forte, mas também sabia que já haviam se ameaçado antes. Logo, relaxou os ombros e levantou as palmas das mãos. O rosto de Ronan em um relapso pareceu para John, mais angustiado do que bravo, por isso o garoto decidiu dar um desconto e parar de pentelhar por um tempo.
— Não está aqui quem disse. — Ele disse, sério pela primeira vez no dia. O que fez com que Lynch acreditasse após o encarar por alguns segundos mais.
Dessa vez, quando voltaram a andar, Ronan permitiu que John acompanhasse seu passo, sem trocar um olhar novamente com o outro garoto, que resolveu, como se estivesse acostumado a ser ameaçado, a cantar tranquilamente alguma música que estava na sua cabeça desde cedo.
Eles andaram por mais cinco minutos, o que era um bom exercício, visto que já haviam andado por no mínimo vinte e cinco. Ronan parou então, estreitando os olhos e entrando num estabelecimento sem pensar mais do que 4 segundos. John, por outro lado, parou e retrocedeu, tentando ver o que a placa dizia.
— Piscina? O que merda você quer numa piscina no meio do outono? Pirou de vez? — apesar dos protestos, ele o seguiu. Ronan já estava no balcão, empurrando uma nota que com certeza era alta o suficiente para admitir os dois. A mulher na recepção encarava ele como se estivesse louco. Em seguida olhou para o novo integrante da cena, buscando um pingo de sanidade em John, que apontou um dedo para a própria têmpora e girou “cou-cou”, indicando que Ronan era louco. A mulher deveria estar repensando toda a sua vida, por tê-la levado ali, mas com os dedos finos e magrelos, pegou a nota e devolveu o troco, que Ronan pegou apenas uma parte.
— O aquecimento está quebrado, nem mesmo as equipes de natação estão vindo. — Ela alertou, depois do pagamento, apontando para uma placa que tinha passado despercebido por John. Ronan não esboçou surpresa. Quando novamente nenhum dos dois garotos respondeu, ela apenas se levantou e se debruçou no balcão. — Passem pelos vestiários — Ela apontou para a sala com armários azuis enferrujados que circundavam a entrada da piscina coberta. — Troquem de roupa, não deve ter ninguém, podem pegar qualquer armário. — Sua voz era tediosa, e ela olhava os dois por cima dos óculos com um olhar desconfiado — A ducha é obrigatória antes de entrar na piscina. Roupas de banho são necessárias. Não é permitido brincadeiras perigosas. A sauna só deve ser ligada na presença de um funcionário e está superaquecendo. Alguma dúvida?
Antes dela ao menos terminar de falar, Ronan e sua mente conturbada já estavam passando para dentro da sala dos armários. John mostrou o polegar para a mulher e passou sorrindo, atrás dele.
— Você nos fez andar 30 minutos para nadar? No meio do inverno? Você deve ser completamente louco. — John fechou a cortina da sala, impedindo que a mulher continuasse a julgá-los. — Você tem pelo menos uma sunga? Você usa sungas? Ronan Lynch usa sungas?
Ignorando o questionamento de John, Ronan apenas arrancou a regata por cima da cabeça e a jogou num cubículo azul que rangeu quando ele o abriu.
— Você estava numa merda de uma academia e está reclamando de um pouco de exercício? — Ele respondeu, se virando para John. Seu corpo se arrepiou, como uma memória muscular da última vez que os dois estiveram juntos, mas se qualquer um perguntasse, ele diria que fora o vento.
— O frio deve ter comido seus miolos. — John não se moveu, apenas manteve-se parado observando se o outro realmente ia em frente com essa loucura. Seus olhos, estupidamente azuis, fitavam curiosamente as linhas escuras que saiam das costas do garoto e eram apenas um detalhe nos ombros. Ele parecia ansioso para lembrar do padrão complicado que cobria toda as costas do outro.
— O frio. — Ronan riu sarcástico — Quem me dera. — Ele então procedeu, chutando as botas e livrando os pés, desabotoando a calça em seguida, respondendo à pergunta do outro. Não, Ronan Lynch não usa sunga.
Muito menos aparentou ter vergonha enquanto deslizada a calça pelas pernas pálidas. Nem mesmo quando John claramente encarava o corpo nu só coberto por uma cueca.
