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De Jullie para Jullie
Eu nunca vou me curar de todo mal passado .. não existe um antidoto para apagar minha memória. Eu vi a morte de pertinho e escolhi voltar à superfície, não estava escrito terminar dessa forma, naquele dia eu decidi que o pior e o melhor estaria por vir e eu queria estar pra viver toda história que Deus escreveu. Eu segui em frente de olhos bem abertos lutando contra todos os meus demonios, busquei força nas minhas fraquezas e transformei disso minha armadura para que ninguém no mundo tivesse qualquer poder sobre mim, de repente me reinventei e reencontrei no caos da vida adulta e aprendi que a dor e as perdas, os momentos difíceis nunca vão parar, a forma em que eu exergo e encaro a vida sim deve ser compreensiva e libertadora, não há nada nesse mundo que eu não possa fazer. Em mim acredito, do meu esforço me encarrego e apenas Deus tem o poder de me parar. Eu sempre quiz mudar o mundo e excluir a maldade dele, mas aprendi que ela vai sempre seguir lá, sou eu quem jamais posso permitir que meu coracao se repreenda, jamais deixar de ser generosa ou ter empatia pelo mundo. Não se feche Jullie, se precisar andar sozinha, VÁ, mas jamais desista de você de novo. Lembre-se que o mundo continua, ele dá voltas e gira constantemente, só Deus sabe onde você vai parar. O mundo é seu, batalhe e corra atrás do inacreditável, do impossível, faça sua parte! Seja honesta e ajuda quem cruzar sua caminhada mas jamais confie ao ponto de fazer deles sua casa, é você quem tem o poder sobre si mesma , a independência.
Eu estou orgulhosa de você! Daqui 4 anos você vai ler isto na sua casa própria, eu boto fé! Amém
Brazil, Order and Progress.
Rio de Janeiro wonderful city.
What immigrant fleeing the war wouldn't want to try a new life in a country where you hear these things? everything here is very contradictory. instagram.com/porracristo/
EETCS, a instituição de ensino mais coletivista e igualitária de Caxias do Sul/RS. (eetcs - Escola Estadual Técnica Caxias do Sul)

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Volta para a tua terra
Eu sou imigrante. Expatriado é o nome que se dá à pessoas com características específicas.
Normalmente pessoas ricas e brancas. Há algumas excessões em cor, em classe social, mas o país de onde ela emigrou pode ter influência para a utilização do termo.
Eu venho da América do Sul, Brasil, e me estabeleci na Europa, Portugal. Minha "passabilidade" de branca me deu certos privilégios e consegui me encaixar em grupos sociais locais pela facilidade do mesmo idioma (resultado da colonização portuguesa no Brasil) e da minha carga de estrangeirismos que aprendi ao longo da vida num páis que idolatra os produtos estrangeiros e neocoloniais.
Mas essa "passabilidade" está em jogo. Portugal está a entrar numa política anti-imigratória.
O mais difícil, talvez, mas também merecido, é a rejeição e olhares desconfiados dos locais que antes já me ofereceram sorrisos; eu sempre soube que eu tinha a "passabilidade", eu sempre soube que eu era como a mascote que eles decidiram adotar, eu sempre soube que nunca fora vista realmente como uma igual, embora eu tivesse esperança que um dia o fosse.
E eu digo que foi merecido exatamente por isso: por ter me deixado levar. Por ter baixado a guarda. Por ter tentando me encaixar e agradar e caber, quando desde o princípio deveria ter rejeitado o "afeto" de quem descrimina (mas não à mim), segrega (mas não à mim) e faz "piadas" (mas não sobre mim). (Ainda).
E daí a pergunta: por que não volta para a tua terra, então?
Porque conheci pessoas maravilhosas. Conheci verdadeiros aliados dentro de um lugar onde poderiam se deleitar nos seus privilégios e ignorar qualquer situação social alheia, como eu já fiz, mas que ao contrário, escolheram a luta.
Me senti uma traidora ainda mais indecente quando comecei a me radicalizar. Por que não estou ao lado do meu povo? Por que a luta que agora travo aqui, não a faço de volta em minha terra? Por que tive que deixar a minha gente para que me crescesse essa visão?
