Era mérito seu que tivesse a fama de sensível. O que era realmente engraçado, quando se esforçava demais para não ser visto assim, e muito mais cômico que esse esforço seja um ótimo combustível para a reputação em questão. Ficar realmente incomodado com o termo não ajudava em nada, também. Talvez crescer com o espaçoso do irmão o tivesse moldado assim, ou ter sido paparicado pelos pais, ou talvez a intensidade fosse coisa que lhes corria o sangue. Em sua defesa, o clube noturno (o único da ilha) também era mérito unicamente seu, aberto com o prêmio das competições de surfe, as que ganhava desde que tinha idade para participar. Como ele tinha cabeça para competições, ninguém sabia. Mas assim como o mais velho, Cão Menor amava cada pequeno canto da ilha, e era feliz com os detalhes. Ali ele tinha tanto… Tudo. Amigos, família, amores, admiradores, o mar, o céu, o vento, as aves, as florestas, os penhascos… Se era o príncipe sensível — ou mimado, para os menos gentis ou os mais implicantes, como o irmão — de Saint Abbon de Fleury, ao menos sentia que se encaixava ali, desse ou de qualquer outro jeito.
cnn
Filhos de comerciantes, Cão Maior e Cão Menor são os irmãos caóticos e queridos da ilha, e entre os dois a coisa não é de todo diferente. Se amam tanto que se odeiam, e se odeiam tanto que se amam. Seus pais eram muito ocupados administrando o principal e mais antigo bar da ilha, e as coisas não aliviaram quando aumentaram os negócios, espalhando o estabelecimento por Au Tabor, Alenia e Vesper. Cão Maior assumiu a responsabilidade (não requisitada) da segurança do caçula (a ironia) desde que eram pré-adolescentes. Em realidade, Cão Menor é muito mais responsável que o mais velho, mas o instinto protetor do outro não o permite enxergar. É claro que o estresse em volta disso é recorrente, visto que ambos são surfistas viciados em adrenalina.
A mera menção de Lince sobre participar do campeonato de surfe fez Cão Menor ter um acesso de raiva. Gesticulava sobre como era injusto. Ela ganharia, óbvio, mas injusto. Ela riu, aceitou a fé que ele depositava nela. Era melhor que ele começasse a treinar mais e passasse menos tempo virando canecas de cerveja pela boca grande, acrescentou. Desde então, os dois disputavam as ondas de Au Tabor quase religiosamente, mesmo que ela de fato fosse melhor. Algo duro de aceitar para os irmãos que quase são os donos da ilha. Mas Cão Menor acredita que o esforço pode ultrapassar o dom, então não descansa, beirando a obsessão. Não que correr atrás de algo fosse lhe fazer algum mal.
É de se esperar que a candura de Pomba desperte sentimentos de carinho, mas quando se pôs em defesa de Cão Menor, foi como se tudo ao redor se silenciasse para ele. Seus ânimos naturalmente aflorados não eram fáceis de despertar a empatia dos outros, algo que sempre o deixou ainda mais inquieto. Então, ali, de repente, estava ela dizendo algo sobre ser totalmente compreensível. A chave que virou dentro de si acionou uma cascata de reação, e o resultado foi uma paixão quase instantânea com a qual precisa lidar.
Insulano — nunca deixou Saint Abbon de Fleury
Idade: 21 a 24 anos (utp)
Ocupação: dono da casa noturna
Moradia: Au Tabor
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Nomes que lhes deste são só isso, nomes que lhes deste. Cão Maior gosta da grandiosidade, se lhe perguntarem dirá: é ela que me gosta. Ondas gigantes, grandes feitos, entradas triunfais. Seria mentira dizer que a população de Saint Abbon de Fleury rola os olhos para ele, porque a verdade é que é, sim, adorado. Os anos de ausência, quando deixou a ilha para se formar em biologia, fizeram aumentar esse amor, e não quero usar de injustiça e fazer parecer que ele não o merece. Cão Maior ama a ilha, as pessoas da ilha, cada centímetro de vida e cor e estranheza que só se conhece ali. Seu retorno o fez mais carinhoso ainda, mais presente, mais intenso, porém verdade seja dita: depois de tudo isso, corre para sua casa dentro da floresta de Point-ciel. Não possui vizinhos, só a companhia dos pássaros e o rio que passa no próprio quintal, o lugar perfeito para recarregar entre as histórias de selvas e zoológicos, de festas e fraternidades, e entre os turnos confusos de trabalho divididos entre perambular pela floresta e a sede de reabilitação de fauna da ilha.
