Es verdah :0

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Es verdah :0

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A história da minha vida.
Eu estava sentado numa cadeira de hospital, um velho mudo me olhava, enquanto apontava para a janela. Ele precisa da luz do Sol.
Eu me sentia preso a minha liberdade, e ele aproveitava seu último sopro de vida vendo o desvanecer de mais um dia. Invertamos as posições. Enquanto eu morria, ele vivia um pouco mais.
Quando sai caminhando pela porta da frente do hospital, senti um grande peso nas costas. A gente nunca mais se encontraria, pelo menos não nessa vida. Mesmo deixei o lugar acreditando que amanhã seria melhor pra ambos. Ele provavelmente faleceu, e eu provavelmente vivi.
E os dias passaram como segundos, e segundos complicados passaram como anos. Pedi mais sombras para guiar-me no vazio da minha insignificante inexistência em meio aos colossos de vidro. Mais uma vez, eu sai andando pela porta da frente, triste, porém vivo.
Eu realmente chorava aos fins de semana, quando acordava e via que tudo foi tão irreal, apesar da intensidade. Me culpei, culpei aos meus, culpei eles também. Empunhei ódio, e decide fazer uma chacina psicológica com quem ousasse subverter minha dor. Acabei me matando, mas sobrevivi pela terceira vez, e voltei andando pela porta da frente de casa.
Chateado por tudo ter dado certo, eu decidi ver a luz do sol. Abri a janela e lembrei do velho. Pensei em contornar a situação, mesmo sendo bastante retilínea.
Essa é a hora, num tom não tão leve, desperta a fúria que chuta a porta e sai com sede… Em tempo, tudo que existe há de sumir, e tudo que há será destruído… Como a luz quebrando as sombras do velho.
Cristian Precoma.
Garotinha.
As pessoas dizem que nos fortalecemos nos erros,
Eu sucumbi em meio a eles.
Eu gostaria de te mostrar a imensidão do mundo,
Mas o meu já se desfez em meio ao caos.
Garotinha, as vezes te imagino mergulhada em sonhos,
Vivendo o amanhã que nunca chega,
No qual o tempo parou,
Daquele que nunca irá voltará.
Mostre pra eles do que se tratam os sorrisos.
Garotinha engraçada,
Você sabe de tudo isso,
E finge que pode se esconder atrás de um passado,
Mas ele sempre retorna,
Te aprisiona,
Te sufoca,
Te mata.
Cristian Precoma.
A vagabunda.
Amanhece. Ela lava seu rosto, olha os quadros na parede e pega alguns cigarros antes de sair.
Enquanto seu corpo é vulgarizado por quem cruza seu caminho, ela sonha. Sonha com filhos e passeios ao parque nos fins de semana. Só que a realidade bate forte quando murmura — Vagabunda — ao passar por ela. Uma lágrima brotou entre tantas outras que já caíram na noite passada.
Em um bar qualquer, ela senta, pede uma dose, acende um cigarro e tenta esquecer como chegou ali. As histórias pareciam nunca ter fim. Cada dose faz parecer tudo ainda mais nítido. É sempre a mesma história.
Domingo já é seu aniversário, mas ela não lembra quantos anos vai fazer. Perdeu as contas, pois nunca mais houve ninguém pra lembra-lá. Poderia ter sido diferente, mas não foi.
Já embriagada, ela se sente parte do submundo. Ela queria ter sido professora, ter ajudado quem tem fome, ter sido o orgulho da família, mas deitada no chão de um boteco, ela não passa daquilo, de uma vagabunda.
Novamente, cai a noite. Seus rosto cinza é preenchido por um multicor esplêndido. Antes de sair, ela se olha no espelho por alguns segundos, e ela sorri, demonstrando compreender-se.
Ela nunca deixou de ser chamada de — Vagabunda — por ai, mas ela sabia que carregava um universo caótico dentro de si, e por mais que aqueles rostos perversos fizessem questão de demonstrar que ela não era nada… Ela tinha plena certeza que havia sido a melhor vagabunda que existiu.
Cristian Precoma.
Guardiões das Lanternas.
Há uma casinha branca no topo da serra, bem destruída, ruindo cada vez mais conforme o tempo passa. Quem passa por ela durante a madrugada, jura que vê duas lanternas no meio da estrada, e elas piscam a noite toda, até o Sol jogar seus primeiros raios de luz no chão de terra.
