Insidious - Além do que Sabemos - Dalton x Oc
Tw: Linguagem imprópria, insinuação de sexo, violência,+18.
A escuridão tomava conta do quarto em que estavam. Escorado na parede de um canto quase invisível pela falta de luz, Dalton se concentrava na voz aveludada de Chris ao seu lado, atenta aos olhos fechados do rapaz, enquanto os números desapareciam em uma contagem regressiva já começada aos dez, que agora continuava ao 5,- ...5...- a consciência de Dalton cada vez mais parecia menos presente. Os olhos cerrados dando a falsa sensação de estar entrando em um cochilo, ficaram mais leves ao escutar novamente o eco feminino que rodava o quarto com um sussurro, -...4...
Tentando disfarçar seu nervosismo, Chris contava os segundos rápidos e repetidas vezes em sua mente. Queria que tudo acabasse o mais rápido possível já que seu medo era bem maior que sua curiosidade sobre achar o espírito do jovem que acabou falecendo na festa da fraternidade passada. -...3...- o rapaz agora com a cabeça bem apoiada na parede, começou a ter seu corpo pesando sob o chão gélido, ficando desleixado e se espalhando tomando cada vez mais alguns poucos centímetros do piso.
...2...- mais a mente de Dalton se escureceu indo para longe. Sua cabeça não obteve apoio o suficiente e acabou caindo para o lado, se apoiando em seu próprio ombro, tendo seu rosto coberto por uma mecha de seu cabelo castanho com poucas voltas com o começo de fios cacheados. Seu corpo agora parecia inabitado, com sua respiração diminuindo como se ameaçasse não utilizar seus pulmões daqui em diante. -...1...- a carcaça agora ficou vazia, sua mente agora transportada para outro plano. Facilmente confundível com o corpo de um recém morto.
-Dalton?- Chamou Chris na esperança de ter certeza de que realmente estava acontecendo, de que realmente seu amigo poderia ser um viajante astral, e que agora estava perambulando ao seu lado sem que seus olhos inquietos pudessem o ver, mesmo depois de vasculhar o escuro cômodo várias vezes.
O silêncio tomou conta, deixando o suspense se espalhar na mente da garota, a fazendo se sentir mais tensa do que normalmente ficaria em uma situação que precisasse se esconder. O barulho de seu respirar era a única coisa que se ouvia no quarto. Parecia respirar mais alto do que o normal do dia a dia, até que o ranger da porta de madeira tomou conta trazendo a atenção até a saída que já estará aberta. Os lábios brilhosos se estenderam ao saber que a porta não se abria sozinha, mas sim sendo controlada por seu amigo que a passava.
Observando a grande madeira quadrada se fechar, como se visse Dalton a cerrando para que ninguém a visse e visse seu corpo sem vida, sua confiança foi depositada de que realmente estava tudo saindo conforme o plano, e que suas pesquisas sobre projeção astral estavam de fato certas. Seu celular foi pego e sua tela acendida, iluminando o rosto da garota enquanto apoiava suas pernas na escrivaninha ao seu lado, apenas tendo como pensado minutos antes, esperar seu amigo voltar com as respostas pelas quais achava que precisava.
O lampião que iluminava a face concentrada de Dalton brilhava em um azul bebê, que não se estendia muito pelo corredor pelo qual andava. Apenas era possível ver o chão em que pisava e o começo das paredes de madeira, pintadas com um marrom avermelhado, e o restante que se escondia nas sombras, podiam ser confundidas com o limbo do espaço inacabável, sem nenhuma pista de que poderia haver alguma continuidade.
Ouvindo os sons que ecoavam baixo no ar de uma conversa, o rapaz que parecia estar colorido com um azul acinzentado andou na direção dos sons. O ligar se tornou mais visível assim que se aproximava de uma das portas abertas, tendo os detalhes do lugar banhados em uma cor cinza escura, quase pálida, dizendo o caminho que deveria seguir.
Assim que adentrou no cômodo, observou o mesmo rapaz da festa da fraternidade da noite seguinte, junto de uma mulher desconhecida. Dalton se lembrava de ter sido avisado que o rapaz estaria estudando, por mais que não parecesse, e de fato não era. Seu rosto estava coberto por algo branco, como uma máscara facial. Mas estava quebradiça e caindo aos poucos, até que sua amiga pergunta também percebendo o estado do produto, - Vai ficar com isso até quando?