cnn
Filhos de comerciantes, Cão Maior e Cão Menor são os irmãos caóticos e queridos da ilha, e entre os dois a coisa não é de todo diferente. Se amam tanto que se odeiam, e se odeiam tanto que se amam. Seus pais eram muito ocupados, e Cão Maior assumiu a responsabilidade (não requisitada) pela segurança do caçula (a ironia) desde que eram pré-adolescentes. Em realidade, Cão Menor é muito mais responsável que o mais velho, mas o instinto protetor do outro não o permite enxergar. É claro que o estresse em volta disso é recorrente, visto que ambos são surfistas viciados em adrenalina.
Pouca gente ou quase ninguém sabe que Cão Maior e Ursa Menor tiveram um caso um tanto longo na universidade, lá no continente. Feito de idas e vindas e altos e baixos, a relação nem mesmo precisava de tanto drama adicional, quando suas próprias famílias se odeiam desde antes deles nascerem. Concorrentes comerciais, a briga vai além disso, uma família conta a história de como a outra lhe passou a perna nos negócios, quando eram sócios, e… nenhuma versão bate com os fatos. De toda forma, hoje Ursa Menor tem que lidar com toda a presença expansiva e espaçosa do ex, visto que a clínica veterinária e a sede de resgate e reabilitação de fauna da ilha são, bem, o mesmo lugar.
O retorno de Dragão podia não ser tão bem recebido por grande parte da população, aquela que o olhava de canto de olho, uma pitada de medo e julgamento, mas estar do lado de Cão Maior certamente facilitava as coisas. A relação inquebrável dos dois tinha de cimento inúmeras histórias, promessas, segredos e piadas internas, e quando diz-se inúmeras é porque são de fato incalculáveis, somadas desde a infância dos dois. Molecotes travessos que corriam por toda a ilha e que, em certos momentos — principalmente quando estão juntos — parecem ter crescido apenas em tamanho. Se um deles já é muito…
Insulano — retorno para Saint Abbon de Fleury: há cerca de 3 anos
Idade: 25 a 27 anos (utp)
Ocupação: biólogo
Moradia: Pont-ciel
Ah, se eu fosse marinheiro… Mas Bússola, sim, o era. Até que há cinco anos, em um junho quente demais, chegou à costa de Saint Abbon de Fleury e nunca mais partiu. Para alguém desesperado para deixar o lugar de onde vinha, movido pelo anseio de algo diferente, um norte próprio que o guiasse, uma ilha no meio do nada poderia soar como um paraíso. Seu lar havia sido o mar, mas percebeu que também era aquele pedaço de rocha imenso no meio do oceano, quase sem internet, vivendo sua realidade particular. Era o mais próximo de um outro planeta habitável que ele podia chegar, e quando se deseja desaparecer do planeta e começar a vida do zero, como dizer não? Acamado durante dois meses, quando seu despertar preocupou a ilha inteira em pleno outubro, era tarde demais para que ele voltasse, e estava estampado em seu rosto o quanto queria ficar, o quanto o convívio com aquelas pessoas, mesmo enquanto estava doente — principalmente quando estava doente —, era tão acolhedor. O mar nunca mais o encarou num chamado de fuga, apenas num de companhia.
cnn
Bússola era quase um corpo sem vida em cima de um pedaço de boia quando Ave do Paraíso o encontrou, muito longe da costa. Ninguém sabia que uma pessoa do mar poderia fazer o oposto de afundar uma pessoa desavisada no oceano, mas o dia ensolarado que aquele agosto preparava não permitiria sua sobrevivência, não fosse por ela. O arrastou até onde pescadores o encontrariam logo, e quando ela própria apareceu jogada na areia de Poubelle um ano e dois meses depois, os olhos de Bússola a reconheceram de imediato, mesmo no escuro. Ele lhe contou o que ela havia feito, mas ela não se lembrava. Sabia que alguma coisa conectava sua memória à ele, nada além disso. Não que ela soubesse ser um feito raro, quando recém chegada e alheia ao que era tradicional de seu povo. Hoje, sabia, e eles mantinham esse meio-segredo (já que a maioria não se deu ao trabalho de acreditar na possibilidade) e a ligação inexplicável.