A história começa em 1977, quando ali ainda era uma fazenda que cultivava café. Não se sabe ao certo o nome do proprietário, só da sua filha, que tinha o mesmo nome da fazenda — Ana Clara.
Dizem que tudo começou no mês Maio, no começo da colheita. Ana Clara supervisionava de perto os funcionários do pai, que era um homem extremamente rígido e atrasado. Dizem que a mãe da moça tinha fugido pra capital depois do parto, pois já não aguentava mais apanhar do homem, que segundo a lenda, arranjava motivo para pegar o ferrão do gado e bater na mulher. Durante a colheita, o pai da moça fez questão de contratar mão-de-obra bem barata, principalmente jovens mais pobres que estavam desesperados atrás de emprego. Entre eles havia um rapaz bem humilde, cabelo preto, pele morena e que cantava durante toda a colheita. Vendo aquilo, Ana Clara considerou desleixo e correu pra reprender.
— Cê acha que aqui é boteco, rapai? Para cá cantoria e bota o braço no serviço.
Ele bastante encantado com a beleza do moça, disse.
— Mais então ocê que é a fia do dono? Ouvi dize muito que cê era linda, mai oiando de pertinho assim… — E suspirou.
A moça ficou com a bochecha rosada, deu meia volta e foi andando de volta pro começo da plantação. Não se sabe bem ao certo o que aconteceu nesse meio tempo, mas dizem que a lábia do rapaz ganhou o coração da mulher. Passou então o tempo da safra, era hora dele voltar embora pra sua terra e investir sua pequena “fortuna” conquistada. Quando Ana Clara ficou sabendo, ela correu para perguntar.
— Cê vai embora memo? Vai deixa eu aqui?
— Vem imbora comigo, a gente pega uma terrinha e vivi bem…
— Meu pai nunca mi ia deixa sai daqui. E ele ia atrais do cê.
Então passaram a noite toda fazendo planos pra fugir da fazenda. No último dia, já arrumando suas coisas, o rapaz colocou seu plano em prática. Esperou cair a noite, pegou o melhor cavalo da fazenda e jogou as roupas da moça na chincha do macho e esperou ela na porteira. Ela estava tensa, mas confiante. Esperou o velho dormir e foi saindo de mansinho de dentro da casa.
Já na porteira, o capataz e braço direito do velho, vendo a cena, começou a gritar fortemente pro dono da fazenda, que acordou com Smith & Wesson na mão, achando que estava sofrendo um roubo. Quando ele viu o rapaz esperando sua filha, ele ficou enfurecido. Pegou o revólver e começou a mandar bala pra cima do rapaz. Temendo pela própria vida, o rapaz foi se afastando com o cavalo, enquanto gritava pra Ana Clara.
— Mi segui pela voz Ana Clara.
Estava muito escuro e a serração que cobria a estrada estava deixando tudo pior. Ana Clara parava, ouvia os gritos do rapaz, e tentava se guiar, mas ele cada vez parecia mais distante. Então o dono da fazenda deu a ordem.
— Podi mata os dois homi, eu num vo tolera essa vergonha.
Apavorada com os tiros, Ana Clara afundou o pé num buraco de cerca, e com seu peso, acabou quebrando a canela ao meio. Ela gritava mais apavorada ainda.
— Meu Deus, mi ajuda.
Quando ouviu isso, o rapaz voltou no meio do escuro atrás de Ana Clara. Quanto mais alto ela gritava, mais perto ele chegava. Quando finalmente viu sua amada, meteu a espora no cavalo e correu contra o vento na direção dela. Desceu mais que depressa e correu ajudar a moça, que mesmo naquela friagem, soava de bica por conta da dor. Ele tirou a moça do buraco e colocou ela no ombro. Nessa hora o cavalo já estava longe, fugiu por medo dos tiros. Caiu duas lágrimas de Ana Clara na camisa suja do rapaz. Com a voz embargada, ela suspira seu último adeus.
— Eu num queria que fosse assim, mai acabo, cê foi único home que eu amei nessa vida. Memo que a gente num se una aqui, eu vou esperar ocê num outro amanhã.
Completando essas palavras, Ana Clara foi atingida na cintura, e dois passos a frente, o rapaz foi alvejado na perna. Caído ali com a sua amada quase falecida, ele colocou a mão sobre as bochechas dela e disse.
— Essa buchecha rosada foi o presenti mais elegante que Deus mi deu. A gente vai continua junto, Ana Clara, junto aonde Deus quisé.