Não se ouviu nada mais além de um suspiro irritado vindo do rapaz enquanto a cama se mexia conforme ele se movia para sair do meio da grande cama de casal. Dalton assistia os passos alegres, e assim que se aproximou do banheiro, seu andar se tornou saltitante enquanto uma música invadia sua mente, o fazendo murmurar cantorias baixas da tal letra. Assim que abre a torneira de sua pia, as suas falas ritmizadas são transformadas em um barulho aquático. Ao mesmo tempo que o produto de seu rosto era retirado por suas mãos que massageavam seu rosto alegremente, suas pernas ainda se moviam em uma dança mais calma enquanto cuidava para que a água não molhasse o chão.
Os olhos de Dalton observavam atentamente ao redor, a procura da face fantasma que havia visto naquele banheiro horas atrás. Estava de certa forma confuso, já que esperava o ver de imediato. Estava sem ideia de como o encontrar. Observou mais um pouco o garoto ao seu lado dançando calmamente em frente ao espelho. Se olhava com admiração, observando seu corpo magro se movimentando. Os olhos que antes estavam agitados, agora se encheram pelo amor por si. Rapidamente andou até a porta que se encontrava aberta, se apoiando nas barras de madeira que saltavam da parede dando indício que ali era a porta, o rapaz diz alto para sua amiga, - Eu vou demorar!- em seguida fecha a porta. A única coisa que se ouve de sua amiga é uma frase com um tom incomodado, - Ugh, que nojo.
O rapaz vendo que não iria encontrar o garoto fantasma, decidiu que seria melhor voltar para o quarto onde seu corpo estava, antes que as coisas ficassem mais intimas e desconfortáveis. Dalton caminhou para fora do quarto, tomando todo cuidado possível para que não fizesse barulho, ou trombasse em algum objeto. Chamar a atenção de alguém com certeza não seria a melhor situação para agora.
De volta ao corredor, em sua mente apenas se passava que deveria voltar ao seu corpo o mais rápido que conseguisse. A essa altura talvez Chris já estivesse ficando preocupada com a demora. Porém, seus passos não se apressaram. Ainda assim queria caminhar com calma para ter certeza de que não havia passado por nada que fosse útil nesse plano. Ainda se encontrava curioso com o nosso mundo que havia descoberto. Suas pupilas observavam como o ambiente se escurecia conforme se afastava do quarto onde os dois adolescentes estavam. As paredes pintadas de claro começaram a se pintar de cinza, para mais na frente se tornarem um preto rachado por um azul acinzentado escuro,
-Dalton! – o som suave dos passos pelo chão amadeirado se parou subitamente ao ouvir o fraco sussurro que logo se dissipou no ar. Confuso, o menino observou ao redor para ter certeza de que realmente havia escutado algo. – Dalton! Acorda! – desta vez teve certeza de que não estava ficando louco. Seus pés se movimentaram em uma corrida apressada em direção ao chamado de Chris.
Os chamados não paravam, os sussurros pareciam cada vez mais e mais agitados e desesperados. Isso deixou Dalton preocupado com o que poderia ter acontecido. Porém, o corredor se tornou escuro de repente. Ainda mais escuro do que antes, tomando lugar da fraca luz acinzentada que insistia em continuar alguns metros afrente, agora tendo seu lampião a toda força para iluminar o caminho com seu azul claro.
Em contrapartida, Chris estava ao lado de Dalton, ajoelhada ao seu lado o chacoalhando para que voltasse logo, já que começou a ouvir conversas e passos perto do quarto que estavam. Não teria entrado em desespero se não os ouvisse tão perto, e um dos dois que conversavam dizendo que iriam entrar no quarto que havia sido trancado por dentro. Assim que os sons agudos das chaves começaram a estalar, a deixando em pânico, tentando pensar na melhor desculpa para justificar os dois naquele quarto sozinhos, com Dalton desmaiado, o cômodo se tornou totalmente escuro, com um barulho suave, porém agudo que se foi diminuindo como se estivesse sumindo. As luzes haviam sido apagadas, e não apenas aonde os dois estavam, mas sim na casa inteira.