O reencontro de Bússola com Águia foi assustador, mas ambos agiram com aquela calma militar inexpressiva, fingindo que nunca antes tinham se visto. Parecia incriminador que se conhecessem, em ambas as perspectivas, então desse jeito fluiu mais fácil. Mas as coisas são mal resolvidas demais para que no decorrer daqueles meses não viessem à tona pelo menos uma vez, e essa uma vez desencadeasse a sequência de pautas problemáticas que ainda incomodavam aos dois. Uma amizade que fora mantida por um fio fino demais, se segurando na incerteza da sobrevivência um do outro, e que se rompeu quando se viram novamente, percebendo que estavam bem, e vivos. Você desapareceu! Ela dizia. Não, você desapareceu primeiro, lembra? Bússola rebatia.
Insulano — chegada em Saint Abbon de Fleury: há 5 anos
Idade: 24 a 27 anos (utp)
Ocupação: (utp)
Moradia: (utp)
Quando sua forma de se virar é ser um farol e ao mesmo tempo um buraco negro, em toda sua juventude supostamente inconsequente, nenhuma reação para suas ações era calculada, pesada ou medida, mas ela sabia. Sabia que viriam, e os aceitava quando chegavam. Construindo e desmoronando pontes, fazendo o que queria, quando queria, da maneira como achava mais conveniente. Acumulando amantes, então enchendo o saco e mandando todo mundo para o inferno. É preciso uma infinidade de olhos chamativos como os de uma cauda de pavão, olhando e sendo olhados, mas sem oferecer suspeitas quando você é a própria distração. É chamativa, colorida, dizem ter os pés longe do chão, sonhadora demais, mas não dá pra esquecer que ela é filha de uma mulher tarka, essa que deixou a ilha pouco tempo depois de dar a luz. Seus modos atraem os olhares divertidos, e os julgadores. Não deixam transparecer, no entanto, sua ambição. Dissimulação em sua melhor forma. Conquista sem parecer estar fazendo tudo exatamente como uma peça ensaiada, e se escora em mesas, gira, meio espaçosa, talvez desengonçada, como se cada passo não fosse calculado. Seu pai, o chefe da ilha, esperava uma filha mais centrada para ser sua sucessora quando chegasse a hora. Como pode parecer tão acessível, tão fácil de ser lida, e não ser conhecida por ninguém? Talvez, nem por si mesma.
cnn
Quando Serpente chegou à ilha, os olhinhos brilhantes de Pavão se acenderam. Ela sabia que tinha ali uma oportunidade, e toda sua doçura dissimulada foi direcionada ao forasteiro. Fingindo, dentro de todos seus cálculos, que não sabia do que ele estava falando quando ele dizia que ela era espertinha demais. Menos bobo do que Pavão estava acostumada — muito menos —, ele não se deixou enganar. Deu a corda e a assistiu armar seus laços, as armadilhas que ele tinha a intenção de permitir que ela mesma se enrolasse, mas deixou claro: você não me engana, menina, mas fique, se quiser, e talvez não precise fingir tanto.
A plaquinha com seu nome e o título “chefe da ilha” está nos sonhos de Compasso. E nos pesadelos de Pavão, que sempre teve certeza de que seria a sucessora óbvia. Assim como o pai fora do pai dele. Percebe que Compasso está envolvida demais, confiante demais, sabendo demais. Mas, a depender de Pavão, a usurpadora que aguarde e veja. A aproximação repentina e um tanto forçada de Pavão na rotina do escritório é o suficiente para desestabilizar Compasso, incomodada consigo mesma quando seu controle sempre tão firme lhe escapa diante das menores provocações, diante da sua simples presença no ambiente.