— Vai tirar uma foto? — Ronan jogou a calça no armário e desceu o vestiário até os chuveiros, passando direto e ignorando as informações da recepcionista, indo direto para a porta lateral que levava à piscina.
John piscou duas vezes.
— Lunático filho da puta. — Ele xingou, antes de proceder a tirar as próprias roupas. Logo ele que tinha pensado hoje mesmo como o dia estava frio demais para ficar de cueca por aí. Mas ele não daria o braço a torcer. John riu ao olhar pra baixo e perceber que estava usando uma cueca tão preta quanto o resto das roupas que ele deixou amontoar no chão.
...
— Você precisa mudar o horário dessas aulas, John! Já passa do meio-dia, isso é inadmissível! — mal tenho tempo de abrir os olhos e posso sentir a luz do sol queimando minhas retinas através da janela aberta e o vento frio batendo em meu corpo seminu, quando as cobertas são abruptamente arrancadas de mim. A voz de Lorelai — ou “mãe” como costumava chamá-la na maioria das vezes — ecoava em meus ouvidos em um volume absurdamente alto, causando dores mortais até nos cantos mais profundos de minha cabeça.
— John, por favor. Rebecca e Ana já estão para sair. —completou, dessa vez mais calma e posicionada como uma estátua nos pés de minha cama.
Abro um sorriso preguiçoso depois de esfregar meus olhos e raciocinar. Se fosse qualquer outra pessoa do mundo ousando me acordar dessa maneira, garanto que não viveria para contar a história. Observo minha mãe, pulo da cama direto para abraçá-la por trás e lhe encher de beijos, arrancando-lhe um riso e leves tapinhas em meus braços.
— O que você me pede sorrindo que eu não faço chorando, minha rainha?!
— Anda, John! E vê se não liga essa barulheira que você chama de música no último volume! Qualquer dia lhe chamam o hospício. — Exclamou já em direção a porta do meu quarto, fechando-a assim que saiu. Tive que rir de sua fala; somente um tolo para incomodar-se com as maravilhas que ACDC é capaz de nos proporcionar através de suas letras. Vizinhos tolos, todos grandes mal-encarados insuportáveis, com exceção de minha mãe é claro.
Espreguicei-me e corri a fechar o vidro da janela do meu quarto. Era uma manhã extremamente fria, deveriam chamar o hospício se eu aguentasse mais dois segundos apenas de cueca com esse vento ala Frozen invadindo meus aposentos.
Olhei em volta e reparei que meu relógio digital ainda marcava 11:28 a.m. Ri sozinho e neguei com a cabeça, afinal este exagero vindo de minha mãe é sempre previsível. Conectei meu celular a caixa de som via bluetooth em modo aleatório e não demorei a acompanhar a música, cantarolando-a. Abri o meu guarda roupas, peguei a primeira de tantas jaquetas de couro que vi (preta com taxas e bem quente); um jeans de mesma cor e a camiseta que além de escura, era estampada com o nome e imagem de uma banda qualquer de rock. No que se refere ao meu estilo, nunca tive muita preocupação em escolher: minhas roupas eram todas praticamente iguais. Vez ou outra as jaquetas mudavam para jeans ou alguma blusa pesada de lã, e se havia neve podia também vestir alguns acessórios como cachecóis, tocas e luvas. Sempre preto, sempre do mesmo. Assim não tem erro.
Joguei todas as peças em cima de minha cama e corri para o banheiro assim que ouvi a porta se abrir em sinal de que Ana já tinha terminado o seu rápido banho.