Foi assim que acabou a história de Ana Clara e aquele rapaz desconhecido. Muito se questiona se é lenda ou aconteceu de verdade. Fui tomar conhecimento dessa lenda ali num barzinho pela redondeza. Curioso e um pouco embriagado, fui até o local onde dizem que o fato acontece. Esperei algum tempo de dentro do carro e quando vi, meus olhos brilharam feito a Lua Cheia. As duas lanternas estavam na estradinha, piscando sem cessar, como se sinalizassem pra todos aqueles que quiserem achar o caminho pra fora da fazenda. Essa história mexe comigo, até me arrepia quando lembro da cena.
E essa é a história de um grande amor que não se viveu aqui na terra, mas que será vivido pela eternidade lá no céu.
Escrita por Cristian Precoma.

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Ruindo.
A mascará vai caindo enquanto o passado fica pra trás. Você pode ver de diversas maneiras, mas não há resposta que agrade, nem pergunta que agregue.
Lembramos uns aos outros com tom nostálgico, enquanto no fundo, cuspiríamos palavras acidas e lembranças podres, dessa forma, apertaríamos nossas mãos e despediríamos, desejando a morte alheia como uma boa noticia pro café da manhã.
Por favor, deixe-se de se esconder, sinto falta do seu orgulho. Quando tudo parece acabado o bastante, apoio minha moral nos seus atos fétidos e penso humildemente em ser o pior possível, o mais indigno de bons olhos. Dá próxima vez que você voltar, vou te embrulhar sob sete panos brancos e extraviar seu Ser pra longe.
Enquanto o tempo se enrola envolto a mim, longe de um aparente sucesso em planos diabólicos, deixo minha marca evidente em algum canto oculto da cidade, talvez na porta da sua casa, talvez na lapide que repousa os momentos.
Por fim, olhando para mim com fetiche, me pergunto se eu estou realmente bem, e não há nenhuma hesitação. Estou indo pro fim, caindo da borda de solidez. Veja meu sorriso, se lembre do meu nome.
Cristian Precoma.
Quinta dimensão.
Enfim, conseguimos desdobrar nossas perspectivas. Agora transitamos entre passado e futuro, mudamos acontecimentos, desfazemos erros e aprimoramos acertos. Vivemos em paz, sem saber que por trás criávamos algo terrivelmente maior.
Em um determinado braço temporal, estou eu sentado nessa cadeira, escrevendo histórias, pensando em ações, correndo riscos. Em algum outro, lugar acabei de morrer totalmente colapsado por pensar demais como seria a vida em outra linha do tempo… Trágico, porém, hilário.
Agora, ascendendo ao mais alto nível de um plano desconhecido, vejo de cima minha vida toda. Cada pequena ação que fiz gerou um destino diferente, um final diferente, uma nova história. Logo penso em escolher aquele que mais me agrada, mas para minha desilusão, para toda ação positiva, existia também uma negativa na linha ao lado. Desesperado, volto ao começo de tudo, logo no nascimento. Há alguma forma de não errar de forma alguma?
Logo nos primeiros passos acabo caindo
Volto novamente
Problemas no parto
Volto novamente
Fui rude demais com alguém que só precisa da minha atenção
Mais uma tentiva
Fiz escolhas que me deixaram depressivo e me levaram ao fundo do poço
Algo tem que dar certo
Envelheço e acabo pegando uma pneumonia por descuido, o que me custou a vida.
Não havia escolha que me fizesse estar totalmente livre da imperfeição. Corri pela minha vida toda procurando um lugar onde não houvesse erro, sem falhas, sem nenhum peso sobre a minha cabeça…
Depois de anos procurando, quando eu estava desanimado e cansado, apenas fui andando pra frente. Segui lento, de cabeça baixa, espalhando tristeza por nunca ter sido o melhor na minha própria vida. Foi quando algo esbarrou em mim, e ergui a cabeça. Era a própria morte, era o ponto comum entre todas as bilhões de linhas. Suspirei, olhei pra trás uma última vez. Entendi que os erros faziam parte do jogo e que me culpar por eles, de alguma forma, só faziam-se mais fortes e maiores.
Fechei meus olhos e me atirei ao vazio. Quando acordei, fiquei surpreso. Eu havia saído novamente de um ventre, era hora de começar tudo de novo.
Cristian Precoma.
Eu torço pela felicidade de todos, eu fui criado para acreditar que há do suficiente para todos! ☀️👌👻 #Smile #FreeToEdit #Filosofic #GoodVibe #LiveYourLife #Free