Insulana — nunca deixou Saint Abbon de Fleury
Idade: 26 a 29 anos (utp)
Ocupação: (utp)
Moradia: (utp)
Os dedos repletos de músicas que doíam demais para tocar. Lira era mais que um mero instrumento de tradução de partituras para notas, ela era a música encarnada. Ouvi-la o fazia despertar sem que tivesse conhecimento que vinha dormindo acordado na vida. Nascida e crescida na ilha, viveu uma vida simples e rodeada de canções e danças com os amigos e família, e acreditava que seria infinitamente feliz quando pudesse viver fazendo o que amava. Então, por que sentia que se cobrava demais e se satisfazia de menos? Por que chorava, sozinha, com notas ecoando dentro da cabeça quando treinava por horas a fio e se sentia incapaz? Uma pena para ninguém, além dela mesma, que o artista de coração dolorido seja tão cativante. Mas Lira entende que é extremamente apreciada, só que… Ainda assim, entre tantas coisas, questiona-se se teria tanto valor como música se tocasse com o peito alegre. Não há nada que ela consiga tocar mal, se ao menos entendesse isso sobre si.
cnn
As mãos delicadas da musicista nunca foram tão violentas como no dia que Delfim surgiu na praia. Ela correu primeiro, é claro, ou tentou. Ele a caçou como se o ato fosse nada mais que natural, talvez só porque ela havia corrido. Não se corre se não quiser ser perseguido, ele havia tentado explicar com naturalidade quando a consciência da terra o atingiu e ele despertou com uma dor de cabeça gigantesca, o sangue seco nos cabelos. Ela havia contado sobre a luta, e sobre a pedra que usou para nocauteá-lo depois que a capturou, fazendo nada além de contê-la e a olhar com olhos escuros. Lira precisou de ajuda para levantar o corpo desacordado de si enquanto tremia aquela noite, e não parecia mais a mesma pessoa quando o xingou pela arrogância da resposta. Menos ainda agora, quando não sente a menor faísca de medo sob seu olhar familiar, um ano depois.
A música que Lira e Dragão faziam juntos era de elevar o espírito. Mas isso foi tão antes… Tão antes de vê-lo cada vez mais explosivo, impossível de domar. Quanto mais tentava, mais o afastava, e logo era alguém que mal podia reconhecer. A amizade de infância se tornou nada além de memória e mágoa. Dragão parece seguir inabalado mas, estranhamente, distribuiu socos quando a viu acuada uma noite dessas num bar de Magdalene. Verdade que, depois disso, seguiu a vida como se nada tivesse acontecido, mas de fato aconteceu.
Insulana — nunca deixou Saint Abbon de Fleury
Idade: 26 a 29 anos (utp)
Ocupação: musicista
Moradia: (utp)
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality✓ Free Actions
Free to watch • No registration required • HD streaming
Bem sucedido em tudo que faz, não deixa nenhum plano iniciado sem uma conclusão. Isso é fácil, quando tudo que faz é disseminar o caos, e todos seus planos são de início, meio e fim em serviço dessa entidade que rege sua vida. Queima tudo ao redor, afasta todo mundo que tenta alcançá-lo, cuspindo fogo em todas as direções. Dragão havia deixado a ilha há três anos, e quando retornou, em julho, ninguém estava preparado para tê-lo em suas vidas novamente. O olhar viperino de uma diversão assustadora, a acidez nas palavras que soam contidas apenas porque isso causa mais arrepios. Por que estava ali? Dizem que disse algo parecido com “pra mim é uma honra vocês não gostarem de mim, vocês são nojentos” e partiu. Dizem, também, que voltou porque arrumou problemas demais por onde esteve. Se isso é verdade ou não, manter tal mistério lhe agrada.
cnn
A música que Lira e Dragão faziam juntos era de elevar o espírito. Mas isso foi tão antes… Tão antes de vê-lo cada vez mais explosivo, impossível de domar. Quanto mais tentava, mais o afastava, e logo era alguém que mal podia reconhecer. A amizade de infância se tornou nada além de memória e mágoa. Dragão parece seguir inabalado mas, estranhamente, distribuiu socos quando a viu acuada uma noite dessas num bar de Magdalene. Verdade que, depois disso, seguiu a vida como se nada tivesse acontecido, mas de fato aconteceu.