Moramos em uma casa simples: não somos tão pobres mas também não chegamos nem perto de ter riquezas. Aqui em casa nada falta, mas também tudo o que temos é fruto do esforço de meus pais: minha mãe trabalha como enfermeira em um hospital na cidade vizinha desde que me lembro, e meu pai é professor de história em dois períodos na escola onde estudei e onde Ana e Rebecca, minhas irmãs mais novas, estudam até hoje. Com seus trabalhos, conseguiram comprar essa casa logo após o nascimento de Rebecca — por volta do meu primeiro ano e meio de vida. Quando Ana nasceu — seis anos depois —, Rebecca e eu concordamos em dividir o meu quarto ao meio com uma porta de garagem e confesso ter gostado muito da ideia. Ana ficou com o pequeno quarto que antes pertencia a Rebecca. Havia dois banheiros, um na suíte de meus pais e o outro para que nós, os filhos, dividíssemos. Por incrível que pareça, não brigávamos muito para dividi-lo: Rebecca sempre tomava um banho rápido devido suas preocupações com o meio ambiente e afins; Ana demorava quase tanto quanto eu, mas sabia que se não me desse a preferência eu me vingaria no dia seguinte acordando-a com o som de minha bateria ou a JBL no último volume embaixo de seu travesseiro.
Liguei o chuveiro e não saí de lá antes de ter a certeza que já haviam se passado pelo o menos 20 minutos corridos. Retornei ao quarto, me vesti e talvez — muito provavelmente — tenha esquecido a toalha usada em cima dos edredons e leve um pequeno grande esporro da minha mãe quando ela chegar em casa.
Quando desci e cheguei a cozinha, encontrei Rebecca preparando o lanche de Ana enquanto comia um outro.
— Fez um para mim? — perguntei já prevendo a resposta, dando um rápido beijo no topo de sua cabeça e pegando a garrafa de leite na geladeira para tomar um pouco em seguida.
— Com certeza não. Mamãe já foi, te mandou um beijo e disse algo sobre Kenan ter ligado e deveres...
— Kenan?! Pivete desgraçado! Deve ter cancelado a aula de novo. Já é a segunda semana, você acredita? Ele quer me fazer morrer de fome! — devo dizer que finalmente terminei a escola, não via a hora disso acontecer. No entanto, conseguir um emprego não tem sido fácil — até porque confesso não procurar tanto —, então tenho mantido meus gastos dando aulas de bateria para quem possa interessar. É algo que me agrada muito e tenho conseguido me manter dessa forma — Vou te levar à academia, então. Estou de folga. — Confirmei, guardando o celular no bolso e revirando os olhos depois de ler a mensagem de Kenan.
— Então vamos! — exclamou Ana, descendo as escadas a toda velocidade e pegando o lanche das mãos de Rebecca — Vocês vão fazer com que eu me atrase de novo e agora tenho aula com ninguém menos do que o pai de vocês!
— Nosso pai. - corrigiu Rebecca.
— Só nosso, Becca. Ana foi adotada! — dou um sorriso em resposta aos olhares de reprovação de ambas e seguimos caminho. Todos os dias eram assim: Rebecca ia para a escola de manhã com nosso pai - que só voltava no final da tarde - e quando chegava em casa, Ana já estava para sair. Preparava o lanche da caçula sempre que eu não o fazia e seguia para academia. Sempre critiquei seus gostos excêntricos e cuidados; Becca tem muitos cuidados com o corpo, com as pessoas... Com o mundo de forma geral. Admirável, mas tenho um pouco de preguiça. Trocar um churrasco bem temperado por um balde de saladas não tem absolutamente nada a ver comigo. Arrisco dizer ser algo de certo impossível.
A escola ficava no caminho para a academia. Pude perceber os comentários das alunas do colegial no portão quando me despedi de Ana. Rebecca virou os olhos e me forçou a seguir caminho. Nunca fui do tipo galanteador e a preguiça que tenho de flertar com alguém é imensurável. Essas garotas do colegial são incapazes de despertar o mínimo interesse em mim. Me interesso pelo jogo da conquista, pelo mistério, dificuldade e posso dizer que mais pelo corpo masculino. Passar na frente da escola sempre me traz certa nostalgia. Não foi o melhor tempo da minha vida, mas pude me divertir.
Perco-me em meus devaneios e quando caio por mim, já estamos na academia onde Rebecca malhava há algum tempo. Espero por ela próximo da cerca e quando olho para trás, certifico-me de que o universo realmente me ama e presenteia sempre que possível. Nunca acreditei em coincidências e raramente me esforço para conversar com alguém, mas não poderia perder a oportunidade de contemplar a presença de Ronan Lynch. Aproximo-me, certo de que isto será no mínimo extremamente divertido.

