Hortas em comunidades contribuem para saÃēde mental e bem-estar
Colocar as mÃŖos na terra para plantar, sentir o aroma dos vegetais frescos e acompanhar o desenvolvimento de hortaliças e verduras, por exemplo, pode ser um processo que, alÊm de incentivar hÃĄbitos alimentares mais saudÃĄveis, contribui para a autoestima, fortalecimento de vÃnculos em sociedade e colabora com a saÃēde mental. Estes sÃŖo apenas alguns dos efeitos relatados por voluntÃĄrios que cuidam de hortas ao serem questionados sobre os benefÃcios da hortoterapia. O movimento vem crescendo nos Ãēltimos anos em Salvador com a implantaÃ§ÃŖo de hortas urbanas pela Secretaria de Sustentabilidade, InovaÃ§ÃŖo e ResiliÃĒncia (Secis). Em atividade hÃĄ trÃĒs anos, a horta urbana situada na Avenida Paulo VI (Pituba), desenvolvida por cidadÃŖos em parceria com a Prefeitura, Ê exemplo de como um ambiente degradado pode ser transformado e ainda contribuir socialmente. A ÃĄrea de 11,5 mil m², usada anteriormente apenas para descarte irregular de lixo, hoje abriga uma gama de espÊcies de vegetais, desde ÃĄrvores frutÃferas, plantas medicinais, hortaliças, legumes e verduras. Em mÊdia, sÃŖo colhidos por semana, aproximadamente, 20 kg de alimentos que sÃŖo inteiramente doados a instituiçÃĩes que cuidam de idosos carentes de sete locais de Salvador. O trabalho contribui nÃŖo apenas com o alimento em si, mas com uma alimentaÃ§ÃŖo saudÃĄvel, variada e sem o uso de quÃmicos. SensaçÃĩes â Idealizador da horta na Pituba, Wilson BrandÃŖo contou que a hortoterapia vai alÊm do cultivo, pois estreita laços humanos e possibilita um olhar mais apurado sobre a vida. âEssa conexÃŖo que se estabelece entre as pessoas e o fato de mexer com a terra transforma as pessoas, acalma, tira o foco dos problemas. A gente entra aqui e percebe um clima diferente. Com o tempo, vocÃĒ nÃŖo consegue mais ouvir o barulho externo do trÃĸnsito, por exemplo, porque o barulho dos pÃĄssaros, dos insetos e do local em si toma contaâ, explica. AlÊm de refÃēgio para mais de 30 voluntÃĄrios que se revezam para cuidar do espaço e de contribuir socialmente com as doaçÃĩes para as instituiçÃĩes, o local ainda recebe grupos de crianças com idade entre cinco a dez anos para promover um primeiro contato com a natureza. A intenÃ§ÃŖo Ê mostrar a importÃĸncia da mudança de hÃĄbitos que podem preservar o ecossistema. A aposentada Georgina Tachart, 62 anos, mora no bairro do Rio Vermelho, mas faz questÃŖo de colaborar com o projeto e destaca que ele Ê a prÃŗpria terapia. âPrecisamos de um contato maior com a natureza e, vivendo na cidade, isso Ê um pouco difÃcil. Chegando aqui Ê como se a gente voltasse para a roça, sendo que Ê dentro da cidade. à uma experiÃĒncia maravilhosa de sentir os perfumes, respirar o aroma que sai das ervas quando a gente estÃĄ regando, a gente vÃĒ borboleta, passarinhos... à uma experiÃĒncia visual, olfativa e sensitiva quando a gente lida com a terraâ, conta entusiasmada. Psicossocial â Desde 2017 o Centro de AtenÃ§ÃŖo Psicossocial (CAPS) Aristides Novis, no Engenho Velho de Brotas, aderiu à hortoterapia como recurso para dar mais qualidade de vida aos atendidos na unidade. A nutricionista do serviço, Maria de Lourdes Freitas, explica que os benefÃcios de ter uma horta começam a ser percebidos quando o usuÃĄrio vÃĒ nascer coisas que antes sÃŗ via na geladeira, na panela ou em gôndolas de supermercados. "Inicialmente nÃŗs começamos fazendo educaÃ§ÃŖo nutricional, entÃŖo falÃĄvamos dos benefÃcios de se comer frutas, verduras e legumes, de utilizar os alimentos mais naturais e, a partir da horta, conseguimos aliar a fala com a prÃĄtica. Eles foram se apoderando da horta, cuidando e levando para casa alguns itens". Ela destaca tambÊm que usuÃĄrios com problemas de excesso de peso e hipertensÃŖo, por exemplo, jÃĄ estÃŖo repensando o estilo de vida e adaptando a alimentaÃ§ÃŖo. Alguns, inclusive, aderiram à prÃĄtica de ter uma horta em casa. Lourdes explicou que a produÃ§ÃŖo ainda Ê pequena, mas que os usuÃĄrios jÃĄ tiveram a experiÃĒncia do plantio de itens como maxixe, quiabo, rÃēcula e atÊ milho. Para a psicÃŗloga Ana Luiza Rubini, a hortoterapia possibilita uma nova visÃŖo sobre si mesmo. Ela explicou que a atividade tem sido muito vÃĄlida e tem impactado positivamente os usuÃĄrios da unidade de diversas maneiras. Uma delas Ê proporcionar a sensaÃ§ÃŖo de serem sujeitos pertencentes a um grupo, que nÃŖo apenas plantam, mas que tÃĒm um propÃŗsito e sentido com a escolha das mudas. Isso, por exemplo, traz empoderamento a eles sobre a prÃŗpria saÃēde. Hoje Ê possÃvel encontrar no local vegetais como manjericÃŖo, alecrim, cebolinha, hortelÃŖ, alfavaca, lÃngua de vaca, alho, boldo, capim-santo e alface. Aproximadamente 20 pessoas utilizam a horta como recurso terapÃĒutico durante a semana. Read the full article
