Foi quando li sobre individualismo e coletivismo, e a literatura da psicologia talvez diga que eu tenha sentido reafirmação e validação na interpretação desses conceitos.
Mas será mesmo?
Quando você se torna um militante, sua posição social muda? O motivo que te fez deixar sua casa, de onde supõe-se que estava desconfortável, e por isso se deu a sua saída, de repente e magicamente foi resolvido?
Também só não faz mais sentido que você tenha compreendido as chagas que acompanham o trabalhador em QUALQUER lugar que ele pise? Uns com mais privilégios que outros, mas sempre um trabalhador que é portador das mazelas do sistema que foi feito e desenhado para dividir e conquistar?
Será que não vejo o trabalhador branco, português, pegar a mesma fila que eu para uma consulta num postinho médico público? Será que nós, os dois, não estamos a passar pelos mesmos problemas financeiros e de dignidade da vida neste exato momento?
Será que não foi o político, que por acaso também é empresário, que apontou o dedo para mim e disse: "cuidado, essa imigrante quer roubar a sua vaga na fila!", ao mesmo tempo em que precarizava o serviço público de saúde que estamos a tentar usar? Será que não foi ele que retirou o investimento dessa entidade e o transferiu para um mercado predatório em crescimento vertiginoso, como o mercado imobiliário, por exemplo? Ou da hospitalidade/turismo?
E ora, também um adendo, não acontece casos de xenofobia e rivalidade entre pessoas da mesma nação, mas de regiões/estados/distritos diferentes?
Parece-me que essa questão toda seja um bocado mais profunda que a pesquisa e leitura que eu tenha feito. Há que se estudar mais.
A citação "Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada homem é uma partícula do continente; uma parte do todo...", embora pertencente à um jacobino, John Donne, que foi dicutido por alguns lá nos primórdios do liberalismo, é a que com mais frequência me vem à cabeça quando penso no assunto.
Já ouvi a icónica frase de comando: Volta para a tua terra!
E digo que não volto! Ou volto quando eu quiser! Ou quando me obrigarem de maneiras fascistas, mas aí já terão mostrado suas verdadeiras cores, e a luta pela equidade dos seres na terra se tornará então cada vez mais forte diante dos atos opressores, divisórios, excludentes e violentos, vindos de um pequeno grupo que, nos dias em vigência, realmente ainda detêm o poder.
E que na terra não há nada de ninguém ou alguém. Ou pertencemos à ela, como iguais, mesmo em nossas individualidades, ou pereceremos todos.
Se eu tivesse desistido quando pensei em desistir…
Eu não estaria aqui vivendo a leveza que eu sempre sonhei. Nem ajudando tantas mulheres a transformarem sua relação com a comida e com o próprio corpo.
Nesses 3 anos e 9 meses morando fora, empreendendo e construindo minha vida, se teve uma coisa que eu fiz foi duvidar das minhas escolhas. As dificuldades foram muitas: a saudade da família e da minha cultura, a insegurança de estar sozinha pela primeira vez, a documentação que parecia nunca resolver, meses sem clientes, o financeiro apertado, jornadas exaustivas conciliando trabalho CLT e os atendimentos, e aquela solidão que só quem mora fora conhece.
Teve dias em que eu saía do restaurante cansada, chegava em casa e pensava:
Será que tudo isso vai valer a pena? Será que eu vou conseguir?
Mas ao invés de parar, eu respirei fundo e dei o próximo passo. Mesmo cansada, mesmo com medo, mesmo cheia de dúvidas. Aos poucos, tudo foi se encaixando. E hoje, cada cliente que chega, cada transformação que acontece, me mostra que o processo valeu — e vale — muito a pena. Hoje eu ensino o que eu mesma precisei aprender. Que é possível viver com leveza, se cuidar, trabalhar, construir seus sonhos, e ainda aproveitar a vida de verdade — sem dietas, sem culpa e no seu ritmo.
Se você também sente que carrega muita pressão e quer encontrar essa leveza, saiba: é possível.