“[...] e o rapaz não tem culpa dessa história toda, Noah, você deveria levar isso em conta.” Adhara lembrava-se com nitidez da conversa que escutara entre seu pai e seu tio. Não tinha o costume de escutar atrás da porta, mas daquela vez fora realmente sem querer. Mas lhe pegara de surpresa. Fora quando descobrira que tinha um irmão, e seu pai tinha um filho fora do casamento, um bastardo. A primeira coisa que se perguntou foi: sua mãe sabia daquilo tudo? Temeu falar com ela e então causar problemas para seu pai, então apenas manteve-se quieta, nunca comentando aquela história com ninguém, exceto com Dara, sua irmã, que era sua confidente. As duas não faziam ideia de quem era aquele irmão, apenas que tinha mais ou menos a sua idade e que estudava em Hogwarts. Por mais que sua curiosidade fosse grande, Adhara nunca quis saber quem ele era. Temia que, se o encontrasse, Noah pudesse sentir a necessidade de trazê-lo para perto da família, de colocá-lo em seu lugar, afinal, era um garoto, era o sonho de qualquer pai.
Até aquele dia em particular. Não houvera nada de especial durante a manhã inteira, as aulas foram normais, conversara com seus amigos, almoçara e então passara o restante do intervalo com Dara nos jardins. Fora enquanto voltava para as aulas da tarde, que ela ouvira algo que lhe atormentaria pelo restante da semana. Havia um grupo de alunos da Slytherin no corredor, e por mais que a maior parte de seus parentes estivesse naquela casa, Adhara não fazia questão de ser receptiva. Mas escutou, brevemente, entre a conversa, a palavra “bastardo”, e em seguida uma risada. Inconscientemente, ela levantou sua cabeça, curiosa. Seu olhar foi parar diretamente no garoto de quem eles pareciam falar, e este também lhe encarava. Aquele breve segundo, naquele corredor, fora suficiente. Se passara uma semana até que criara coragem para ir atrás daquela história. Não se interessava pela vida dos outros, mas fizera um esforço, e mesmo que o que escutara não bastasse para que tivesse certeza, decidiu que deveria ir falar com o garoto. E foi o que fez: no dia seguinte, esperara por ele na saída da aula de Poções, os braços cruzados enquanto andava de um lado para o outro. Quando o garoto saiu, no entanto, pensou por um momento em simplesmente esquecer. Mas respirou fundo e apressou-se para alcançá-lo. “Ei, espera! Você tem um minuto para conversarmos?”