Seus olhos arregalados se focaram nos barulhos agitados da entrada do quarto, mas não se seguraram por muito tempo, já que giraram pelo lugar, tendo certeza de que não era apenas algo de sua mente, que estavam sozinhos sem nenhum tipo de fantasma os observando. Por mais que a garota não tivesse medo do escuro igual Dalton, ainda assim não o considerava um amigo parceiro. Os lábios carnudos se apertavam e se soltavam enquanto seu corpo lutava contra si mesmo para que saísse do transe que a congelara na mesma posição por alguns segundos, que mais pareceram horas.
Ouviu-se múrmuros de curiosidade e medo por de trás da porta, mas logo luzes apareceram debaixo da porta, iluminando o chão pela pequena fresta que limitava a separação entre o chão e a porta. A garota jurou não se meter mais nesse tipo de situação. Sabia que se fossem pegos, teriam eu responder um interrogatório inteiro, e provavelmente ela teria de achar alguma desculpa para aquilo. Ela pensava enquanto voltava a sacudir o garoto, que ainda não havia voltado e continuava apagado.
Dalton suspirou rápido e fundo, e continuou com os passos apresados enquanto virava o corredor. O lampião balançava em sua mão que apertava a alça do objeto com toda força. A respiração se tornou uma bagunça, se desequilibrando com respiradas rápidas e trêmulas por conta do frio que agora o consumia. Não se lembrava de estar tão frio como estava neste momento. Algo havia acontecido, e ele não sabia o que era. Fumaça saia de sua boca e nariz, seu corpo começou a se esfriar como se estivesse se tornando um cadáver sem o quente sangue que circulava. O silêncio sem os chamados sussurrados apenas serviu para deixar o momento tenso e agonizante, lhe vindo em sua mente o pior que poderia acontecer: terem pego Chris e seu corpo.
Em um momento em que não prestava atenção em mais nada ao seu redor, apenas concentrado em chegar até sua amiga, não percebendo o quão longo o corredor havia se tornado, da parede, quebrando as madeiras e a tintura, um braço surgiu em direção ao rosto do rapaz, quase o agarrando se não fosse sua agilidade ao se desviar para baixo, observando de onde havia surgido a cadavérica parte que se movimentava raivosamente, em seguida se escutou o grito desesperado e choroso, - FECHA A PORTA!!- o grito era conhecido, e o dono também. Por alguns poucos centímetros não sentiu a gélida e sem vida pele do outro menino, mas foi o suficiente para que tropeçasse em seu próprio pé e deixasse sua única fonte de luz cair no chão, tendo a visibilidade diminuída. Havia o encontrado, mas agora o tempo era curto, o ar se transformou em algo pesado que parecia pesar em seus pulmões enquanto corria para se afastar do fantasma, esquecendo completamente de seu lampião que brilhava cada vez menos a cada passo.
Havia escapado do espírito do banheiro, que ainda continuava a gritar, não amenizando o sentimento de agonia que Dalton sentia. Suas pernas se recusavam a pararem até achar o quarto. Porém, algo estava errado, já era para ter chegado. A casa não tão grande a ponto de ser difícil achar um cômodo. Nem era tão grande para ter mais de dez quartos em m corredor único. O rapaz estava estranhando já a demora, mas estava hesitante em parar para pensar melhor. Entretanto, novamente sentiu a sensação de que algo estava modificando o ar. Não precisou olhar para trás para saber que algo rastejava em sua direção. Suas orelhas podiam ouvir os passos pegajosos e desesperados dos pés e das mãos da criatura sob a madeira que rangia violentamente conforme o tal ser se aproximava.
Sua respiração começou a falhar assim que percebeu que tudo isso poderia não acabar mais. Os passos rápidos e seguidos da criatura infestavam sua mente pedindo por ajuda, qualquer ajuda, qualquer um que estivesse perto. Não queria ser pego nesse momento. Sua cabeça tomou coragem e se virou o suficiente para sua trás. Se deparou com as costas de algo negro que corria de quatro como se estivesse com os ossos fora de seus lugares. O barulho se fez presente agora. Suas mãos peladas assim como suas costas e seu rabo que balançava alegremente, os membros que se quebravam a cada movimento produzindo algo agoniante de se ouvir, não sabendo se a carne ou os ossos era o problema, junto dos grunhidos arfados que pareciam estar vindo de uma dor irreparável.
