Não sei esconder quando sinto que as coisas saíram do meu controle, apesar de estar tudo no mesmo lugar. Eu penso e repenso sobre o caso, me forço a ouvir o lado racional que me coloca em uma posição sensata, que faz com que eu olhe perspectivas reais sobre o fato, mas, entretanto, o meu peito dói. Aperta feito um massacre de dentro pra fora e eu perco a noção do racional, tamanha a dor que é. Como um tiro bem no coração, que arde até a boca do estômago. Eu hesito, tento voltar ao raciocínio, mas a criação emocional já está lá, presa em meu cérebro, gritando por atenção como uma criança mimada que insiste em algo que nem sequer faz sentido. E sempre dói.
Quando eu vejo as fotos, as lembranças, as situações, eu me encho de emoções irracionais que não me permitem ser racional, não mais. Eu fico triste com o mínimo dos detalhes, e eu nem estava lá para poder sofrer de verdade. As palavras que hoje, eu sei, não fazem mais sentido para você, ainda ecoam no vento, proferidas de sentimento, e eu enlouqueço com aquilo que não existe mais, mas, um dia, existiu. E o tocou, sentiu, chorou, pensou, e, talvez, até mesmo escreveu, como hoje eu faço.
— Laryssa Carreiro