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Ronan, apesar de todas as desavenças do universo, tinha terminado a escola. Talvez James tenha tido que intervir algumas vezes, não que Ronan tivesse pedido. Mas o que importava era que finalmente ele estava em casa. Em casa com Milla, sua irmãzinha, e o mais importante: longe de Declan.
O irmão cumprira o acordo, não chegara perto da propriedade da família Lynch desde que Ronan finalmente assinara o contrato que dava permissão aos médicos para desligar o suporte da mãe deles.
Essa tinha sido a decisão mais difícil da vida de Ronan. Algo que ele nunca seria capaz de esquecer ou se perdoar por completo, e como um lembrete de sua decisão, ele carregava duas cicatrizes no tórax. Ronan tinha sido irresponsável, mas quem poderia julgá-lo quando ele buscava a sensação de adrenalina fria nas veias e o batimento nos ouvidos para calar as memórias de infância, com seu pai vivo e sua mãe sã e consciente. Uma época onde o maxilar de Ronan não tinha a curva dura que o acompanha atualmente. O momento em que o pneu do carro aquaplanou e o carro perdeu o controle pareceu durar minutos. Minutos de nada. De silêncio. Era como se tudo tivesse se calado e só o choque sobrasse. Era até mesmo tentador essa sensação, essa paz. Mas quando tudo voltou à tona, voltou em uma explosão, e o garoto sentiu uma bola de boliche fria de culpa caindo em seu estômago, ele sabia que o tiro tinha saído pela tangente. Agora ele carrega a cicatriz da ferragem que o acertou nas costelas e outra feita no hospital para reajustar o estrago.
Meses haviam se passado, e apesar de Ronan mandar James se foder todas as vezes que ele tentava falar sobre o assunto, o tempo realmente curava, e as semanas têm estado ligeiramente mais leves.
Ele podia acordar em sua vida pacata, seguir sua rotina de homem do campo, juntar ovos, buscar leite, preparar o café e o almoço de sua irmãzinha. Ele não precisava fazer nada disso, ele poderia pagar alguém para fazê-lo, mas o que merda ele faria o dia inteiro numa granja, sozinho, sem trabalho ou obrigações? Sem ao menos encher a cara até esquecer o nome? Pegar uma briga, alguns diriam. Apostar um racha, outros afirmariam. Mas nem só de encrenca vive um pseudo badboy caipira. Principalmente perto da irmã de oito anos.
Então ele se contentava em cuidar dela, cuidar dos animais, acompanhar James nos eventos menos enfadonhos, os quais o amigo insistia que seria “muito bom” para sua aparência na sociedade, mas que Ronan não poderia ligar menos. Esses eventos serviam para trazer a tona aqueles candidatos a vagas que estão em colocações de prioridades mais distantes da primeira escolha. Ronan, entretanto, nem na lista entrava.
Era começo de outono, e finalmente o tempo começava a esfriar. Não o suficiente para fazer Ronan vestir mais que uma regata, ele gostava de provar ao frio quem estava no comando. O que contrasta perfeitamente com o modo com qual o garoto vestia a irmã, que não botava o pé fora de casa até que o irmão estivesse certo de que ela estava levando casacos suficientes.
Esse era um desses dias nos quais a temperatura caía alguns graus, e Ronan não tinha nem discutido sobre agasalho, só enfiado a peça na mochila da criança e a acompanhado até metade do caminho. Milla insistia que sabia continuar só, e Ronan fingia acreditar que era capaz de deixá-la ir só, então se despedia apertando seu nariz até que ficasse vermelho e beijando sua testa em seguida. Só para virar, seguir por 10 metros na direção contrária, entrar numa rua perpendicular, tomar a paralela e acompanhar a garota nos cruzamentos até a escola. Se ela não o via, não sentia. E quando ela passava pelos portões da escola, Ronan podia seguir para casa sossegado. Hoje, entretanto, ele resolveu não voltar.
Ele sempre diz não perceber, ou ligar, para datas, porém se o observar bem de perto, é possível perceber como o próprio cérebro do jovem é um calendário onde ele marca cada dia com seus afazeres e marcos. Então se ele se atrasava ou não ia para alguma ocasião, tenha certeza que ele só não quis ir. O que não era incomum. Apenas o que é mais importante realmente ganhava atenção dele sem ser embebido de sarcasmo ou cinismo.