Ouvindo os passos atrás como se estivesse centímetros de o tocar, Dalton tentou correr mais, mas o ar que estava congelando seus pulmões o impediram de conseguir dar seu melhor. Sua camiseta começou a ser puxada para o chão, uma pequena parte que se assemelhava a uma pedra de gelo tocou o começo de suas costas, e em seguida ouviu-se um som de algo que pareceu se rasgar com força. Um pedaço da borda de sua camiseta havia sido jogado fora pelas garras apodrecidas da criatura. Seus grunhidos se intensificaram ao perceber que não o havia pego. Gemidos de dor surgiram junto de sua velocidade. Sua garra se direcionou a batata da perna do rapaz.
Antes que conseguisse o derrubar, uma luz roxeada tomou conta do lugar, revelando o corredor novamente, mostrando para Dalton o lugar que estava, o relembrando de seu objetivo fracassado, em seguida uma silhueta mais alta que si se pôs entre o mesmo que se freiou para observar a situação, após quase cair novamente, o rapaz encara o corpo que era bem esquisito e totalmente diferente do plano que estava.
O lampião com formas ponteagudas e esguias foi levantado reforçando a luz roxa, e com uma rajada de algo que se assemelhava ao vento, porém não ouve nenhuma ventania, o ser que o perseguia rugiu de maneira dolorosa, desaparecendo na escuridão. Os dois coques que se exibiam no topo da cabeça do ser desconhecido chamaram a atenção com suas cores incomuns. Pintado de um roxo forte o lado direito, e de cor natural castanho escuro o lado esquerdo junto de um acessório na forma de uma borboleta na parte de trás que se destacava. Seu casaco era largo de um tom pastel do roxo com alguns doces bordados, parecia usar um shorts preto com algumas estampas e decorações douradas, meias que começavam no meio das grandes coxas, e um cachecol preto com sua ponta longa e rasgada.
- Vambora. A Chris tá quase chorando. – uma voz aveludada tomou conta do lugar, enquanto a garota se virava para Dalton. Havia um único olho que se amostrava em um vermelho brilhoso sangue. O Outro era escondido por uma franja da cor castanha. As cores do cabelo haviam se invertido. Era muito detalhes para serem pegos de uma única vez. A garota era estranha e incomum. Provavelmente um espírito de alguém que já partiu do plano físico. Seu rosto continha um óculos roxo escuro, em suas bochechas ao lado de seus lábios dois cortes que formavam um sorriso por cima de uma cicatriz com sete triângulos precisamente era mostrada, com linhas coloridas costurando os cortes. Uma camisa roxa com um decote generoso, mostrando a tatuagem incompleta de um galho com espinhos era exibida.
Uma última olhada na garota de cima a baixo, a analisando fez Dalton criar um pouco de coragem para perguntar, -Quem é você?
Ela suspirou fundo como se já esperasse por essa pergunta. -Gabrieli.- em seguida, sua mão direita se direcionou ao pulso do rapaz, o fazendo sentir a quentura de sua luva preta que cobria até a metade de seus dedos. Em seguida começando a caminhar. O silêncio tomou conta dos dois que caminhavam de maneira despreocupada até o final o corredor. Assim que viraram, Dalton resolveu que iria quebrar a ausência do som, - O que é você?
- Muitas coisas. Mas menos um anjo. – uma resposta que gerou ainda mais perguntas. Mais alguns passos, e haviam chegado num quarto com a porta aberta. Entraram, e o garoto viu Chris tentando inventar sua desculpa ao lado de seu corpo seu vida para os dois adolescentes que os flagraram. Dalton olhou para Gabrieli que inclinou sua cabeça o indicando para ir para seu corpo. O rapaz caminhou até si, antes de voltar a vida, observou por última a garota incomum, percebeu em sua sombra dois pares de chifres e um rabo. Por enquanto decidiu ignorar, e finalmente recobrou sua consciência, acordando com uma respiração necessitada de ar, como se estivesse dentro da água se afogando.