Quando duas pessoas são tão diferentes e formam uma unidade tão estreita, a imagem pode se assemelhar à dança do equilíbrio de yin-yang, opostos complementares. Impossivelmente distintas, Compasso e Dragão caminhavam juntos desde uma fatídica noite de caos e ombros amigos, esse último algo que os dois precisavam tanto que foi como se soltassem um suspiro de alívio conjunto. A lógica e a emoção, o pé no chão e o mergulho nas profundezas. O alívio de um peso que não percebiam segurar, era o que eram um para o outro.
O retorno de Dragão podia não ser tão bem recebido por grande parte da população, aquela que o olhava de canto de olho, uma pitada de medo e julgamento, mas estar do lado de Cão Maior certamente facilitava as coisas. A relação inquebrável dos dois tinha de cimento inúmeras histórias, promessas, segredos e piadas internas, e quando diz-se inúmeras é porque são de fato incalculáveis, somadas desde a infância dos dois. Molecotes travessos que corriam por toda a ilha e que, em certos momentos — principalmente quando estão juntos — parecem ter crescido apenas em tamanho. Se um deles já é muito…
Insulano — retorno para Saint Abbon de Fleury: há 4 meses
Idade: 25 a 28 anos (utp)
Ocupação: (utp)
Moradia: (utp)
A leveza de seus passos quase não deixa pegada na areia, e os cabelos mesmo soltos ao vento mal parecem embaraçar. Uma pintura. Não, pois seria indicar que sua graciosidade é estática, e não o é, jamais seria assim para uma dançarina. A melhor da ilha, a melhor de todas, você pode ouvir falar. Vi algumas dançarinas na internet, lá na biblioteca, Cisne, e você é a mais delicada e elegante de todas. Ela agradece com um sorriso, diz que são seus olhos, e cada movimento seu é… belo. Jamais ter precisado sujar as mãos deve ter ajudado. Bom, isso é pouco falado. Ao menos na sua frente. Filha do maior agricultor da ilha, Cisne é a princesa de Piaye, intocada. Tão intocada que era óbvio que o casamento com Baleia não iria para frente. Observando com o canto do olho enquanto caminha pelas ruas de Magdalene, ela pode ouvir quando o vento traz comentários sobre isso. Não era mentira, era?
cnn
Cisne e Baleia foram high school sweethearts. Ela, filha de agricultor, ele, filho de pescador. Todo mundo sabia que seria difícil. Mesma escola, uma ilha tão limitada que poderia ser sinal de compatibilidade, mas rotinas tão diferentes. De toda forma, perseveraram no relacionamento feliz apesar de qualquer pesar, entendendo que tinham algo construído e a seguir construindo. O noivado não foi mal recebido pela família de Cisne, mas tampouco fora comemorado, e não pode-se dizer que a família de Baleia tenha colocado muita fé, mesmo depois de tantos anos. O fim foi honestamente um alívio, um “bom, era de se esperar, agora sigamos”. Os dois sofreram terrivelmente a falta um do outro, e as recaídas não foram raras, mas o relacionamento nunca mais retornou.
Cisne poderia jurar que vira Delfim na noite em que sua mãe se foi. Só não o faz porque isso é assunto proibido. Fala-se sobre os arrastados para dentro do mar, mas não se fala sobre quem os arrasta. É uma política da boa vizinhança com os tarka que Cisne abomina, mas segue, sem ter a coragem de falar algo desagradável em alto e bom tom. E a sua reputação? De qualquer forma, quando ele apareceu três anos depois, tinha exatamente o rosto que ela lembrava da criatura de mãos ágeis que segurou sua mãe pelo pé, a última vez que a vira. Delfim entende que Cisne o detesta, é notável para si, seu olhar perscrutador incapaz de deixar passar que ela evita todos os tarka, por mais que finja que não, mas ele desconhece as razões de receber um tratamento especial.
Insulana — nunca deixou Saint Abbon de Fleury
Idade: 24 a 27 anos (utp)
Ocupação: dançarina
Moradia: Piaye