Em vez de seguir para a fazenda, Ronan desceu ainda mais a rua, sem rumo. Hoje era um dia no calendário da sua mente que ele não queria estar em casa. Fazia seis meses do dia em que ele foi, olhou diretamente no rosto inconsciente de sua mãe e permitiu que a separassem das máquinas que a mantinham viva. E como se a ironia da sua vida não fosse o suficiente, hoje completava 3 anos que seu pai havia sido “morto em um acidente sem explicações”, como a polícia havia chamado, mas que Ronan não gaguejava a refutar dizendo que ele fora assassinado.
Ronan grunhiu e enfiou as mãos nos bolsos, mas se alguém perguntasse, frio não seria o motivo disso, apesar das falanges dele estarem rosadas do frio. Ele caminhou e passou por um fliperama no qual ele costumava jogar com Declan quando os dois definitivamente não se odiavam. Ele não deixou que seu olhar fisgasse mais do que alguns segundos de memória do lugar e desviou os olhos. Hoje não era um dia de reviver o passado. Dobrou, então, na primeira rua a direita que viu, não realmente ligando para onde estava indo e só parando quando um gato de não mais que alguns meses veio miando agudamente aos seus pés. Ele fingiu desprezar o animal por um total de 3 segundos, até se abaixar e o acariciá-lo. O animalzinho conseguiu com que meio milímetro de fibras musculares na face dura dele se repuxassem no que um observador atento chamaria de sorriso, afinal, Ronan Lynch resistia a muitas coisas, mas não a animais.
— Eu não creio que o badboy da escola tem um coração mole! — Uma voz masculina rompeu o zumbido usual da cidade pela manhã. Ronan parou, apesar do miado de reclamação do gato roçando em suas pernas. Ele ergueu o queixo tão levemente, apenas o suficiente para ver quem o dirigia a palavra, quase como um felino selvagem, muito maior do que o que brincava em seus pés. — O gato comeu sua língua? — O homem o olhava, debruçado na cerca de lounge de uma academia, achando muita graça da própria piada. Quando seu sorriso dobrava os cantos de sua boca, fazia com que covinhas surgissem e o piercing no nariz brilhasse. Ronan rosnou de volta e endireitou a coluna.
Ele o conhecia. E a visão dos seus olhos azuis contrastando com o cabelo tão escuro, que Ronan suspeitava ser pintado, trazia um outro tipo de memória à tona na mente dele. Um tipo de memória tão imprópria para a hora da manhã quanto entrar num bar agora e pedir o whiskey mais forte.
— Sabe, você não é tão misterioso quanto acha que é. — O garoto, John, mordeu a ponta da língua e ergueu os olhos. Ele estava realmente o provocando? Ronan, deu um passo em sua direção.
— Isso não é roupa de ginástica. — Foi uma observação inesperada, como geralmente as observações de Ronan são, mas mais amigável do que 90% dos casos.
— Isto? — ele abriu um pouco a jaqueta de couro, mostrando o conjunto de roupas escuras com cintos e detalhes em metal. Um grande cliché de cara para outro. — É obviamente a minha primeira escolha. — John deu a volta pela cerca, se aproximando de Ronan.
— Elas caem por isso? — Ronan ergueu a sobrancelha, e rolou os olhos em seguida, enfiando as mãos nos bolsos. John por outro lado, sacou a mão e a estendeu em sua direção.
— Qual o cumprimento socialmente aceitável para “nos vimos algumas vezes,” porém “transamos algumas delas”, entretanto “não trocamos mais do que 3 frases”. — Ele manteve a mão erguida e o sorriso idiota insistente no rosto.
Ronan não o respondeu, mantendo o rosto duro.
— Seu maxilar um dia quebra. — Ele rendeu as mãos, fazendo sinal de armas com elas, e soprando, como se soubesse que eram intimidadoras.
Ronan, por outro lado, grunhiu e deu as costas, não expressando qualquer descontentamento. Ou contentamento. Ele apenas manteve o seu caminho.
E John, como esperado, o seguiu.
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